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Emergentes serão 57% do PIB em 2030

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As economias emergentes estão tirando milhões de pessoas da pobreza e exercendo mais influência na economia global.  A informação é do estudo da consultoria KPMG em parceria com o Centro Mowat na Escola de Políticas Públicas e Governança da Universidade de Toronto (Canadá). O estudo destaca as  "Mudanças no poder econômico das nações" como uma das nove megatendências globais. Nele, tais transformações  tornarão as instituições internacionais e os governos mais focadas em não perder suas posições. Ainda de acordo com a consultoria, devido à abertura do comércio, pelas reformas econômicas e pela livre circulação de capitais e tecnologia dos países desenvolvidos para os países em desenvolvimento, China, Índia, Brasil, Rússia, África do Sul, México, Indonésia e outras nações em desenvolvimento tornam-se players cada vez mais importantes no mercado. Essa mudança de poder econômico não ocorre sem desafios. Enquanto as nações adquirem riquezas, muitos experimentaram uma crescente desigualdade dentro das próprias fronteiras.

KPMG - Mudanças no poder econômico das nações

*Fonte: KPMG – O Estado Futuro 2030: As megatendências globais que moldam os governos

Consequências

  • O fluxo Sul-Sul torna-se um motor de crescimento
  • Emerge uma ordem mundial multipolar
  • A inovação torna-se uma fonte de crescimento sustentável
  • O aumento da base de consumo vai trazer oportunidades econômicas

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O STF e o Sistema Único de Saúde

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E a quem cabe tal decisão? Essas são duas perguntas de extrema importância que deveriam fundamentar as discussões e decisões em curso no STF. As respostas parecem óbvias nos dias atuais, ou seja: as restrições econômicas, as questões sociais, as limitações educacionais e de uso do conhecimento já disponível e o respeito aos direitos individuais e coletivos fazem com que as decisões que envolvem o dia a dia do ser humano precisem ser mais orientadas e justificadas. A decisão em nome do indivíduo afeta o coletivo, e a decisão coletiva impõe restrições aos indivíduos.

Nesse cenário, certamente não deveria caber ao Judiciário fazer escolhas em um ambiente de recursos escassos. Aliás, a chegada de uma demanda a esse Poder simplesmente constata a falha do processo de decisão que envolve a liderança e os gestores do sistema de saúde. A decisão sobre o que (para quem e em que momento e circunstâncias) oferecer ao cidadão que precisa utilizar o sistema de saúde deveria ser eminentemente técnica e fundamentada nas melhores evidências científicas, reconhecendo, porém, a limitação de recursos existentes. Infelizmente (em qualquer país), não é mais possível oferecer tudo para todos. Escolhas precisam ser feitas, e dilemas e decisões difíceis, porém responsáveis, precisam ser técnica e socialmente tomadas.

Importante frisar que o sistema de saúde é por natureza complexo, e decisões simples, rápidas e de curto prazo (que invariavelmente atendem a partes ou interesses imediatos) são equivocadas, erradas e aumentam a entropia (bagunça) do sistema.

Embora seja um tema de difícil (mas possível) abordagem do ponto de vista prático, a única solução passa pela definição de políticas públicas fundamentadas em prioridades e estabelecidas de algumas formas: doenças mais importantes, mais frequentes, mais graves, com maior sofrimento, maior chance de prevenção; e que a literatura biomédica tenha evidências de que, com a intervenção -prevenção, diagnóstico, terapia e reabilitação-, haverá um alívio do sofrimento ou "redução" da doença. Doenças raras, sobretudo importantes e que afetam minorias, também não podem ser negligenciadas.

Em outras palavras, num ambiente de escassez de recursos, não adianta ter políticas ou ações incompletas: diagnosticar e não ter tratamento para o paciente, seja por falta de conhecimento (não sabemos como tratar a doença), seja por um processo "capenga" (sabemos como tratar, mas não viabilizamos o tratamento). Em ambos os casos, desperdiçamos recursos e aumentamos a angústia. Dessa forma, temos alguns desafios: a definição de prioridades exige um sistema maduro, com profissionais competentes do ponto de vista técnico, honestos e que

respeitem alguns valores éticos e morais estabelecidos pela própria sociedade. A carência de dados nacionais para orientar algumas dessas decisões e a qualificação dos profissionais envolvidos no processo são barreiras a transpor. Por fim, há o ônus político de aceitar publicamente que não dá para fazer tudo para todos. Infelizmente, pois não temos a "árvore do dinheiro", temos que assumir que somos um país em desenvolvimento, num mundo globalizado e cheio de tentações de consumo, inclusive na área da saúde.

