Os planos do laboratório Linus Pauling

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O laboratório de medicina diagnóstica Linus Pauling foca no segmento premium na cidade de Salvador, Bahia, possuindo 4 unidades de atendimento em funcionamento e com previsão de abertura de outras 2 nos próximos 6 meses. Conversamos com Tatiana Ferraz, Diretora Técnica e Comercial, para conhecer melhor o modelo de negócios e os planos futuros da marca.

Tatiana conta que há 2 anos estão passando por uma reformulação da diretoria, a partir de uma nova composição societária, e hoje estão investindo na renovação de seu parque tecnológico com o objetivo de entregarem resultados melhores e mais rápidos aos clientes. Contarão com plataformas de integração analítica para ampliar a capacidade operacional. “Estes equipamentos estarão interligados com um sistema de informação possibilitando a gestão completa e integrada do laboratório, com segurança e rastreabilidade de processos, do pré ao pós analítico”, conta Tatiana.

Estão neste momento buscando parceiros para trazer novos exames e metodologias voltadas pra área de genética. “Estamos buscando identificar se o que é feito hoje no mercado faz sentido pro nosso público. Queremos contribuir de forma positiva não apenas com oncogenética, mas também nas doenças crônicas mais comuns que acometem a população como diabetes e hipertensão” explica Tatiana.

O laboratório trabalha com pacotes de exames e leva o conceito de prevenção a seus clientes, trazendo as pessoas para realização de exames de forma regular. Com o número de beneficiários de planos de saúde diminuído especialmente nos últimos 2 anos, Tatiana enxerga a oferta de pacotes como uma forma de facilitar o acesso a esse tipo de serviço à população.

“Na verdade, o que estamos buscando hoje é ser cada vez mais competitivo, a tecnologia é uma realidade em todas as áreas, a revolução 4.0 existe” afirma a diretora e finaliza “O diferencial do Linus Pauling está em promover um atendimento mais personalizado para os seus clientes”.

Rede D'Or inaugura novo Centro de Oncologia em Jabaquara

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A Oncologia D’Or, rede de clínicas especializadas no diagnóstico e tratamento oncológico e hematológico da Rede D’Or São Luiz, expande seu complexo com uma nova unidade ambulatorial na capital paulista. A clínica, que será inaugurada na próxima terça-feira (03), é integrada ao Hospital São Luiz Unidade Jabaquara, localizado na Zona Sul, e vai favorecer a atuação de todas as especialidades médicas envolvidas no tratamento de câncer dentro da instituição, proporcionando maior agilidade, eficiência e comodidade no cuidado dos pacientes.

O amplo e moderno espaço conta com quatro consultórios especializados e 12 pontos de infusão com uma estrutura que assegura conforto aos pacientes durante as aplicações. Além disso, posto de enfermagem e sala de estabilização completam a nova unidade. "Agora a população da Zona Sul, além de contar com nosso atendimento e acolhimento diferenciados, terá também acesso a um serviço de oncologia desenhado no mesmo padrão dos melhores centros internacionais para tratamento do câncer, com integração às equipes médicas e humanização para o atendimento completo de cada paciente", conta Fernando Lopes, diretor geral do Hospital São Luiz Unidade Jabaquara.

O Hospital, que já contava com os serviços da Radioterapia da Oncologia D’Or, agora oferece também os serviços complementares da clínica. O novo espaço conta com especialidades como hematologia, oncologia pediátrica, radio-oncologia e atendimento clínico. Também oferece procedimentos de terapias antineoplásicas, como a quimio e imunoterapia, e terapias de suporte ao paciente.

Sobre a Oncologia D’Or

Criada em 2010, a Oncologia D’Or é formada por clínicas especializadas no diagnóstico e tratamento oncológico e hematológico com padrão de qualidade internacional, sem abrir mão da humanização em todo o trabalho de assistência. Com uma rede de mais de 40 unidades, conta com mais de 300 médicos especialistas, atuando em sete estados brasileiros. É uma empresa da Rede D’Or São Luiz.

Amparo Saúde: coordenação de cuidado e a primeira ACO brasileira

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Emilio Püschmann, alemão radicado no Brasil há 8 anos, empreendeu na Amparo com a ideia de focar no cuidado primário e olhar desfechos clínicos saindo do modelo transacional da saúde, que remunera por produção e volume. “Quisemos oferecer um negócio que sim, tem redução de custo, mas vai muito além disso”, diz Emilio, hoje CEO da marca.

