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Sem valorização salarial, faltarão enfermeiros num futuro próximo

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O mundo sofrerá um apagão de enfermeiros em 2030, segundo relatório divulgado pela ONU em abril do ano passado, quando os efeitos da pandemia sobre a categoria ainda não tinham causado o estrago que conhecemos hoje.

Em países mais pobres, essa carência poderá ser ainda mais grave, com a falta de 7,6 milhões de enfermeiros daqui a dez anos. Mesmo em países ricos, segundo a OCDE, a previsão é de 3,2 milhões de vagas em 2030. Há no mundo, 27,9 milhões de enfermeiros, mas 80% estão em países que somam 50% da população mundial. Como o número de habitantes cresce mais nos países pobres, a tendência é que a carência de profissionais de enfermagem se acentue, principalmente em razão da ausência de políticas públicas específicas e de valorização da categoria.

No Brasil, o impacto da pandemia entre os enfermeiros e outros trabalhadores da saúde é imenso. A cada nova pesquisa ou estudo, vamos nos certificando dos prováveis estragos, cujos efeitos devem ser sentidos por um longo tempo, mesmo depois do fim da crise sanitária.

Os desligamentos por morte no emprego celetista cresceram muito entre enfermeiros, médicos e trabalhadores em atividades de educação e transporte. Entre os primeiros trimestres de 2020 e 2021, o aumento foi de 71,6%, segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).

No estado de São Paulo, o mais populoso do país, a morte de celetistas cresceu 76,4%, passando de 4,5 mil para 7,9 mil. Essas representam apenas uma parte do problema, visto que na enfermagem, uma parcela da categoria está vinculada ao serviço público com contrato estatutário e não celetista, portanto, não consta dessa estatística.

Uma coisa é certa, um dos impactos futuro será a falta de profissionais para cuidar da população. Além das mortes, muitos estão abandonando a área, cansados das longas jornadas, alto nível de estresse, baixos salários e exposição a situações adversas que vão desde a falta de insumos até a falta de EPIs. Isso gera muitos afastamentos por ansiedade, depressão e outros problemas psicológicos.

Também há evasão da profissão para atuar em outras áreas, seguindo carreiras diversas. A principal queixa  identificada nos diferentes estudos são os baixos salários e a sobrecarga de trabalho. Grande parcela se submete a dupla ou tripla jornada para melhorar seu ganho mensal a fim de garantir seu sustento e o de sua família. São plantões de até 72 horas seguidas e dias sem dormir, correndo de um hospital a outro.

Antes que seja tarde, é indispensável a imediata valorização da Enfermagem, a fim de torna-la uma profissão atrativa para as novas gerações. Para que tenhamos enfermeiros no futuro, estamos em campanha pela aprovação, no Senado, do PL 2564 que estabelece o Piso Salarial Nacional e a Jornada de 320 horas Semanais. Duas reivindicações que já foram alcanças das por muitas categorias. Queremos que a Enfermagem seja valorizada na prática. Aplausos são bem-vindos, mas a melhor forma de reconhecimento é dar à enfermagem, dignidade com um salário adequado e melhores condições de trabalho. 

Sobre a autora

Enfermeira Solange Caetano, secretaria geral do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo e responsável pela articulação do Fórum Nacional da Enfermagem no Congresso Nacional.

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