Apesar desses entraves, a melhor decisão em nome da sociedade deveria ser fundamentada por evidência e orientada pelas prioridades e políticas públicas coordenadas e sinérgicas, mas que assumam de forma clara e transparente alguns "nãos". Esses "nãos", se bem definidos e justificados, não deveriam legitimar demandas judiciais. Uma nova interpretação do artigo 196 da Constituição passa pelo reconhecimento da escassez de recurso do sistema de saúde e consequentes restrições, expressas antecipada e indistintamente, para todos os que dependem do sistema de saúde, todos os cidadãos. O que presenciamos atualmente é a fraqueza da liderança política (sentido amplo), o que nos impõe um tremendo ônus e estimula a troca de responsabilidades e decisões entre os Poderes constituídos e demais atores.

Medicina Hospitalar e Hospitalistas

Hospitalista e paciente

Enquanto o pessoal do Saúde Business recupera postagens antigas, deixo aqui versão modificada daquele que foi meu segundo post anos atrás, após texto de saudação inicial e apresentação do Blog Médico Hospitalista. Um síntese do que são o modelo de Medicina Hospitalar e os tais médicos hospitalistas:

Definição

Para entendermos o modelo em que atuam os hospitalistas, chamado por mim de Medicina Hospitalar (MH), acredito que em 2003, pela primeira vez no Brasil – simples tradução de Hospital Medicine (HM). O termo até então significava "qualquer atividade médico-laboratorial em hospital" –, devemos iniciar revisando um pouco a evolução histórica nos EUA, onde o modelo tem se destacado e, em seguida, discutir suas características e como pode auxiliar nos hospitais brasileiros.

O contexto histórico norte-americano

Até poucos anos atrás, a regra era: o mesmo médico que atendia a pessoa no ambulatório ou em casa encarregava-se de cuidar dela também durante uma eventual internação – “passando visita”. Ocorre que inúmeros fatores alteraram gradativamente esta realidade nas enfermarias (já havia acontecido algo parecido nas unidades de terapia intensiva e emergências). Os hospitais e os pacientes foram se tornando progressivamente mais complexos. Os médicos americanos que atuavam na atenção primária e que não atendiam um alto volume de pacientes internados foram perdendo o interesse, principalmente em função de mudança no modelo de remuneração. Os custos do cuidado hospitalar atingiram patamares alarmantes.

Uma maior eficiência, através da redução de custos, tornou-se obrigatória e o tempo de internação precisava ser reduzido. Em 1999, o relatório do Institute of Medicine trouxe à tona a questão dos erros no cuidado à saúde e, a partir dele, o movimento de segurança do paciente e da qualidade assistencial ganhou força. Os gestores começaram a dar-se conta de que precisavam mais dos médicos, ou de pelo menos parte deles, envolvidos no dia-a-dia das organizações, e não somente como visitantes. O modelo tradicional – onde o médico “passa a visita” – foi se mesclando, aos poucos, com o de MH, onde médicos passam a atuar mais dedicados às enfermarias. Três tipos de médicos categorizados de acordo com sua relação com os hospitais foram consolidando-se:

  • aqueles com atuação eminentemente ambulatorial;
  • os chamados “visitantes importantes”, os sub-especialistas, indispensáveis a medicina moderna;
  • os intensivistas, emergencistas e, mais recentemente, estes médicos generalistas que foram “criando raízes” nas enfermarias.

Ao perceber este movimento, em 1996, o pioneiro Robert Wachter cunhou o termo hospitalista (hospitalist) em artigo publicado no New England Journal of Medicine(1). No ano em que foi cunhado o termo, já haviam cerca de 800 profissionais atuando, ainda em processo de aprendizado para lidar com as necessidades do sistema. As competências para lidar com pacientes individualmente aprendiam na faculdade – a incorporação de competências e habilidades para o tal "system approach" ainda representava um desafio. Em 2006, eram 20.000 e hoje são mais do que 40.000 hospitalistas, consolidando esta como a área de atuação médica que mais rapidamente cresceu na história da medicina moderna norte-americana(2) e que mais inovações trouxe à lista de competências e habilidades necessárias para atuação médica em hospitais, levando em conta a atual complexidade destas organizações.