Todo trabalho é voltado para construir um relacionamento de confiança com o paciente e criar vínculo, mas sem atuar como um gatekeeper do sistema. “A gente entende que isso cria um desgaste e uma obrigação por parte do paciente e ele pode não engajar da forma que a gente deseja que ele engaje”, conta Emilio. O conceito leva em consideração mostrar para as fontes pagadoras, sejam elas operadoras de saúde ou empresas onde atuam com um serviço ambulatorial no local, os indicadores de NPS, redução das taxas de utilização de pronto-socorro, de internação e de exames por consulta, que são causas de desperdícios dentro da cadeia de saúde quando feitos de forma indiscriminada.

“A grande crítica da atenção primária é que uma vez que se paga em regime de captação, o incentivo do prestador vai ser subtratar. A gente combate isso com o aspecto de bonificação em cada contrato em regime de captação, pois temos uma bonificação anual baseada em indicadores [acima] que mitigam esse risco e somos bonificados fazendo exatamente o que é necessário para o paciente”, explica o CEO. Com pouco mais de 1 ano de operação, a Amparo registra um NPS de 85, uma taxa abaixo de 5 exames por consulta e uma redução de 21% na sinistralidade global. A tese do empreendedor é que com isso os planos de saúde sejam incentivados a entrar novamente no negócio do plano individual, que diminuiu muito após restrições de reajustes anuais exigidas pela ANS.

A empresa investe em tecnologia para facilitar o trabalho da equipe multidisciplinar. Empregam principalmente health analytics, onde a análise de dados e histórico dos pacientes são utilizados para fazer predições e apoiar decisões clínicas. O agendamento inteligente, por exemplo, faz com que o sistema reconheça quantos minutos em média aquele paciente específico precisará para uma consulta. Já a ferramenta de aprazamento ajuda o profissional a cuidar melhor de sua carteira de pacientes, avisando quando é necessário entrar em contato, seja porque seus medicamentos acabaram ou porque precisa agendar um exame. Também a partir da análise de dados, é criada uma linha de cuidado individual para o paciente. Se este possui mais de uma comorbidade, o sistema junta as linhas de cuidado e retira as redundâncias, tornando o acompanhamento muito mais assertivo.

Hoje, a Amparo faz parte da primeira Accountable Care Organization (ACO) brasileira. O projeto liderado pela ASSEFAZ (Fundação Assistencial dos Servidores do Ministério da Fazenda) reúne a Amparo Saúde como prestadora de atenção primária, DaVita Serviços Médicos como prestador de atenção secundária, Hospital Alemão Oswaldo Cruz como atenção terciária, Humana Magna como cuidados de transição e Gympass focada em prevenção.

Neste modelo a Amparo é o gestor da jornada do paciente em 3 regiões: São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. A empresa também ficou responsável pela tecnologia da base de dados que será compartilhada por todos os envolvidos. Todos vão conseguir alimentar e resgatar as informações dos pacientes enxergando assim uma única jornada. Outro ponto fundamental para este sistema funcionar foi a criação de protocolos muito claros de quando cada player deve fazer a referência e a contra referência de um paciente para outro prestador.

Os métodos de remuneração são bem alinhados e transparentes: o prestador de cada nível de atenção também é avaliado em função de quantos pacientes estão na sua carteira de maneira correta, por exemplo, a atenção secundária deverá cuidar apenas dos pacientes de alta complexidade, os de baixa e média complexidades deverão estar na atenção primária. “Realmente conseguimos criar um conjunto dessas empresas e colaborar muito bem juntos, todo mundo está transparente, consentido. Não é essa coisa de um prestador querendo pegar o espaço do outro”, conta Emilio. O projeto tem previsão de início em fevereiro de 2020.

Ao contrário dos EUA, onde o modelo já está bem desenvolvido e estruturado, não somente das ACOs, mas de atenção primária, o Brasil tem mais desperdícios na cadeia de saúde pois tem começado estes movimentos de coordenação do cuidado na Saúde Suplementar há pouco tempo. Outra diferença, segundo Emílio, é o fato de muitas ACOs nos EUA pertencerem a mesma holding tornando mais difícil demonstrar as economias para o sistema. Neste modelo brasileiro, que beneficiará 13 mil vidas, as empresas são independentes e cada uma precisará atingir seus objetivos para conseguir uma margem de remuneração que pague as contas. O CEO acredita que a partir do 6º mês em operação já será possível mostrar os resultados ao mercado.

