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Articles from 2015 In December


O gerenciamento remoto de PACS

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Por sua natureza, o PACS (Picture Archiving and Communications Systems) atende todo o fluxo de imagem, desde a realização do exame até o diagnóstico, passando pelo processo de laudo. Obedecendo as regras determinadas pelo DICOM (Digital Imaging and Communications in Medicine), criado para padronizar a comunicação entre diferentes aparelhos e formatos de imagens, a ferramenta registra e monitora todo o ciclo de um exame.

Além de capturar, armazenar, distribuir e exibir imagens médicas; o PACS tem o compartilhamento de imagens de maneira mais rápida e efetiva como uma de suas melhores vantagens. Já que a distribuição digital torna mais rápido o processo médico para confecção de laudos, faz parte do escopo  do sistema favorecer o acesso remoto às imagens e ampliar os métodos de diagnóstico.

A gerência remota do sistema pode ser realizada combinando tecnologias de manutenção e segurança de rede, porém, os conceitos definidos pelo DICOM ainda não contemplam nenhum padrão definido para a manutenção, administração ou auditoria de PACS. A gestão remota deve ser feita de maneira a levar em conta a segurança combinando criptografia com políticas de permissões que podem ser personalizadas de acordo com as necessidades da instituição.

Além disso, do ponto de vista tecnológico, para a gestão remota do PACS é importante estabelecer uma intranet interna em um servidor separado, para evitar interferências e diminuição de capacidade do sistema. Integrar a ferramenta ao HIS (Hospital Information System) utilizado pela instituição também garante segurança da informação e evita erros de digitação.

O PACS também está disponível em uma solução em nuvem permite usar todas as ferramentas do sistema mas sem a necessidade de abrigar o hardware em uma localidade. As imagens dos exames realizados ficam disponíveis para download ou visualização a qualquer hora.

8 sites que você deveria acompanhar diariamente, e porquê

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*Matéria originalmente publicada em 03/05/2014.

Muitos já devem ter notado quais nossas principais referencias no mercado, quem acompanhamos para termos a cabeça sempre fresca quando o assunto é inovação e saúde digital.

Alguns irão pensar “mas estão mostrando para todo mundo suas referencias, por que?” A resposta é simples. A natureza já cansou de nos mostrar que compartilhar faz com que o mundo evolua, então aproveite, compartilhe e traga outras referencias para conhecermos.

MobiHealth News

Uma das primeiras fontes que se tornou uma referencia pessoal, o MobiHealthNews é baseado em Boston (Região das universidades de Harvard, MIT e Cambridge), e a maior parte de suas matérias são sobre mHealth (o nome já diz tudo).

Criado pro Brian Dolan, o MobiHealthNews tem uma linguagem interessante e traz sempre matérias bem pesquisadas, com dados relevantes sobre o mercado e uma visão única. Inclusive conheci durante a viagem à Salmed um de seus colunistas, Jonah Comstock, que transmite todo conhecimento off-line que tem, para o MobiHealthNews.

MedCity News

Com uma linha editorial mais ampla que o MobiHealthNews, o MedCity News é uma fonte interessante para diversas áreas do Digital Health, e sediada Cleveland, Ohio. Fala bastante de sobre os movimentos dos Big Players no mercado, hospitais, medical devices, farmacêuticas, política e startups.

SingularityHub

Você sabe como será a saúde daqui 5 anos? E daqui 20 anos? O Sigularity Hub é uma fonte para esse tipo de informação, ou pelo menos tem um conteúdo que o ajuda a imaginar o futuro. Seu slogan inclusive é “Ciência. Tecnologia. O Futuro da Humanidade”

Criado por Keith Kleiner, fudador associado da Singularity University, ex-Google, suas matérias são sempre sobre tendências, pesquisas de ponta, assuntos que literalmente parecem ter saído de filmes do George Lucas e sua série Star Wars.

VentureBeat

O próprio nome já denuncia o posicionamento do Venture Beat. Trata-se de um portal de conteúdo focado em dinheiro tecnologia e pessoas.

Produzem conteúdo em diversas verticais, como Big Data, Nuvem, Educação, Empreendedorismo, Saúde, Mídia, Ciência etc.

TechCrunch

Uma das referencias mais conhecidas da lista, o TechCrunch busca criar perfis sobre startups e novas tecnologias. Fundada em 2005 por Michael Arrington, o TechCrunch promove diversos eventos, que já contaram com personalidades como Mark Zuckerberg.