Até 2004, metade dos programas de MH norte-americanos ainda não existiam. Em 2009, a American Hospital Association mostrou que mais da metade dos 4.897 hospitais já empregava hospitalistas e que a grande maioria dos hospitais com mais de 200 leitos possuía programas de MH. No mesmo ano, outro estudo publicado no New England Jounal of Medicine descreveu que a chance de um paciente ser cuidado por hospitalista de 1997 a 2006 aumentou aproximadamente 30%. Valendo-se de dados do Medicare, pesquisadores descobriram ainda que os hospitalistas já respondiam pelo cuidado de mais de um terço dos pacientes internados(3).

Para mais informações sobre hospitalistas visite o site: www.hospitalmedicine.org, da Society of Hospital Medicine.

O modelo Medicina Hospitalar

MH é um modelo com características bem peculiares. Não se trata de plantão clínico ou de uma equipe de apoio clínico e/ou gerencial. Classicamente, um grupo de médicos generalistas assume o cuidado do paciente e a coordenação dos processos assistenciais enquanto ele estiver hospitalizado. O sinergismo da lógica assistencial e da lógica administrativa deve orientar a ação, com foco no paciente e na eficiência dos serviços. Esse modelo pode reduzir, em média, o tempo de internação dos pacientes em 12% e os custos em 13%.

Os hospitalistas são, então, médicos generalistas que conduzem o cuidado clínico de pacientes e coordenam equipes multidisciplinares, que recebem pacientes encaminhados pelos médicos da atenção primária e eventualmente de sub-especialistas e os reencaminha ao colega ao final da internação. A quebra de continuidade entre o hospital e o ambulatório é obviamente uma consequência do modelo, potencialmente pode trazer problemas, e, por isso, precisa ser bem trabalhada.

Atualmente, praticamente todos os melhores hospitais dos EUA – clínicas Mayo e Cleveland, hospitais de ensino da Harvard (Brigham and Women’s e Beth Israel Deaconess) e os hospitais das Universidades da Califórnia e Chicago, entre outros – adotaram a MH. A maior parte das seguradoras e planos de saúde dos EUA – Humana, Kaiser, Aetna, PacifiCare, Cigna – apoiam o modelo. O encaminhamento de pacientes costuma ser voluntário.

As organizações de hospitalistas – Society of Hospital Medicine nos EUA, e o movimento por mim alavancado no Brasil(4) – têm se posicionado contra a direcionamento compulsório de pacientes para hospitalistas. Médicos que queiram podem seguir internando no modelo tradicional.

Há evidências de que o modelo de MH melhora a gestão de corpo clínico, facilita o trabalho em equipe, a comunicação e os rounds interdisciplinares, favorecendo a aplicação de rotinas e padrões de melhores práticas, evitando fragmentação intra-hospitalar, garantindo um “fio condutor” em etapa tão crítica. O movimento de qualidade e segurança dentro das organizações hospitalares norte-americanas tem avançado umbilicalmente ligado ao fortalecimento deste modelo e a valorização de quem nele atua (5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12).

