OPME: como a tecnologia ajuda a evitar fraudes

shutterstock_239084959

As órteses, próteses e materiais especiais (OPME) respondem, hoje, por 20% do total de recursos dispendidos em internações e 10% do sinistro das operadoras. Por isso, requerem boa gestão e muita atenção dos responsáveis pelas fFinanças em toda a cadeia de saúde.

Para evitar abusos, como os que foram amplamente divulgados pela mídia no ano passado, um projeto de lei tramita no Senado (PLS 17/2015), estipulando multa para médicos que receberem comissão pela prescrição ou compra de OPME (três vezes o valor recebido), para o estabelecimento de saúde (dez vezes o valor recebido) e para quem vende os materiais e, potencialmente, paga as comissões, no valor de 15 vezes o total pago.

Com mais regras e obstáculos para racionalizar o uso desses dispositivos, cabe aos hospitais organizar seus processos e controles para evitar desvios, fraudes e glosas. Ferramentas de tecnologia, como os ERPs e prontuários eletrônicos, são aliados em áreas como:

1) Suprimentos – ao permitir o rastreamento da OPME, do estoque ao ponto de uso, o que evita desvios;

2) Compras – ao ajudar a manter os estoques em níveis adequados, promover o planejamento das aquisições ou das solicitações de consignação, o que facilita as negociações;

3) Gestão clínica – com soluções compartilhadas que facilitem a padronização dos procedimentos nos hospitais e a autorização nas operadoras, aumentando a segurança do paciente e o bom uso dos recursos;

4) Inteligência clínica – ao auxiliar o médico, com medicina baseada em evidências, a buscar as melhores práticas para o uso dos materiais especiais em um determinado paciente e evitando fraudes relacionadas à má indicação de procedimentos com o intuito de obter vantagem financeira;

5) Gestão financeira – ao informar, na conta médica, se o procedimento e a OPME são cobertos ou não pelo SUS ou pelo plano de saúde, evitando glosas.

A tecnologia, especialmente os sistemas de gestão, utilizada junto a uma equipe especializada multidisciplinar, bem treinada nas rotinas administrativas e técnicas relacionadas às OPMEs, e um relacionamento transparente entre prestadores de serviços e fontes pagadoras, são os pilares para o uso sustentável desses recursos.

AGSSO: Força-tarefa dos médicos peritos do governo pode levar milhares de trabalhadores de volta ao mercado

SÃO PAULO, 29 de agosto de 2016 /PRNewswire/ -- Ainda em agosto poderá ser aprovada a Medida Provisória 739/16 que trará grande impacto para as empresas: elas poderão receber de volta trabalhadores que estavam afastados por doença ou invalidez – só que dentro de um cenário de recessão econômica. A MP 739/16 cria um bônus salarial para peritos médicos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por cada perícia a mais feita, tendo como referência a capacidade operacional do profissional. O objetivo é rever a condição de saúde do trabalhador que está a mais de dois anos sem passar por perícia médica.

Segundo dados do governo federal, mais de 93% dos aposentados por invalidez têm o benefício há mais de dois anos. As aposentadorias por invalidez chegaram a R$ 44,5 bilhões em 2015, beneficiando 3,4 milhões de pessoas. Outra grande ação nesse sentido é a avaliação médica pericial de auxílios doença e aposentadorias concedidas através de ações judiciais contra o INSS e que, por equívocos nas sentenças, ficam sem o estabelecimento de data de revisão.

"A revisão do auxílio-doença e aposentadoria por invalidez concedidos há mais de dois anos, certamente encontrará inúmeros trabalhadores que recuperaram a saúde", explica Paulo Zaia, diretor da AGSSO - Associação de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional. "A Medida trará um inegável ganho para o Estado, porém, poderá gerar um problema para as empresas, que não têm como absorver mais mão de obra. Embora reduza despesas do Estado, esta medida poderá trazer impactos sociais que precisam ser considerados", afirma.

A proposta também altera as condições para o acesso ao auxílio-doença, à aposentadoria por invalidez e ao salário-maternidade para o trabalhador que tenha deixado de contribuir. Dessa forma, ficam os mínimos de 12 contribuições mensais para receber o auxílio-doença e aposentadoria por invalidez e 10 contribuições para licença-maternidade, para ambas as condições.

Atualmente, a lei não estabelece qualquer carência para esses benefícios. "Para as empresas, isso criará um problema econômico e também de ordem moral, pois um trabalhador que venha a adoecer durante o período de carência ficará em uma espécie de limbo regulamentar – sem poder trabalhar e sem receber nenhuma renda nesse período. Seria interessante se o governo estudasse formas de combater a fraude que não penalizassem os que efetivamente precisam do auxílio do Estado em momentos de fragilidade como no caso das doenças", finaliza Zaia.

AGSSO
Tel.: (11) 4625.0605
www.agsso.org.br

FONTE AGSSO - Associação de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional

Fanem investe em nova fábrica de equipamentos médicos no México

A segunda unidade industrial da multinacional brasileira fora do país entrará em operação ainda em 2016 para atender tanto o mercado mexicano como América Central, Caribe e Ásia.

FanemDando mais um passo importante em sua estratégia de internacionalização, a Fanem, multinacional brasileira que fabrica produtos inovadores nas áreas de neonatologia e de laboratórios, está investindo cerca de US$ 800 mil em uma nova fábrica no México. Inicialmente, o objetivo da companhia é atingir o expressivo mercado local que, devido à elevada taxa de natalidade, consome cerca de US$ 40 milhões por ano em equipamentos neonatais. Posteriormente, a ideia é atender também a América Central, Caribe e Ásia, quer seja pelas facilidades logísticas ou em função de tratados de livre comércio. A indústria médica do México exporta US$ 7.7 bilhões por ano, sendo que 76% deste total correspondem a equipamentos médicos, cirúrgicos, odontológicos e veterinários.

De acordo com José Flosi, responsável pela operação no México, atualmente, 75% das compras de equipamentos neonatais são realizadas pelo governo mexicano. Instalar-se fisicamente será fundamental para ampliar os negócios da Fanem no País, especialmente diante das normativas que determinam que apenas empresas locais ou provenientes de regiões com tratado de livre comércio participem dos processos licitatórios. Desta forma, a Fanem ganha também condições de atender a esse significativo mercado.

“Temos know-how e produtos de elevado valor agregado e grau tecnológico, o que nos coloca em condições favoráveis para competir com grandes players. Acreditamos que os custos de fabricação, incluindo mão de obra, nos permitirão praticar preços competitivos. Todos estes fatores, somados ao fato de ingressarmos em uma fatia importante de mercado que até este momento não explorávamos, me autoriza a prever um aumento significativo na receita atual de exportações da Fanem, já no próximo ano”, enfatiza Flosi.

Localizada no Parque Tecnológico de Guadalajara, a nova fábrica da Fanem começará operando com 10% de sua capacidade total. E nos próximos quatro anos, prevê-se que a produção seja equivalente a 25% do volume da unidade brasileira. A operação terá início em meados do segundo semestre, inicialmente com 10 produtos da linha neonatal. As vendas realizadas até este momento via Brasil, serão efetuadas a partir de agora pela unidade mexicana. Concomitantemente ao início do processo fabril serão tramitados os processos regulatórios e de certificações dos equipamentos na Comissão Federal para a Proteção contra Riscos de Saúde (Cofepris), pré-requisito para as vendas realizadas nas instituições administradas pelo governo e para determinadas exportações, como por exemplo, os Estados Unidos da América.