O TechCrunch possui um banco de dados de startups muito interessante, chamado CrunchBase. Nele você poderá acompanhar as startups e empresas que recebem investimento, bem como estimar o tamanho de cada uma delas.

Mashable

Outra fonte muito conhecida no mercado de tecnologia, o Mashable se posiciona como uma fonte de noticias, informações e recursos para a geração conectada.

Empreendedores e pessoas que amam tecnologia devem ler pelo menos uma vez por semana o Mashable. Serve de fonte de novidades e inspiração. Ao contrário do que se imagina, notícias sobre saúde, ou que impactam indiretamente o setor, são bem comuns.

StartupHealth

Embora o StartupHealth seja uma aceleradora cediada em Nova Iorque, sua newsletter é forrada de noticias interessantes sobre startups e novidades no mercado.

Se tiver mais curiosidade, confira a entrevista que fizemos com Unitiy Stoakes (CEO), antes do Health 2.0 Latin America Conference.

Rockhealth

Assim como o StartupHealth, a RockHealth é uma aceleradora para startups de saúde, liderada por Halle Tecco.

Sua newsletter contém diversas novidades sobre o mundo das startups de saúde americanas.

O Melhor Prontuário Eletrônico (PEP) é Gratuito

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*Matéria originalmente publicada em 06/08/2014.

O Prontuário Eletrônico (PEP) é parte fundamental de uma clínica moderna. Você já deve ter escutado essa frase antes, mas também já deve ter sentido na pele a dificuldade para escolher o ideal, já que a maioria entrega as mesmas funcionalidades, são bonitos e funcionais. Mas afinal, qual é o melhor?

Para responder essa pergunta a Medscape fez uma pesquisa com mais de 18.500 médicos, onde 83% afirmou utilizar algum tipo de prontuário eletrônico (PEP), 4% está em fase de implementação e 13% não utiliza. Vale lembrar que segundo a Accenture esse é um mercado de $22.3 bilhões de dólares em 2015, onde as Américas representam quase 50% desse faturamento.

Embora o prontuário mais utilizado seja o Epic (23%) – que recentemente fez uma parceria com a Apple – foi o VA-CPRS que recebeu a coroa de melhor prontuário eletrônico (PEP) nos EUA.

O VA-CPRS (VA Computerized Patient Record System, também conhecido como VistA) é gratuito e possui uma versão para o cliente final, ou seja, médicos e outros profissionais de saúde, chamado OpenVista (vídeo). Dispositivos de Saúde, Faça o Download do eBook gratuito

Mas se é grátis, como a empresa ganha dinheiro? Com sua instalação e manutenção. Apesar de existirem vídeos que explicam como implementar (vídeo) o prontuário em sua clínica, eventualmente será necessária uma manutenção profissional.

Voltando à pesquisa da Medscape, a Cerner – que acaba de adquirir a Siemens Health IT – ficou em segundo lugar como prontuário mais utilizado (9%). Não pretendo entrar em detalhes de qualidade e usos, mas você pode conferir o relatório na íntegra abaixo, e saber quais os melhores e mais votados prontuários.

Qual o impacto do prontuário eletrônico (PEP) na prática

Segundo os usuários...

  • Documentação de casos: 63% melhora / 27% piora
  • Coleção de casos: 39% melhora / 9% piora
  • Operações clinicas: 34% melhora / 35% piora
  • Serviços ao paciente: 32% melhora / 38% piora

Qual impacto na relação médico-paciente?

  • Habilidade de responder às demandas do paciente: 35% aumenta / 27% reduz
  • Eficiência na gestão e planejamento terapêutico: 33% aumenta / 26% reduz
  • Tempo cara-a-cara com o paciente: 10% aumenta / 70% reduz
  • Possibilidade de atender mais pacientes: 9% aumenta / 57% reduz

 Quais as 3 maiores preocupações?

  • 48% Perda de informações por problemas técnicos
  • 47% Controle sobre o acesso às informações
  • 39% Adequação à HIPAA (Health Insurance Portability and Accountability Act)

Prontuário eletrônico (PEP) local ou na web?

  • 36% preferem o prontuário local, em servidor próprio
  • 29% preferem o web-based, no servidor do fornecedor
  • 34% não sabem dizer

Entre os que não usam, 3 motivos pelos quais evitam?