Referências Bibliográficas

  1. Wachter RM, Goldman L. The emerging role of “hospitalists” in the American health care system. N Engl J Med 1996; 335:514-7.
  2. Society of Hospital Medicine
  3. Kuo YF, Sharma G, Freeman JL, et al. Growth in the care of older patients by hospitalists in the United States. N Engl J Med. 2009 Mar 12;360(11):1102-12.
  4. Brazil Blossoms: Hospital medicine gains ground in South America. The Hospitalist, March 2007 http://www.the-hospitalist.org/details/article/240537/ Brazil_Blossoms.html
  5. Davis KM, Koch KE, Harvey JK, et al. Effects of hospitalists on cost, outcomes, and patient satisfaction in a rural health system. Am J Med. 2000 Jun 1;108(8):621-6.
  6. Auerbach AD, Wachter RM, Katz P, et al. Implementation of a voluntary hospitalist service at a community teaching hospital: Improved clinical efficiency and patient outcomes. Ann Intern Med 2002; 137:859-65.
  7. Meltzer D, Manning WG, Morrison J, et al. Effects of physician experience on costs and outcomes on an academic general medicine service; results of a trial of hospitalists. Ann Intern Med 2002; 137:866-74.
  8. Roytman MM, Thomas SM, Jiang CS. Comparison of practice patterns of hospitalists and community physicians in the care of patients with congestive heart failure. J Hosp Med 2008; 3:35-41.
  9. Huddleston JM, Long KH, Naessens JM, et al. Medical and surgical comanagement after elective hip arthoplasty. A randomized, controlled trial. Ann Intern Med 2004; 141;28-38.
  10. Lindenauer PK, Rothberg MB, Pekow PS, et al. Outcomes of care by hospitalists, general internists, and family physicians. N Engl J Med. 2007 Dec 20;357(25):2589-600.
  11. Roytman MM, Thomas SM, Jiang CS. Comparison of practice patterns of hospitalists and community physicians in the care of patients with congestive heart failure. J Hosp Med. 2008 Jan;3(1):35-41.
  12. Lundberg S, Balingit P, Wali S, et al. Cost-effectiveness of a hospitalist service in a public teaching hospital. Acad Med. 2010 Aug;85(8):1312-5.

Como dados integrados podem ajudar a diminuir a glosa

Glosa, Operadoras de Saúde, Hospitais, Planos de Saúde
Flickr - Pascal Charest

No final do mês, todo gestor de empresas de saúde tem o desafio de fechar as planilhas de custos e ganhos. É aí que surge um dos maiores fantasmas desse profissional: o não pagamento por serviços prestados a convênios. Mesmo que hajam motivos que possam ser evitados como a falta de documentação adequada ou a correção dos valores cobrados, o fato é que cabe recurso ao pagador, o que arrasta a quitação e o dinheiro acaba não entrando.

Conhecido no jargão de faturamento das empresas médicas como glosa, o procedimento nada mais é que uma solicitação de explicação complementar sobre o serviço feita pelo convênio médico ou pelo plano de saúde. Normalmente ilustra a falta de congruência entre o descrito no formulário de atendimento em relação ao exigido pelo convênio médico.

Apesar de alguns profissionais da área defenderem a burocratização como principal solução, um sistema preparado para a gestão do contrato pode consolidar diversos controles de triagem, manutenção e recuperação de glosas evitando assim este procedimento na prestação do serviço médico.

Para o gestor é importante, logo de início, ter claro todos os pontos assinados em contrato entre as operadoras de saúde e a prestadora de serviços. Observar e delinear as regras e cláusulas firmadas em acordo podem evitar prejuízos financeiros futuros. Nesse ponto também é importante solicitar extensões de especialidades médicas e exames quando implantados, através de aditivos com preços de mercado. No dia a dia, é essencial capacitar o corpo clínico e médico a usar os formulários certos, principalmente guias e relatórios médicos. Documentos rasurados não são aceitos.

As glosas podem ser administrativas (recorrentes de falhas operacionais no momento da cobrança, falta de interação entre o plano de saúde e o prestador de serviços, ou ainda, falha no momento da análise de conta do prestador), técnicas (vinculadas à apresentação dos valores de serviços, medicamentos e procedimentos médicos realizados e dados do contrato de serviços) ou lineares (recorrentes de uma postura unilateral dos convênios médicos ou planos de saúde).

Estudos apontam que 82% das glosas são administrativas e 18% são técnicas. Já a glosa linear, - que tem características extras do prestador de serviço -, ocorre em mais de 62% dos convênios médicos. Realizar a auditoria da glosa para investigar as propriedades dos gastos e processos de pagamentos, análise de estatísticas, indicadores operacionais e conferência dos sistemas de faturamento das contas médicas e triagem e resolução de glosas também pode ajudar na solução do problema. A prática tem sido muito comum no mercado de prestação de serviço de saúde e tem se mostrado fundamental para evitar erros e futuras glosas.

