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FenaSaúde reforça necessidade de ampliar diálogo com empresas contratantes em busca de redução de custos

FenaSaúde reforça necessidade de ampliar diálogo com empresas contratantes em busca de redução de custos

O presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), João Alceu Amoroso Lima, participou, na última terça-feira (26), do II Fórum de Gestão da Saúde, promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos, seção Rio de Janeiro (ABRH-RJ). O executivo destacou a importância do setor de Saúde Suplementar se aproximar e dialogar mais com os representantes das áreas de Recursos Humanos das empresas contratantes de planos de saúde, já que são os principais consumidores do benefício – respondem por 66,9% dos 47,3 milhões de beneficiários do sistema de saúde privado.

João Alceu ressaltou também que as empresas devem participar mais efetivamente das principais discussões do setor. Afinal, são as empresas contratantes que remuneram a cadeia de saúde. Por isso mesmo, reforçou, é importante a participação dos contratantes nas questões mais relevantes debatidas em Brasília e na ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), que envolvem projetos de lei  e regulação do setor. “Ao longo do tempo, as operadoras ganharam o apelido de ‘fonte pagadora’, mas na verdade as operadoras são apenas as gestoras dos recursos oriundos das empresas e indivíduos que pagam as mensalidades dos planos de saúde. Nosso papel é semelhante ao do síndico de um condomínio na medida em que gerenciamos a aplicação dos recursos para o bem comum dos ‘condôminos’, que são os beneficiários”.

Custos: Durante o evento, João Alceu apresentou números que mostram que o maior desafio para a Saúde Suplementar no Brasil é a gestão dos custos cuja elevação ano após ano tem sido bem superior ao IPCA, principal índice inflacionário. O executivo participou do painel ‘Tendências e perspectivas no Setor de Saúde’, ao lado da advogada Angélica Carlini e do vice-presidente executivo de Saúde e Benefícios no Brasil da consultoria Aon, Paulo Jorge. Marcelo Lima, executivo da Mediservice (Grupo Bradesco Saúde), mediou o painel.

De acordo com levantamento realizado pela FenaSaúde, entre 2012 e 2017, o crescimento das despesas assistenciais foi de 89%, enquanto o número de beneficiários manteve-se estável no período – 0,2%. Segundo João Alceu, existe a expectativa que, nos próximos três anos, o segmento de planos de saúde recupere os três milhões de beneficiários que deixaram o sistema em razão da crise econômica. “Quem experimentou, quer voltar”, enfatiza.

Diante desse cenário, João Alceu destacou que a escalada dos custos da saúde decorre de vários fatores, como a incorporação de inovações tecnológicas, inclusive a de medicamentos; e o envelhecimento da população que, no caso brasileiro, torna-se ainda mais expressivo com o aumento da perspectiva de vida das pessoas – um dos mais importantes fatores para o aumento das despesas médicas nas próximas décadas. Temas que geram debate pelo mundo.

Se a escalada do aumento das despesas assistenciais é um fenômeno global, João Alceu destacou, por sua vez, outro elemento que impacta especialmente os custos no Brasil, a judicialização excessiva da saúde. “Esse descompasso provocado pelo o aumento das despesas assistenciais é mundial, não é uma jabuticaba. Temos, entretanto, nossa jabuticabeira, que é a judicialização excessiva e que o Brasil extrapola em todos os sentidos”, sublinhou o presidente da FenaSaúde. “Quem paga a conta dessa judicialização é o fundo mutuo (como no condomínio) – mantido por todos os beneficiários de planos de saúde. Enquanto não se entender isso, o desequilíbrio econômico observado em várias operadoras do mercado tende a crescer. Há uma cultura no Brasil de processar por qualquer coisa”, completou Angélica Carlini, sócia da Carlini Sociedade de Advogados.

