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O futuro da Saúde chegou: “Nunca evoluímos tanto em tão pouco tempo”

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Se ainda não sabemos quando estaremos imunes à Covid-19, nem como lidaremos com a doença quando a fase pandêmica passar, uma coisa todos os especialistas, de diferentes áreas garantem: nossa vida será muito diferente da que tínhamos até 2019. A transformação digital foi incorporada em atividades tão corriqueiras quanto frequentar escolas, praticar exercícios físicos ou frequentar reuniões religiosas. Na área da Saúde, foco central das discussões mundiais, muito mais. O isolamento social introduziu as consultas on-line. A Telemedicina, que é apenas um aspecto desse progresso tecnológico, pode conectar médicos a pacientes de uma maneira ágil e segura. E este é só o começo. O que nos espera, no aguardado momento em que a pandemia fizer parte dos livros de história?

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Para nos ajudar a refletir a respeito do futuro da tecnologia especialmente ligada à Saúde, conversamos com Jomar Nascimento, diretor geral e head de Tecnologia da ProDoctor, que falou dessa evolução tão rápida quanto necessária, dos seus impactos no hoje, e do que podemos esperar para o amanhã.

1 - Com quase um ano e meio desde os primeiros casos de Covid-19, já é possível fazer um balanço dos efeitos da pandemia na evolução da tecnologia na área da Saúde?

Jomar Nascimento: Com certeza. Em se tratando de evolução da tecnologia, um ano e meio é bastante tempo. Na verdade, nunca se evoluiu tão rápido quanto agora, não apenas pela nossa capacidade em criar soluções inovadoras e cada vez melhores, mas por um propósito comum a todos: o combate à pandemia e a luta por salvar vidas. A utilização de soluções tecnológicas acontece em um ritmo e escala sem precedentes. Em menos de doze meses, tivemos vacinas contra Covid-19 aprovadas e aplicadas em milhões de pessoas. Isso é inédito, e há muito pouco tempo, inimaginável. Além dos imunizantes, há diversas outras tecnologias que vêm contribuindo muito para enfrentarmos este momento. Utilizando inteligência artificial, é possível ajudar médicos a identificarem enfermidades de forma precoce e eficiente. Outro destaque é a Telemedicina. Apesar de já utilizada antes da crise, a Telemedicina foi difundida e está sendo cada vez mais usada. A prática, autorizada pelo Ministério da Saúde, facilita o atendimento médico, além de reduzir a possibilidade de disseminação de doenças transmissíveis, entre elas o Covid-19. Os pacientes, mesmo aqueles não familiarizados com tecnologia, hoje conseguem acessar uma teleconsulta utilizando uma simples conexão com a internet. É importante ressaltar que todo esse avanço só vale quando, por trás dessa interface, existe uma preocupação em desenvolver soluções seguras, éticas e simples de usar.

2 - Como você acha que a História vai se referir a esse período, tanto do ponto de vista dos profissionais quanto dos pacientes?

JN: Existe uma definição que valerá para todos os pontos de vista: um período sombrio, o mais difícil que enfrentamos neste século. Em 31 de dezembro de 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi alertada sobre casos de pneumonia na cidade de Wuhan, na China. O mundo ainda nem conhecia essa nova cepa de coronavírus. Uma semana depois, o vírus começou a se espalhar e, em menos de 1 mês, foi considerado uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII), o mais alto nível de alerta da OMS. É a sexta vez na história que uma ESPII é declarada. Os profissionais de saúde estão exaustos, física e emocionalmente, mas, ao mesmo tempo, são eles que veem o quanto toda a evolução em medicina nos últimos anos culminou no conhecimento e em tecnologias que estão salvando vidas. Acredito que o desenvolvimento de vacinas e a forma colaborativa com que isso vem acontecendo são exemplos disso. Do ponto de vista dos pacientes, mesmo aqueles que não tiveram a doença, terão alguém do seu lado que passou por isso. Em meio a todo o caos sanitário, a história também vai ficar marcada por um período caótico política e economicamente. O que estamos vivendo agora é um divisor de águas: o mundo nunca mais voltará a ser o que era. O que chamamos de “novo normal” é de fato uma nova forma de viver, que engloba saúde, política, economia, tecnologia e as nossas relações sociais.

