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Fadiga do zoom: pesquisa da ABP aponta que excesso de reuniões por videoconferência aumentou em mais de 60% a prescrição de remédios

Fadiga do zoom: pesquisa da ABP aponta que excesso de reuniões por videoconferência aumentou em mais de 60% a prescrição de remédios
Remote meeting. Man working from home during coronavirus or COVID-19 quarantine, remote office concept. Young businessman, manager in front of monitor during online conference with colleagues and team.

O estudo, feito com psiquiatras associados, revela o comportamento dos pacientes nos últimos cinco meses

O novo Coronavírus mudou a nossa rotina, exigindo cuidados extremos, como o isolamento e o distanciamento social. Graças a isso, muitas empresas adotaram o sistema de home office, ou seja, trabalho remoto. O que para muitos é visto com bons olhos, pode se revelar um grande problema. É o que aponta o novo estudo da Associação Brasileira de Psiquiatria, a ABP.

A pesquisa, intitulada "saúde mental e o excesso de reuniões virtuais", ou fadiga do zoom, ouviu psiquiatras associados em todo o país. Destes, 54,8% perceberam o aumento nas queixas dos pacientes sobre o excesso de videoconferências nos últimos cinco meses. De acordo com o estudo, 61,1% dos entrevistados também notaram o crescimento da prescrição de medicações psiquiátricas ou psicotrópicos nos últimos cinco meses e 68,6% aumentaram as prescrições de psicoterapia para seus pacientes.

Antônio Geraldo da Silva, presidente da ABP e tesoureiro da Associação Psiquiátrica de Brasília, a APBr, comenta que o levantamento começou no final de agosto e os dados apresentados são até o dia 06 de outubro. Para o psiquiatra, desde o início da pandemia, aspectos como o distanciamento social, o "ficar em casa" e o home-office fizeram com que todos os compromissos profissionais e pessoais se tornassem virtuais. "Como já orientado pela ABP desde março, em artigo publicado no Brazilian Journal of Psychiatry, as preocupações com a onda de consequências à saúde mental derivadas da pandemia chamam a atenção", pondera.

Silva destaca ainda que é importante lembrar que já está em formação a quarta onda relativa à pandemia, que se refere ao trauma psíquico, doença mental, impacto econômico e burnout. "Os dados nos mostram exatamente este cenário. Ao contrário das outras curvas, esta permanece ascendente, mostrando que as consequências serão maiores e durarão mais tempo. Diferente do que muitos pensam, no entanto, a quarta onda agirá simultaneamente às outras", complementa.

O médico destaca também outro estudo da entidade. Segundo o levantamento, os associados perceberam um aumento de até 25% nos atendimentos psiquiátricos e 82,9% no agravamento dos sintomas de seus pacientes após o início da pandemia. "Tais dados reforçam a necessidade do cuidado com a saúde mental da população, que deve ser abrangente e direcionado a todos para haver uma mudança desta realidade relacionada com o surgimento de doenças mentais", conclui.