Está é a terceira fábrica da Fanem e a segunda fora do país. Com sede em São Paulo, a empresa conta com uma unidade industrial no Brasil, em Guarulhos (SP), e outra em Bangalore, na Índia. Possui também um escritório na Jordânia, em Amã, e uma rede organizada de representantes em todos os países em que está presente. Aliando pioneirismo e tradição, a Fanem atua neste segmento desde 1924, sendo uma das mais importantes indústrias nacionais de equipamentos médicos, líder de mercado em produtos neonatais e com know-how em equipamentos para laboratórios desde a sua fundação. Várias vezes premiada por sua atuação como exportadora, comercializa seus equipamentos para mais de 100 países.  Cerca de 7% de seu faturamento são investidos anualmente em pesquisa e desenvolvimento (P&D).

Hospital Sírio-Libanês investe na área cirúrgica

Ampliações e modernizações visam atender ao crescimento do número de cirurgias e o desenvolvimento de novos procedimentos.

sirioO Hospital Sírio-Libanês inaugurou duas novas áreas voltadas à cirurgia:  o Centro de Material e Esterilização (CME), um dos maiores e mais modernos do país, e a Unidade de Preparo Pré-Operatório, que dobrará de tamanho.

Com processos automatizados e estrutura física que duplicarão a capacidade de esterilização de instrumentos cirúrgicos, o novo Centro de Material e Esterilização (CME), com 1,2 mil metros quadrados, recebeu um investimento de aproximadamente R$ 18,5 milhões. A nova área foi desenhada em formato de linha de produção, com equipamentos de última geração, os primeiros na América Latina.

"As inovações introduzidas consideraram a segurança oferecida aos nossos pacientes e também aos profissionais envolvidos na esterilização dos instrumentos cirúrgicos, tão importante para a manutenção da qualidade do cuidado", explica Dr. Paulo Chapchap, CEO do Hospital Sírio-Libanês.

Ao entrar no novo CME, os carros que chegam com os produtos para saúde do centro cirúrgico ou do Centro de Diagnóstico por Imagem passam pelas "lavadoras de túnel", que fazem a primeira etapa do processo, em apenas 15 minutos. Com leitura por código de barras, os novos equipamentos fazem a seleção automática do ciclo de termo desinfecção específico para cada tipo de produto. A partir daí, na área de preparo, os instrumentos são organizados em bandejas, que seguem por uma esteira até a área de triagem, para a montagem das caixas cirúrgicas. Além da automatização, que aumenta a segurança e a eficiência dos processos, a nova área garante maior capacidade de limpeza e esterilização.

"A logística de distribuição do novo CME também foi muito importante para o projeto", afirma Andrea Alfaya Acuna, coordenadora do Centro de Material e Esterilização do Hospital Sírio-Libanês. "O Centro de Material e Esterilização foi estrategicamente instalado entre os dois centros cirúrgicos da instituição, facilitando a chegada e saída de produtos, sem grandes deslocamentos, otimizando tempo e recursos", explica.

Pré-Operatório

A nova Unidade de Preparo Pré-Operatório, por sua vez, recebeu investimento de R$ 500 mil, passou de 227 m² para 520 m² para abrigar um número maior de boxes (subindo de 12 para 17, todos com banheiro privativo) e conta com um posto de enfermagem centralizado. A unidade é importante para garantir a correta preparação antes da cirurgia, que inclui, por exemplo, avaliação multidisciplinar, exames laboratoriais, coleta de tipagem sanguínea, visita pré-anestésica, eletrocardiograma, tricotomia e higienização da região a ser operada. Por esta razão, a unidade está estrategicamente instalada próxima ao futuro Centro Cirúrgico, a ser inaugurado no próximo ano, e pode ser acessada pelo atual a partir do uso de um elevador exclusivo.

"O olhar focado de toda a equipe no preparo pré-operatório favorece a realização de todas as etapas do pré-operatório", explica o Dr. Sérgio Samir Arap, gerente médico do Centro Cirúrgico e da Central de Materiais do Hospital Sírio-Libanês.

"O trabalho das equipes envolvidas é agilizado e há maior organização das atividades administrativas e assistenciais. Além disso, a integração e a continuidade dos cuidados pré-operatórios à assistência proposta pelo Centro Cirúrgico geram maior conforto emocional, por meio de um atendimento humanizado, valorizando as diferenças e particularidades de cada indivíduo. Esse conjunto diminui a ansiedade e o estresse do paciente na fase pré-operatória", afirma.

Os investimentos feitos pelo Hospital Sírio-Libanês capacitam a instituição a manter a qualidade e a segurança dos procedimentos realizados pelos profissionais da instituição, mesmo diante do crescimento de 135% na demanda do novo Centro Cirúrgico, que passará de 19 para 33 salas, ao término da expansão da unidade Bela Vista.

Apenas em 2015, o Hospital Sírio-Libanês realizou 27.125 cirurgias, com uma média mensal de 2.260 procedimentos. O número é 12% superior às 24.218 operações de 2014 (média de 2.018 / mês). Em 2017, o Centro Cirúrgico ganhará quatro novas salas cirúrgicas, chegando a um total de 23, com área física maior e mais moderna. 

As vantagens de usar mobilidade em clínicas, laboratórios e hospitais

shutterstock_110678570

As pessoas, hoje em dia, estão acostumadas a uma série de facilidades proporcionadas pelos meios digitais. Haja vista as mudanças de comportamento do usuário em hábitos de consumo de produtos, serviços e informações.

O movimento on-line é definitivo e é incentivado por diversas frentes: a mudança da interação proporcionada por aplicativos populares como o Facebook e WhatsApp, a maior exigência dos consumidores que querem uma experiência de marca e por fim, o surgimento de startups e empresas de tecnologia que trabalham no espaço, ainda cheio de oportunidades, do desenvolvimento de soluções, inclusive na área da saúde.

Quais são os benefĩcios da mobilidade para clínicas, laboratórios e hospitais:

  • Proporcionar saúde para pacientes, seja através de conteúdo, de serviços ou da combinação de ambos;
  • Ter um único ambiente em nuvem que distribui informações para o corpo clínico através de diferentes aparelhos como smartphones, tablets e computadores pessoais;
  • Migrar o perfil da equipe de tecnologia de tática para estratégica, contribuindo assim para os resultados positivos do negócio;
  • Diminuir custos operacionais, com informações atualizadas e de fácil consulta;
  • Adequar-se ao perfil do novo médico que tem a tecnologia incorporada ao dia a dia;
  • Oferecer melhor serviço, reduzindo, por conta do histórico disponível, o tempo do atendimento.

Porque as mudanças são obrigatórias

Dentro do ambiente competitivo, onde o consumidor tem acesso às informações e avaliações das empresas, é fundamental que clínicas, laboratórios e hospitais atualizem a forma de operar. Sites, e-mail marketing e outra medidas básicas de comunicação e prestação de serviços sofreram incrementos importantes. A mobilidade virou recurso obrigatório e fundamental, e não há como escapar do movimento revolucionário.

Ciente das normas e regras vigentes para a área da saúde, é imprescindível que os gestores das corporações procurem por soluções seguras e que viabilizem a mobilidade para equipe interna e para os clientes.

Prover informação para todos os públicos da empresa, por meio digital, é uma excelente prática. Centralizar os dados é seguro, eliminar espaço físico para arquivos é econômico e oferecer mobilidade promove melhor desempenho e histórico da equipe.

Como diria a famosa frase de Fernando Pessoa: "Navegar é preciso".

Como garantir o sucesso na implementação de um Sistema de Gestão Hospitalar

shutterstock_337316813

Implementar uma solução de gestão hospitalar não representa meramente uma aquisição tecnológica, mas uma mudança no estilo da gestão, com novos processos, acompanhamento de indicadores e diferentes atribuições entre equipes.

