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Programa de Benefícios em Medicamentos: uma tendência crescente

Estima-se que menos de um terço das prescrições de remédios concretiza-se em tratamento. Alertas a isso, cada vez mais as organizações se envolvem com a saúde dos colaboradores, aumentando a aderência a programas de benefícios de medicamentos

Apontada como a principal despesa com a saúde entre as famílias brasileiras, a responsabilidade com os gastos com medicamentos pode ser compartilhada com as organizações. Comum em países como os Estados Unidos, o Programa de Benefícios em Medicamentos (PBM), que oferece subsídio para a compra de remédios, ainda está em fase de maturação no Brasil.
Implantado há pouco mais de uma década, o modelo PBM ainda é pouco disseminado no país. Estudos em curso pela Associação Brasileira das Empresas Operadoras de PBM apontam para um número perto de 3,5 milhões de beneficiários (entre trabalhadores e dependentes em que a empresa coparticipa no acesso aos medicamentos prescritos pelos médicos). ?Esse número ainda é muito pequeno quando comparado, por exemplo, aos 48 milhões de brasileiros que têm plano de saúde?, critica o presidente da Associação, Luiz Carlos Monteiro.
A expectativa da entidade é chegar a 20 milhões de beneficiários em cinco anos. Para o executivo, o que pode contribuir para esse crescimento é a criação, pelo governo, de incentivos fiscais para os empregadores, a exemplo do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). ?Dentro deste possível cenário, subiria consideravelmente o número de empresas interessadas em oferecer PBM aos seus funcionários?, avalia o presidente da associação.
A empresa que adota o PBM pode oferecê-lo de duas maneiras aos colaboradores: desconto em folha (o crédito oferecido pela empresa para a compra do remédio é deduzido do salário); ou subsídio de medicamentos (a empresa participa financeiramente sobre o valor dos medicamentos).
De acordo com Monteiro, este tipo de benefício, além de contribuir para o acesso à medicação, busca preservar a integridade do plano terapêutico definido pelo médico, reduzindo riscos de fraude e manipulações indevidas. ?Dados americanos mostram que para cada dólar investido na adesão medicamentosa e programas de acompanhamento, chega-se a reduzir até US$ 7 nos custos projetados de internações hospitalares e outras condições acarretadas por essas doenças em seus estágios mais avançados?, conta.
Como as empresas que usam enxergam este benefício?
De acordo com uma pesquisa realizada pelo setor com 120 empresas que já subsidiam a compra de remédios, e que juntas ultrapassam a marca de 520 mil funcionários, 78% dos gestores de RH concordam que o benefício melhora a saúde e aumenta a satisfação dos funcionários. Além disso, 68% avaliam que este tipo de benefício aumenta o nível de adesão dos colaboradores ao tratamento medicamentoso. Estima-se que menos de um terço das prescrições de remédios concretiza-se em tratamento.
Ao todo, 66% concordam que há uma redução no nível de absenteísmo e aumento da produtividade da empresa, como resultado deste programa. A redução da sinistralidade e dos custos de saúde da empresa ainda divide as opiniões das áreas de recursos humanos. Apenas 40% acreditam que há uma ligação entre o benefício de remédios e a redução do uso dos planos de saúde.
 
Gestão integral da saúde dos colaboradores
Na Philips Brasil, o benefício de acesso a medicamentos faz parte de um programa de gestão da saúde de toda a organização, que é composto por uma série de iniciativas de Saúde e Bem Estar em prol dos colaboradores. De acordo com diretor da Philips Brasil, Renato Barreiros, o objetivo é fazer um acompanhamento da saúde do colaborador. ?O benefício medicamento está associado a uma gestão integrada de saúde?, diz.
Na Philips, os colaboradores podem receber desconto de 15% a 60% em lojas da rede credenciada à gestora do benefício para a aquisição de medicamentos (de marca ou genéricos) para tratar a maioria das patologias ambulatoriais. Além disso, os remédios usados no tratamento de doenças crônicas têm o subsídio total da companhia. ?Apenas para a principal medicação para a doença base?, ressalta o diretor.
Além do colaborador, o benefício também é estendido aos familiares. Entretanto, a identificação é individual por meio de carteirinha específica que deve ser apresentada na loja das redes credenciadas junto com a receita médica.
Para Barreiros, gerir a saúde do colaborador de forma ampla é ir além do plano de saúde, e isso agrega valor para a empresa, garante mais prestígio entre os colaboradores e contribui indiretamente para a retenção de talentos. ?O fato de se obter descontos significativos na compra dos remédios também tem um reconhecimento muito positivo?, pontua.
E os resultados do programa mostram que este tipo de ação contribui para reduzir o uso indiscriminado do convênio médico e melhorar a saúde dos colaboradores. Em 2011, 94% dos participantes do programa de benefícios em medicamentos da Philips apresentaram estabilização do quadro clínico, 74% tiveram redução na quantidade de consultas externas e 95% alegaram melhora na saúde.
Mais do que isso, o diretor da Philips acredita que este tipo de programa aliado a outros elementos podem fazer com que o colaborador continue o tratamento em casa, ou seja, contribui indiretamente para a saúde pública. A companhia possui há alguns anos um esforço na prevenção de doenças e promoção da saúde, realizando ações e programas para ajudar as pessoas a viverem mais e melhor. Exemplo desta atuação é o Programa de Gerenciamento de Condições e Doenças Crônicas como Diabetes, cardiopatias, Hipertensão, doenças respiratórias crônicas e dislipidemias. ?Os resultados obtidos desde a implantação deste programa são bem expressivos, havendo a estabilização do quadro clínico dos participantes e a diminuição da procura por pronto-socorro e serviços de emergência, além da redução dos custos com absenteísmo e plano de saúde?, conclui.

O dilema da automedicação

 
O grande vilão dos programas de benefícios de medicamentos é a automedicação.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (ABIFARMA), 80 milhões de brasileiros são adeptos do uso de remédios sem prescrição médica e, segundo a literatura, 36,3% não vão ao médico, 40,9% possuem estoque de medicamentos em casa e 48% das mulheres usam analgésico por conta própria.
Quando a empresa atribui para si o compromisso de custear parte ou todo o remédio do colaborador, traz consigo a responsabilidade sobre tal ato. Por isso, os programas de benefícios fazem um controle rigoroso da prescrição médica. ?É importante ressaltar que a compra do medicamento é baseada na obrigatoriedade da apresentação da receita médica. Além disto, realizamos ações educativas, abordando os riscos da automedicação?, conta o diretor da Philips Brasil, Renato Barreiros.
Para o presidente da Associação Brasileira das Empresas Operadoras de Programa de Benefício em Medicamentos (PBMA), Luiz Carlos Monteiro, as iniciativas de benefício de medicamentos desestimulam a automedicação. ?Normalmente, a cobertura só se aplica aos medicamentos prescritos pelos médicos ou odontólogos. A elegibilidade eletrônica, em tempo real, garante a segurança do processo?, posiciona.

TAG: Indústria
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