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Como um benefício de saúde para mães impacta em metas de ESG

Roberta Sotomaior, CEO da fBloom Care/Crédito: Duda Portella bloomcare.jpg
Mulheres com filhos estão ficando para trás no mercado de trabalho. A hora das empresas comprometidas com diversidade de agir é já.

É reconfortante notar que existe um interesse legítimo do mercado em caminhar pela jornada da diversidade e inclusão e, de fato, criar ambientes de trabalho mais heterogêneos. Empresas estão estipulando metas explícitas para contratação de líderes femininas, por exemplo. E já vemos mudanças concretas: um estudo realizado com mais de 700 empresas brasileiras, feito  pela consultoria global de recursos humanos Randstad, mostrou que a presença de mulheres em cargos de alto nível hierárquico foi 168% maior em 2021, em comparação com 2020. 

Porém, é preciso manter um olhar vigilante sobre as ações afirmativas e como estas se sustentam no dia a dia. A atração de mulheres precisa fazer parte de um processo que não invisibilize todos os desafios que o marcador de gênero traz para a vida de cada uma delas. Principalmente aqueles que vêm acompanhados da maternidade. Mulheres foram socializadas para serem as cuidadoras de tudo e todos. Por isso, acumulam funções e sobrecarga de trabalho mental, principalmente quando exercem também a maternidade. As mulheres brasileiras são as responsáveis por 90% das decisões sobre cuidados primários de saúde para a família e por 80% dos gastos familiares com saúde. Elas também são 75% mais propensas do que os homens a usar ferramentas digitais para cuidados de saúde. Não é à toa que, em 2018, uma investigação feita pela Welch´s Foods descobriu que o maternar equivale a 2,5 empregos em tempo integral! 

Mais do que nunca, é necessário que empresas tenham, para além de metas, estratégias sólidas e inteligentes de retenção dessas mulheres que conseguiram atrair. Afinal, a fase da maternidade representa um dos principais desafios das empresas para retenção de mulheres e cumprimento de metas de diversidade e inclusão de gênero: 50% das mulheres em 85% das empresas brasileiras saem do mercado de trabalho em até 1 ano, após a licença-maternidade e esse número permanece durante 24 meses.

Ações pontuais, como palestras e workshops, são importantes para dar fôlego a conversas essenciais sobre a equidade de gênero. No entanto, somente atuações de acolhimento perene são capazes de desenvolver e amadurecer a inclusão. 

Como CEO da Bloom Care, a maior clínica digital de saúde da mulher e da família do Brasil, vejo que o cuidado com a saúde e a manutenção do bem-estar físico e emocional dessas mães e de suas famílias é um pilar da vida pessoal que não pode ser ignorado na vida profissional. O processo de diversidade e inclusão passa pelo o de humanização e exige de gestores que abandonem a velha ideia de que pessoas colaboradoras deixam para o lado de fora do escritório tudo que tange suas vidas para além do trabalho. 

Portanto, trago aqui três maneiras de como um benefício de saúde específico para as mães e suas famílias com acesso facilitado pela tecnologia impacta em questões recorrentes que, infelizmente, ainda estão fora do campo de visão dos gestores. Esse serviço tem o poder de transformar metas de ESG em resultados concretos e de longo prazo. 

O burnout parental é uma realidade

O burnout parental ou o esgotamento extremo de mães e pais é caracterizada por uma exaustão física e psicológica avassaladora associada ao exercício da parentalidade. A pandemia também borrou limites entre a vida pública e privada dos pais e mães. Com escolas fechadas e a impossibilidade de contar com redes de apoio, ambos ficaram sobrecarregados, sim, mas principalmente elas. Se não identificado ou tratado, o esgotamento pode resultar em explosões de raiva, agressões verbais e físicas e negligência com a criança – e com profissionais no trabalho, inclusive. É importante que essas mulheres tenham atenção extra para garantir relacionamentos saudáveis na família, bem como um fluxo de trabalho harmonioso. Na prática, isso significa criar conscientização sobre o tema dentro das organizações e ofertar um atendimento especializado que consiga identificar o cenário, sim, mas preveni-lo com orientações e apoio sobre relacionamento e educação dos filhos em momentos desafiadores. 

Saúde mental materna ainda é tabu

Muitas mulheres grávidas e puérperas que precisam e merecem apoio não recebem assistência adequada e o cuidado de profissionais especializados, o que pode contribuir para o adoecimento no ciclo gravídico-puerperal. No período de 6 a 18 meses após o nascimento do bebê, por exemplo, 25% das mulheres brasileiras apresentam sintomas de depressão. Licença-maternidade estendida é uma política excelente e necessária. Mas somente ela não dará conta de ajudar a mulher a passar por esse turbilhão. Ter uma equipe de apoio especializada durante o pré-natal e pós-parto é um dos fatores de proteção que pode ajudar na prevenção contra a depressão pós-parto e outros adoecimentos relacionados à Saúde Mental Materna, como ansiedade, e reter essas mulheres no trabalho no retorno da licença.

Mães Solo não podem ficar para trás

Um olhar atento às mães solo é necessário. O Brasil conta com 11,5 milhões de mulheres que criam seus filhos sozinhas. Segundo o IBGE, as mães comandam até 40% dos lares brasileiros. É urgente permitir a visibilidade dessa parcela importante da população e entender como o cuidado pode ser pensado para elas. Por serem detentoras de toda a carga mental da família, um benefício de saúde, que entrega um cuidado integral e coordenado, tiraria demandas de planejamento e organização de suas mãos. 

A tecnologia que cuida é uma aliada para a maternidade

Um benefício de saúde digital e focado em mães e famílias é a garantia de um porto seguro acessível, que acompanha essa mulher e seus filhos literalmente no bolso, a todo momento. Isso é de extrema importância, pois o que vemos é que a jornada da saúde feminina e familiar no Brasil e no mundo ainda é carente de soluções que coordenem o cuidado necessário de forma prática e integrada, e com alto índice de resolutividade. Diria ainda que, na maioria das vezes, é essa falta de apoio e acolhimento sistematizado que resulta em sobrecarga e exaustão. Só uma rede de cuidado acompanhado e organizado de ponta a ponta, com protocolos de saúde baseados em valor e evidências científicas, reduzem custos e melhoram desfechos clínicos. Para que fique claro, um exemplo: o cuidado da saúde mental de uma mãe não deve ser baseado somente no trabalho de uma psicóloga ou psiquiatra. Devemos compreender integralmente os desafios diários dessa jornada: amamentação, sono, relacionamentos, comportamento e educação dos filhos, sexualidade, entre tantos outros.

Novas perspectivas e soluções de saúde e bem-estar para mães no mercado já existem e a hora de tomadores de decisões embarcarem nessa inovação chegou. O Mês das Mães não é uma data celebratória. É um momento de gestores repensarem suas estratégias de diversidade e inclusão, abraçarem suas responsabilidades e encararem, enfim, que o cuidado diário com a maternidade é condição inegociável para cumprimento de metas de ESG. 


* Roberta Sotomaior é mestre em Negociação Internacional e Resolução de Conflito pela Fletcher School, Tufts University. Foi pesquisadora na World Peace Foundation e na Universidade de Harvard. Trabalhou por três anos no founding team da Abraham Path Initiative, fundada por William Uy no Oriente Médio. Aprendeu que, para além da resolução de conflitos, é urgente também investir em prevenção. E que a verdadeira prevenção começa com o cuidado com a saúde e bem-estar de mulheres e famílias. É cofundadora e CEO da Bloom Care, a primeira e maior clínica digital de saúde feminina e familiar do Brasil.

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