Por se tratar de uma transformação - muitas vezes drástica - no formato de se trabalhar, é preciso seguir sete passos para garantir o sucesso da implantação, evitando ao máximo a ocorrência de erros, segundo a consultoria KMPG:

1. Transformação primeiro – A transformação vem de novas formas de se trabalhar, não da tecnologia em si. É necessário um programa de transformação apoiado pelo sistema, não o contrário.

  1. Problemas das pessoas, não da tecnologia – A maioria das questões enfrentadas na jornada de transformação digital estão relacionadas às pessoas, não à tecnologia. Superá-las requer uma liderança sofisticada e capacidades de gestão de mudanças.

  1. Desenho do sistema – A tecnologia precisa resolver problemas reconhecidos pelas pessoas que vão usar os sistemas. Isso requer uma profunda compreensão do trabalho, bem como das necessidades dos funcionários.

  1. Investimento em analytics – Os prestadores de serviços fazem investimentos significativos em sistemas digitais, mas negligenciam as possibilidades de uso das informações coletadas – por isso não conseguem ver o retorno sobre o investimento.

  1. Interações múltiplas e aprendizado contínuo – Mesmo com um design cuidadoso, pode haver necessidade de interações para o desenho final do sistema. Esse é um processo contínuo e pode durar vários ciclos até que o sistema atinja um ponto em que o investimento comece a se pagar,

  1. Apoio à interoperabilidade – A falta de habilidade de compartilhar e combinar dados de sistemas diferentes é um limitador ao atingimento dos benefícios completos da tecnologia em saúde.

  1. Governança sólida e procedimentos de segurança da informação – Compartilhamento de dados requer uma forte governança e segurança, em especial em casos de ameaça crescente de ciberataques. É essencial definir políticas para o armazenamento e compartilhamento seguro de informações.

“Descobrimos que ganhos substanciais em termos de produtividade e prognósticos são possíveis – e já foram demonstrados – para áreas específicas da TI em Saúde. Como a história de decepções e fracassos recentes mostra, porém, as tecnologias digitais não vão entregar esses resultados por si próprias”, finaliza a consultoria.

Prontuário eletrônico do paciente ampara melhorias do Lean Healthcare

ehr-1476525_960_720

O conceito de "enxugar" procedimentos desnecessários, proposto pela metodologia do Lean Healthcare, ganha ainda mais poder quando amparado por tecnologias como o prontuário eletrônico do paciente (PEP), segundo explica Claudio Giulliano, sócio da Folks. "O Lean vem de fato adicionar uma eficiência ao sistema de saúde e precisa, para que esse processo seja mais bem aproveitado, passar por tecnologia", defende.

Por rastrear o uso do sistema de saúde pelo paciente, o PEP permite a extração de indicadores assistenciais e outras informações que subsidiam o trabalho do médico e dos demais profissionais no atendimento. A leitura permite identificar gargalos e promover padronização das práticas clínicas. "A ideia não é engessar o trabalho do médico, mas sugerir as chamadas melhores práticas assistenciais para embasá-lo em sua decisão", explica.

A implantação de uma metodologia Lean Healthcare no hospital envolve alguns passos e, desde o primeiro estágio, demanda convergência com a área de tecnologia da informação:

  • Familiarização: o conceito é novo e demanda treinamento da equipe, tanto assistencial quanto de TI, que deve trabalhar em conjunto desde o começo do projeto;
  • Base das informações: os dados precisam estar acessíveis nos sistemas de gestão e prontuário eletrônico do paciente, porque são o subsídio essencial para a criação de um protocolo assistencial que promoverá agilidade nos processos;
  • Fluxo de trabalho: o segundo passo é estudar os processos de atendimento, como, por exemplo, o fluxo de internação. "Esse é quase sempre um processo mais demorado, que envolve vários recursos, inclusive no assistencial. Por exemplo: é admitida uma série de exames que não precisa ser feita, então, como no processo de Lean isso poderia ser enxugado? E para enxugar, precisa automatizar algumas das etapas, o que requer uma base tecnológica", alerta. Giuliano explica que nesse ponto, pode-se integrar uma ferramenta de BPM (Business Process Management) para dar ainda mais poder à metodologia.

Qualquer hospital pode optar por unir o Lean Hetalthcare a tecnologias como prontuário eletrônico do paciente e sistemas de gestão, independentemente de porte ou perfil de atuação. Mas, para isso, deve saber: o gestor precisa, antes de tudo, querer mudar as o status quo. "Qualquer processo pode ser otimizado. A empresa deve estar aberta para eliminar etapas que a metodologia mostra desnecessárias'’, finaliza.

Como a Telemedicina está transformando a Saúde

shutterstock_462226408

Apesar do seu estágio “pífio” no Brasil, depois de anos de grandes promessas, a Telemedicina [1] está finalmente começando a fazer jus ao seu potencial. A situação da Telemedicina no nosso país está “atravancada” por causa de uma legislação médica antiquada e completamente dissociada da gigantesca evolução tecnológica atual.

Impulsionada pelas conexões mais rápidas de Internet (fixa e móvel), pela onipresença dos smartphones e pelas mudanças de padrões no mercado segurador, mais provedores de saúde estão se voltando para as comunicações eletrônicas para fazer seus trabalhos - e isso está alterando a prestação dos serviços no segmento de saúde.

Na matéria [2] já tínhamos destacado algumas “apps” de Telemedicina – como Doctor On Demand, HealthTap e Pingmd – que já estão sendo usadas nos EUA.

Algumas operadoras de saúde já estão começando a “abraçar” a Telemedicina nos seus serviços [3] e [4]. Por exemplo, a famosa americana Kaiser Permanente do noroeste da Califórnia oferece a seus pacientes consultas médicas de 10 a 15 minutos através do telefone, como também, um site seguro onde os pacientes podem trocar mensagens com os médicos da Kaiser [5-7]. Metade das suas consultas são virtuais [6], e o CEO da Kaiser informou que 80% dos casos de dermatologia envolvendo erupção da pele são resolvidos via comunicação digital. Outras seguradoras americanas também estão entrando no “universo” da Telemedicina [8-9].

Um outro peso-pesado da saúde americana que começou a apostar na Telemedicina é a UnitedHealthcare -UHC (que adquiriu no Brasil a Amil em 2012 e o Grupo Santa Helena Saúde em 2016). Em 2015, a UHC anunciou a sua iniciativa de Telemedicina [9.1] e fez parcerias com 03 provedores de serviços de Telemedicina (Optum´s NowClinic [9.2], Doctor on Demand, e American Well) [9.3] e [9.4]. Ver aqui os serviços de Telemedicina da UnitedHealthcare [9.5]. Recentemente a UHC anunciou a sua política de reembolso dos serviços de Telemedicina [9.6]. A Now Clinic é uma empresa de Telemedicina da Optum Health que é do Grupo da UnitedHelathcare.

Os médicos estão se conectando com os pacientes através de telefone, e-mail, ferramentas de “Instant Message” e webcam. Eles também estão se consultando uns com os outros eletronicamente, por vezes, para tomar decisões em frações de segundo, relativa a ataques cardíacos e derrames. Os pacientes, por sua vez, estão usando novos dispositivos para transmitir a sua pressão arterial, frequência cardíaca e outros sinais vitais para os seus médicos para que eles possam gerenciar as condições crônicas deles remotamente. A Telemedicina também permite um melhor atendimento em locais onde a “expertise” médica é rara (como em regiões remotas).