Desperdícios e impacto – Além do envelhecimento da população e da adoção de novas tecnologias, outro fator preponderante para a elevação de custos na Saúde Suplementar, lembrou o presidente da FenaSaúde, é a prática da prescrição de exames em excesso. Para se ter ideia, de acordo com levantamento da Federação, mesmo com a queda no número de beneficiários entre 2013 e 2017, equivalentes a cerca de 3 milhões de consumidores, a quantidade de consultas e exames cresceu 5,6% e 25,4%, respectivamente no mesmo período. “O problema não é a pessoa realizar exames, mas o desperdício que se tem nesse processo”, assinalou João Alceu.

Outro fator que tem contribuído para elevação dos custos tem sido as atualizações periódicas do Rol Mínimo de Procedimentos. Quando da última atualização do Rol, que entrou em vigor em janeiro de 2018, a FenaSaúde realizou um estudo de impacto considerando apenas 14 dos 30 novos medicamentos que estimou em R$ 4,5 bilhões os custos adicionais em 2018, que devem representar cerca de 3,5 pontos percentuais do reajuste referente a variação de custos daquele período. O executivo ressaltou que o estudo de impacto da FenaSaúde repercutiu de tal forma, que levou outras entidades a fazerem seus próprios levantamentos, alguns dos quais com resultados semelhantes.

Atenção Primária à Saúde – João Alceu aproveitou a oportunidade de estar com representantes dos RHs das empresas para apresentar o documento “Desafios da Saúde Suplementar 2019”, no qual a FenaSaúde elenca 11 pontos que precisam ser trabalhados para reduzir custos e garantir a sustentabilidade do setor de saúde privada, além de melhorar a qualidade assistencial ofertada aos beneficiários. O relatório foi entregue à equipe econômica do presidente Jair Bolsonaro.

O executivo destacou, entre os pontos, a Atenção Primária à Saúde (APS) – conceito assistencial no qual o foco é o paciente e não a doença, priorizando o médico da família, com rede hierarquizada, por meio do qual o beneficiário será melhor assistido. “Este é um conceito que vem ganhando ênfase, mas de forma voluntária e como produto opcional. Esse conceito deve ser cobrado pelos empregadores, inclusive a rede credenciada de hospitais públicos, com permissão da dupla porta de entrada – hospitais atendem ao SUS e à Saúde Suplementar”.

No modelo atual, ressaltou João Alceu, o custo de atendimento é elevado, ineficiente e garante somente o tratamento de doenças. De acordo com a FenaSaúde, se aplicada conforme as diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS), a Atenção Primária à Saúde, além de evitar o adoecimento, reduz em 17% as demandas por internações e em 29% a procura por serviços de urgência e emergência.  APS é capaz de resolver 80% das demandas por cuidados de saúde.

O vice-presidente executivo de Saúde e Benefícios no Brasil, Paulo Jorge, da consultoria Aon, destaca, no entanto, a necessidade da existência uma infraestrutura de profissionais de saúde para desenvolver a APS dentro das empresas: “Não existe atividade de Atenção Primária sem equipe multidisciplinar. Não adianta abrir um ambulatório na empresa, apenas isso não é APS”.

Qualirede adota teleconsultas como plataforma de atendimento

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No momento em que está em discussão a regulamentação no Brasil do uso da telemedicina, a Qualirede, que atua no desenvolvimento e implementação de soluções integradas em toda a cadeia do Sistema de Saúde, adotou recentemente o sistema de teleconsultas em suas Clínicas de Atenção Primária à Saúde. Cerca de 250 profissionais fazem parte do serviço em 17 especialidades: cardiologia, dermatologia, gastrenterologia, hematologia, neurologia, otorrinolaringologia, psiquiatria, cirurgia cardiovascular, endocrinologia/metabologia, geneticista, infectologia, pediatria, clínica geral, obstetrícia/ginecologia, nefrologia, ortopedia e pneumologia.

