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Serviços estruturados em APS melhoram telemedicina

Tatiana Marchiolli - CNU

As determinações para o isolamento social, como forma de enfrentar a Covid-19, mostram que os limites geográficos entre as pessoas não podem mais ser considerados fatores limitantes para a prestação de serviços de saúde com qualidade. A telemedicina é um exemplo emblemático disso. Processo avançado para monitoramento, troca de informações médicas e análise de resultados de diferentes tipos de exames por meio de videoconferências, ela já provoca significativas revoluções na dinâmica do cuidado à saúde.

Na Central Nacional Unimed (CNU), os serviços de Atenção Primária à Saúde (APS) oferecidos em uma carteira de 4 mil vidas registraram mais de mil teleconsultas em apenas dois meses. “Outro dado relevante é que na célula implantada para Covid-19, em 22 dias foram cerca de 680 atendimentos, com possibilidade de crescimento e de engajamento pelo contato virtual. A população está mais dona de si no gerenciamento do autocuidado e nós mais próximos dela”, comemora a gerente de Alto Risco Assistencial da Central Nacional Unimed (CNU), Tatiana Marchiolli.

A questão, segundo ela, é que não se deve pensar a telemedicina como substituta de atividades médicas. “A pandemia nos fez vê-la como algo que faz parte da universalização da saúde, da ampliação da cobertura dos serviços. Ela já é considerada como Equipamento de Proteção Individual, um EPI digital. Por meio dela, é possível cuidar do paciente sem gerar riscos, além de proteger igualmente os profissionais de saúde, oferecendo qualidade no atendimento e segurança para ambos os lados”.

A conceituação de telemedicina vai muito além da teleconsulta, porque engloba também os serviços de teleeducação, teleorientção, teletriagem, telediagnóstico, teleperícia. Alguns já regulamentados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), como por exemplo a teletriagem – geralmente feita por um profissional não médico, como o enfermeiro, que se responsabiliza em triar uma condição de saúde. O telemonitoramento, também já regulamentado, é feito por um profissional de saúde para ações de prevenção e agilidade nos processos de cuidado.

De acordo com a gerente da CNU, a sociedade e os vários próprios profissionais de saúde, principalmente o médico, não acreditavam ser possível fazer um diagnóstico sem colocar a mão no paciente. Entretanto, a pandemia contribuiu para provocar essa disrupção tanto no modo de pensar, como também na forma de trabalhar.

“Ela quebrou esse paradigma, porque fez com o que o médico se apropriasse melhor da escuta, se aprofundando ainda mais na anamnese. Ele precisou valorizar a prática, aumentar a escuta do paciente para identificar melhor os sinais e sintomas e suprir a ausência do exame físico. A meu ver, foi nesse ponto que se deu início à grande revolução da telemedicina. A segunda grande revolução foi a sociedade aceitar muito bem ser atendida por um profissional a distância,” explica a gerente.

Isso, segundo Tatiana, mostra que os brasileiros se adequam muito bem ao uso da tecnologia. Não se discute mais se a telemedicina deve existir ou não, porque a transformação digital já está na vida das pessoas. “Então foi fácil decidir acessar aquele link, ir para determinado aplicativo e entrar na consulta com o médico. Acredito que isso será muito apelativo no pós-pandemia, porque não tem como voltar atrás, já que as pessoas vão querer esse serviço como possibilidade de escolha” avalia Tatiana.

Tecnologia muda dinâmica do cuidado

O terceiro ponto de destaque sobre a mudança de comportamento que quebra barreiras é que a telemedicina permite ao paciente se consultar com médicos em qualquer parte do planeta. É possível, por exemplo, ter um profissional de referência em São Paulo e morar em Salvador. No caso de uma pessoa saudável, ela pode ter uma frequência de consulta uma vez por ano e o restante do cuidado ser realizado a distância, por meio de teleconsulta e demais ferramentas da telemedicina. “Não há mais nada que impeça esta dinâmica”.

A proximidade também que se cria, apesar do contato virtual, é outro ponto importante. O médico tem mais oportunidades para ficar perto de seu paciente, seja por aplicativos, notebook, telefone celular. “Isso realmente amplia o contato e melhora o cuidado”, observa a gerente da Central Nacional Unimed.

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