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Por que a oferta de cuidados paliativos ainda é baixa no Brasil?

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Em todo o mundo, 20 milhões de pessoas precisam de cuidados paliativos no fim da vida a cada ano e 78% delas estão nos países em desenvolvimento. Apesar disso, 18 milhões (90% do total) acabam morrendo com dor e sofrimento, sem acesso aos serviços, de acordo com a Worldwide Hospice and Paliative Care Alliance.

Na América Latina, há 1,63 serviço, unidades ou equipes especializadas a cada 1 milhão de habitantes, mas, no Brasil, esse índice cai para menos de 0,5. Por que, então, apesar da demanda crescente gerada pelo envelhecimento e pela propagação das doenças que necessitam deste tipo de assistência, a oferta ainda é tão baixa no Brasil?

Para o CEO da Geriatrics, Gabriel Palne, a resposta passa por três pontos. O primeiro, é a percepção pessoal do médico. “Há uma questão de formação. Ele trabalha para salvar vidas e a cultura hoje é fazer de tudo para atingir essa meta, como se esse fosse o único objetivo da profissão. Há uma resistência contra o desfecho natural da vida, mas acredito que essa visão vá mudar em poucos anos, por causa das novas demandas assistenciais”.

Em segundo lugar, poucas universidades brasileiras oferecem especialização na área, que só foi reconhecida como subespecialidade pelo Conselho Federal de Medicina em 2011 e, mesmo que o profissional seja consciente da gama de serviços e queira encaminhar seu paciente para uma equipe ou estrutura especializada, ainda esbarra na insegurança jurídica. “Além do dilema ético e profissional, há o risco jurídico. O médico sofre uma pressão infinita das famílias para empenhar todos os recursos possíveis no tratamento. Os parentes geralmente não estão prontos para o fim da vida e acabam acreditando que houve negligência ou abandono por parte do profissional”. A situação fica ainda mais nebulosa porque o Brasil não tem uma legislação ou regulação específica sobre o tema, embora o Ministério da Saúde tenha definido diretrizes para um Plano Nacional de Cuidados Paliativos em 2006.

Por fim, o modelo de remuneração, baseado no pagamento por serviços (fee for service), acaba estimulando o uso excessivo de recursos. “Um estudo da Unifesp, de 2015, mostra que o paciente gasta quase tudo o que contribuiu com o plano de saúde no fim da vida: 73% do custo total da assistência é despendido no último ano, e, destes, 50% nos últimos seis meses. Enquanto as tabelas de remuneração estiverem desenhadas dessa forma, em que é mais vantajoso para o hospital ser vendedor de materiais e medicamentos, esse ciclo não vai mudar”, constata Palne.

A solução, para o especialista, passa por uma mudança de mentalidade e formação do médico, medidas que garantam a segurança jurídica dos profissionais, um novo modelo de remuneração e um diálogo mais aberto com o paciente e seus familiares. “O paciente em cuidados paliativos vive com mais qualidade de vida e gera menos custos. Para promover isso, a pessoa assistida, familiares e médicos precisam estar cientes do ciclo de cuidados e da evolução clínica esperada, para juntos pensarem nas melhores alternativas”, conclui.

Como o prontuário eletrônico pode ajudar em tempos de zika vírus

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A recente epidemia de zika vírus, que já atinge 32 países das Américas e tem mais de 1,6 milhão de casos confirmados, apresenta fortes indícios de ser responsável pelo número também crescente de casos de microcefalia no Brasil: 462 ocorrências foram confirmadas entre 2015 e 2016, de um total de 5.079 notificações. Em 2014, houve apenas 147 notificações.

Quem nasce com essa condição pode sofrer de convulsões, cegueira ou perda parcial da visão, disfunções motoras e atrasos no desenvolvimento, o que irá requerer assistência médica constante e de longo prazo. Num País em que a grande maioria dos registros médicos ainda é analógica e em que a informação é fragmentada e não compartilhada entre as instituições, como essas pessoas serão acompanhadas e que tipo de tratamento receberão?

Situações caóticas e emergenciais requerem um chamado à ação. Se a solução para o problema está disponível, por que não usá-la? A promessa da integração de dados via cartão SUS já tem mais de 15 anos, sem que o prontuário eletrônico tenha sido implementado.