Roche anuncia investimento de R$300mi em fábrica no Brasil

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Ontem foi anunciado pela Roche, multinacional de biotecnologia, um investimento de R$300 milhões no Brasil, em uma unidade instalada em Jacarepaguá. O montante será disponibilizado em um período de cinco anos e direcionado à modernização e adaptação das instalações da fábrica, se transformando no hub exportador para a América Latina.

“O Brasil é a afiliada Roche que mais cresce entre os mercados emergentes. Este investimento reforça o nosso compromisso com a América Latina e está totalmente alinhado à nossa estratégia de crescimento no Brasil e região,” afirma Dr. Christoph Franz, presidente do Conselho de Administração do Grupo Roche.

Para Franz, isso elevará o país a uma posição de importância ainda maior, já que seremos um hub de exportação em alguns produtos.

A dinâmica de exportações mudará, tendo expansão dos países que receberão medicamentos produzidos aqui, além de um maior número de produtos sendo exportados.

“Nosso objetivo é facilitar o acesso aos nossos medicamentos no Brasil e garantir um crescimento sustentável para a afiliada brasileira”, diz Rolf Hoenger, presidente da Roche Farma Brasil. “Vimos trabalhando junto às autoridades locais para que a população brasileira tenha acesso aos medicamentos inovadores desenvolvidos pela companhia nas áreas de oncologia, neurologia e imunologia.”

Outro investimento significativo da empresa se encontra na área de P&D, em caráter global. No ano de 2014, cerca de 20% do faturamento da empresa foi alocado na área e a intenção é criar soluções em biotecnologia e medicina personalizada, com base na integração entre métodos de diagnóstico e tratamentos direcionados.

Responsabilidade Socioambiental: entenda o pensamento do Sabin

Responsabilidade Socioambiental: entenda o pensamento do Sabin
Lídia Abdalla, do Laboratório Sabin

Durante o Referências da Saúde 2014, os gestores das empresas homenageadas contaram como as empresas atuam nas categorias em que foram destaque. No caso do Laboratório Sabin, a presidente executiva, Lídia Abdalla, acredita que o setor de saúde deve estar engajado na comunidade em que atua e que nem sempre é necessário um grande projeto.

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SXSW anuncia startups vencedoras na sua aceleradora

Aceleradoras de saúde digital

No South By Southwest Interactive Festival deste ano, houve a sétima edição da aceleradora da competição, apresentada pela Oracle. A competição traz startups do mundo todo para apresentar inovações para uma audiência  de especialistas, empreendedores, investidores e influenciadores da indústria.

De mais de 500 aplicações, 48 finalistas foram selecionados entre seis categorias: Dados, Entretenimento e Conteúdo, Saúde Digital e Ciências da Vida, Mundo Inovador, Social e Wearables.

Na área de saúde digital, as startups são Accel Diagnostics (Pittsburgh, PA), BioBots.io (EUA), Eko Devices (EUA), Litesprite (EUA), MobileODT (EUA), Smart Temperature Patch (EUA), Tinnitracks (Hamburg, Alemanha) e Tute Genomics (EUA).

De todas estas empresas, somente três ganharam o primeiro dia do campeonato e, no domingo, uma empresa saiu campeã. As finalistas foram selecionadas por uma equipe de investidores e especialistas da área e compõem diferentes áreas na saúde. Vamos conhecê-las:

Tinnitracks: a startup de saúde desenvolveu uma terapia musical e um tratamento audiológico para ajudar pessoas com zumbido. O tratamento dura 90 minutos por dia em um período de quatro meses e foca na habilidade de plasticidade do cérebro e não no sintoma em si. A tecnologia envolve no filtro da frequência problemática.

Biobots: A empresa é graduada da aceleradora DreamIt Health e foi fundada por formados pela Universidade da Pensilvânia. A criação foi desenvolvida para tornar a impressão de biomateriais mais simples. O CEO da empresa, Cabrera, disse que estão começando a usar as impressoras criadas para construir tecido que pode ser integrado em algumas terapias com associação de drogas. Além disso, pode ser uma saída para o teste de produtos de beleza em vez do teste realizado em animais.