  • 40% acredita que interfere na relação médico-paciente
  • 37% não tem condições financeiras
  • 32% não acreditam no custo-benefício

Embora muitos ainda acreditem que o uso do prontuário eletrônico (PEP) é coisa de médico jovem, a pesquisa apontou que 56% dos usuários estão na faixa de 46-65 anos, contra 8% que tem 35 anos ou menos. Homens utilizam mais, sendo 65%.

Quanto às especialidades, o atendimento primário responde por 23% do uso, pediatras por 10%, Psiquiatras 7%, Emergências 7%, Ginecologia e Obstetrícia 6%, entre outras.

Confira abaixo o estudo na íntegra e tente escolher o melhor prontuário eletrônico (PEP) para sua prática. Mesmo que alguns estejam disponíveis apenas a nível hospitalar, outros já podem ser consumido pelo profissional independente.

Google, Boston Dynamics e Robôs. Qual o impacto na saúde?

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*Matéria originalmente publicada em 13/05/2014.

Falar sobre robótica na saúde é sempre excitante e polemico. Os robôs já são realidade no setor e avançam cada vez mais em termos de possibilidades. A telecirurgia já é uma realidade nos EUA, faltam apenas algumas barreiras a serem ultrapassadas para que a adoção seja maior. Veja por exemplo o uso do Robô Nao, que esteve na Health 2.0 Latin America Conference 2013, sendo usado para ajudar na comunicação com crianças autistas.

 [youtube]http://youtu.be/lm3vE7YFsGM[/youtube]

Mas o que o Google tem a ver com robótica na saúde? Essa matéria faz parte de uma série sobre as últimas aquisições da empresa e qual impacto essas podem causar na saúde. Dessa vez vou comentar sobre a aquisição da Boston Dynamics, mais uma das empresas de robótica compradas pelo Google.

A Boston Dynamics é uma spin-off do MIT, com fama de ter produzido alguns dos robôs mais avançados do mundo. Embora tenha recebido diversos investimentos do exército americano, e esse seja seu principal foco (declarado), não podemos negar que os avanços militares se provaram benéficos para o campo da saúde.

Abaixo você irá assistir a um vídeo sobre o Atlas, um dos robôs da empresa que mais se aproxima da realidade da saúde. Nele você pode notar na estabilidade do equipamento, imagine essa estabilidade transposta em exoesqueletos para deficientes, telecirurgia, assistência hospitalar etc. Se tiver mais curiosidade, assista os vídeos do BigDog e Cheetah, vale a pena.

[youtube]http://youtu.be/SD6Okylclb8[/youtube]

Muito do que se lê parecer estar distante e não fazer parte da nossa realidade, porém não é bem assim. Algo que demonstra o quão avançada essa área está é a criação do Cybathlon. Trata-se de uma competição com atletas utilizando próteses biônicas, exoesqueletos, jogos controlados pela mente e muito mais.

Durante as pesquisas para essa matéria, encontrei um vídeo da Merrill Lynch onde a Dra. Catherine Mohr discute algumas aplicações da robótica  na saúde. Ela vê um futuro onde os robôs agiriam como extensores da saúde, além equipamentos desenvolvidos para cirurgia, principalmente com foco nos olhos e articulações.

[youtube]http://youtu.be/_ENORuGtCUA[/youtube]

Alguns devem estar pensando que o Google está se tornando a Skynet, da série exterminador do futuro. Não quero participar da teoria de conspiração, apenas imaginar como será o futuro em que teremos robôs com inteligência artificial avançada, e sendo utilizado para melhorar a saúde como um todo. Imagine um cirurgião poder realizar uma cirurgia no interior da Amazônia, sem sair de casa.

Essa teoria sobre o Google e a robótica ganha tempero extra com as duas últimas matérias que escrevi da série de aquisições da empresa, sobre computação quântica da D-Wave (que dizem ser o que faltava para se criar uma inteligência artificial eficiente) e Inteligência Artificial da DeepMind (que dará um cérebro a essas máquinas).

E você, como acha que a robótica irá influenciar a saúde?

Quais são os desafios dos Empreendedores em Saúde?

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*Matéria originalmente publicada em 18/05/2014.

Desde que começamos o EmpreenderSaúde em 2010, uma de nossas grandes inquietações era ajudar e estimular o empreendedorismo em saúde no Brasil. Durante este período entendemos melhor o mercado brasileiro e o mercado global para empreendedores em saúde e passamos a entender claramente os maiores desafios enfrentados por estes empreendedores.