“O primeiro passo pra criar uma melhor Saúde Suplementar e melhor saúde populacional, com melhores desfechos clínicos e menores custos é o fator humano. Porque o que falta hoje é você ir ao médico e ele conhecer você, ser o mesmo médico a segunda vez que você vai lá não outro, o médico não terceirizar o atendimento pra um médico mais júnior e realmente ter um acompanhamento ativo pra atingir desfechos clínicos e um vínculo com a cordialidade que deixa você se sentir bem cuidado e amparado. A partir disso vamos falar sobre tecnologia! A Amparo é um negócio que alavanca muito tecnologia, mas não é a alma do negócio” finaliza Emílio.

Philips expande o portfólio de informática para radiologia

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Royal Philips (NYSE: PHG, AEX: A PHIA), líder global em tecnologia da saúde, expandiu seu portfólio de diagnóstico por imagem na América Latina, ao adquirir a Unidade de Sistemas de Informação em Saúde (HCIS) da Carestream Health Inc. A plataforma de colaboração clínica, baseada na nuvem, complementará a linha de tecnologias de diagnóstico da Philips e trará melhorias na produtividade de suas soluções, no gerenciamento de dados de diagnóstico e na visualização e análise de informações.

"Como líder global em tecnologia de saúde, demos um passo à frente para atingir o quadruple aim: melhorar a experiência do paciente, os resultados médicos, a experiência da equipe e o custo dos cuidados médicos. Unir forças com a Carestream melhorará o atendimento ao paciente e a produtividade das instituições, oferecendo soluções flexíveis para hospitais e sistemas de saúde, bem como uma base sólida para cumprir nossa promessa de um diagnóstico de precisão. Desta forma, fortalecemos nosso compromisso de fornecer soluções de TI para a saúde e imagens clínicas líderes no setor". David Reveco Sotomayor, CEO da Philips América Latina.

A plataforma de colaboração clínica, baseada na nuvem, complementa as soluções e os serviços da Philips, coloca o paciente no centro de sua estratégia e fortalece a inovação técnica de primeira classe no nosso mercado.

A Philips também oferecerá aos prestadores de serviços médicos no Brasil a tecnologia avançada "Vendor Neutral Archive" (VNA) - tecnologia de dados clínicos no formato Dicom e Não Dicom como PDF, JPG, vídeo etc., o que facilita o intercâmbio de informações. A solução integra plataformas de visualização para diagnóstico, relatórios multimídia interativos, ferramentas de análise habilitadas para Inteligência Artificial (IA), bem como telerradiologia e serviços de gerenciamento de pacientes e diagnóstico; tudo isso para aumentar a interoperabilidade com um fluxo de trabalho eficiente.

A plataforma de colaboração clínica da Carestream é uma solução líder no setor, e ficou com o primeiro lugar como "VNA" da KLAS em todo o mundo, em outubro de 2019. "Com a incorporação da HCIS pela Carestream, a Philips do Brasil conta agora com um portfólio de informática hospitalar empresarial líder no setor que abrange o prontuário eletrônico (EMR); soluções avançadas para Radiologia, Cardiologia, Patologia e Oncologia; e tecnologia avançada de visualização que pode ser perfeitamente integrada ao nosso conjunto de soluções e ferramentas. Nosso portfólio de informática, combinado com a abordagem em soluções hospitalares completas, nos permite desenvolver propostas líderes para o setor", disse Vickram Sharma, diretor de Negócios de Informática da Philips.

A Philips Healthcare Information Solutions faz parte do negócio de informática para diagnóstico empresarial da Philips dentro da divisão de Diagnóstico de precisão.