3 - Quando falamos em evolução da tecnologia nesse período, talvez a primeira que venha à mente seja a de Telemedicina. Quais tecnologias, sejam elas operantes ou ainda em desenvolvimento, foram propiciadas pela assistência à distância?

JN: A pandemia inverteu a lógica dos atendimentos médicos. Em um contexto de distanciamento social, sem dúvidas a Telemedicina ocupa um espaço de destaque, e essa forma de atendimento deve apresentar uma adoção crescente, ou seja, é um caminho sem volta. O objetivo da Telemedicina antes da pandemia era encontrar uma forma de conectar médicos e pacientes localizados em lugares remotos. Isso mudou, e hoje as funcionalidades vão muito além da comunicação à distância, envolvendo prontuário, prescrição, exames e consultas. O teleatendimento não apenas reduz o risco de exposição ao vírus, mas continua fazendo sentido mesmo fora desse contexto de pandemia, já que exclui variáveis como sala de espera, agenda lotada, atrasos e custos com o consultório físico. A tecnologia está sendo democratizada. Além da indústria ter trabalhado para criar soluções economicamente viáveis, há um esforço para facilitar o acesso à telemedicina. A ProDoctor, por exemplo, criou uma solução que não exige que o paciente baixe nenhum aplicativo ou faça qualquer instalação no celular ou computador. Ele simplesmente acessa um link enviado por email ou WhatsApp e é direcionado para o teleatendimento. Do outro lado, o médico acessa o prontuário do paciente, envia receitas e faz o atendimento em uma única tela, tudo dentro de um sistema unificado, que é diferente de integração de múltiplas soluções. Além de ser uma opção muito mais segura, é fluida, ou seja, se aproxima da experiência de uma consulta presencial. Em um país onde ainda há muito desconhecimento e resistência à adoção de novas tecnologias, esse é um grande diferencial. Quando falamos do futuro da Telemedicina, destaco algumas que até já operam, mas não em uma escala que as viabilizem para o uso em massa. É o caso da realidade virtual, realidade ampliada e inteligência artificial. Acompanho esses três desenvolvimentos de perto, pois acredito que em um futuro próximo serão adotados em breve, tão logo sejam vencidos alguns desafios de custo, design e P&D. Por exemplo, já existem sistemas de I.A. sendo utilizados para rastrear tomografias pulmonares e ajudar os médicos a priorizarem novos casos de Covid-19. A realidade aumentada, aliada à impressão 3D, pode levar a medicina a outro patamar. Será possível, por exemplo, colocar determinada imagem em um papel, lâmina ou na tela de um computador diante de uma webcam e o usuário, do outro lado, ter acesso aos conteúdos em modelos 3D. Esses são apenas dois pequenos exemplos do que está em desenvolvimento e do que poderemos ver em um futuro próximo.

“Os avanços tecnológicos só valem quando, por trás da interface existe uma preocupação em desenvolver soluções seguras, éticas e simples de usar".

Jomar Nascimento, diretor geral e head de Tecnologia da ProDoctor

4 - Como essas novas tecnologias se conectarão com as que já existem nos centros de assistência do futuro?

JN: O diagnóstico prévio e a assertividade para escolher o tratamento ideal para cada paciente podem salvar muitas vidas e é isso que as novas tecnologias acrescentarão àquelas que já utilizamos: mais agilidade e eficiência. No caso do Brasil, que conta com um sistema de saúde sobrecarregado, inteligência artificial e realidade aumentada podem se aliar à Telemedicina para ajudar na priorização de casos mais graves, na detecção de alterações em exames com mais precisão e até em procedimentos e intervenções de emergência. Existe um descompasso entre as possibilidades que as tecnologias digitais oferecem e o processo de adotá-las na Saúde. Não é apenas uma questão de custo, mas de design, resistência… há muitas variáveis, porém, a pandemia acelerou esse entendimento e quebrou muitas barreiras. O grande desafio é fazer com que a tecnologia não substitua a interação pessoal, mas a torne mais eficiente, trazendo para si tarefas que podem ser desempenhadas com mais precisão e agilidade.

