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Global Life Sciences Outlook 2022: Deloitte aponta transformações que vieram para ficar no setor

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Pesquisa e regulamentação foram digitalizadas e aceleradas, com prazos sendo reduzidos de 10 anos para 10 meses.

As perspectivas para o segmento de Life Sciences, ciências da vida que envolvem o estudo científico de organismos vivos - como microrganismos, plantas, animais e seres humanos -, bem como considerações relacionadas, com a bioética, neurociência, agricultura, estão melhores este ano de acordo com relatório da Deloitte, maior organização de serviços profissionais do mundo.  

Uma das heranças deixadas pela pandemia é o incremento da estratégia digital, adotada no início da pandemia e que, agora, dá mostras de que chegou para ficar. Com isso, aqueles que fizeram investimentos na área de tecnologia antes e durante a pandemia estão se beneficiando de uma estratégia assertiva, uma vez que a transformação digital acelerou todos os setores da cadeia de valor do segmento. A Deloitte destaca no relatório Global Life Sciences Outlook 2022, seis questões setoriais urgentes que os líderes desse segmento precisam lidar: pesquisa e desenvolvimento; transformação da experiência do paciente e do talento; paciente no centro do cuidado; a escalada do valor em saúde; dominando forças externas; empresa digital em escala; as cadeias de suprimentos e manufatura à prova do futuro; e ESG (Enviromental, Social and Governance).  

Em 2022, os líderes desse setor continuarão a direcionar investimentos às estratégias digitais de longo prazo - usando automação, fábricas conectadas e inteligência artificial para transformar a produção e a cadeia de suprimentos. Em cenários incertos, cada vez mais serão exigidos compromissos como agilidade empresarial. O trabalho virtual e híbrido exige flexibilidade, e com isso, a maioria das empresas de Life Sciences ainda estará se ajustando às novas normas e a um modelo altamente competitivo para um futuro próximo.  

E não foram só as relações de trabalho que mudaram nos dois últimos anos da pandemia. Ficou notória a colaboração sem precedentes entre empresas de Life Sciences. Tudo foi mobilizado para uma causa única. Unificou-se o interesse de pacientes com as agências regulatórias e pesquisadores. Mais experiências cocriadas e centradas no paciente evoluíram para tornar os indivíduos parceiros em mais uma tomada de decisões, ajudando assim no fornecimento de resultados mais personalizados.  

Em 2022, cientistas orientados por dados, munidos de novas fontes de insights e evidências do mundo real, resolverão problemas para doenças que antes eram consideradas intratáveis. Avanços científicos, como as tecnologias de mRNA para Covid-19, vacinas, terapias celulares e genéticas, têm muitos potenciais para continuar. Os novos processos adotados para agilizar a produção de vacinas, bem como a de produtos terapêuticos, agora também estão sendo aplicados para acelerar o desenvolvimento de outros medicamentos e tratamentos - e as empresas não podem voltar aos velhos hábitos. 

“No Brasil, a situação não é diferente do restante do mundo. As empresas estão adotando modelos híbridos (on-line e presencial) e as multinacionais (MNC) estão estudando como são as reações locais do mercado no pós-pandemia. Portanto, a maior parte dos negócios estão mais dependentes da tecnologia (nuvem) e da digitalização para se manter mais produtivo.”, destaca Luís Joaquim, sócio-líder de Life Sciences & Health Care da Deloitte.  

Um relatório recente da Deloitte mostra que 77% dos CEOs, pertencentes a 15 setores da economia, dizem que a crise da Covid-19 acelerou a transformação digital. A Deloitte também pesquisou os executivos de biofarma, e 82% disseram acreditar que essa tendência continuará na pós-pandemia. Quase metade diz que será preciso uma melhor estratégia de inovação. Outro dado importante é que pela primeira vez, os gastos com transformação digital devem ultrapassar US$ 10 trilhões em todo o mundo nos próximos cinco anos. Interoperabilidade é uma palavra que continua em alta, e que pode ser entendida como uma característica que se refere à capacidade de diversos sistemas e organizações trabalharem em conjunto (interoperar) de modo a garantir que pessoas, organizações e sistemas computacionais interajam para trocar informações de maneira eficaz e eficiente. 

Pesquisa e Desenvolvimento 

Enquanto alguns temiam que as empresas de Life Sciences tivessem um impacto negativo nos cronogramas e entregas durante a pandemia, outros se mostravam mais otimistas sobre o grau de mudança que as empresas do segmento iriam apresentar. A análise da Deloitte para 15 empresas farmacêuticas líderes mostra que antes da pandemia, o tempo médio de desenvolvimento estava em 6,64 anos, em 2019. Em 2020, houve um aumento desta média para 7,14 anos e em 2021, um recuo para 6,9 anos. A Deloitte acompanha o retorno da inovação farmacêutica desde 2010. Até 2020, as empresas tiveram um declínio de uma década na produtividade de P&D. Em 2021, a média de custo para desenvolver um ativo diminuiu em US$ 70 milhões, de um montante que marca aproximadamente US$ 2 bilhões. Já os gastos das 15 maiores empresas estudadas em P&D variaram de US$ 13,5 bilhões a US$ 4 bilhões ao ano.  

