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A esperada mudança de cultura do brasileiro na área de saúde

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Muitas pessoas no Brasil ainda têm a cultura de que saúde é de graça. O fato de o governo gastar bilhões com a saúde da população, não dá ao povo a real dimensão de que todos nós estamos arcando com estas despesas. O SUS é custeado pelos impostos que pagamos. Da mesma forma acontece com os cerca de 48 milhões de brasileiros que possuem plano de saúde. O pensamento ainda é o mesmo: se estou pagando, posso usar o que quiser e da forma que quiser, sem critério e até colocando a própria vida em risco.

A pandemia trouxe inúmeras mudanças, novas tecnologias extremamente valiosas para o nosso dia a dia. Uma visão moderna da telemedicina, do telemonitoramento, robôs, impressoras 3D, inteligência artificial, algoritmos e tantas outras alternativas. Tão velozes que, por mais tecnológicos que possamos ser ou por mais rápido que possamos aprender, dificilmente boa parte de nossa população conseguirá se adequar e assimilar todas estas letrinhas que nos confundem.

Mas o que está sendo feito para mudar esta visão dos brasileiros? Que tipo de mecanismos estamos usando para ensinar as pessoas que saúde não é de graça e que o Brasil gasta mais de 500 bilhões por ano em saúde pública e privada e mesmo assim não temos a menor ideia do que fazer para trabalhar a prevenção, para trabalhar a forma de utilização e para levar as pessoas a identificarem a melhor forma de otimizar seus planos sem usá-los apenas de forma reativa?  O que fazer para educar as pessoas a pensarem em prevenção?

Muito está sendo tentado. As operadoras de saúde buscam criar cada vez mais novos centros de atendimento, no intuito de tirar os beneficiários das emergências hospitalares. A empresas têm procurado criar postos de saúde para que seus funcionários tenham um lugar para atendimento antes de irem para uma emergência de hospital. A opção da coparticipação, em que se prega uma utilização com comprometimento.

Todas estas atitudes são louváveis, mas todas podem levar ao pensamento de punição. E não é isso de forma alguma. E esta suposta e equivocada punição induz ao mal-uso ou abuso que chega a 40%, segundo o IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar). Mas não há grandes investimentos em campanhas com a inciativa única e exclusiva de demonstrar aos usuários quanto realmente custa o plano de saúde deles. Quanto uma família pode gastar e o quanto as empresas e o governo realmente investem em saúde.

É preciso pensar e ensinar as pessoas a optarem pela prevenção, em cuidarem mais da sua saúde, serem agentes ativos do seu bem-estar. E não apenas estimular a utilização dos serviços, sem parcimônia e inteligência.

As ferramentas tecnológicas podem ser muito importantes na aplicação de programas em que o uso dos celulares é valioso para difundir informações. Em que, com transparência, mostramos quanto podem custar procedimentos comparando valores fora e dentro dos hospitais e entre diferentes hospitais também.

Sabemos que nada substitui a relação de confiança, nada substitui a relação com o outro, principalmente médico e paciente. A atenção primária a saúde, com a volta ao passado de ter um médico de família e a utilização da tecnologia, podem transformar a realidade atual numa nova realidade. Numa nova forma de conscientização, melhorando as relações e introduzindo a visão de que se as pessoas não pensarem em saúde de uma outra forma, em breve com custos cada vez mais elevados, será impossível manter planos de saúde ou até mesmo melhorar a saúde pública.

Que em 2022, cada um faça a sua parte, em prol da saúde coletiva e individual.

Por Charles Lopes

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