5 - Qual o impacto de toda essa evolução no perfil dos profissionais de Saúde? E para os fornecedores de tecnologia, o que muda?

JN: Essa evolução exponencial vai criando novos desenhos no setor de Saúde. A relação médico-paciente nunca deixará de existir, ela só será diferente do que foi até hoje. Os profissionais de Saúde precisarão, mais do que nunca, estar atentos às novas tecnologias e como elas impactam sua área de atuação. Parece óbvio, mas o overflow de informação acontecerá em um nível muito maior do que é hoje, que já é alto. Haverá uma migração natural de muitos procedimentos que hoje são presenciais ou analógicos para o virtual ou digital, como já vem ocorrendo. Esse novo perfil de profissional vai exigir não só um alto nível de informação e discernimento, como muita sensibilidade e percepção. O médico terá em mãos mais informações e análises mais apuradas dos seus pacientes graças à tecnologia, sem que tenham que gastar tanto tempo para fazer isso. Isso o liberará para se dedicar para entender melhor quem é seu paciente, as prováveis causas que levaram a uma doença e, dessa forma, agir de maneira mais preditiva, assertiva e contínua. Por outro lado, fornecedores de tecnologia começam a pensar em meios de manter a saúde e não apenas combater doenças. Essa é uma tendência que muda o paradigma da saúde como é vista hoje e o papel da tecnologia será essencial para isso funcionar. Os pacientes podem hoje monitorar seus sinais vitais onde quer que estejam, graças aos smartphones e wearables, o que não torna os hospitais obsoletos. Em um futuro próximo, este uso será maior e transformará hospitais em centros de saúde para pacientes de cuidados agudos ou que precisem de procedimentos cirúrgicos. A pandemia nos mostrou que quanto antes a gente puder prever um acontecimento e agir de forma preventiva, mais eficiente é a resposta.

6 - Sem dúvida, as mudanças trazidas pela Covid-19 foram introduzidas de forma rápida, em caráter de urgência. Como lidar com a desconfiança e a resistência que surgem numa situação assim?

JN: A necessidade de reagir rapidamente à pandemia fez com que laboratórios, universidades e profissionais do mundo inteiro trabalhassem de forma colaborativa para desenvolver vacinas. Isso foi feito em tempo recorde e, por ser inédito, realmente gera desconfiança. Tudo que é novo sofre resistência, ainda que exista um trabalho sério atrás desses desenvolvimentos. Muitas pessoas ainda não têm a visão de que o tempo recorde foi pela coordenação, pelo senso de urgência e porque nunca estivemos em um ponto tão avançado da ciência. As vacinas desenvolvidas até então não foram desenvolvidas nesse mesmo contexto. A crise atual nos mostrou que a desinformação é um dos piores inimigos da saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) usou o termo “infodemia” para se referir à prática de divulgar notícias falsas ou incorretas relacionadas à pandemia. A desinformação coloca em risco a saúde e a integridade das pessoas. Além desse grave efeito, ela causa confusão no público que, ao ver tanta informação contraditória, passa a desconfiar de tudo, inclusive do que é sério e cientificamente comprovado. As pessoas têm um acesso mais fácil e confiam mais naquilo que chega pelo grupo da família pelo Whatsapp ou por um amigo nas redes sociais do que nos dados com base científica que soam menos “atraentes” e até menos disseminadas do que as publicações falsas. É um desafio para os profissionais de saúde, para a imprensa e para as pessoas, que sofrem as consequências. Não há outro caminho para estimular a confiança que não passe pela informação correta e precisa.

“A desinformação coloca em risco a saúde e a integridade das pessoas. Não há outro caminho para estimular a confiança que não passe pela informação correta e precisa.”

