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Como o setor de saúde deve se preparar para o 5G no Brasil?

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A tecnologia 5G ainda tem uma longa jornada aqui no Brasil e vai demorar para chegar na grande maioria dos municípios. Entretanto, quanto antes os profissionais e organizações de saúde se prepararem para ela, mais cedo poderão aproveitar de seus benefícios

Após debates, idas e vindas nos trâmites burocráticos e muita expectativa, a tecnologia 5G finalmente ganhou uma data para chegar ao país. A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) determinou que o leilão para contratação do espectro deve acontecer em 4 de novembro de 2021 – e a expectativa é que até o segundo semestre de 2022 esteja disponível, pelo menos, nas capitais estaduais. Dessa forma, diversos setores já se movimentam para se adaptar a esta novidade, principalmente as organizações de saúde e seus profissionais.

A área médica está entre as que mais aguardam a entrada do 5G no país. Muitas das dificuldades enfrentadas atualmente na relação entre tecnologia e saúde, como o compartilhamento de documentos e imagens entre dispositivos, tendem a ser resolvidas com a velocidade e estabilidade no tráfego dos dados com esta tecnologia. Por meio dela, há a promessa de mais rapidez na troca de informações, com latência bem mais baixa (o tempo de resposta da conexão). Ou seja, abre-se a oportunidade de conectar diferentes dispositivos pela web, como equipamentos de diagnóstico e de imagens. Se hoje é possível atender o paciente por vídeo, no futuro os resultados dos exames podem ser enviados diretamente entre os sistemas até chegar às mãos do médico.

Não à toa trata-se de um mercado em franca expansão no cenário global. O levantamento The 5G Business Potential, realizado pela Ericsson, indica uma oportunidade de receita neste segmento em torno de US$ 76 bilhões até 2026 – mais da metade desse valor (US$ 49,2 bilhões) seriam destinadas às aplicações voltadas aos pacientes, enquanto que US$ 19,8 bilhões seriam aplicados em soluções para os hospitais. Além disso, profissionais da área não hesitaram em apontar as operadoras de telecomunicações como parceiras prioritárias nos próximos anos – à frente até mesmo das empresas farmacêuticas.

Mas o que está por trás de números tão positivos e de tanta expectativa pela chegada do 5G no Brasil? Dois pontos ajudam a entender esse interesse. O primeiro deles está relacionado à maior presença dos dados no dia a dia médico – o que, por sua vez, exige que o tráfego das informações entre os sistemas e dispositivos seja cada vez mais rápido. A partir do momento em que a velocidade de processamento e armazenamento dos dados aumenta, a capacidade de diagnóstico também cresce. Um exame que levaria dias para ter seu resultado compartilhado poderia cair no sistema do médico logo após sua realização.

O segundo tópico é a capacidade de ampliar o atendimento dos pacientes sem que, para isso, seja necessário um maior investimento em soluções e plataformas tecnológicas. O 5G potencializa a realização de consultas on-line, garantindo uma boa conexão entre paciente e médico, além de facilitar o compartilhamento de documentos importantes, como resultado de exames, imagens, receitas, entre outros. Dessa forma, pessoas que possuem uma carência maior em determinadas especialidades em sua cidade podem realizar consultas com médicos de municípios do mesmo estado, focando na prevenção e na qualidade de vida em vez de resolver alguma urgência ou emergência.

Os benefícios estão claros para o setor, mas evidentemente não caem do céu. Hospitais, consultórios e médicos precisam estar preparados para esta tecnologia – caso contrário, as dificuldades inerentes à implementação de uma nova solução podem complicar a atuação destes atores no ecossistema de saúde. Sim, a área já está passando por uma intensa transformação digital, catapultada pela presença de healthtechs que oferecem soluções inovadoras. Mas é preciso ir além e compreender o papel que os dados e a presença de ferramentas na rotina médica exerce atualmente.

O ambiente de saúde precisa, cada vez mais, ter uma cultura data driven, isto é, orientada aos dados. Isso significa que médicos e enfermeiros devem ter a proatividade e o hábito de consultar as melhores informações antes de tomar qualquer decisão relacionada às suas tarefas. Logo, as organizações de saúde precisam ser vistas também como datacenters, ou seja, como espaços em que dados importantes são coletados, processados, tratados e armazenados, ficando à disposição de seus profissionais para melhorar a experiência (e a qualidade de vida) dos pacientes.

Também se torna fundamental equipar os consultórios com soluções capazes de otimizar a análise de dados e digitalizar os processos. Novamente não é preciso fazer grandes investimentos para isso. O prontuário eletrônico, um velho conhecido dos médicos, é o sistema ideal para promover a transformação digital na saúde. Ao acumular funcionalidades que vão além do agendamento, como repositório de dados dos pacientes, acesso a conteúdos clínicos e informações financeiras, ele é o hub ideal para garantir que o 5G traga mais benefícios do que riscos em sua implementação na medicina.

A tecnologia 5G ainda tem uma longa jornada aqui no Brasil e vai demorar para chegar na grande maioria dos municípios. Entretanto, quanto antes os profissionais e organizações de saúde se prepararem para ela, mais cedo poderão aproveitar de seus benefícios. A burocracia pode andar a passos de tartaruga, mas a inovação sempre vem a cavalo. Num piscar de olhos poderemos ter dispositivos conectados compartilhando informações em uma velocidade impressionante, permitindo que médicos possam se dedicar exclusivamente ao atendimento humanizado de seus pacientes. 

* Tiago Delgado é sócio-fundador da Medicina Direta, empresa especializada em gestão e serviços digitais para clínicas e consultórios

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