Como o próprio nome já diz, as teleconsultas são consultas não presenciais em que o profissional de saúde busca assistência de um especialista, como uma segunda opinião no diagnóstico, um medicamento mais indicado, ou até mesmo orientações sobre a realização de um procedimento. “Quando o médico de família identifica a necessidade de realizar a teleconsulta ele aciona a especialidade desejada via plataforma online. As pessoas têm gostado muito dessa modalidade, pois percebem que têm dois médicos interessados no seu cuidado”, explica a diretora de operações em saúde da Qualirede, Gizelli Aires Ribeiro.

A prática só é permitida no Brasil se houver um profissional de saúde em ambas as pontas do canal de comunicação. “Entendo que é uma ferramenta que pode ajudar a melhorar o sistema de saúde do país por meio de diagnósticos mais rápidos, além de facilitar o acesso em localidades remotas e até mesmo a reduzir custos”, ressaltaGizelli. Ela esclarece que a telemedicina não acabará com o atendimento presencial, já que é apenas uma forma de otimizar as consultas médicas.  “Nos casos que já usamos percebemos agilidade no diagnóstico ou na escolha do tratamento. Ao invés de marcar uma consulta com geneticista, esperar de três a quatro semanas para ser atendido, fazer os exames, retornar no geneticista e iniciar o tratamento, o caso pode ser resolvido em uma única consulta. Assim reduzimos o tempo e o desgaste do paciente de ir de um serviço a outro.”

Hospital Santa Isabel adquire primeiro robô cirurgião de SC

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Contrato firmado com representante americana no Brasil tem investimento de R$ 12 milhões e representa avanço na medicina catarinense por ser a primeira unidade a oferecer procedimentos de tecnologia avançada

O Hospital Santa Isabel (HSI), de Blumenau (SC), seguindo sua vocação para inovação tecnológica na área da saúde em Santa Catarina, será a primeira unidade do estado a contar com cirurgias robóticas entre suas especialidades. A Instituição, que é referência nacional em procedimentos de alta complexidade, acaba de firmar contrato com a representante nacional da empresa americana Intuitive para aquisição de um robô-cirurgião do modelo Da Vinci Si. O início da operação, previsto para o mês de maio de 2019, representa um grande avanço para a medicina do estado. Atualmente, a tecnologia está presente em poucos centros de referência hospitalar, em sua maioria em capitais e grandes metrópoles.

Desde outubro de 2018, o HSI mantém parceria com o Hospital Santa Catarina (HSC), em São Paulo, local para onde os pacientes de Blumenau e região são transferidos, acompanhados de seus médicos, para realizar os procedimentos. Ambos são administrados pela entidade filantrópica Associação Congregação de Santa Catarina (ACSC) e fazem parte do Programa de Cirurgia Robótica da Instituição.

Cirurgião geral e especialista em procedimentos minimamente invasivos e robóticos, Dr. Pedro Trauczynski, responsável pelo Programa de Cirurgia Robótica no HSI, revela que o custo para trazer a tecnologia até o Hospital Santa Isabel chega a R$ 12 milhões. “Há aproximadamente sete anos, o Hospital Santa Isabel chegou a iniciar um projeto de implementação de cirurgia robótica mas, devido ao alto custo da tecnologia, o plano não foi viável para aquele momento. Em 2018, retomamos o projeto, pois o método estava sendo implantado no HSC, unidade que integra a rede da ACSC. Com isso, a gestora estabeleceu parceria com a representante do robô no Brasil para viabilizar a aquisição de mais equipamentos e a implementação de um programa de robótica em rede, trazendo o pioneirismo da cirurgia robótica para seu hospital catarinense, o Hospital Santa Isabel”, explica o especialista.

Todas as cirurgias por via laparoscópica podem ser feitas com o robô-cirurgião. As principais especialidades envolvidas são: urologia, cirurgia geral e digestiva, ginecologia, cirurgia torácica, cirurgia de cabeça e pescoço, entre outras. O Dr. Trauczynski explica que o paciente operado por via robótica leva ainda mais vantagem quando as cirurgias são complexas, pois o sistema permite a realização do procedimento por técnicas minimamente invasivas. Procedimentos complexos de hérnias de parede abdominal e especialidades como urologia, ginecologia, cirurgia digestiva e torácica são as mais beneficiadas pela cirurgia que utiliza essa técnica.

