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Homem e Máquina: Inteligência Artificial e médicos devem trabalhar juntos

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A evolução da tecnologia em um determinado setor normalmente traz duas visões distintas: a utópica, com pessoas que enxergam apenas as vantagens proporcionadas pelas soluções, e a distópica, com aqueles que pensam nos aspectos negativos. É assim na economia, na educação e, claro, na saúde. Não são poucos os médicos que ficam reticentes com a inclusão de novas ferramentas em seu trabalho.

As discussões em torno da Inteligência Artificial na medicina é um grande exemplo deste embate. Enquanto profissionais visualizam uma rotina totalmente automatizada, outros refletem as preocupações com os robôs no atendimento aos pacientes. Felizmente, o mundo real não é utópico e nem distópico; ele é, na verdade, o encontro dessas duas visões – e cabe aos médicos saber explorar o que elas têm a oferecer.

Até porque a presença da IA no dia a dia dos profissionais de saúde já é um caminho sem volta para o setor no país. O avanço da pandemia de covid-19, por exemplo, exigiu que as organizações médicas e hospitais desenvolvessem soluções de análise de dados para identificarem diagnósticos e adotarem medidas no enfrentamento à doença – o que só é possível com algoritmos de inteligência artificial. Essas soluções também estão presentes em outras tarefas, desde o prontuário eletrônico até realização de cirurgias. Não à toa, a própria OMS (Organização Mundial de Saúde) divulgou seu primeiro relatório sobre esta tecnologia na medicina, elencando os “princípios orientadores” para o seu uso.

É preciso voltar um pouco no tempo e compreender porque a Inteligência Artificial atrai tanto interesse, para o bem e para o mal, na medicina. Um dos pilares deste conceito é a capacidade de analisar um volume gigantesco de dados e, a partir daí, encontrar padrões e aprender com eles. Dessa forma, é possível realizar processos burocráticos, que levariam tempo considerável se feito manualmente, em poucos segundos.

Agora pense na rotina de um médico. Entre consultas e gestão de seu consultório, ele lida com uma grande quantidade de informações que precisam ser cruzadas corretamente para se chegar ao melhor diagnóstico – e dentro do que a literatura médica atual indica! Convenhamos, é uma tarefa que demandaria muito tempo do profissional. Assim, forma-se o cenário propício para a utilização da IA.

Tamanha facilidade, contudo, não foi compreendida em sua totalidade. Muitos já imaginam robôs que realizam cirurgias complexas sem qualquer intervenção humana, culminando na desvalorização do médico enquanto profissão e numa possível robotização do atendimento, reduzindo os pacientes a um aglomerado de dados que precisam ser processados. São pessoas que ignoram que a tecnologia é feita para e por humanos. Sem eles, os algoritmos fornecem apenas informações. A inteligência está na nossa interpretação.

Mas há também aqueles que já imaginavam agilizar suas consultas, obtendo as informações em um estalar de dedos sem qualquer esforço de análise e compreensão. Soluções de IA não fazem mágica! Elas apenas fornecem insumos para que os profissionais possam tomar as melhores decisões. Isso exige do médico uma preparação maior, utilizando soluções digitais da forma correta para conseguir chegar a esse nível de excelência em seus atendimentos.

Em suma: a Inteligência Artificial precisa estar totalmente integrada à rotina do médico para alcançar os objetivos e resultados esperados. Esqueça as visões utópicas ou distópicas de robôs que comandam complexas cirurgias e substituem os profissionais de saúde. A máquina não vai substituir o trabalho humano. Pelo contrário, precisa trabalhar em sintonia com as pessoas para atingir o máximo de eficiência.

Para alcançar esse cenário, o primeiro passo é criar uma cultura organizacional orientada à análise de dados. Para isso, é necessário contar com uma plataforma capaz de centralizar as principais informações e ter acesso a elas sempre que precisar. Hoje, os melhores prontuários eletrônicos já exercem essa função. Mais do que simples agendamentos, eles atuam como hub de conteúdo, permitindo que o médico possa ter tudo o que precisa para suas consultas e seu expediente (literalmente) na palma da mão. Assim fica mais fácil de automatizar processos com a presença da inteligência artificial.

Hoje, vivemos em uma era de “plataformização” e com presença constante das soluções tecnológicas. Ignorá-las é ir na contramão da história, mas também não precisa aceita-las de qualquer forma! O importante é descobrir o que estas ferramentas, sobretudo a Inteligência Artificial, podem trazer de benefícios em suas consultas e, com isso, adotar somente aquilo que faz sentido para suas metas e seu trabalho. Até porque o mais importante não é a digitalização de processos ou a análise de dados; e sim a capacidade de prestar um atendimento cada vez mais atencioso e humano ao bem mais precioso da medicina: a vida dos pacientes. 

* Tiago Delgado é sócio-fundador da Medicina Direta, empresa especializada em gestão e serviços digitais para clínicas e consultórios

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