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Michael Porter em “Repensando a Saúde”

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Michael Porter em “Repensando a Saúde”, mais atual do que nunca!

Em “Repensando a Saúde”, livro publicado em português em 2007, Michael Porter trata de forma direta e com profundidade acadêmica a cadeia do mercado de saúde, abre suas entranhas e coloca em pauta questionamentos sobre a verdadeira proposta de valor do sistema.

Não bastasse o livro ter se tornado a Bíblia de muitos integrantes do mercado desde então, seu conteúdo segue atual e, como era de se esperar, vem se confirmando quase que de forma profética. Pudera, seu autor é nada mais nada menos que professor da Harvard Business School e vem formulando teorias econômicas, de estratégia de negócios e causas sociais há pelo menos 5 décadas.

O fato é que seu livro toca nos pontos centrais do problema. As conclusões de sua teoria são estarrecedoras à medida que propõem a inversão do valor oferecido pelos planos de saúde. Deixa claro que a fórmula está equivocada uma vez que os interesses isolados dos players da cadeia concorrem diretamente por recursos finitos, sem nenhuma contrapartida com o desfecho clínico do paciente, ou seja, um mercado que trabalha pelo volume e não pela qualidade. Dentre outros pontos, enfatiza a competição em saúde no nível errado;” ...ela se dá no nível dos planos de saúde, redes, grupos de hospitais, de médicos e de clínicas, quando deveria ocorrer na abordagem das diferentes condições de saúde.”

Certa feita ouvi um preletor ponderar que assistência à saúde é comprada por “grife”, como se a bandeira de uma rede de hospitais fizesse toda a diferença frente a outra, note que cada vez mais os hospitais se assemelham ao invés de se diferenciarem frente os diferentes momentos de tratamento dos pacientes. A ideia é cobrir todas as demandas por mais que tenham frequências que não justifiquem o imobilizado ou a manutenção de certo corpo clínico – fatores que sem dúvida encarecem o sistema.

Porter chama atenção para os modelos de pagamento onde a regra é a padronização do processo e não do resultado, como se houvesse uma homogeneidade entre os pacientes – algo como atender mediante um checklist. Essa visão é ainda intensificada quando a contratação dos serviços se dá por pacotes de procedimentos a valores pré-fixados.

Por fim, ele ressalta a importância da concorrência pelo valor, cuja remuneração é prestigiada pela qualidade. De outra forma não existe valor na negociação por desconto ou meramente por preço. Sua proposta passa pela ênfase nos médicos responsáveis pela atenção primária, municiados de informação, com opções de encaminhamento para programas de prevenção e gerenciamento de doenças.

Coincidência? Não. Por acaso tudo que foi mencionado no livro tem como base o mercado norte americano em estudos realizados desde o início da década de 90. O fato é que se analisarmos a saúde suplementar no Brasil em nada diverge das falhas apontadas por Porter em 2007. Vivemos inflação médica (VCMH) projetada em torno de 17% enquanto o número de beneficiários da saúde suplementar permanece inalterado na casa de 47milhões. Perdemos tempo em não ouvir as teorias e conclusões de Porter condenando nosso mercado ao colapso.

É como um câncer, ou combatemos ou ele nos abaterá.

Reflexão sobre Porter M. & Peisberg E. - Repensando a Saúde, Editora Bookman, 2007

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