O Robô Da Vinci Si

O robô possui quatro braços, sendo que um fica com uma câmera e os outros três realizam a operação, comandado pelo cirurgião. O médico cirurgião especializado tem a possibilidade de realizar a cirurgia com uma imagem 3D, que pode ser ampliada em até 15 vezes. A principal vantagem é a precisão das pinças robóticas controladas pelo cirurgião, que realizam movimentos de 360 graus, mais precisos e com uma melhor ergonomia. Essas pinças são especialmente úteis quando são trabalhadas em cavidades com restrição de espaço como a pelve, o tórax e a parede abdominal, ou para suturas complexas. Permanecem presentes na sala um cirurgião auxiliar, que fica ao lado do paciente para eventual intercorrência, um instrumentador cirúrgico e um anestesista.

“É importante mencionar que quem realiza a cirurgia é o médico, não o robô. É a mesma lógica de um piloto e, por isso, é um procedimento seguro. Ainda, por ser minimamente invasivo, reduz os riscos de sangramento e gera menos dores, levando a melhores resultados aos pacientes no pós-cirúrgico”, completa o Dr. Trauczynski.

Enquanto aguarda a chegada do robô-cirurgião, o Hospital Santa Isabel vem capacitando seu corpo clínico. Para se tornar um cirurgião habilitado, o médico cirurgião precisa passar por um treinamento teórico e avaliação, atingir metas mundialmente pré-estabelecidas em simuladores – similar ao treinamento de pilotos de avião – e ainda realizar uma prova prática nos centros mundiais de treinamento da empresa americana. Só então, o cirurgião passa a ser habilitado à tecnologia. O HSI também dará oportunidade para que profissionais de outros hospitais do estado e da região Sul participem do Programa e tragam seus pacientes até a unidade.

Sobre o Hospital Santa Isabel (HSI)

A história deste que é um dos maiores hospitais de Santa Catarina está ligada à chegada das primeiras Irmãs da Divina Providência ao Brasil, em 1895, que praticavam enfermagem ambulante em toda a região. Com o tempo, o aumento do número de pacientes e o apoio logístico da sociedade blumenauense, nascia oficialmente, em 4 de outubro de 1909, o Hospital Santa Isabel. Desde 2015, essa filosofia é levada adiante pela administração da Associação Congregação de Santa Catarina (ACSC). Hoje, o HSI conta com uma equipe formada por aproximadamente 1.200 colaboradores e 370 médicos, mais de 260 leitos, sendo 10 na UTI Coronariana e 20 na UTI Geral, e atende 44 especialidades médicas em uma área de mais de 28 mil metros quadrados. Sua intensa vocação à Alta Complexidade o torna referência em especialidades como Implante de Marca Passo, Hemodinâmica, Radioterapia, Neurologia Clínica e Neurocirurgia. O Santa Isabel também é reconhecido como o melhor hospital transplantador de Santa Catarina, estando entre os cinco principais hospitais que realizam transplantes de fígado no Brasil. Por todos esses números, o Santa Isabel é referência para aproximadamente 90 municípios catarinenses, além de pacientes oriundos de outros locais do país. Com uma média geral de 15 mil internações por ano, mantém um percentual em torno de 70% de seus atendimentos no Serviço de Emergência pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Sobre a Associação Congregação de Santa Catarina (ACSC)