E reside nele a resposta para um acompanhamento contínuo e efetivo dos pacientes, que poder

iam ser localizados, atendidos e ter todo o seu histórico de saúde acessado em tempo real se a tecnologia fosse, de fato, empregada.

Além do emprego individual, o prontuário eletrônico do paciente, se utilizado em escala nacional, é também uma ferramenta importante para a definição de políticas e estruturação da assistência, uma vez que a compilação de dados de atendimento em todas as instituições de saúde e com um registro único por pessoa, independentemente do ponto de entrada, poderia gerar mapas de calor, apontando as regiões com mais necessidades de recursos, seja para prevenção, seja para tratamento, e análise da real efetividade das ações, permitindo rápidas correções de rota.

É certo que ainda há obstáculos para a sua completa implementação, como a falta de estrutura tecnológica nas instituições de saúde e de padronização dos sistemas, dúvidas acerca da confidencialidade e segurança dos dados e ausência de uma legislação específica sobre o tema, mas, enquanto não houver um estímulo nacional para a sua adoção, como o que ocorreu com a promulgação do Health Information Technology for Economic and Clinical Health Act, dos Estados Unidos, pouco será feito para aprimorar os sistemas e, de fato, implementá-los onde são necessários.

Torço para que o zika vírus nos deixe, depois de todo esse estrago, pelo menos um bom legado rumo ao aumento da qualidade no armazenamento e gestão dos dados clínicos da população.

Medicina nuclear: ferramentas avançadas de diagnóstico e tratamento seguem subutilizadas no Brasil

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Considerada uma das áreas médicas que mais crescem no mundo, a medicina nuclear é uma especialidade que usa quantidades mínimas de substâncias radioativas (radiofármacos) como ferramenta para obter diagnósticos e oferecer tratamentos extremamente precisos. Utilizando esses elementos, o médico nuclear consegue obter imagens minuciosas que mostram o funcionamento dos órgãos do corpo humano e tecidos em pleno funcionamento.

Mesmo com esses benefícios, a especialidade permanece subutilizada no Brasil, como informa o médico nuclear e diretor do serviço especializado MND Campinas, Celso Dario Ramos. “A medicina nuclear ainda enfrenta muitos desafios para a expansão no Brasil. O número de especialistas, por exemplo, não ultrapassa 700 médicos, sendo que mais de metade se concentra no Sudeste (55%), enquanto o Nordeste conta com 20%, o Norte com 15% e o Centro-Oeste com 10%”, diz.

Quando comparado o potencial de uso a outros países, o Brasil ocupa atualmente apenas a 25ª posição no ranking de quantidade de exames, realizando 2,5 exames por mil habitantes/ano. O Canadá, por sua vez, executa 64,6. Segundo o especialista, a subutilização é ainda mais sentida pela população brasileira que utiliza o SUS.

“Existe uma grande assimetria entre o uso nos planos de saúde e no sistema público, enquanto os pacientes que utilizam a saúde suplementar têm mais acesso, os que não tem recursos recorrem ao SUS. Um exemplo disso é a utilização do PET/CT (sigla em inglês para tomografia por emissão de pósitrons), um dos principais avanços da medicina nuclear, utilizado em especialidades como neurologia, cardiologia, oncologia e endocrinologia, entre outras”, explica.

Atualmente, os planos de saúde possuem a indicação para o exame PET, prevista em portaria, para oito casos: detecção de nódulo pulmonar solitário, câncer de mama metastático, câncer de cabeça e pescoço, melanoma, câncer de esôfago, tumor pulmonar para células não pequenas, linfoma e câncer colorretal. Na saúde pública, porém, apenas três indicações são ressarcidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS): câncer de pulmão de células não pequenas, câncer colorretal com metástase exclusivamente hepática com potencial ressecável e linfomas de Hodgkin e não Hodgkin.

O médico nuclear ainda relata que muitas indicações importantes estão de fora. “A lista não foi estendida para câncer de tireoide, colo do útero, testículo e ovário, entre outros. A utilização nesses casos já é prática comum em diversos países em todo o mundo, como no Uruguai, nosso vizinho de América Latina, que contempla também outros tipos de câncer na saúde suplementar”, comenta.