Transformação da experiência do paciente e do talento 

A pandemia da Covid-19 alterou permanentemente a forma como a sociedade enxerga a relação com o trabalho. Segundo estudo, a principal mudança está no sentido das pessoas se importarem mais sobre como o serviço está sendo feito ao invés de em que local ele foi realizado. Ou seja, uma forma totalmente digital e que a maior parte das empresas do segmento de saúde e de bem-estar estão se apropriando. Com isso, as empresas de Life Sciences concordam que para ter sucesso no futuro é necessário ter a mesma flexibilidade e oferecer treinamentos direcionados, tanto para os colaboradores como para os pacientes. De acordo com o relatório Deloitte, a colaboração entre empresas e a digitalização desempenharam papéis fundamentais em trazer vacinas e em oferecer terapias para o mercado em uma taxa sem precedentes. Estima-se que mais de 750.000 vidas nos Estados Unidos e na Europa foram salvas por conta da digitalização.  

Pacientes no centro do cuidado 

Outra consequência da pandemia, vista positivamente, foi colocar os pacientes no centro de todas as conversas e assim fazer com que as inovações fossem catalisadas. Nos últimos dois anos, a colaboração nas ciências da vida e com as partes interessadas foi sem precedentes - todos se mobilizando no interesse dos pacientes.  

A comunicação entre pacientes, centros especializados, patrocinadores e parceiros aumentou, e essas iniciativas não se limitam apenas àa ensaios clínicos. As tecnologias digitais, em particular, foram adotadas globalmente, e a telemedicina tornou-se amplamente disponível. O digital está permitindo que empresas colaborem com pacientes para desenvolver terapias com endpoints que os pacientes se preocupam, incluindo medidas de qualidade de vida.  

Colaborar com sistemas de saúde está permitindo insights de dados e os pacientes agora estão cuidando mais de sua saúde. O envolvimento do paciente tem sido uma parte essencial da pesquisa e desenvolvimento biofarmacêutico. As parcerias, tem unido stakeholders dos sistemas privados e públicos, operadoras de planos de saúde e prestadores de serviços em saúde, indústrias farmacêuticas e de medical devices, profissionais de saúde e organizações, como grupos de apoio, para aprofundar o entendimento sobre a jornada do paciente com determinada doença e assim identificar oportunidades de melhorias significativas para as pessoas. 

A escalada do valor em saúde 

A pressão imposta pelas novas tecnologias que são apresentadas, agora pós-pandemia, de maneira cada vez mais frequente se impõem sobre os custos da saúde. O modelo de remuneração e a maneira de entrega de cuidado e saúde está no foco das atenções e alternativas diferentes de tratar e acompanhar os pacientes estão sendo colocadas em prática. Nesse sentido a temática de Valor em Saúde (Value Based Healthcare) tem tomado força de forma a auxiliar o rumo a ser tomado para diminuição de custos, atrelado a uma melhor prática terapêutica e preventiva. O paciente toma ainda mais o centro das atenções e as soluções passam a ser mais individualizadas e os serviços mais especializados em condições de saúde ao invés de fazer de tudo um pouco. Na Deloitte temos auxiliado provedores de saúde a enxergar caminhos para entrega de valor aos seus pacientes demonstrando novos caminhos a cada instituição em suas principais vocações como cuidados com câncer, doenças cardiovasculares, etc. 

Dominando forças externas 

As respostas à pandemia variaram de um país para o outro, assim como o cenário regulatório, uma vez que atores dos setores público e privado estiveram engajados em colaborar, cooperar e compartilhar informações em larga escala. Pesquisa e regulamentação foram digitalizadas e aceleradas, a redução de prazos chegou a mudar de 10 anos para 10 meses em alguns casos. A velocidade com que as vacinas puderam ser desenvolvidas e aprovadas por meio de processos regulatórios acelerados foi sem precedentes e o foco permaneceu na segurança e eficácia. Dessa forma, a pandemia criou uma mudança de paradigma nas expectativas, e os processos regulatórios provavelmente se tornarão mais simplificados daqui para frente. O CAR-T, células produzidas em laboratório que têm a capacidade de “enxergar” e eliminar as células de câncer da leucemia ou de linfomas, por exemplo, já possui um produto em produção no mercado e outro em processo de registro. Ou seja, a combinação de tecnologias de alto custo como essa, com a colaboração das partes interessadas, acabarão pressionando o orçamento dos pagadores e o estado de saúde dos pacientes, reacendendo a discussão sobre os procedimentos permitidos e aceitáveis no país. 