Com mais de 120 anos de atuação no Brasil, a Associação Congregação de Santa Catarina (ACSC) é responsável pela administração de 23 entidades em três segmentos de atuação: Educação, Saúde e Assistência Social. A ACSC criou um modelo de gestão autossustentável onde todo superávit gerado por nossos negócios é aplicado integralmente em nossas obras, nos três segmentos, a fim de executar dignamente suas atividades e acolher e cuidar do ser humano em todo o ciclo da vida. Ao todo, são mais de 13.000 colaboradores distribuídos em diversas instituições de saúde, mantendo inúmeros estabelecimentos de ensino e acolhendo crianças, adultos e idosos em espaços assistenciais, com atendimento humanizado e serviços de qualidade para milhares de pessoas em seis estados brasileiros (Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo). Atualmente, na área de educação, as instituições da ACSC oferecem ensino de qualidade a 4.934 alunos, com 1.005 deles contemplados com bolsas integrais assistenciais. As entidades de saúde realizam anualmente 111 mil internações, 558 mil atendimentos de urgência e emergência, 2 milhões e 40 mil atendimentos ambulatoriais, 4 milhões e 913 mil exames, sendo 73,7% dos atendimentos destinados aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Na assistência social, cerca de 600 pessoas em vulnerabilidade e risco social são beneficiadas por projetos sociais da ACSC.

Telemedicina abre o leque de possibilidades para a saúde do futuro

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A Telemedicina é o foco do momento no Brasil. No início de fevereiro, a Resolução nº 2.227/18, do Conselho Federal de Medicina (CFM), regulamentou a utilização desta modalidade de atendimento no Brasil. Pouco mais de 20 dias depois, a prática da medicina a distância voltou a ser limitada no Brasil até a redação de um novo texto que será elaborado levando em conta propostas de médicos e entidades que os representam.

Acredito que a telemedicina seja importante para o país e que só temos a ganhar em termos de eficiência e acessibilidade. No Brasil, apesar do número de médicos formados estar aumentando, não há atendimento para todos os habitantes, principalmente quando olhamos para as localidades mais distantes. Em 2018, a Pesquisa Demográfica Médica no Brasil, realizada pela Faculdade de Medicina da USP com apoio do Conselho Federal de Medicina e Conselho Regional de Medicina de São Paulo, atestou que, apesar de existirem 2,18 médicos por mil habitantes, em algumas capitais brasileiras (Vitória, no Espírito Santo, por exemplo) existem 12 médicos por mil habitantes. Por outro lado, no interior do Norte e do Nordeste do país, esse número cai para menos de um médico por mil habitantes. O Sudeste é a região com maior densidade médica (2,81), contra 1,16 no Norte e 1,41 no Nordeste.

Além da falta de profissionais, muitas vezes a qualidade do atendimento e a demora para conseguir uma consulta ou procedimento gera descontentamento da população. É grande a insatisfação: em meados de 2018, uma pesquisa Datafolha/CFM detectou grande desagrado do brasileiro com o sistema de saúde. Dos mais de 2.000 entrevistados, 89% classificaram a saúde (pública ou privada) como péssima, ruim ou regular.

No SUS, por exemplo, o tempo de espera é o fator mais negativo indicado pela população: 82% dos entrevistados reclamam de demora na consulta; 80% contestam o tempo de espera por um exame de imagem e 79% estão insatisfeitos pelo tempo na fila por uma cirurgia. Observe os itens mais negativos no acesso à rede pública: consultas com médicos especialistas (74%); cirurgias (68%); internação em leitos de UTI (64%); exames de imagem (63%); atendimento com profissionais não médicos, como psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas (59%) e procedimentos específicos como diálises, quimioterapia e radioterapia (58%).

A maioria desses problemas podem ser resolvidos com a implementação da telemedicina.

O atendimento online soluciona o fornecimento de cuidados de saúde às regiões inacessíveis e desfavorecidas e visa fornecer acesso igual qualidade de cuidados médicos a diferentes pacientes, independentemente da localização geográfica. Nas últimas duas décadas no mundo, as funções da telemedicina se expandiram significativamente para incluir consultas médicas remotas, serviços de cuidados intensivos, monitoramento da saúde mental, bem como o gerenciamento de doenças crônicas, servindo como um complemento ou uma alternativa às consultas médicas tradicionais [2] . Isso se mostrou particularmente importante para a melhoria da saúde rural, pois a telemedicina preenche efetivamente a lacuna entre os habitantes das áreas rurais e os profissionais médicos localizados nos centros das cidades, proporcionando atendimento especializado, melhorando o acesso, reduzindo as viagens longas e aumentando a qualidade geral do atendimento nestas áreas rurais (3).