Jomar Nascimento, diretor geral e head de Tecnologia da ProDoctor

7 - Até a pandemia, a Telemedicina era um assunto praticamente restrito aos círculos médicos mais avançados e conectados com o mundo. Hoje, ela é um assunto presente nas discussões de pessoas comuns. Mesmo assim, a legislação brasileira ainda a encara como algo excepcional e temporário, restrito à pandemia. De onde vem tanta relutância?

JN: Em um país como o nosso, onde tudo é regulamentado, quando surge algo novo e, ao mesmo tempo urgente, a regulamentação temporária é a forma viável de validar essa novidade e trazê-la para a realidade dentro de um prazo aceitável. Isso ocorreu no caso dos transportes, quando o Uber chegou ao Brasil, por exemplo, mas como se aplica à saúde, essa cautela foi ainda maior. É evidente que a preocupação com segurança, compliance, confidencialidade e ética é válida e necessária, mas acredito que o caminho seja trabalharmos com regulamentações mais simplificadas e objetivas para que seja possível adotarmos novas tecnologias, que surgirão cada vez mais rápido e em maior escala, de forma eficiente, rápida e, mais do que nunca, segura.

8 - A Lei Geral de Proteção de Dados tem sido invocada em igual proporção ao avanço da Telemedicina. Há de fato uma ameaça aos dados nesse processo? Em sua opinião, qual o caminho para dar mais segurança?

JN: Com certeza, há riscos nesse processo, por isso atuo com um propósito de sermos guardiões dos dados dos nossos clientes, trabalhando em múltiplas soluções de maneira unificada, dentro de um ambiente controlado. Eu acredito que somente neste modelo de negócios é possível assegurar que o médico e seus pacientes estarão em um ambiente seguro. Muitas empresas desenvolvedoras de plataformas de Telemedicina e softwares médicos utilizam o claim da LGPD, mas capitalizam em cima das informações das pessoas sem que elas entendam o que de fato está ocorrendo. Por não compreenderem que o seu papel de guardião inclui cuidar para que os dados não sejam mal utilizados desde o momento em que entraram na clínica, os profissionais de saúde acreditam que, ao contratar uma solução de Telemedicina, há uma transferência de responsabilidade, o que não é verdade. Se o médico utiliza um software cujos parceiros oferecem soluções integradas de Telemedicina e prescrição, se eles disponibilizam um termo de consentimento e uma política de privacidade, ele acredita que está coberto e que não há riscos. Porém, cada vez que ele registra uma informação e exporta/migra essa informação de uma plataforma para outra, há um alto risco da informação ser extraviada ou utilizada indevidamente, sem seu consentimento para aquela finalidade específica, contrariando a LGPD. Como guardiões dos dados dos pacientes, ainda falta uma visão dos profissionais sobre os riscos relacionados à privacidade de seus dados e a de seus pacientes para que possam considerar e avaliar em quais plataformas trabalhar.

9 - A pandemia trouxe a Saúde para o centro do debate público, envolvendo uso de tecnologia, mas muito além disso. Estamos debatendo o preparo do corpo clínico, equipamentos, saúde universal etc. Em sua opinião, como o brasileiro estará olhando para esse assunto daqui um ano?

JN: Estamos vivendo um período caótico e não sabemos quanto tempo a pandemia vai durar e como serão os próximos meses. Em um ambiente tão dinâmico e com tantas incertezas, a única certeza é que nada será como antes. Mas também é certo que quanto mais trabalharmos com base em estudos científicos, na busca por boa informação e soluções inovadoras, melhor e mais rápido será nossa resposta ao desconhecido. Nós vimos que a demora em adotar medidas mais restritivas de isolamento, de procurar ajuda médica no início dos sintomas, de criar um plano de vacinação eficiente, tudo isso nos custou caro. Acredito que o brasileiro tem aprendido muito no que diz respeito ao combate à pandemia, inclusive nos erros que cometemos, mas isso é um processo. Em um ano, o que chamamos de “novo normal” será ainda mais novo, com tecnologias - que hoje ainda são incipientes - já incorporadas ao nosso dia a dia; com máscara, álcool e lavagem constante das mãos como partes básicas dos nossos cuidados diários; e, principalmente, com a conscientização das pessoas em relação ao vírus.

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