Mobile ODT: eles desenvolveram um produto para facilitar o diagnóstico precoce de câncer cervical. PAra o CEO, o produto pode ser uma maneira mais fácil de encontrar problemas mais precocemente devido à possibilidade de ser associado a screenings. Na solução, há um colposcópio móvel, um aplicativo móvel e um portal online para discussão de casos.

Foi anunciada a vitória da Tinnitracks e a empresa ganhou uma quantia em dinheiro e uma participação garantida na próxima conferência.

CFM abre as portas para discutir pagamento por performance

Escada

Na quinta-feira da semana passada, dia 12 de Março, tive a honra de participar, como convidado, de uma Plenária do Conselho Federal de Medicina (CFM) para falar sobre o tema avaliação de desempenho de serviços de saúde e pagamento por performance.

Participação da Plenária do CFM em 12 de Março de 2015 Participação da Plenária do CFM em 12 de Março de 2015

Confesso que fiquei bastante apreensivo com o convite, pois iria apresentar conceitos que, historicamente, são muito questionados pelo CFM. Este Conselho tem os mais conceituados representantes da classe médica brasileira e é de onde as normas e políticas são definidas. A minha apreensão logo se dissipou quando percebi o respeito e profissionalismo dos colegas, assim como a liberdade que me deram para expor meus pensamentos e os meus 10 anos de estudo neste tema.

Foi uma apresentação de 30 minutos seguidos de quase uma hora de acalorada e produtiva discussão.

Os pontos que foram apresentados não diferiram muito do que tenho escrito nesta coluna e escrutinizados em pelo menos uma centena de palestras que venho ministrando nestes anos. Iniciei com uma série de evidências justificando a importância de avaliar a qualidade em saúde e a sua relação direta com o modelo de remuneração médica. Em seguida, procurei apresentar definições e aplicabilidade do Pagamento por Performance com o objetivo de desmistificar o pré-conceito estabelecido no passado. Da mesma forma que deixei claro, através de diversas evidências, a importância do uso de incentivos para melhorar o comportamento do profissional de saúde. No entanto, tornei explícito os perigos latentes de modelos de pagamento por performance.

Dado a importância destes “perigos latentes” eu os abordarei, em detalhes, no meu próximo artigo aqui nesta coluna, assim como trarei algumas das principais perguntas colocadas pelos Conselheiros, pois ficou claro a necessidade de um entendimento mais aprofundado sobre este tema.

Na conclusão, procurei dar ênfase aos pontos mais relevantes de minha apresentação, os quais foram os seguintes:

  • Avaliar a performance é mais importante que pagar por performance;
  • A avaliação da performance em saúde é uma ferramenta de gestão que já vem sendo utilizada, porém sem regulamentação. Hospitais, operadoras de planos de saúde e algumas secretarias de saúde, têm desenvolvido metodologias próprias, com pouca base científica, sem comparabilidade e referenciais externos;
  • O modelo de avaliação deve ser ético, centrado no paciente, com critérios claros e objetivos, e com indicadores relevantes, sólidos cientificamente e viáveis;
  • Se for usar incentivo ele deve ser expressivo e sempre adicional ao ganho que os médicos já recebem. O modelo deve ser consistente, transparente e com comunicação adequada;

Terminei deixando uma “provocação” ao CFM: como ele poderia contribuir com esta mudança. Deixei claro, da mesma forma, que este é um fato que já vem ocorrendo tanto no SUS como na saúde suplementar, assim como nos hospitais. Com isso, ressaltei a importância deste Conselho participar desta mudança, caso contrário ficaria de fora de uma discussão que afeta diretamente a classe médica.

Indiscutivelmente foi uma enorme satisfação contribuir com um tema que, se bem trabalhado, afetará de forma positiva a qualidade da saúde de nossos pacientes.

Peço que acompanhe nesta coluna, e participe com suas considerações, pois este assunto quer gostemos ou não, faz parte de nossa realidade e, se ainda não o afetou, irá afetar de alguma forma num futuro próximo.

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Startup brasileira cria device para percepção de quedas

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"Por onde vocês andaram? Esse dispositivo teria salvo a vida do meu pai. Mesmo assim quero um para minha mãe.  Amei a ideia", disse T. B., um cliente da startup de hoje, em depoimento ao portal da empresa.