Outra questão importante é o aumento da eficiência. A telemedicina agiliza processos e otimiza tempo. Além de atender às necessidades das localidades mais remotas, o processo colabora com o atendimento nos grandes centros, já que diminui o estrangulamento no sistema de saúde público causado pela grande demanda.

Aliados da telemedicina

Durante a última década, um número crescente de stakeholders que buscam melhorar a prestação de cuidados e os resultados através de soluções de CDS reuniram-se para sintetizar as melhores práticas para melhorar os resultados com o CDS (4). De acordo com a HIMSS o apoio à decisão clínica é um processo para melhorar decisões e ações relacionadas à saúde com conhecimento clínico organizado e informações do paciente pertinentes para melhorar a saúde e a prestação de cuidados de saúde. Os destinatários da informação podem incluir pacientes, médicos e outros envolvidos na prestação de cuidados ao paciente; as informações fornecidas podem incluir conhecimentos e orientações clínicas gerais, dados de pacientes processados de forma inteligente ou uma mistura de ambos; e formatos de entrega de informação podem ser tirados de uma rica paleta de opções que inclui facilitadores de entrada de dados e pedidos, exibições de dados filtrados, informações de referência, alertas e outros.

Isto posto, gostaria de destacar a importância das soluções de CDS para o contexto da nova resolução. De acordo com a recém aprovada, que diz que há a necessidade de um profissional de assistência junto ao paciente enquanto o médico realiza a consulta a distância. As soluções de apoio à decisão clínica, radiológica, patológica, abrangem diversas especialidades médicas e cirúrgicas e oferecem evidências que garantem a qualidade da assistência e segurança do paciente.

Dessa forma, tanto o profissional que está realizando a consulta remota, quanto o médico generalista ou enfermeiro que acompanha esta consulta e o paciente têm as informações necessárias na busca do sucesso do tratamento. Esses sistemas podem ser acessados rapidamente, com agilidade e fornecem a informação necessária naquele momento. Se estiverem integrados ao PEP facilitam ainda a rotina de registro do diagnostico e tratamento do paciente, facilitando o fluxo de trabalho.

Também é possível utilizar as plataformas para a educação das equipes remotas. A utilização da tecnologia no treinamento desses profissionais agiliza o estudo e testa a prática por intermédio de simulação de casos. Com isso, evitam-se eventos adversos.

A implantação da Telemedicina nos traz uma gama de possibilidades que certamente vão contribuir para mais um passo da consolidação do e-health no Brasil. Com as ferramentas corretas, todos temos a ganhar!

Sobre o Autor:

Claudia Toledo é diretora de Clinical Solutions da Elsevier Brasil

(1) Improving Access to Healthcare Services Through An In-Depth Understanding of Telemedicine in China. E han , A Li , A Stevens , J Xiao , J Yu e Z Jiang Value in Health, 2018-09-01, Volume 21, Páginas S20-S20, Copyright © 2018

(2) A Associação Americana de Telemedicina, O que é Telemedicina? Disponível em: http://www.americantelemed.org/about-telemedicine/what-is-telemedicine

(3) Trends in the growth of literature of telemedicine: A bibliometric analysis RSS Ya-Ting Yang , Usman Iqbal , Jack Horn-Yu Ching , Jonathan Bee-Shen Ting , Hsien-Tsai Chiu , Hiko Tamashiro e Yi-Hsin Elsa Hsu Computer Methods and Programs in Biomedicine, 2015-12-01, Volume 122, Edição 3, Páginas 471-479, Copyright © 2015

(4) http://www.himss.org/cdsguide

Clover Health está cortando posições de tecnologia e investindo em experts de saúde

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A Clover Health, uma seguradora de saúde que faz parte do grupo Alphabet (empresa-mãe do Google), há muito enfatiza seu compromisso com a tecnologia para ajudar a prever quando seus membros provavelmente ficarão doentes para que a empresa possa intervir antes que isso aconteça.