Sobre a Royal Philips

A Royal Philips (NYSE: PHG, AEX: PHIA) é uma empresa líder em tecnologia de saúde, cujo objetivo é melhorar a saúde das pessoas e viabilizar melhores resultados de saúde em todos os aspectos, desde uma vida saudável até a prevenção, o diagnóstico, o tratamento e os cuidados domiciliares. A Philips aproveita a tecnologia avançada e os amplos conhecimentos clínicos e de mercado para fornecer soluções integradas. Com sede na Holanda, a empresa é líder em diagnóstico por imagens, tratamento assistido por imagens, monitoramento de pacientes, informática para a saúde, saúde dos usuários e cuidados domiciliares. Em 2017, a Philips gerou vendas de 17,8 bilhões de euros, emprega aproximadamente 77.000 funcionários, bem como gerou vendas e prestou serviços em mais de 100 países.

VidaClass faz captação de €2 milhões de empresas espanholas

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VidaClass, a plataforma brasileira que tem como intuito ligar pessoas sem convênio a serviços de saúde por um preço acessível, acaba de receber um aporte de investimentos no valor de € 2 milhões, o equivalente a mais de R$ 13 milhões, das empresas espanholas Iporanga Advisory, sediada em Madri, e a GEM Research, com sede em Barcelona.

A startup que atua no Brasil, com abrangência nacional tem em seu projeto para os próximos anos a expansão para a Europa: "Queremos ir para Portugal e Espanha e, mais para frente, chegar ao Leste Europeu. Hoje, médicos portugueses já conseguem atender pacientes brasileiros através da teleconferência via online", conta Vitor Moura, CEO da VidaClass.

O aporte captado será direcionado à tecnologia, ao marketing e às melhorias de infraestrutura da plataforma para ampliar o raio de atuação - "nossa meta é bem ousada: queremos promover e tornar os serviços de saúde acessíveis no Brasil e em toda a comunidade de língua portuguesa espalhada pelo mundo", ressalta Vitor.

Sobre a VidaClass

Criada em 2014, a VidaClass é uma startup que promove acesso a diversos serviços na área da saúde. Entre eles, médicos, dentistas, exames de imagens e laboratoriais, consultas multiprofissionais, pacotes hospitalares, seguro de diária internação hospitalar e benefícios farmacêuticos. A ideia é que o paciente tenha um cuidado integral com valores acessíveis, sem pagamento de mensalidade e/ou taxa de adesão. Na vertente de negócios B2C o serviço só é cobrado quando utilizado. Atualmente, existem mais de 20 mil profissionais de saúde cadastrados na plataforma.

Unimed Fesp inicia parceria de saúde com governo do estado de São Paulo

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Parceria público-privada prevê compartilhamento de prontuários e hospitais que deverão auxiliar na ampliação do programa estadual Corujão da Saúde

Uma reunião realizada nesta terça-feira, dia 27,  entre a Unimed Fesp, a operadora do Sistema Unimed no estado de São Pauloe o governador  João Dória, foi o primeiro passo para o desenvolvimento de uma parceria público-privada com o governo do Estado de São Paulo, pela qual serão desenvolvidas ações que visam proporcionar mais saúde e qualidade de vida a toda a população paulista com ações  inovadoras como o compartilhamento de prontuários e hospitais da Fesp.

Após audiência no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo (SP), foi aberta a possibilidade da participação da rede de hospitais próprios das Unimeds de São Paulo no Programa Corujão da Saúde, além de outras iniciativas. O encontro reuniu o Dr. Omar Abujamra Junior, presidente da Unimed Fesp, o Dr. Jeber Juabre Junior, assessor jurídico da cooperativa, o governador João Dória Junior, e o secretário de saúde do estado de São Paulo, José Henrique Germann.

Dentro do acordo, além da rede de hospitais, está previsto ainda o compartilhamento de um projeto de prontuário eletrônico e o trabalho em conjunto para demais iniciativas de saúde no estado de São Paulo.

“Estamos muito felizes com essa parceria, pois as Unimeds do estado de São Paulo atuam fornecendo assistência médica de alta qualidade, o que representa uma necessidade de toda a população”, analisou o Dr. Omar Abujamra Jr, presidente da Unimed Fesp.

Sobre a Unimed Fesp 

Criada em 1971, apenas quatro anos após a fundação da primeira Unimed, em Santos, a Federação das Unimeds do Estado de São Paulo (Unimed Fesp) nasceu com o intuito de integrar as cooperativas singulares de todo o Estado. A Unimed Fesp atua no mercado como operadora de saúde e como uma federação sendo que, entre suas atribuições está o oferecimento de assessoria comercial/relações empresariais, jurídica, em projetos hospitalares, em saúde ocupacional, em educação cooperativista, entre outras áreas, orientando, coordenando e normatizando a filosofia cooperativista entre dirigentes, médicos cooperados e funcionários.