Cinco a 10 vezes por dia, o serviço dos “Médicos Sem Fronteiras” retransmite perguntas sobre casos difíceis de seus médicos na Nigéria, no Sudão do Sul e em outros lugares para a sua rede de 280 especialistas de todo o mundo, e recebe as respostas de volta através da internet.

A Telemedicina tem estimulado nos EUA a criação de novos e inovadores serviços. É o caso da Mercy Virtual [10] na cidade de Saint Louis no Missouri nos EUA onde os turnos de médicos e enfermeiros trabalham contra o relógio no novo “Centro de Cuidado Virtual” do serviço de saúde Mercy – um "hospital sem camas" que fornece suporte remoto para unidades de cuidados intensivos, salas de emergência e outros programas em 38 hospitais menores da Carolina do Norte até Oklahoma. Muitos deles não têm um médico 24/7 no local. O sistema Mercy Virtual intitula-se o primeiro serviço de telesaúde do mundo! A Mercy tem até uma “UTI de Telemedicina” (chamado de TeleICU) onde os médicos de cuidados críticos sentam-se em frente a monitores de vídeo de grandes dimensões - que coletam dados continuamente de cada paciente que estão nas UTIs remotas e podem detectar sinais de problemas iminentes com os pacientes. Se um paciente precisa de atenção, os médicos da Mercy podem fazer “zoom” via câmera “two-way” - perto o suficiente para ler as letras pequenas em uma bolsa de medicação intravenosa.

No ano passado, as UTIs monitoradas por especialistas do sistema Mercy Virtual foi constatado uma diminuição de 35% na duração média de estadia dos pacientes nas UTIs e e uma redução de 30% do número de mortes em relação ao previsto. "Isso se traduz em 1.000 pessoas que eram esperados para morrer foram para casa em vez disso," diz Randy Moore, CEO da Mercy Virtual.

Algumas áreas diretas ao consumidor são vistas como potenciais para o uso e sucesso da Telemedicina. Elas incluem o monitoramento domiciliar de pacientes com insuficiência cardíaca congestiva (ICC), cuidados dermatológicos como erupções cutâneas, e saúde mental, particularmente em áreas onde profissionais de saúde mental estão em falta [11-12]. As empresas de Telemedicina vêem a saúde mental como a próxima fronteira dos serviços de Telemedicina [13].

Como uma medida de quão rapidamente a Telemedicina está se espalhando nos EUA, considere o seguinte: mais de 15 milhões de americanos (4,6% da população total) receberam algum tipo de assistência médica remotamente no ano passado, de acordo com a American Telemedicine Association [14], que espera que esses números cresçam por volta de 30% neste ano.

Mas nada – ainda - significa dizer que a Telemedicina tem encontrado o seu caminho em todos os meandros da medicina. Uma pesquisa recente entre 500 consumidores interessados em tecnologia feita pela empresa HealthMine concluiu que 39% deles nunca não tinha ouvido falar de Telemedicina, e daqueles que não tinham usado o serviço, 42% deles disseram que preferiam as consultas pessoais com os médicos. Em uma pesquisa com 1.500 médicos de família, apenas 15% tinha usado em as práticas de Telemedicina, mas 90% disseram que eles usariam a Telemedicina se fossem devidamente reembolsados. Always money!

A medida que a Telemedicina evolui para um “padrão” – a despeito das “forças contrárias atuais” – em algum ponto não muito distante no futuro ela vai tornar-se simplesmente “Medicina”. Tem gente acreditando que isso vai durar em torno de 10 anos [15-16]. A estrutura da Telemedicina evoluirá com grande velocidade baseada na usabilidade de novas tecnologias de comunicações e dispositivos/sensores que vão possibilitar que os exames de Telemedicina sejam efetuados como se fossem uma “consulta presencial”.

Uma área onde a Telemedicina aparenta que terá um sucesso antecipado é o mercado de saúde corporativo [17]. A maioria dos empregadores nos EUA estão ofertando a cobertura de serviços de Telemedicina e habilitando que seus empregados se conectem com um médico por telefone usando voz e também vídeo. Espera-se que em 2020 os planos de saúde do mercado corporativo serão 100% comandados pela Telemedicina [18]. Esse é um nicho que poderia ser utilizado no Brasil nos planos de saúde corporativos. Pense nisso quando quiser inovar!

Um outro segmento onde a Telemedicina também está sendo explorada é o setor público. Aqui temos alguns exemplos [16.1].

Mas apesar de tudo, para o rápido crescimento da Telemedicina, questões e desafios significativos ainda precisam ser superados. Regras que determinam e regulam a Telemedicina diferem muito de estado para estado nos EUA, bem como, nos diferentes países pelo mundo afora e, estão em constante evolução. Os grupos de médicos estão a emitindo diferentes orientações sobre os cuidados a serem ofertados via Telemedicina que considerem adequadas para serem entregues para os consumidores e em que fórum.

Alguns críticos também questionam se a qualidade dos cuidados de saúde ofertada será mantida com a rápida expansão de mercado da Telemedicina. E também há a questão de quem “paga a conta” dos serviços médicos. No caso das operadoras de saúde, a cobertura do seguro de saúde varia de plano para plano de saúde, e um grande consumidor que é o Governo Federal, no caso dos EUA, cobre apenas uma pequena parte dos serviços de Telemedicina. No Brasil, ainda estamos há “anos luz” da Telemedicina no nosso Ministério da Saúde!

A Telemedicina está se desenvolvendo bem nos EUA. A China também está apostando na Telemedicina para resolver os seus diversos problemas de Saúde [19]. Os países europeus estão atrás dos EUA em relação à maturidade da Telemedicina mas estão começando a se interessar pelo tema [20].

O futuro da Telemedicina vai depender de como os reguladores, fornecedores, contribuintes e os pacientes podem enfrentar esses desafios.

A seguir vamos destacar algumas questões que estão relacionadas com o cenário da Telemedicina:

Os pacientes valorizam a qualidade pela conveniência?

Nos EUA, os serviços de mais rápido crescimento em Telemedicina conectam consumidores com médicos que eles nunca conheceram através do telefone, vídeo ou “visitas” de e-mail sob demanda 24/7. Tipicamente, estes contatos são para questões não emergenciais, como resfriados, gripes, dores de ouvido e erupções cutâneas, e custam cerca de US$ 45, em comparação com o preço de cerca de US$ 100 em um consultório médico, ou US$ 160 em uma clínica de cuidados urgentes ou US $ 750 (ou mais) para um atendimento de emergência.

Muitos planos de saúde e empregadores apressaram-se em oferecer os serviços de Telemedicina e também promovê-los como uma forma conveniente para que os beneficiários possam obter cuidados médicos sem terem que sair de casa ou do trabalho. Neste ano, cerca de três quartos dos grandes empregadores vão oferecer consultas médicas virtuais como um benefício aos empregados, em comparação aos 48% no ano passado. Como vimos acima existe uma expectativa que em 2020 cem por cento dos serviços médicos das empresas sejam baseados em serviços de Telemedicina.

Empresas de web, como Teladoc [21], Doctor on Demand [22] e American Well [23] esperam proporcionar cerca de 1,2 milhão de tais consultas médicas virtuais este ano, o que representa um aumento de 20% em relação ao ano passado, de acordo com a Associação Americana de Telemedicina.

Mas os críticos temem que esses serviços de Telemedicina possam estar sacrificando a qualidade por causa da conveniência. Consultar pacientes de forma aleatória que um médico nunca vai encontrar, dizem eles, fragmenta ainda mais o sistema de saúde, e até mesmo questões menores, tais como infecções respiratórias superiores não podem ser bem avaliadas por um médico que não pode ouvir o seu coração, a “cultura” da sua garganta ou sentir suas glândulas inchadas.