Criar medical devices no Brasil não é uma tarefa muito simples e sempre que vemos um exemplo promissor, queremos trazer para vocês. Entrevistamos a Poapy, uma startup de saúde que foi lançada em fevereiro de 2014, e hoje cria uma solução focada na percepção da queda.

Eles começaram a proposta há mais ou menos um ano, em fevereiro de 2014 e, conforme houve o desenvolvimento do produto, chegaram a uma solução que foca em perceber a queda de pessoas que moram sozinhas ou que estão em asilos e casas de repouso. Se eles estão sozinhos, não conseguem pedir ajuda em caso de emergência e, com o dispositivo em formato de pulseira, um aviso automático é encaminhado para o familiar ou para uma viatura de socorro.

Segundo Luiz Davi, a ideia surgiu de um ocorrido com um familiar,  que precisou deste tipo de solução e não conseguiu chamar socorro. Hoje ele é diretor estratégico e comercial e um dos sócios-fundadores dessa iniciativa. Além de Luiz, Felipe da Silva Ribeiro, também sócio-fundador, é diretor de desenvolvimento de produto e outros dois engenheiros trabalham na equipe. Todos os integrantes se formaram em Engenharia Eletrônica pela UTFPR.

A queda entre idosos é um problema recorrente e tem crescido com o aumento dessa população. É cada vez mais comum que eles morem sozinhos e sejam autônomos, mas muitas vezes há diminuição de força e mobilidade, podendo gerar o problema.

A empresa está estudando o modelo de negócios, mas a ideia é ter um software as a service, onde o serviço vendido é um software alinhado a uma solução na nuvem. O device criado pela equipe para o acompanhamento seria disponibilizado nessa primeira venda.

Com montagem brasileira, o device mostra padrões de movimentos e detecta alterações, podendo, assim, identificar uma queda e, em seguida, reportar o contato de emergência do idoso. Segundo Luiz, o time se orgulha da produção nacional do produto.

Atualmente, a equipe possui um produto funcional, mas ainda não comercial. Alguns parceiros estão iniciando os testes e cerca de cinco idosos estão fazendo os testes iniciais e dando feedbacks à equipe.

O foco do negócio é B2B, com vendas para asilos e outras instituições, mas há possibilidade para o modelo B2C também.

Abaixo, Luiz Davi conta um pouco mais sobre o produto:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=PBRszyiJdOs[/youtube]

DME – Estas três letras têm alguma repercussão para as empresas ?

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Os distúrbios musculoesqueléticos (DME) que incluem os problemas lombares, artroses, artrites, fibromialgias, dentre outras afecções constantes no capítulo M do CID-10, trazem enorme impacto para as pessoas, as empresas e a sociedade. Ela é a principal causa de aposentadoria por invalidez e se estima um gasto superior a 811 milhões de reais pela Previdência Social com as DMEs. Uma pesquisa recente feita pelo IBOPE revela que mais de um quarto dos brasileiros teve diagnóstico declarado de DME e elas relataram que perdem, em média, 8 horas de trabalho e em atividades diárias por semana devido a estas condições.

Apesar da sua importância, o tema não tem sido considerado muito relevante pelo sistema de saúde e pelos empregadores. Além disso, o trabalho não tem sido considerado como um desfecho importante no atendimento clínico no dia-a-dia. Para abordar esta questão, uma coalizão envolvendo entidades como a ABQV, ABMFR, ANAMT, SBR, SBCM, SBOT, ANAPAR e que tem o apoio de SESI, ABRH-SP e ASAP está lançando a iniciativa Fit For Work Brasil. Esta “sopa de letras” de entidades revela uma oportunidade única de integrar diferentes atores, como entidades médicas, de pacientes e de empregadores em um movimento integrado para que a questão seja abordada de maneira séria, baseada em evidências científicas e embasando políticas públicas de âmbito nacional.

Para um conhecimento maior da iniciativa, transcrevo abaixo a “Carta de Brasília”, construída pelas entidades e apresentada no evento de lançamento da coalizão.

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CARTA DE BRASÍLIA

  • Coalizão Nacional para o Enfrentamento das Doenças Musculoesqueléticas (DMEs) no Brasil

CARTA DE BRASÍLIA é um documento construído na Conferência de Abertura do Movimento Fit for Work no Brasil. Trata-se de uma Carta de Intenções que visa contribuir com a formulação e implementação de políticas públicas efetivas, integradas, sustentáveis e que reduzam os impactos negativos das Doenças Musculoesqueléticas (DMEs) na saúde da população, na produtividade das empresas e no desenvolvimento socioeconômico do País.