Sociedade inteligente

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Vivemos em uma nova era, em que a globalização e a rápida evolução de tecnologias digitais, como a internet das coisas (IoT), inteligência artificial (IA) e robótica estão trazendo mudanças significativas para a sociedade. O ambiente e os valores das pessoas estão se tornando cada vez mais diversificados e complexos. O mundo enfrenta desafios de larga escala, como esgotamento de recursos naturais, aquecimento global, crescente disparidade econômica, uma população em amadurecimento, taxa de natalidade em declínio.

Portanto, é de extrema importância aproveitar ao máximo as tecnologias da informação e comunicação (TIC) para obter novos conhecimentos e criar valores, estabelecendo conexões entre pessoas e coisas e entre os mundos real e cibernético, como um meio eficaz e eficiente de resolver problemas na sociedade. Antecipando essas tendências globais, a sociedade 5.0 foi apresentada como um conceito central do quinto Plano Básico de Ciência e Tecnologia, adotado pelo governo japonês em 2016, que pode servir de exemplo e ser aplicado por outros países.

A iniciativa da sociedade 5.0 está fundamentada no paradigma da indústria 4.0, embora as manifestações do modelo da indústria se concentram na aplicação de tecnologias emergentes para aprimorar a eficácia e o desempenho financeiro das organizações (fábricas inteligentes). A sociedade 5.0 procura contrabalançar essa ênfase comercial, aplicando tecnologias emergentes relacionadas à robótica social, IA, inteligência ambiental e avanços nas interfaces homem-computador para melhorar qualitativamente a vida de seres humanos individuais e beneficiar a sociedade como um todo (sociedade inteligente).

O objetivo é criar uma sociedade centrada no ser humano, na qual o desenvolvimento econômico e a solução dos desafios sejam alcançados, e as pessoas possam desfrutar de uma alta qualidade de vida totalmente ativa e confortável. Alguns campos estratégicos foram selecionados como capazes de alavancar os pontos fortes dessa iniciativa.

Assistência médica: por meio da inteligência artificial, é possível cobrir aspectos como dados pessoais em tempo real, informações de localização da assistência médica, informações sobre tratamento e informações ambientais. Além disso, a assistência possibilita uma vida saudável e a possibilidade de detectar doenças precocemente, por meio de exames médicos de dados fisiológicos e clínicos e oferecer um tratamento ideal.

Mobilidade: um novo valor pode ser gerado analisando, por meio de IA, bancos de dados que abrangem vários tipos de informações, incluindo dados de sensores de carros e informações em tempo real sobre clima, tráfego. Esse campo estratégico facilita as viagens e passeios turísticos que correspondem às preferências pessoais e tornam o movimento agradável sem congestionamentos, além de reduzir os acidentes por meio da condução autônoma e da combinação de serviços de carros e transporte público.

Criação de cadeias de suprimentos de próxima geração: migrar de um modelo convencional (obtendo lucro simplesmente vendendo produtos) para um novo modelo (com lucro pelo serviço como um todo, incluindo atendimento e pós-venda), e materializar a produção em massa sob medida, atende as necessidades de cada consumidor.

Agricultura: aplicando IA e big data para aspectos como dados meteorológicos, crescimento de culturas, condições de mercado, tendências e necessidades alimentares, é possível maior oportunidade de emprego e alta produtividade por meio de soluções como tratores robóticos e automatizar a integração de dados de culturas com o uso de drones. Outras aplicações incluem operação e automação do gerenciamento da água e aprimorar sua capacidade com base em previsão do tempo e dados de águas subterrâneas.

Energia: analisar dados meteorológicos, status operacional de usinas, status de descarga/cobrança de veículos elétricos (VE) e condições de uso de energia de cada domicílio contribui para o fornecimento de suprimento de energia estável por várias fontes de energia, com base em previsões precisas de demanda, além de reduzir a carga ambiental, diminuindo as emissões de gases do efeito estufa (GEE).