O diretor da MND Campinas explica que seria necessário que essa lista de indicações fosse ampliada para que parcelas maiores da população possam ter acesso aos diagnósticos e tratamentos oferecidos pela medicina nuclear.

Os 6 Comportamentos de um CIO que beneficiam as empresas [Infográfico]

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O que nós vemos em comum nas empresas de sucesso hoje em dia? Um importante figura, entre tantos outras, são os CIOs, aponta uma pesquisa feita pela Harvard Business Review Analytic services.

De acordo com a pesquisa, empresas que utilizam tecnologia da informação estão transformando o mundo dos negócios em áreas muito complexas como o engajamento do cliente e insights de modelos de negócios antes das empresas mais tradicionais.

O infográfico mostra seis comportamentos notados, em comum, em empresas que adotam um CIO e entendem a importância da colaboração destes em áreas-chave, como: Liderança, estruturação, engajamento do staff e até mesmo na remuneração.

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Analgésicos x Gravidez: risco de malformação congênita

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As malformações congênitas estão entre os problemas médicos de prevenção e cura mais difíceis. Trata-se de uma complicação que ocorre durante o desenvolvimento do bebê no útero, gerando anomalias funcionais ou estruturais no recém-nascido. São decorrentes de uma série de causas, que variam desde herança genética e doenças preexistentes ou contraídas pela mãe nos primeiros meses de gravidez, até a exposição a substâncias químicas.

Entre elas está o consumo de analgésicos opioides, como codeína, oxicodona e hidrocodona, que, segundo o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, pode aumentar em duas vezes o risco de algumas raras malformações congênitas. Inclusive, em 2011, a instituição emitiu um alerta sobre os riscos causados pelo consumo de opioides antes ou no início da gestação.

Os opioides são substâncias naturais que podem ser encontradas em plantas ou produzidas pelo organismo humano. Estes últimos, denominados “opioides endógenos”, são produzidos e distribuídos por todo o Sistema Nervoso Central (SNC) a fim de modular a dor e controlar o sistema cardiovascular. Contudo, os opioides sintéticos e semissintéticos é que são os destaques clínicos devido especialmente ao seu alto potencial analgésico. São indicados, normalmente, para pacientes pós-cirúrgicos e, em casos extremos, para gestantes com crise de pedras nos rins, por exemplo.

No Brasil, os analgésicos opioides são medicamentos amplamente consumidos, comercializados somente sob prescrição médica, controlados pela Portaria n° 344, de 12 de maio de 1998 da ANVISA, além de possuir indicação bastante restrita para gestantes, sendo prescritos apenas em casos de extrema urgência, como citado anteriormente, o que reduz a probabilidade da malformação congênita.

Entretanto, a maior preocupação apontada pelos médicos para as gestantes é o consumo de anti-inflamatórios indiscriminadamente, uma vez que estes são vendidos sem prescrição médica. Os anti-inflamatórios usados de forma incorreta durante a gestação podem aumentar o risco de malformação cardíaca fetal em qualquer estágio da gravidez, ao contrário dos opioides, que apresentam probabilidade de malformação apenas no início da gravidez, durante a formação dos órgãos e tecidos do feto.

A automedicação contribui para milhares de mortes por ano, de acordo com dado de 2006 da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (ABIFARMA), o qual aponta cerca de 20 mil mortes por ano causadas pela automedicação. Já em 2012, o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX) relatou cerca de 86 mil casos registrados de intoxicação causados pelo uso indiscriminado de medicamentos.

Dose, período de gestação, tempo de uso e interação com outras substâncias são alguns dos fatores que podem desencadear danos à saúde do bebê. As malformações atingem, todo ano, mais de dez mil crianças, sendo que a maioria delas morrem no primeiro ano de vida e as demais são submetidas a cirurgias ou tratamentos vitalícios. Por isso, o alerta para as gestantes, que devem redobrar a atenção durante este período.

