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Professores da Unifesp comentam cenário econômico nacional e internacional

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Especialistas explicam como avanço do coronavírus, alta do dólar e guerra do preço do petróleo agravam cenário de incerteza econômica para países desenvolvidos e emergentes

"O que vemos é uma tempestade perfeita. Se a crise econômica da epidemia do coronavírus já não era por si só amedrontadora para as perspectivas da já fragilizada economia brasileira, a ocorrência dessa guerra de preços do petróleo deve aprofundar ainda mais o cenário vivido. Difícil dizer a duração e a extensão desta nova crise, mas o abalo provocado já dá uma dimensão do seu alcance". A avaliação é do professor Flávio Tayra, do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Para Tayra, um dos problemas para esse cenário atual está no fato de que "os potenciais remédios para mitigar os efeitos da crise, seja a baixa dos juros, seja a liberação do dinheiro, já foram utilizados à exaustão nos últimos anos. Aqui no Brasil, os juros encontram-se nos mais baixos níveis da história e, ainda assim, a economia já dava poucos sinais de reaquecimento. Baixá-los mais não parece ser a melhor saída e ajudará a afugentar ainda mais o capital do país. Por outro lado, aumentar o dispêndio público para incrementar a atividade econômica é uma perspectiva que parece não agradar aos economistas do mercado, assim como a própria equipe do governo."

Diante do momento vivido, Flávio Tayra destaca como fundamental para o país em um cenário de longo prazo a reforma tributária e, em menor grau, a administrativa: "no entanto, é necessário buscar remédios adicionais para a economia numa análise em curto e médio prazos."

Em sua análise, o professor da Unifesp também destaca que, em nível global, há um problema estrutural, advindos de um movimento crescente de ‘financeirização’ e um explosivo crescimento dos endividamentos das empresas e das famílias.

"A solução do ‘quantitative easing’ (flexibilização quantitativa) já dava mostras do seu esgotamento e dos seus efeitos. Em nosso país, onde também enfrentamos esse problema do capital, temos como agravante uma crise política que já dura mais de seis anos, que afetou e segue afetando a economia, o que não ajuda em nada na busca de soluções para um problema tão profundo."

Especialista em mercado financeiro, o também professor da Unifesp, Bolivar Godinho, faz coro e ressalta como agravante econômico o ambiente institucional desfavorável.

"No cenário mundial, o coronavírus impactou e segue impactando diretamente a atividade econômica da China, trazendo como consequência a redução do crescimento econômico de muitos outros países, tanto desenvolvidos quanto emergentes", destaca Godinho.

"Para piorar, a guerra do preço de petróleo envolvendo a Arábia Saudita e a Rússia torna o cenário ainda mais incerto. O Brasil não fica ileso a esse cenário, tendo como complemento a falta de entendimento entre o executivo e o legislativo. Isso gera ainda mais incerteza na economia", complementa.

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