Em um estudo do JAMA de Dermatologia julho assado [24], os pesquisadores que colocaram doentes com problemas de pele para buscar ajuda através de 16 sites de telemedicina tiveram resultados inquietantes. Em 62 encontros, apenas 32% discutiram os potenciais efeitos colaterais de medicamentos prescritos. Vários sites tiveram erros de diagnóstico, principalmente porque eles não conseguiram fazer perguntas básicas de acompanhamento, os pesquisadores informaram [25].

"A Telemedicina detém uma enorme promessa, particularmente em dermatologia, mas esses sites ainda não estão prontos para o horário nobre", diz Jack Resneck, da UCSF, dermatologista e autor líder do estudo da JAMA.

A American Telemedicine Association e outras organizações começaram com programas de “acreditação” para identificar locais de Telemedicina de alta qualidade [25.1]; a Associação também informa para os consumidores tomarem cuidado com sites que vendem produtos.

A Associação Médica Americana (AMA) aprovou recentemente novas diretrizes éticas para a Telemedicina, chamando os médicos para participar e reconhecer as limitações de tais serviços e, também, para garantir que eles tenham informações suficientes para fazer recomendações clínicas [26-29].

O relatório final da AMA ainda não foi publicado, mas em breve o texto completo da “linguagem” da AMA irá potencialmente adicionar as novas diretrizes éticas para os seus membros.

A decisão da AMA é um bom estímulo para o mundo ... estas novas diretrizes podem servir de exemplo para auxiliar a situação de Telemedicina aqui no Brasil que é extremamente “conservadora e restritiva” como ainda veremos aqui nessa matéria.

No entanto, nem sempre há acordo sobre quais são os limites dos exames médicos virtuais. O Jason Gorevic, CEO da Teladoc, diz que seus médicos utilizam mais de 100 diretrizes desenvolvidas especificamente para prestação de cuidados à distância, incluindo uma escala de cinco pontos para determinar se uma determinada dor de garganta é provavelmente devido a uma infecção por estreptococos que merece antibióticos. Os Centros para Controle e Prevenção de Doenças oficiais, no entanto, aconselha aos médicos a prescrever antibióticos apenas para casos confirmados por um rápido teste ou por uma cultura da garganta.

Quem paga pelos serviços de Telemedicina?

Enquanto os empregadores e planos de saúde estão ansiosos para cobrir as visitas de cuidados urgentes virtuais, as seguradoras têm sido mais reativas a pagar pelos serviços de Telemedicina, quando os médicos usam telefone, e-mail ou vídeo para consultar os pacientes existentes sobre questões continuadas. "É muito difícil receber o pagamento, a menos que você veja fisicamente o paciente", diz Peter Rasmussen, um neurocirurgião e diretor médico de saúde a distância na Cleveland Clinic [30].

Nos EUA cerca de 32 estados já aprovaram as leis "paridade", exigindo que seguradoras privadas de saúde reembolsem os médicos para os serviços prestados remotamente se o mesmo serviço já é coberto de forma presencial, embora não necessariamente no mesmo ritmo ou frequência. O serviço Medicare do Governo Federal americano fica ainda mais para trás. O plano de saúde federal para os idosos abrange um pequeno número de serviços só de Telemedicina para os beneficiários nas zonas rurais e somente quando os serviços são prestados em um hospital, consultório médico ou clínica. Vários Projetos de Lei no se encontram no Congresso americano para expandir a cobertura do Medicare federal para serviços de Telemedicina e já têm o apoio bipartidário no Congresso. Os opositores temem que essa expansão seja onerosa para os contribuintes, mas os proponentes dizem que seria economizar dinheiro no longo prazo e, estimam algo em torno de 2 BUS$ em 10 anos, de acordo com uma estimativa da Avalere Health, uma empresa de consultoria.

As consultas médico-a-médico também raramente são cobertas pelas seguradoras. Os sistemas de saúde, como a Mercy, a conceituada Clínica Mayo e a Cleveland Clinic que proporcionam supervisão e “expertise” sobre derrames, unidades de cuidados intensivos e outros cuidados especiais para redes de hospitais menores geralmente cobram tipicamente deles uma taxa mensal, que geralmente não pode ser cobrada dos pacientes.

Esses acordos permitem que os pequenos hospitais para prestem cuidados de alto nível para os seus pacientes e que possam anunciar parceiras com os sistemas de cuidados de saúde de classe mundial. E é mais barato do que contratar os seus próprios especialistas. Este também pode ser um nicho a ser explorado no Brasil!

Especialistas dizem que mais hospitais estão propensos a investir em sistemas de Telemedicina a medida que eles abondonem a forma de pagamento “fee-for-service” e adotem os contratos gerenciados por “tipo de cuidado” que proporcionam a eles uma taxa fixa para o atendimento de pacientes e permitem absorver todas as economias que conseguem.

Sistema Regulatório da Telemedicina

Como os EUA é o país mais evoluído atualmente em relação a Telemedicina, ele servirá de exemplo para outros países no que se refere a regulação desses serviços como “first mover”.

Nos EUA, historicamente, a regulação da medicina em geral tem sido deixada para os estados americanos individualmente. Mas alguns membros da indústria afirmam que isto é ruim pois os provedores têm que conviver com 50 conjuntos diferentes de regras, taxas de licenciamento e até mesmo definições de "prática médica" que fazem menos sentido em uma “era” da Telemedicina e essa diversidade está dificultando o seu crescimento.

Atualmente, os médicos americanos devem ter uma licença válida no estado em que o paciente está localizado para prestar os serviços médicos, o que significa que as empresas virtuais de Telemedicina podem atender com os usuários somente com médicos licenciados localmente. Isso também causa dificuldades administrativas para centros médicos de atuação mundial (“world class”) que atraem pacientes de todo o país.

Na Clínica Mayo, os médicos que tratam os pacientes quando eles recebem alta podem seguir com eles via telefone, e-mail ou chats na web quando voltam para casa, mas eles só podem discutir as condições médicas que eles são tratados de forma presencial. "Se o paciente quer falar sobre um novo problema, o médico tem que ser licenciado nesse estado para discutir o assunto. Se não, o paciente deve conversar com o seu médico de cuidados primários sobre isso", diz Steve Ommen, um cardiologista que dirige o programa Cuidados Conectados da Clínica.

Até o momento, 17 estados já aderiram a um “procedimento” que irá permitir que um médico licenciado num Estado-membro possa obter rapidamente uma licença em um outro estado. Congratulando-se com o movimento, alguns proponentes de serviços de Telemedicina preferem estados que honrem automaticamente um certificado do outro, como fazem com a carteira de motorista. "Você não tem que parar obter uma nova carteira de motorista a cada vez que você entra em um novo estado americano", diz Jonathan Linkous, CEO da Associação de Telemedicina Americana.

Mas os estados americanos não são sensíveis para entregar o controle da prática médica, e a maioria está considerando novos regulamentos de atendimento virtual. Este ano, mais de 200 Projetos de Lei relacionados com a Telemedicina foram introduzidas em 42 estados, muitos dos quais sobre os serviços Medicaid do Governo Federal que cobrirão e se as instituições de saúde (“payers”) reembolsariam o monitoramento de pacientes à distância, bem como tecnologias de armazenamento-e-envio (onde os pacientes e os médicos enviam registros, imagens e notas em momentos diferentes), além do atendimento em tempo real por telefone ou vídeo. "Vários estados ainda estão tentando definir Telemedicina", diz Lisa Robbin, diretora de advocacia da Federação dos Comitês Médicos dos Estados.