Hospital Israelita Albert Einstein promove palestra sobre Zika Vírus no Rio de Janeiro

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O Ensino Einstein, unidade do Hospital Israelita Albert Einstein no Rio de Janeiro, vai promover, na próxima quinta-feira, 17 de março, às 12h, uma palestra gratuita sobre o Zika Vírus e seus impactos na saúde brasileira, abrindo um novo ciclo do Fórum Einstein – Rio. À frente do debate estará o médico imunologista, Dr. Luiz Vicente Rizzo, Diretor de Pesquisa do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein. O encontro é aberto ao público em geral e profissionais e estudantes da área de saúde. As inscrições podem ser feitas no site da instituição e as vagas são limitadas.

“Os Impactos do Zika Vírus na Saúde Brasileira” abre uma série de dez encontros que acontecerão quinzenalmente na unidade sobre diversos assuntos relacionados à saúde. As conferências abrirão espaço para perguntas e conversas após o término de cada debate, além de oferecer aos participantes um brunch e espaço para networking com palestrantes e coordenadores. A programação completa está disponível no site.

O Fórum de Saúde Einstein – Rio é uma realização do Ensino Einstein, primeira unidade de educação do Hospital Israelita Albert Einstein fora de São Paulo. O espaço tem como objetivo garantir um ambiente permanente de palestras, permitindo a troca de conhecimento entre grandes profissionais da área da saúde e o público.

Serviço:

Fórum de Saúde Einstein – Rio

Palestra “Os Impactos do Zika Vírus na Saúde Brasileira”

De 17 de março de 2016 (Quinta-feira), às 12h

Local: Unidade de Ensino Einstein Rio de Janeiro

Endereço: Rua do Passeio, 42, Centro, Rio de Janeiro - RJ

Inscrições gratuitas: http://apps.einstein.br/ensino/arquivos/inscricao-forum-de-saude-einstein-rio-2-edicao/index.html

Vagas limitadas

Telefone: 3004-3306

Site:http://www.einstein.br/Ensino/rio-de-janeiro/forum-de-saude-einstein-rio/Paginas/forum-de-saude-einstein-rio.aspx

Mapa "Sem Zika" é lançado para identificar áreas com Aedes Aegypti em todo país

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Criado para reforçar a importância da prevenção e identificação para erradicação dos focos do mosquito Aedes aegypti - transmissor da Dengue, Zika vírus e febre Chikungunya - a Imagem, líder em Inteligência Geográfica no Brasil, acaba de lançar a aplicação “Sem Zika”, disponível em: www.img.com.br/semzika

Por meio de mapas interativos, basta que o usuário faça o login no Facebook e escolha um dos quatro ícones disponíveis que deseja informar - Foco de Mosquito, Caso de Chikungunya, de Dengue ou de Zika. “Com projetos de mapeamento colaborativo, cada cidadão se torna protagonista no combate ao mosquito, compartilhando informações em redes sociais, sendo o mapa não só a representação gráfica, mas uma forma de resistência e denúncia, utilizando recursos como fotos e visualizações de possíveis focos do mosquito”, afirma Abimael Cereda Junior, Gestor de Educação na Imagem, empresa desenvolvedora da plataforma.

De acordo com o Geógrafo, “O objetivo é transformar o mapa colaborativo em um espaço para que as pessoas possam, de maneira cidadã, mais que denunciar ou apontar problemas, contribuir com exemplos reais. Esses relatos vão permitir identificar as principais áreas contaminadas, servindo de alerta e incentivo para ações do Governo e dos cidadãos, trazendo uma maior conscientização do problema e prevenção das doenças causadas pelo mosquito, com aporte da Geografia da Saúde”, afirma.

Sobre a Imagem

Entender onde e como cada fenômeno interage com os demais é fundamental para permitir que as pessoas, empresas e governos consigam dar respostas rápidas e tomar decisões corretas. A chave para esta compreensão do mundo é a Inteligência Geográfica. Esta é a filosofia da Imagem, empresa brasileira de Soluções de Inteligência Geográfica fundada em 1986 e distribuidora oficial da Esri no Brasil. Mais informações em www.img.com.br.

Ética Saúde faz apresentação em Conselho de Combate à Pirataria

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A diretora-executiva do Ética Saúde, Claudia Scarpim, detalhou os termos do Acordo Setorial Importadores, Distribuidores e Fabricantes de Dispositivos Médicos e os instrumentos de autorregulação, como o Canal de Denúncias.