FinTech: possibilitada pelas tecnologias emergentes, será possível apoiar os negócios financeiros existentes e trazer benefícios econômicos, fornecendo bens e serviços necessários às pessoas que precisam, facilitando a prosperidade humana.

As iniciativas não são para o desenvolvimento de um único país, mas para gerar resultados positivos globalmente. Isso implica que o mundo inteiro se beneficiará da sociedade 5.0, que busca integrar as tecnologias desenvolvidas em diferentes setores, bem como nas diversas atividades, para alcançar o desenvolvimento econômico para um grande número da população (e não para poucas pessoas), fornecer soluções paralelas aos problemas e promover uma sociedade em que as pessoas aproveitem a vida ao máximo.

Sobre a autora

Débora Morales é mestra em Engenharia de Produção (UFPR) na área de Pesquisa Operacional com ênfase a métodos estatísticos aplicados à engenharia e inovação e tecnologia, especialista em Engenharia de Confiabilidade (UTFPR), graduada em Estatística e em Economia. Atua como Estatística no Instituto das Cidades Inteligentes (ICI).

Mais médicos e menos saúde

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- Divulgação

Em meados de julho, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, enviou para análise do Congresso Nacional um projeto para a criação do programa Médicos pelo Brasil. O texto, avaliado pelo Governo Federal, foi muitíssimo bem recebido pela sociedade por atacar de frente alguns problemas sérios da assistência à população.

De forma geral, solucionaria vários desvios do programa Mais Médicos. A começar pelo estabelecimento de regras transparentes e obrigatórias para a revalidação de diplomas dos graduados fora do Brasil. Assim, teríamos sempre boa probabilidade de o profissional a nosso dispor, se formado no exterior, ser de fato capacitado para a boa prática, pois passara por avaliação e comprovara qualificação. Enfim, um dos focos do Médicos pelo Brasil era colocar ponto final no passe livre que alguns aventureiros usaram para vir a nosso país e exercer a Medicina, em anos recentes, sem comprovar aptidão, uma perigosa lacuna do Mais Médicos.

Como destaquei inicialmente, a propositura do Ministério da Saúde e do Governo Federal mereceu aplausos da classe médica e de todo o universo da saúde. Isso por também elencar critérios sólidos com vistas a resolver o histórico problema de falta de profissionais para assistir à saúde das populações de regiões remotas e periferias. Era de se esperar, portanto, que fosse acolhida no Congresso Nacional sob aplausos. Lógico seria transformá-la rapidamente em lei, de maneira a garantir mais resolubilidade ao Sistema Único de Saúde e a combater com rigor uma máfia de diplomas que age acintosamente nas áreas fronteiriças do Paraguai, Bolívia, Argentina e por aí afora.

Só para ter ideia, as faculdades de Medicina localizadas nessas localidades já ultrapassam 65 mil estudantes brasileiros, reunidos em 39 instituições, o que representa mais de 1/3 do total de vagas para alunos de Medicina no Brasil, segundo o Censo da Educação Superior de 2018. Em regra, a formação é de baixíssimo nível, já que a maioria tem estrutura precária, não possuindo laboratórios, bibliotecas e nenhum local para a prática clínica. Detalhe: as mensalidades nestas localidades estão, em média, entre R$ 700 e R$ 2.000, enquanto no Brasil o valor gira entre R$ 5.000 e R$ 12.000. Várias nem exigem vestibular para a matrícula. Explicada está, então, a ida de tantos sonhadores para fora. Só que os mesmos, independentemente de suas vontades, viram bombas relógios. Malformados serão risco aos cidadãos, quando na linha de frente do atendimento.

Ocorre que os parlamentares acionaram o artefato durante a análise da proposta do Ministério da Saúde pela Comissão Mista da Câmara dos Deputados. Retalharam o texto original e adensaram centenas de emendas nocivas à prática adequada da Medicina. Ao documento mutilado, batizaram-no de Projeto de Lei de Conversão 25/2019. Semana passada, essa versão desfigurada foi aprovada, pela Câmara e o Senado, trazendo péssimas notícias aos brasileiros. A mais grave é a possibilidade de as faculdades privadas participarem do processo de revalidação, fazendo avaliações e validando diplomas obtidos no exterior. É a brecha para que pessoas sem formação adequada, graduadas em outros países, tenham diplomas revalidados e a consequente autorização legal para atuar como médicos, mediante pagamento. Lamentavelmente, fez-se do Revalida um balcão de negócios. Teremos mais médicos e menos saúde.