Como pudemos notar acima, o ambiente de Telemedicina está em verdadeira “ebulição” nos EUA e será cada vez maior pois a tecnologia vai evoluir (comunicações + dispositivos incluindo realidade aumentada) e as operadoras de saúde vão enxergar nesses serviços uma forma de ajudar na redução dos seus custos dos seus serviços médicos.

Como já sinalizamos a situação da Telemedicina no Brasil é muito ruim ... ainda! Em nosso país, a legislação médica é muito “conservadora e restritiva” [31-34]. Precisamos mudar essa realidade por aqui. Temos que evoluir com a Telemedicina no nosso país! Ela será muito importante para os pacientes e também para as operadoras de saúde. A nossa situação já começa a ser criticada na mídia: “Os médicos precisam acordar. O Conselho Regional de Medicina está em um ritmo que vai deixar aberto o mercado de telemedicina para médicos estrangeiros e fechado para os brasileiros” diz Cris Benvenuto, médica e empreendedora do Medicinia [35]. Veja mais sobre a polêmica sobre o atendimento eletrônico aqui no nosso país [36].

O que conta como prática médica?

O volume explosão das informações de saúde na Internet está levantando novas questões sobre o que constitui a prática da medicina. Algumas empresas baseadas na web permitem que os consumidores consultem médicos no exterior, que não têm licenças médicas nos EUA, mas eles se isentam de penalidades pois “dizem” que estão fornecendo “apenas” informações e conselhos médicos!

O site FirstDerm convida os usuários a fazer “upload” de fotos e uma descrição de seus problemas de pele e diz que "um dermatologista do seu time” responderá dentro de 24 horas com uma possível identificação das opções de condições e tratamento, por US$ 25,00. A maioria dos dermatologistas do site estão na Europa. O CEO Alexander Borve da FirstDerm diz que "não existe uma relação médico-paciente", porque ambos os médicos e pacientes permanecem anônimos. Uma coisa não tem nada a ver com a outra coisa!

Um outro site, o First Opinion, conecta os usuários com os médicos na Índia para chats na web, mas um aviso no site afirma que estes chats são apenas "interações sociais." Se uma prescrição médica ou um teste de laboratório é justificado, um médico licenciado localmente entra na conversa por uma taxa de US$ 39,00.

Os serviços acima podem configurar uma "prática médica” sem uma licença adequada? Nos EUA, a definição exata varia de estado para estado, e as juntas médicas estaduais geralmente não investigam casos individuais a menos que um paciente apresente uma queixa formal. Mesmo assim, os conselhos médicos têm jurisdição somente sobre os médicos individuais licenciados em seu estado e, não sobre empresas, ou médicos no exterior, afirma a “Federation of State Medical Boards”

Como isso muda da competição?

A Telemedicina está também abalando as relações tradicionais entre provedores e pagadores de serviços de saúde e alimentando o surgimento de "megabrands" médicas cujos especialistas estão cada vez mais competindo por pacientes nos “redutos” de cada um.

Seguradoras, tais como a Anthem Blue Cross e UnitedHealthCare Group (sobre esta vimos acima) estão ofertando os seus próprios serviços médicos virtuais diretamente ao consumidor, em vez de simplesmente pagar (reembolsar) para os membros do plano de saúde usar os serviços dos fornecedores na web. Os principais sistemas de saúde nos EUA estão mobilizando seus médicos disponíveis para “follow-ups” virtuais e gestão de doenças crônicas, bem como, visitas de cuidados urgentes, para pacientes novos e também para os existentes. Sobre os serviços de Telemedicina da Anthem Blue Cross ver [39] e aqui tem o Manual do Serviço de Telemedicina da seguradora [40].

Os centros acadêmicos John Hopkins Medicine, Stanford Medical Center, os parceiros de saúde afiliados da Harvard Healthcare e outros centros da “academia” também estão ofertando os serviços de consulta à distância. A Americana Well [23], que fornece software para programas de Telemedicina para muitos dos hospitais, espera tornar-se "a Amazon dos cuidados de saúde", como diz o seu CEO Roy Schoenberg oferecendo um “marketplace” de programas de Telemedicina de “marca” para os hospitais “top” dos EUA.

A Cleveland Clinic está trabalhando para criar uma oferta diferenciada de "Cleveland Clinic na Nuvem", que permitiria que os pacientes em todo o país possa acessar seus médicos sem ir a Ohio (sede da empresa). Trata-se de uma “Cloud Telemedicine” (sic!). Dr. Rasmussen – diretor na Cleveland Clinic - prevê ainda fazer composição com clínicas de farmácias locais, laboratórios e centros de imagem para fornecer exames pessoais, se necessário. "Isto irá abrir um mundo de relações em toda uma gama de prestadores de cuidados de saúde que não temos visto até agora", diz ele. Muito interessante! Já pensou em algo assim no Brasil?

Como vimos acima, a Telemedicina é um “caminho sem volta”. Em 10 anos ela vai virar o atendimento médico de “ponta cabeça”. Anote!

E nós aqui no Brasil para não “ficar chupando dedo” até nossa legislação médica se “modernizar” em relação a Telemedicina, podemos começar a prestar serviços de Telesaúde utilizando psicólogos, nutricionistas, preparadores físicos, etc. Ao contrário do Conselho Federal de Medicina, o Conselho Federal de Psicologia não restringe o tele-atendimento. Com aqueles profissionais citados poderemos implementar vários serviços de saúde nas áreas de Obesidade, Diabetes, Tabagismo, entre outras, sem “trombar” com as restrições médicas atuais!

Tele-saúde será o “grande vôo” da inclusão! [41].

Referências:

[1] Telemedicine, Wikipedia

https://en.wikipedia.org/wiki/Telemedicine

[2] A Decolagem do Mobile Health, Saúde Business, 05.mai;2016

http://saudebusiness.com/a-decolagem-do-mobile-health/

[3] Virtual reality: More insurers are embracing telehealth, Modern Healthcare, 20.feb.2016

http://www.modernhealthcare.com/article/20160220/magazine/302209980

[4] Could Insurers Use Telemedicine to Widen Provider Networks?, Medscape, 11.apr.2016

http://www.medscape.com/viewarticle/861727

[5] You Mean I Don’t Have to Show Up? The Promise of Telemedicine, The New York Times, 16.may.2016

http://www.nytimes.com/2016/05/17/upshot/you-mean-i-dont-have-to-show-up-the-promise-of-telemedicine.html?rref=collection%2Ftimestopic%2FHealth%20Insurance%20and%20Managed%20Care&action=click&contentCollection=health®ion=stream&module=stream_unit&version=latest&contentPlacement=20&pgtype=collection

[6] My Health Manager, Kaiser Permanente

https://healthy.kaiserpermanente.org/health/care/consumer/my-health-manager

[7] Kaiser virtual-visits growth shows the technology's potential, Modern Healthcare, 04.dec.2014

http://www.modernhealthcare.com/article/20141204/BLOG/312049976

[8] Telehealth services becoming popular with US consumers and insurers, Reuters, 23.dec.2015

http://www.reuters.com/article/usa-healthcare-telemedicine-idUSL1N14B20B20151223

[9] American Well Will Allow Telemedicine Patients to Pick Their Doctor, The New York Times, 16.may.2016

http://www.nytimes.com/2016/05/17/business/american-well-will-allow-telemedicine-patients-to-pick-their-doctor.html?_r=0

[9.1] UnitedHealthcare Covers Virtual Care Physician Visits, Expanding Consumers’ Access to Affordable Health Care Options, UHC, 30.apr.2016

https://www.uhc.com/news-room/2015-news-release-archive/unitedhealthcare-covers-virtual-care-physician-visits