O objetivo da apresentação foi promover os princípios éticos do Instituto para ampliar o número de adesões ao Acordo Setorial, tornando-o ainda mais forte, e expandir os convênios de cooperação com entidades representativas, como CNCP. "Tivemos uma plateia bastante qualificada e já estamos estudando futuras parcerias", adianta Claudia Scarpim.

Estavam no encontro, representantes do Fórum Nacional contra Pirataria e Ilegalidade - FNCP, da Confederação Nacional do Comércio - CNC, do Conselho Estadual de Combate à Pirataria de Santa Catarina e da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual - ABPI. "Muitos elogiaram o Acordo Setorial e parabenizaram a ABRAIDI e o Instituto Ethos pela iniciativa", lembra a diretora-executiva do Ética Saúde.

O representante da CNC comentou sobre os problemas que têm sido encontrados no setor óptico, com a venda de lentes de contatos por médicos de maneira irregular e a implantação de próteses intraoculares sem necessidade. Claudia Scarpim informou que o Canal de Denúncias do Ética Saúde recebe denúncias anônimas ou identificadas por meio do www.eticasaude.com.br ou pelo 0800 741 0015.

O representante do Conselho Estadual de Combate à Pirataria de Santa Catarina demonstrou interesse em receber o Instituto Ética Saúde para uma apresentação aos integrantes da entidade, na busca de uma convergência para a realização de um trabalho conjunto. O Secretário Executivo do CNCP, Marcelo Chilvarquer, sugeriu que todos avaliassem a apresentação do Ética Saúde e agendassem reuniões específicas para promover um intercambio maior. Marcelo Chilvarquer ainda se colocou à disposição para participar de eventos futuros do Ética Saúde.

"Foi muito produtivo e todos destacaram a importância de iniciativas setoriais desta natureza e os benefícios que elas podem trazer para a cadeia de produtos para saúde e para toda a sociedade", completou Claudia Scarpim.

Escândalos de corrupção demonstram que a Lei 8.666 deve ser reformada

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Embora particularmente considere a Lei 8.666 um ótimo instrumento para a administração pública, e atende quase totalmente ao propósito para o qual foi criada, já passou da hora de passar por uma revisão.

Analisando “friamente” os escândalos de corrupção que ganharam os noticiários nos últimos anos:

  • Entre as empresas envolvidas estão algumas das que são referência mundiais em controles de contratação e gestão de contratos;
  • Mas não existe “controle à prova de corrupção”;
  • Por isso a lei deveria ser reformada simplificando tudo que extrapole aquilo que realmente ajude os “servidores públicos e fundacionais” a controlar os processos, sem burocratizar em excesso, e incluir alguns poucos itens onde a sua omissão acaba produzindo “tecnocracia”.

Defendendo a tese, vou me valer do exemplo da Petrobras, sem entrar no mérito dos eventos, envolvidos, etc.

A Petrobras sempre foi reconhecida no Brasil e no mundo como exemplo de controle na gestão de contratos e, mesmo que seja verdade o fato de ter havido gestão fraudulenta em contratos que foram amplamente citados na mídia, não existe uma única evidência que se os processos de contratação ou de gestão dos contratos fossem diferentes os eventos de corrupção e fraude não ocorreriam. Os controles da Petrobras são fundamentados na Lei 8.666, e mesmo que ela fosse diferente, os casos descritos na mídia ocorreriam da mesma forma.

Se houvesse uma única evidência de que os processos de contratação e gestão de contratos da Petrobras fossem frágeis, evidentemente apareceria “um milhão” de funcionários da própria Petrobras “colocando a boca no trombone” !

Nem na Petrobras, nem nas empreiteiras citadas nos casos, apareceu um único funcionário envolvido nos processos de contratação e gestão apontando furos na Lei 8.666 ou nas normas internas das companhias que agem de forma análoga ao que descreve a lei.

Corrupção, falta de caráter, fraudes e outros graves acontecimentos que estão sendo veiculados na mídia nunca serão impedidos por leis. Nas aulas do Modelo GCVC sempre comento que quando era criança lia “O Tio Patinhas” e nas histórias quem “tinha um plano” sempre eram os bandidos (Os Metralhas, o Bafo de Onça, etc.). Os heróis (Mickey, Super Pateta, Coronel Cintra e outros) não tinham “um plano”: agiam com inteligência ou com superpoderes para punir “os criminosos”, porque nunca conseguiriam fazer com que eles deixassem de serem bandidos (até porque as historinhas sem bandidos não teriam a menor graça, diga-se de passagem).