Empresa digital em escala 

A colaboração com grandes empresas de tecnologia e startups continuará a crescer, assim como as oportunidades nas áreas de computação quântica, IA (Inteligência Artificial), análise avançada em exames de diagnóstico e dados em nuvem. No Brasil, empresas como a Deloitte são atores-chave para trabalhar como hubs de inovação, trazendo todo o ecossistema para a mesma plataforma. Além disso, o 5G começa a abrir oportunidades de transformação. O Brasil se beneficia por conta da adoção de ensaios clínicos híbridos e descentralizados. Novos centros foram abertos e estudos inéditos chegaram ao país. Por outro lado, a aceleração dos processos regulatórios ocorridos durante a pandemia, incluindo um maior envolvimento da sociedade civil em certos temas, seguirá com importantes transformações, haja vista o impacto nos orçamentos dos pagadores, especialmente do setor público, que foi fortemente comprometido pela retração econômica. Um exemplo disso é a terapia celular e genética que vem ganhando espaço, e pressionando órgãos reguladores e pagadores, público e privado.  

As empresas locais brasileiras aumentaram a capacidade de fabricação de medicamentos. Agora, o Brasil fabrica também biossimilares, medicamentos que antes eram importados e que começaram a ter produção interna. Eles abrem uma grande oportunidade para que milhões de pessoas recebam o que há de mais moderno e eficiente no tratamento de enfermidades complexas, como câncer e doenças autoimunes. A diferença é que eles são produzidos por uma célula ou por um organismo vivo, que funcionam como uma fábrica. Por meio de engenharia genética, um fragmento de DNA é inserido na célula, que passa a produzir o medicamento. Como são mais acessíveis que os medicamentos biológicos de referência e igualmente eficientes, não é exagero dizer que eles surgem no mercado com o potencial de ampliar o acesso a tratamentos médicos e diminuir custos nos sistemas de saúde. 

Cadeia de suprimentos 

Em 2022, as organizações de Life Sciences estão dimensionando os recursos de fábricas inteligentes, termo criado para definir uma empresa de alto desempenho e que capacita o pessoal do chão de fábrica com análise preditiva para levar a produtividade e a qualidade para o próximo nível. Fábricas inteligentes, empregam tecnologias orientadas a dados, como 

inteligência (AI), aprendizado de máquina (ML) e Internet das Coisas (IOT). Ao conectar e integrar perfeitamente diferentes sistemas e processos de fabricação, as empresas aumentam a visibilidade e capacidades de desempenho. As empresas biofarmacêuticas e de tecnologia médica, por exemplo, estão investindo na digitalização e integração completa de recursos de tecnologia da informação (TI) e tecnologia operacional (OT). À medida que há um aumento das fábricas inteligentes, as organizações de manufatura começam a demandar mais materiais e apresentar maior assertividade. 

Enfrentar de forma transparente os desafios ESG com as partes interessadas 

As empresas voltadas ao futuro devem acolher diversas partes interessadas e incorporar suas perspectivas nas tomadas de decisões estratégicas para resolver os desafios ESG, que responde por 10% dos ativos de fundos globais e que em 2021 apresentou recorde anual de investimento de US$ 649 bilhões investidos. Hoje, já é fato que os investidores buscam relatórios e demonstrativos de ESG para enxergar os riscos e as oportunidades para a estratégia dos negócios. Em 2022, à medida que a velocidade dos investimentos irá crescer, mais temas relacionados à ESG serão considerados. As questões ambientais, sociais e de governança estão cada vez mais ligadas. Tanto é que as empresas estão renovando os custos repassados nos medicamentos e adequando os portfólios às doenças tropicais. Dentro das iniciativas destaca-se a vacina tetravalente feita por uma indústria de atuação global, e de importante representatividade no Brasil. Em processo de aprovação, o ensaio incluiu mais de 20 mil participantes com idades entre quatro e 16 anos, que vivem em oito países endêmicos para dengue na Ásia e na América Latina, incluindo o Brasil. Todos os quatro sorotipos do vírus da dengue foram observados no estudo ao longo de 36 meses. Em 2022, espera-se que o desempenho ESG seja maior e concentrado em temas como:  

  • Precificação de medicamentos, equilibrando a inovação com a acessibilidade;  
  • Saúde e equidade racial, incluindo o aumento da diversidade em ensaios clínicos; 
  • Diversidade na liderança e igualdade de renda, incluindo diferenças salariais de gênero na pesquisa científica e farmacêutica. 
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