[9.2] Now Clinic

https://www.mynowclinic.com/default.aspx

[9.3] Video Is About to Become the Way We All Visit the Doctor, Wired, 30.apr.2016

http://www.wired.com/2015/04/united-healthcare-telemedicine/

[9.4] Telemedicine Gets a Lift from UnitedHealthcare, Health Leaders Media, 13.may.2016

http://www.healthleadersmedia.com/health-plans/telemedicine-gets-lift-unitedhealthcare

[9.5] UnitedHealthcare: Telemedicine/Telehealth Services

https://www.unitedhealthcareonline.com/ccmcontent/ProviderII/UHC/en-US/Assets/ProviderStaticFiles/ProviderStaticFilesPdf/Tools%20and%20Resources/Policies%20and%20Protocols/UnitedHealthcare%20Medicare%20Coverage/Telehealth_and_Telemedicine_UHCMA_CS.pdf

[9.6] Telemedicine – Reimbursement Policy, 13.jul.2016

https://www.uhccommunityplan.com/content/dam/communityplan/healthcareprofessionals/reimbursementpolicies/Telemedicine-Policy-(R0046).pdf

[10] Mercy Virtual

https://www.mercyvirtual.net/

[11] Telemedicine Is Convenient … But More Importantly It Saves Money, HealthLine, 08.jul.2016

http://www.healthline.com/health-news/telemedicine-convenient-saves-money#1

[12] Telemedicine goes more mainstream, but cost remains obstacle, USA Today, 30.may.2016

http://www.usatoday.com/story/news/politics/2016/05/30/telemedicine-goes-more-mainstream-but-cost-remains-obstacle/85054974/

[13] Telemedicine Companies See Mental Health As Next Frontier, Forbes 30.jun.2016

http://www.forbes.com/sites/brucejapsen/2016/06/30/telemedicine-companies-see-mental-health-as-next-frontier/#3c070dee95ac

[14] American Telemedicine Association

http://www.americantelemed.org/

[15] The Evolution of Telemedicine: A Conversation with Steve Normandin, Telehealth & Medicine Today, June 2016

http://www.telhealthandmedtoday.com/the-evolution-of-telemedicine-a-conversation-with-steve-normandin/

[16] Healthcare In 10 Years: Telemedicine Will Just Be Medicine, Forbes, 25.sep.2015

http://www.forbes.com/sites/darden/2015/09/25/healthcare-in-10-years-telemedicine-will-just-be-medicine/#19d9fd52cd68

[16.1] Telemedicine gains popularity thanks to lower costs, Healthcare Finance, 21.jun.2016

http://www.healthcarefinancenews.com/news/telemediciine-gains-popularity-thanks-lower-costs

[17] Survey: 9 in 10 large employers will offer telehealth next year, MobiHealth News, 10.aug.2016

http://mobihealthnews.com/content/survey-9-10-large-employers-will-offer-telehealth-next-year

[18] Employer Health Plans May be 100% Telemedicine-enabled by 2020, Health Leaders Media, 10.aug.2016

http://www.healthleadersmedia.com/health-plans/employer-health-plans-may-be-100-telemedicine-enabled-2020

[19] China bets on telemedicine to solve its healthcare woes, Yahoo Finance, 23.jun.2015

http://finance.yahoo.com/news/china-bets-on-telemedicine-to-solve-its-healthcare-woes-130739819.html

[20] European countries are behind the USA in regards to telemedicine maturity, but they’re beginning to catch up, Research2Guidance, 10.nov.2015

http://research2guidance.com/2015/11/10/european-countries-are-behind-the-usa-in-regards-to-telemedicine-maturity-but-theyre-beginning-to-catch-up/

[21] Teladoc

https://www.teladoc.com/

[22] Doctor on Demand

http://www.doctorondemand.com/

[23] American Well

https://www.americanwell.com/

[24] Choice, Transparency, Coordination, and Quality Among Direct-to-Consumer Telemedicine Websites and Apps Treating Skin Disease, JAMA, July 2016

http://archderm.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=2522336

[25] Study of Telemedicine Finds Misdiagnoses of Skin Problems, WSJ, 15.may.2016

http://www.wsj.com/articles/study-of-telemedicine-finds-misdiagnoses-of-skin-problems-1463344200

[25.1] ATA’s Accreditation Program for Online Patient Consultations 

http://www.americantelemed.org/accreditation/online-patient-consultations/accreditation-process#.V7XJHJgrLIU

[26] AMA Adopts New Guidance for Ethical Practice in Telemedicine, AMA, 13.jun.2016

http://www.ama-assn.org/ama/pub/news/news/2016/2016-06-13-new-ethical-guidance-telemedicine.page

[27] AMA Adopts Ethical Guidelines for Telemedicine Providers, Health Care Law Today, 28.jul.2016

https://www.healthcarelawtoday.com/2016/07/28/ama-adopts-ethical-guidelines-for-telemedicine-providers/

[28] New AMA Guidelines for Telemedicine: Informed Consent and Health Information Security Essential, Dinsmore, 16.jun.2016

http://www.dinsmore.com/informed-consent-and-health-information-security-essential-pursuant-to-new-ama-ethical-guidelines-06-16-2016/

[29] A year later: American Medical Association's ethics council to consider telemedicine guidelines again, MobiHealth News, 02.jun.2016

http://mobihealthnews.com/content/year-later-american-medical-associations-ethics-council-consider-telemedicine-guidelines

[30] Cleveland Clinic

http://my.clevelandclinic.org/

[31] Resolução CFM Nº 1.643 de 07 de agosto de 2002 do Conselho Federal de Medicina

https://www.cremesp.org.br/library/modulos/legislacao/versao_impressao.php?id=3106

[32] Resolução CFM Nº 1.974 de 19 de agosto de 2011 do Conselho Federal de Medicina

http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/CFM/2011/1974_2011.htm

[33] Guia de Ética para Sites de Medicina e Saúde na Internet, Livros do CREMESP

http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Publicacoes&acao=detalhes_capitulos&cod_capitulo=27

[34] SIMERS recomenda que médicos não façam qualquer tipo de orientação à distância, SIMERS, 12.abr.2016

http://www.simers.org.br/2016/04/simers-recomenda-que-medicos-nao-facam-qualquer-tipo-de-orientacao-distancia/

[35] Telemedicina e Anestesiologia – Are you ready?

http://anestech.com.br/telemedicina-e-anestesiologia-are-you-ready/

[36] Vídeo: Consultas médicas à distância geram controvérsias, Jornal da Band, 23.abr.2016

http://noticias.band.uol.com.br/jornaldaband/videos/2016/04/23/15839608-consultas-medicas-a-distancia-geram-controversias.html

[37] FirstDerm

https://www.firstderm.com/

[38] First Opinion

https://firstopinionapp.com/

[39] Referências do Google sobre “Anthem Telemedicine Policy”

https://www.google.com.br/?ion=1&espv=2#q=Anthem+Telemedicine+Policy

[40] Anthem Blue Cross Telehealth Program, Provider Manual

https://mediproviders.anthem.com/Documents/CACA_CAID_TelehealthManual.pdf

[41] mHealth and telehealth flight for inclusion, CIO, 01.jun.2016

http://www.cio.com/article/3077514/healthcare/mhealth-and-telehealth-flight-for-inclusion.html

Os 2 piores tipos de hospitais para trabalhar a receita

shutterstock_249974521

Todos conhecem o prêmio de melhor empresa para trabalhar. Não vamos aqui fazer apologia do caos criando uma lista “de ponta cabeça”. Não se trata de avaliar clima organizacional.