A lei serve para “colocar a casa em ordem”, mas a corrupção acontece “debaixo dos lençóis”. Lei não evita – deve dar foco na punição dos infratores.

A lei 8.666 define controles extremamente úteis para fazer com que a administração pública trabalhe de forma padronizada, simplificando a relação do governo nas suas relações comerciais com o mercado, e de certa forma ensinando aos servidores o que deve ser feito para contratar e gerir os contratos de forma eficiente. Tenho um amigo que diz (com absoluta razão) que ela não é desculpa para morosidade do setor público. Quando bem planejado, a lei bem aplicada não oferece qualquer dificuldade que possa justificar ineficiência.

Mas a lei peca quando especifica particularidades e exceções que acabam apenas “abrindo brechas” para quem desejar agir de forma ilícita. Se ela fosse menos controladora nos casos de exceção, e os remetesse para autorização especial, além simplificar sua aplicação, ainda comprometeria definitivamente os criminosos. Por exemplo:

  • Ela define modalidades de contratação, e define as regras de enquadramento para dispensa de licitação – se olhar a lei verá que existe “menos texto” para definir todas as modalidades de contratação e “mais texto” para definir as regras de exceção que enquadram a dispensa de licitação;
  • Os criminosos utilizam as definições objetivas da lei para DL como “brechas” para o enquadramento ilegal. Quem conhece um pouco da área pública sabe que quando se trata de contratação “uma letra a” pode ser utilizada como “b” quando alguém quer complicar ou tirar vantagem;
  • Seria melhor que a lei, ao invés de prever diversas possibilidades para dispensar a licitação, definisse apenas o critério de pequeno valor, e remetesse para aprovação especial os demais casos.

Por exemplo:

  • Se nos Correios uma determinada contratação, não de pequeno valor, exige a dispensa, é necessária a autorização formal do conselho, ou de reunião com pelos menos 3 diretorias diferentes;
  • Se o Governo Federal for praticar DL em obra é necessária aprovação especial do Tribunal de Contas da União;
  • Desta forma o órgão só poderia não licitar se servidores públicos de alto escalão se comprometessem pessoalmente, ou se um órgão fiscalizador externo formalizasse anuência.

Outro exemplo: a lei especifica requisitos de habilitação e se omite em relação aos limites que o órgão não deve extrapolar. Na prática o órgão, ou o servidor público ou fundacional, acaba exagerando. Particularmente já participei em diversos processos de habilitação em fundações onde o jurídico pediu mais de 20 documentos – um absurdo: além dos documentos de comprovação jurídica, certidões negativas em diversos cartórios, das receitas federal, estadual e municipal e uma infinidade de declarações inúteis:

  • Para que serve tudo isso na prática ?
  • Você acha que alguma das empresas citadas nos últimos escândalos tiveram alguma dificuldade em obter qualquer tipo de papel para habilitação ?
  • Isso só burocratiza e encarece os processos de contratação – a lei deveria definir o que pode ser exigido, não deixando “a neura jurídica” definir exageradamente.

Um último exemplo para encerrarmos: as empresas públicas exigem que os fornecedores tenham conta no Banco do Brasil. Isso não está na lei – ela deveria, ou especificar a obrigatoriedade, ou proibir. Evidentemente vivemos em uma época em que não existe limitação técnica alguma para transferências entre instituições bancárias públicas ou privadas – obrigar a utilização do Banco do Brasil é, o mínimo, favorecimento para uma empresa que não é pública (é uma empresa mista, ou seja, favorece parcialmente o capital privado).

Se existe algo que podemos aproveitar dos escândalos que horrorizam nossos dias é a certeza que a Lei 8.666 deve ser reformada – “corrupto não dá a mínima pra ela” !

E ao contrário do que possa parecer, a missão não é tentar colocar nela mais controles – é reduzir sua complexidade.