As DMEs - doenças do sistema oesteomuscular e do tecido conjuntivo conforme o CID-10 Capítulo XIII, tais como artrites, artroses, artrite reumatóide, dorsopatias, fibromialgia, e outras - trazem um impacto econômico importante para a sociedade, governo, empresas, e principalmente, para a qualidade de vida dos indivíduos e seus familiares.

  • No Brasil, além dos custos diretos com a atenção à saúde advindos das DME para o governo e sociedade, é importante considerar os custos indiretos relacionados às questões previdenciárias, trabalhistas e tributárias, como a elevação do Fator Acidentário de Prevenção (FAP), que resulta em elevados custos para as empresas. Em 2012, o Ministério da Previdência Social concedeu 2.158.346 auxílios-doença. Entre estes, 402.970 foram relacionados às DMEs, representando 18,7% do total de benefícios concedidos e um custo de mais de 406 milhões de reais para a Previdência Social, sem mencionar o significativo impacto social e econômico para estes indivíduos, suas famílias e a sociedade brasileira. De acordo com o Anuário Estatistico da Previdência Social de 2012, as DMEs constituem a principal causa de aposentadoria por invalidez com 380.222 casos, representando 26,4% do total de casos e um custo adicional de R$405 Milhões para a Previdência Social.
  • Preferencialmente, espera-se que haja um alinhamento das estruturas de atendimento existentes nos sistemas de saúde com as necessidades das pessoas com DMEs. Neste contexto, é importante aumentar e resolutividade da rede básica de atenção para o controle adequado dos fatores de risco, objetivando o diagnóstico precoce das DME, diminuindo o número de internações, exames e consultas. A intervenção precoce para o diagnóstico e tratamento das doenças e suas comorbidades são essenciais para melhorar o prognóstico dos indivíduos.
  • Neste contexto, as entidades signatárias deste documento e participantes do movimento Fit For Work Brasil defendem que as abordagens das DMEs devem ter como referencial os seguintes pressupostos:

  1.  O trabalho seguro e saudável é benéfico para os indivíduos e para a sociedade;
  2. A abordagem adequada das DMEs, a manutenção da capacidade para o trabalho e a inclusão para o trabalho impactam favoravelmente a economia;
  3. A manutenção da capacidade para o trabalho e a inclusão para o trabalho devem ser resultados a serem obtidos nos cuidados às pessoas com DMEs.

  • Com base nisto, os representantes do Fit for Work no Brasil propõem:
  • 1) Elaborar uma agenda para estimular a criação de um programa nacional de políticas públicas com foco na prevenção, promoção da saúde, diagnóstico e tratamento precoce, reabilitação funcional e readaptação ocupacional das pessoas com DMEs.
  • 2) Apoiar e promover programas de educação em saúde para a população em geral, com o objetivo de evidenciar a importância do diagnóstico precoce das DMEs, esclarecer os diferentes tipos e formas de prevenção,
  • 3) Estimular a melhoria da infraestrutura do sistema público de saúde, incluindo meios de apoio, capacitação e aprimoramento dos recursos humanos na área, permitindo que os serviços de saúde possam realizar atendimento geral, atendimentos especializados, atendimento de reabilitação, orientação e encaminhamento para cirurgia, orientação de benefícios previdenciários, reintegração social, readaptação ao trabalho, e ações educativas preventivas.
  • 4) Valorizar a (re)inserção das pessoas com DMEs na sociedade e no trabalho, por meio da reabilitação funcional, readaptação ocupacional e reintegração ao mercado de trabalho.
  • 5) Promover a (re)inserção ocupacional e laboral das pessoas com DMEs como parte integrante da condição de saúde e bem estar.
  • 6) Apoiar a realização de estudos e a geração de documentos baseados em evidências sobre o impacto das DME na atividade de trabalho e na sociedade como um todo, propiciando o estabelecimento de prioridades, desenvolvimento de políticas e de planos de cuidado custo-efetivos.

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