Nos cursos do Modelo GFACH discutimos a complexidade das regras de financiamento hospitalar, da dificuldade de realizar a receita nos diversos “cantos hospitalares” em que ela se origina, e da “relação conflitante” com as fontes pagadoras e parceiros comerciais.

Nos cursos do Modelo GCST discutimos como o hospital se diferencia das demais empresas porque são milhares de produtos diferentes para estimar custo e calcular a margem de contribuição.

E chegamos à conclusão da razão pela qual os gestores comerciais, de faturamento e de auditoria hospitalar não usam uma simples calculadora como acontece nos demais segmentos de mercado – são obrigados a usar Excel “como gente grande” !!!

Neste cenário também concluímos que quando você deixa de trabalhar em um hospital e vai para outro a primeira coisa a fazer é se perguntar: onde está, quem são os mantenedores deste hospital, o que esperam de mim, como este hospital se sustenta “no meio da bagunça do sistema de financiamento da saúde no Brasil” ?

Então, não em função de clima organizacional “ou coisa que o valha”, mas em função da complexidade que envolve o relacionamento comercial com as fontes pagadoras e parceiros comerciais – em função da complexidade das regras e práticas do sus e da Saúde Suplementar – e em função da mantenedora e seus interesses ... fazemos uma lista dizendo aos alunos: se tiver que escolher um hospital para trabalhar nesta área, pense bem !!!

Primeiro

Se tiver opção, fuja dos hospitais públicos com Porta 2. Aqueles que atendem na maioria SUS, e reserva uma minoria do volume para Saúde Suplementar. Se você “cair” num hospital destes vai ter que dominar tanto as regras do SUS quanto da Saúde Suplementar. Conheço milhares de especialistas em uma e outra coisa (SUS ou Saúde Suplementar), alguns brilhantes (fora da média). Pois bem, mesmo os brilhantes em SUS não dominam completamente o sistema SUS, e mesmo os brilhantes em Saúde Suplementar não dominam completamente a Saúde Suplementar – então: você está preparado para ter que conhecer bem os dois sistemas ?

Diferente dos hospitais benemerentes que atendem os 2 sistemas (por exemplo, as Santas Casas), o hospital público de porta 2 geralmente não possui estrutura profissional especializada para lidar com isso.

Se este hospital for geral (não especializado) trabalhar pacotes na Saúde Suplementar é praticamente proibitivo: as informações fluem neste tipo de hospital como “balas perdidas” – você sabe que existem, não chegam a você, e você “dá até Graças a Deus” por não vê-las.

Se estiver em um hospital destes, como se diz em lá em Natal, “vai ser com emoção” !

Segundo

Outro hospital muito difícil é o hospital de rede própria que atende outras operadoras. Por exemplos: hospital de uma operadora que atende demais operadoras.

Nestes é bem provável que vai lidar apenas com Saúde Suplementar, e vai lidar com ela da mesma forma que os demais hospitais ... não é esse o problema.

O problema é que um hospital de rede própria fundamentalmente existe para reduzir custo da mantenedora, caso contrário a mantenedora compraria o serviço no mercado ao invés de operar um hospital.

Se o hospital só atende a própria mantenedora o relacionamento com médicos e parceiros se baseia puramente na eficiência, e o médico (por exemplo) é um funcionário como outro qualquer. Mas se atende outras operadoras se obriga ao enquadramento nas regras comuns de mercado: deve tratar o médico como parceiro e não como funcionário e a eficiência geralmente não está na lista das prioridades.

Olhando para as contas hospitalares deste hospital: nos atendimentos que ele faz para a própria operadora pode falhar um pouco na composição, e pode ser objeto de uma auditoria “um pouco mais frouxa”. Mas nos atendimentos que ele faz para as demais operadoras a falha de faturamento é imperdoável, e o processo de auditoria “é o inferno que todos conhecemos”.

Trabalhar custos e pacotes neste tipo de hospital é complicado porque dependendo de quem é o cliente do atendimento segue protocolo rígido, ou “sem protocolo algum”.

Então se estiver neste tipo de hospital, a gestão comercial, de faturamento e de auditoria, ora é de uma forma, ora é de outra, dependendo de quem paga a conta. Acho que não necessito dizer o quanto isso é “danoso” para quem trabalha nestas áreas !!!

Vamos parar nestes dois para não nos alongarmos muito. Posso dizer que o hospital menos complicado que existe é o particular, de rede própria, que só atende pacientes da mantenedora, é especializado, e só tem internação clínica – sem pronto socorro, SADT aberto, ambulatório, etc. Não quer dizer que seja fácil – se estiver em um desses e reclamar que “tem que matar um leão por dia”, considere que nos que citei acima se tiver muita sorte “escapa de um leão por dia”.

Quero lembrar que nos sites dos modelos GFACH e GCST existe vasto material sobre estes temas, e os diferentes tipos de hospitais que existem, inclusive com a possibilidade de baixar gratuitamente livro, slides de curso, exercícios e simulados de provas de proficiência – não é necessário login, senha, etc ... basta entrar e fazer o download.

Unidade de Transplante de Medula Óssea comemora 5 anos com 284 procedimentos

image012

A Unidade de Transplante de Medula Óssea (TMO) do Hospital Sírio-Libanês (HSL) completa cinco anos de atividade neste mês de agosto, com um balanço de 284 procedimentos realizados, sendo 18% em crianças. Do total, 112 são transplantes autólogos e 172 alogênicos. Os transplantes foram indicados em razão de quadros de leucemias, linfomas, anemias congênitas e outras doenças do sangue.

Entre as pessoas que necessitam de um transplante, somente 25% encontram um doador compatível entre irmãos. A probabilidade de se encontrar um doador não aparentado proveniente de registros nacionais e internacionais sobe para 60% a 70%. Aumentar ainda mais as chances destes pacientes encontrarem células-tronco compatíveis para a realização de transplante de medula óssea é um dos desafios dos bancos públicos de sangue de cordão umbilical.

Por esta razão, desde o início de seu funcionamento, a Unidade de TMO do Hospital Sírio-Libanês mantém o Banco Público de Cordão Umbilical e Placentário, em parceria com o Amparo Maternal, maternidade filantrópica, gerida pela Associação Congregação de Santa Catarina, da cidade de São Paulo. As unidades de cordão coletadas e armazenadas são disponibilizadas para uso nacional e internacional.

"Além de fazer parte do BrasilCord, rede nacional de bancos públicos coordenada pelo INCA e subordinada ao Ministério da Saúde, o Banco Público de Sangue do Cordão Umbilical e Placentário do Hospital Sírio-Libanês investe em pesquisas científicas, utilizando cordões impróprios para transplantes", afirma Yana Novis, coordenadora do Serviço de Onco-Hematologia do HSL.

Tecnologia e Segurança

Outro diferencial da Unidade de TMO do Hospital Sírio-Libanês é o sistema de filtragem de ar e água. Quatro dos seus leitos são equipados com o sistema SAS - sistema de antecâmara que antecede leito.

"Como o paciente tem sua imunidade diminuída após o transplante da medula óssea, precisamos de um ambiente altamente purificado, reduzindo os riscos de infecções. O ar e a água de toda a unidade são filtrados. O sistema de antecâmaras isola totalmente o ar do leito, que não se mistura à atmosfera dos corredores", afirma Yana.

Além do aparato tecnológico, a Unidade de Transplante de Medula Óssea do Hospital Sírio-Libanês conta com 16 leitos de internação e com uma equipe multiprofissional especializada no atendimento de pacientes onco-hematológicos.