Bacurau e o papel do médico de família

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‘Bacurau, 17km. Se for, vá em paz’, esta é a placa solitária à beira da rodovia indicando a chegada ao pequeno vilarejo em algum lugar distante dos grandes centros urbanos. A cidade fictícia desenvolvida pelos diretores Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, no filme Bacurau (2019), reflete a realidade de muitas comunidades do nosso Brasil. Uma sociedade simples, desprovida de políticas públicas, formada por moradores idealistas , em sua maioria personagens femininos - e resilientes que lutam, literalmente, por um futuro melhor para a cidade onde vivem e convivem em harmonia, de maneira amistosa. Compartilhar, unir-se à vida local, defender ideais em comum em um povoado do interior distópico é a metáfora de um País doente, retratado no filme brasileiro. Indivíduos encaram a violência com naturalidade e, ao mesmo tempo, sentem amor pelo outro.

Uma cidade do interior do Recife apresenta um sertão futurista, com drones, celulares e exploradores de recursos naturais - além de moradores deprimidos que são medicados por Domingas, médica interpretada por Sônia Braga. É ela quem sabe as dores e as delícias de cada indivíduo de Bacurau. Uma espécie de conselheira pessoal que representa a gestão pública de saúde da cidade.

Simples, de pés descalços, cabelos brancos aparentes, fala firme e de liderança forte: é ela quem luta e cuida dos mais diferentes personagens no decorrer da trama. Transexual, garota de programa, pessoas que andam nuas em casa são alguns dos pacientes de Domingas. A criação de vínculo nesta relação vai muito além de médico-paciente, a visão humanista e a empatia pelo indivíduo faz com que a médica não seja vista somente como uma profissional de saúde, mas sim uma parente, alguém com ar familiar.

Na narrativa retratada no filme, a personagem assemelha-se ao médico de família, que vai até a casa de seus pacientes, e que ao mesmo tempo atende à comunidade: presta atendimento de Atenção Primária, conversa com um a um de forma humanista e personalizada. Seja qual família for. Uma relação criada ao longo do tempo com quem Domingas atende normalmente. Ela cuida de todos por meio da medicina integrativa, busca entender a causa da doença e não somente o que acomete a pessoa naquele momento. A médica direciona seu diagnóstico em analisar o indivíduo e não a doença em si.

Esse retrato de um povoado também é o reflexo futurista do filme; recentemente um estudo da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) revelou que a Atenção Primária pode atender de 80% a 90% das necessidades de saúde de um pessoa ao longo de sua vida. Ou seja, a sociedade caminha para o retorno do médico de família, aquele que conhece o histórico do paciente, evita prescrever exames desnecessários, analisa a questão emocional e faz um diagnóstico baseado em um contexto social e familiar - neste último caso vai além da herança genética.

O médico de família é o responsável por trazer ressignificado à saúde para a sociedade, ensinar a ter uma vida focada no bem-estar físico e psicossocial. A evitar ou sanar doenças mudando, por exemplo, o estilo de vida. Em comunidades carentes, a importância deste profissional é inquestionável: ele é o primeiro e talvez o único contato com agentes de saúde. Já nos grandes centros urbanos, problemas como estresse, alergias, inflamações e outras complicações geradas pela alimentação irregular, vida desregrada, ansiedade, compulsão e até sinais de depressão podem ser diagnosticados sem necessidade de exames, mas com Atenção Primária.

Bacurau nos remete ao passado, mas também ao futuro. Nos mostra as mazelas, a liderança feminina na comunidade, o afeto, a convivência, a dor do outro, um mundo real e ao mesmo tempo distante. Um povoado que retrata a obscuridade da sociedade atual e expõe que as relações humanas e o conhecimento de uma médica, podem ajudar a evitar doenças mentais geradas, às vezes, por questões internas dos indivíduos - e não necessariamente por doenças. Que existem diversas maneiras de se cuidar das pessoas, e possivelmente a melhor delas é olhar para o indivíduo como um todo. Alguém que além de sintomas físicos, apresenta sintomas emocionais - vistos a olhos nus por quem sabe enxergar o ser humano e toda a sua complexidade em existir. No sentido mais profundo do termo, um profissional de saúde.

