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Qual é o futuro dos planos de saúde empresariais pós pandemia?

Qual é o futuro dos planos de saúde empresariais pós pandemia?

A economia dos planos de saúde, operadoras, seguradoras e outros formas comerciais no Brasil sempre dependeu, em sua maior parte do faturamento, dos planos empresariais, que representam as empresas que pagam pelo benefício de seguro saúde para seus colaboradores e beneficiários. O mercado sempre dependeu desta modalidade, pois além de ser mais flexível sob a visão regulatória da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), abarca maior grupo de pessoas em uma única apólice e permite melhor economia de escala. Uma boa relação econômica e atuarial… portanto, uma boa parcela do mercado se sustenta neste tipo de cliente.

Mas, e agora? Com todas as mudanças da forma de trabalho remoto, trabalhadores em um regime de isolamento social, valores mensais de seguros de saúde que têm sido frequentemente um problema para as empresas pagadoras dos prêmios; como será a nova relação de consumo das empresas e os entes intermediários da saúde privada? Todos da rede produtiva da saúde estão paralisados, aguardando respostas epidemiológicas, imunológicas e sociais para tomada de decisão sobre uma série de aspectos e pontos de economia. As bolsas de valores do mundo inteiro têm sido oscilantes até, e assim serão, até que se confirmem dados sobre vacinas, novo perfil de consumo mundial e mais clareza sobre como será o “novo normal”.

Os hospitais estão vivendo sua parcela de dor durante este período de contenção social, quando as cirurgias eletivas e mesmo as consultas de urgência e traumas caíram substancialmente, expondo alguns já frágeis caixas dos hospitais, a um grande stress de fluxo, comprometendo a saúde financeira destes. Todos da cadeia produtiva da saúde sofreu e ainda sofre pela mudança do comportamento, desde médicos, instituições hospitalares e todos os demais que alimentam esta importante e complexa rede de fornecedores. O sistema de saúde é grande consumidor de energia, de álcool, de medicamentos, de combustíveis, de pessoas, de materiais de hotelaria, de insumos de limpeza e mais uma infinidade de itens que estão sofrendo por uma instabilidade na demanda.

As empresas, por sua vez, estão ainda incertas de como se manterão e como será a realidade comercial dos próximos meses e anos, colocando dúvidas sobre a manutenção de benefícios aos seus colaboradores, contribuições e estão expostas à necessidades de capital de giro por financiamentos governamentais, que ainda não foram obtidos por todos os interessados, e cada vez mais serão importantes para o equilíbrio financeiro no futuro próximo. As empresas não sabem se obterão apoio público, e sem dúvida o consumo normal do mercado ainda está distante de ser tranquilizador em alguns setores da economia em curto e médio prazos.

Essa força sobrenatural sobre todos desta cadeia produtiva levará a modificações certas, e uma das apostas é na virtualização do cuidado clínico. Cada vez mais as pessoas buscarão tele-cuidado, por meio da tão envolvente telemedicina. Esta nova modalidade de atendimento é simplesmente uma forma diferente de fazer o de sempre: ATENDER PESSOAS. Mas usando um novo meio de comunicar-se, pelos celulares, computadores e de onde a pessoas estiver. Não se expondo aos riscos de convívio social, e principalmente vitando núcleos onde pode haver pessoas contaminadas, os hospitais e clínicas de atendimento.

Além de custos muito mais acessíveis, o cuidado remoto pode levar a mesma qualidade de atendimento em uma série de doenças e mais agilidade no atendimento. Mas, não pode ser interpretada como uma forma de subtrair dos prestadores de serviços, nomeadamente médicos e outros profissionais do seu direito de remuneração digna e correta. Deve ser uma nova forma de atendimento, digno para todos, e mais acessível às empresas, pessoas físicas e quem se interessar por seguros ou serviços avulsos de saúde virtual. Há hoje no mercado algumas formas contratuais mais leves, com os benefícios tradicionais, mas com custos menores, e devem passar a ser o tão falado “novo normal” no nosso mercado de saúde.

Sobre o autor

Dr. Ricardo Cabral, CEO do Grupo RCS e idealizador da plataforma EuSaúde