Mas, à medida que a Clover cresce para atender a mais pessoas, a empresa está percebendo que precisa de um tipo diferente de conhecimento e está focada em pessoas com experiência em seguro de saúde e atendimento clínico.

A Clover, que tem escritórios em Nova Jersey e no Vale do Silício, está cortando um quarto de sua força de trabalho, o que representa cerca de 140 funcionários, de acordo com um porta-voz. Os cortes de trabalho foram originalmente relatados pelo Wall Street Journal. A Clover atende o mercado americano de Medicare Advantage, oferecendo seguro para idosos em sete estados, incluindo Carolina do Sul, Nova Jersey e Tennessee.

"À medida que a Clover entra em uma nova era de crescimento, estamos reestruturando algumas equipes atendendo à nossa necessidade de aprofundar os conhecimentos no Medicare Advantage para continuar impulsionando-nos a atingir plenamente nossa missão de melhorar cada vida", disse a empresa.

Clover disse que está abrindo um escritório em Nashville, Tennessee, para recrutar talentos em saúde de muitas empresas na área de healthcare. São Francisco, onde a Clover historicamente concentrou sua contratação ao lado de Nova Jersey, é basicamente um foco de gerentes de produto e engenheiros de software.

"Precisamos garantir que nosso foco, as habilidades de nossas equipes e nossa estrutura de custos correspondam à nossa missão", acrescentou.

A Clover, fundada em 2012, arrecadou pouco menos de US$ 1 bilhão e estava com dificuldades em atender às necessidades de seus clientes. Com isso, a empresa a contratou uma série de novos executivos no ano passado, com um background voltado à saúde, com contratações como Shea Helmle, anteriormente da seguradora de saúde Florida Blue, e Kim Mullins, um consultor de saúde de longa data.

"Essas empresas de seguros de saúde apoiadas por capital de risco estão percebendo que precisam de experiência em cuidados com a saúde, já que é uma das partes mais complexas, reguladas e com nuances da economia", disse Ari Gottlieb, diretor da A2 Strategy Group, empresa especializada em seguro de saúde. "Eles estão competindo com os planos de saúde estabelecidos, que também podem investir em tecnologia".

Outros planos de saúde apoiados por capital de risco incluem a Oscar Health, também apoiada pela Alphabet, bem como a Devoted Health e a Bright Health, que são administradas por veteranos executivos de saúde. Enquanto isso, Anthem acabou de contratar o ex-chefe de pesquisa do Google para ajudar a administrar sua equipe de inteligência artificial.

Aqui está a declaração completa do Clover:

A Clover Health está em uma posição incrivelmente forte, tendo passado por uma angariação de fundos recente, além de ter adicionado 35% a mais de membros aos nossos populares planos Medicare Advantage nos últimos 12 meses. Fizemos enormes progressos no último ano, alavancando nossa plataforma de dados para impulsionar a tomada de decisão clínica no point of care de nossos membros.

À medida que a Clover entra em uma nova era de crescimento, estamos reestruturando algumas equipes atendendo à nossa necessidade de aprofundar os conhecimentos no Medicare Advantage para continuar impulsionando-nos a atingir plenamente nossa missão de melhorar cada vida. Para agregar valor cada vez maior à vida de nossos associados e continuar construindo um negócio sustentável, precisamos garantir que nosso foco, as habilidades de nossas equipes e nossa estrutura de custos correspondam à nossa missão.

Cerca de 140 funcionários atuais serão demitidos como parte deste processo. Somos imensamente gratos por suas contribuições - não poderíamos ter chegado tão longe sem eles. Mas para levar a Clover para o próximo nível, precisamos de uma equipe que inclua novos funcionários com habilidades e experiências diferentes. A Clover continua contratando grandes talentos para ajudar a impulsionar nosso crescimento e estará abrindo um novo escritório em Nashville para aproveitar melhor o grupo de especialistas em saúde localizados na área.