Sobre o autor

Matheus Silva é formado em Engenharia Química e Economia na Worcester Polytechnic Institute nos EUA. Foi consultor estratégico na McKinsey & Company e presidente fundador da BRASA - Brazilian Student Association, uma organização de estudantes brasileiros fora do Brasil com o intuito de empoderar gerações de líderes brasileiros. Atualmente, é CEO da Cuidas , startup que conecta empresas com médicos e enfermeiros para atendimentos no próprio local de trabalho.

Representantes da Saúde debatem ética e inflação médica

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Os debatedores que representaram a indústria da saúde no Ética Saúde Summit 2019, no dia 07 de novembro, em São Paulo, defenderam que a sustentabilidade do setor depende do engajamento de todos os players, inclusive das operadoras de saúde. “O Instituto Ética Saúde é atualmente um acordo com magnitude internacional. Mas precisamos de um movimento efetivo de todos os lados do setor. Não há mudança sem a participação de todos”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde – ABRAIDI, Sérgio Rocha, no início do painel “Fornecedores de Produtos e Serviços de Saúde: Inovação, Incorporação Tecnológica, Sustentabilidade Sistêmica, Valor ao Paciente e Dilemas Éticos da Atividade Econômica”, moderado pela coordenadora geral do FGVethics, Lígia Maura Costa. Para ele, a saúde vive o domínio de uma área específica e todos os demais players – indústria, distribuição, hospitais, laboratórios – sofrem as consequências. “Quando as operadoras de saúde falam em inflação médica, proponho aqui que o tema seja discutido com profundidade. O que é a inflação da saúde? Porque no setor de importação e distribuição de DMI os preços caíram e muito”, enfatizou.

O presidente da Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Fehoesp), Yussif Ali Mere Júnior, acrescentou que “precisamos, cada vez mais, sentar à mesa sem o chapéu que nós usamos no dia a dia, para discutir transparência e integridade. Temos que diminuir a oportunidade para os 80% citados pela Dra. Claudia Taya se tornarem corruptos”, referindo-se à palestra magna da secretária de Transparência e Prevenção da Corrupção da Controladoria Geral da União (CGU), horas antes. Ela mencionou pesquisa sobre corrupção da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que revelou que 10% da população é corrupta, 10% é extremamente honesta e os outros 80% estão suscetíveis aos desvios de conduta.

Incentivo e remuneração também são pontos de alerta, na opinião do presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde (Abimed). “É preciso ter regras claras para quem vende. Obviamente os vendedores têm incentivo de venda. Mas, se o incentivo é muito forte, ele vai vender a qualquer custo. E não é isso que queremos. Eu prefiro perder a venda do que fazer uma má venda e é isso que recomendo aos meus funcionários. O tom das lideranças com as equipes é extremamente importante. Ser um modelo de comportamento dentro da empresa é fundamental”, disse Fabrizio Signorin.

A integrante do Conselho Suplente da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo), Patricia Braile, citou a campanha de sensibilização que o Instituto lançou: “Ética não É moda. Ética é algo que nos dá ânimo para acordar e trabalhar. Depende de cada um de nós, e o Instituto Ética Saúde é minha casa desde a criação, há quatro anos”.

O presidente do Conselho de Administração da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Eduardo Amaro, lembrou que o setor de saúde é muito complexo e que todos os associados da Anahp possuem processos de acreditação. “Com isso, conseguimos evoluir. Fizemos uma pesquisa em 2015 e 30% dos dirigentes de associadas da Anahp eram envolvidos com compliance. Quatro anos depois, este percentual subiu para 90%. O começo é difícil, mas depois entramos numa curva ascendente. E no Brasil essa curva também está subindo”.

No Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross), o incentivo é para que os associados participem do QualIES. “O programa avalia o nível de maturidade de Sistemas de Integridade. Nós damos uma enorme importância e pedimos que todos façam a adesão”, afirmou o coordenador do Painel de Indicadores, Marcos Morato.

Para a integrante do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), Claudia Cohn, a definição de ética é simples. “Ética evita cadeia. Ela é a ferramenta que garante que a gente durma tranquilo e também que a gente garanta a sustentabilidade no que fazemos no dia a dia”, resumiu.