Um modelo acertado de gestão pode reduzir os desperdícios na saúde

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Em janeiro, um dos mais respeitados e conceituados infectologistas do País, Marcos Boulos, concedeu uma entrevista ao programa Espaço Público, na TV Brasil, e fez uma afirmação contundente. Ele acredita que o país vive atualmente a maior epidemia já registrada no mundo pelo zika vírus. Em fevereiro, o Ministério da Saúde divulgou um novo balanço, informando que 5.079 casos suspeitos de microcefalia relacionado ao vírus foram registrados em recém-nascidos entre 22 de outubro de 2015 e 2 de fevereiro deste ano.

Essa ocorrência, gravíssima por si só, também preocupa porque, certamente, impactará a Variação de Custos Médicos-Hospitalares (VCHM), a chamada inflação médica. Esse índice calcula a mudança de preços e também o aumento da frequência de uso de serviços, clínicas, laboratórios, hospitais etc. Ou seja, a notícia dos casos do vírus Zika é mais um golpe no já combalido sistema brasileiro de saúde e, a dor, é sempre sentida no bolso.

Além desse fator, há outros dois que são computados para a formação do VCHM. São eles o crescente uso de novas tecnologias e o envelhecimento da população. Em relação ao primeiro, a incorporação de novas tecnologias aos serviços hospitalares ou ambulatoriais pode levar à maior utilização de recursos humanos e de treinamento especializado, que se somam ao maior fornecimento de material e equipamentos. Todas essas variáveis resultam em gastos mais elevados.

Já o envelhecimento da população impacta por razões óbvias: os seres humanos estão vivendo mais e, assim, a probabilidade de terem mais doenças aumenta e, consequentemente, cresce a busca por serviços médicos. Atualmente, 10% da humanidade está na faixa etária acima dos 60 anos.

Em 1980, essa fatia representava 6% do total e a previsão para 2030 é de que esse percentual chegue perto dos 30%. O maior crescimento por faixa etária entre usuários de planos médico-hospitalares está justamente na faixa com mais de 59 anos, com 5,1%. Tal fato retrata a triste realidade brasileira, no que diz respeito à falta de programas de promoção e prevenção de saúde. Estes programas são responsáveis pela drástica redução de custos com saúde nos países mais desenvolvidos.

Já há estimativas apontando que, em 2016, a inflação médica deverá registrar seu recorde histórico, chegando a 20%, de acordo com projeções da Confederação Nacional da Saúde. Em 2015, o índice, ainda a ser confirmado, deverá situar o Brasil como o quarto país com a maior inflação médica entre 29 nações da Europa, Ásia e Américas. Essa é uma conclusão de uma pesquisa internacional da Mercer Marsh Benefícios, consultoria especializada em gestão de benefícios de saúde.

Vale frisar que esse problema não é exclusivo do Brasil. Nos Estados Unidos, o índice inflacionário subiu 216% entre 1980 e 2012. Só a despesa per capita subiu 818%. A marcha começou a desacelerar apenas em 2011, quando a taxa de inflação anual foi maior do que a variação dos gastos com saúde em 32 anos.

O crescimento ficou estável em 2013 quando o índice bateu em 3% e ficou mais próximo da inflação, provavelmente pela reforma promovida pelo presidente Obama, que, dentre outras medidas, alterou substancialmente a maneira de pensar em saúde, onde o foco é reduzir custos e aumentar a qualidade.

Infelizmente, no Brasil, ainda não temos previsão de melhora. Por um lado, os pacientes queixam-se da demora no atendimento médico e dos preços de convênios. De outro, a classe médica e os hospitais ressentem-se do baixo pagamento pelos serviços prestados. No meio disso tudo, o governo patina na má gestão. Ou seja, nada caminha na direção de uma solução comum para todos esses problemas.

Esses vetores contaminam todo o modelo atual de prestação de serviços de saúde e deixam evidente a necessidade de revisão, principalmente no que tange à legislação e à utilização consciente do sistema de saúde. A falta de solução para o conflito torna-se ainda mais prejudicial porque a ausência de serviços públicos eficientes sobrecarrega os planos de saúde. Estes, por sua vez, convivem com prejuízos e com o malabarismo que devem fazer diante do repasse da alta dos custos. Soluções para esses problemas podem passar pela modificação do modelo de remuneração dos prestadores de serviços e pela criação de novas regras para os planos coparticipativos.