Falta de capital de risco

Nos Estados Unidos é possível encontrar investidores especializados em saúde, enquanto no Brasil muitos fundos de venture capital tem mandatos específicos para não investir em saúde. Além disso, há um menor número de empreendedores em saúde que venderam com sucesso participações em empresas de saúde e desejem reinvestir seus recursos em novas empresas de saúde. Por exemplo, os fundadores do Pay Pal no Sillicon Valley, ao venderem a empresa por bilhões de dólares passaram a realizer pequenos investimentos em diversas pequenas empresas de tecnologia, o que deu origem a uma miríade de novas startups. Em contraste, os fundadores do Laboratório Fleury ou do DASA ao venderem suas participações durante a abertura de capital não voltaram a investir no mercado de saúde, de acordo com as informações disponíveis.

Falta de uma saída clara

A primeira coisa que investidores buscam ao entrar numa empresa é saber como podem recuperar seu investimento, seja através da venda para um outro investidor, para uma empresa maior ou mais raramente, através de um IPO. Sem possibilidades de saídas claras, investidores relutam em investir em startups.

Falta de times multiprofissionais

Tão importante quanto uma excelente formação na área de saúde é ter excelentes profissionais que entendem do lado comercial do negócio, a fim de desenvolver um ótimo plano de marketing, vendas e crescimento da empresa. Não basta saber como fazer o procedimento, sem dominar o que é necessário para negociar com os planos de saúde ou pacientes e fazê-lo pagar por este.

O seu salário não é uma medida do seu sucesso

Muitos profissionais de saúde tem muito sucesso profissional e uma das medidas deste sucesso é sua retirada financeira mensal, porém ao se tornarem empreendedores e empresários esta é uma medida muito pobre para medir o sucesso de sua empresa. Quanto sobra no caixa após o pagamento de todos os sócios ? Você tem de fato uma empresa ou uma associação profissional cujo retorno financeiro virá através do salário dos seus colaboradores ?

Falta de networking com outros empreendedores e investidores

Assim como qualquer outra atividade, um ótimo empreendedor aprendeu muito ao longo do caminho e conta com uma efetiva rede de mentores/apoiadores que o ajuda a enfrentar os desafios diários e a continuar melhorando. Esta rede pode ter, mas não deve ser exclusivamente composta por profissionais da área de saúde, pois a diversidade é fundamental para que o empreendedor possa de fato gerar idéias inovadoras.

Temos fé nos empreendedores de saúde brasileiros, mas também temos certeza que estes enfrentam desafios especialmente complicados. O EmpreenderSaúde está aqui para ajudá-lo nesta jornada a desenvolver seu potencial empreendedor. Sabemos que poucos empreendedore em sáude é especialmente desafiador, mas não mais desafiador do que se formar e atuar na área de saúde brasileira.

5 Mitos Sobre o Futuro da Saúde Digital Segundo a McKinsey

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*Matéria originalmente publicada em 08/07/2014.

Recentemente a McKinsey publicou seu estudo global sobre saúde digital - McKinsey Digital Patient Survey, 2014 – e pontuou 5 mitos que assombram o setor. Além disso, mostrou que a adoção de sistemas de TI na saúde geralmente seguem o mesmo padrão que o de outras indústrias.

Na década de 50 tivemos a primeira onda da tecnologia, onde as instituições começaram a utilizar o TI para automatizar processos altamente padronizáveis e repetitivos, como contabilidade e folhas de pagamento. Na saúde não foi diferente, o setor passou a automatizar grandes processos de dados estatísticos.

Já na segunda onda, 20 anos depois, a adoção de TI ajudou em 2 coisas: integração das diferentes partes dos processos  mais centrais (como manufatura e rh) com organizações individuais, e serviu de base para processos B2B como o supply-chain.

Muitas instituições, tanto do setor público quanto privado, já se se adaptaram à terceira onda, com a digitalização total da empresa, incluindo produtos, canais e processos, além de um avançado sistema de analytics que permite um novo modelo operacional baseado em métricas. Mas como será a terceira onda na saúde?

Alguns países tiveram muito sucesso nas duas primeiras ondas, mas todos ainda estão lutando para se adaptar à terceira, já que a saúde conta com incontáveis stakeholders a serem administrados, regulamentações e as preocupações individuais necessárias para se construir um sistema de saúde integrado pelo TI. Esses problemas foram criados particularmente pelo foco dado nas primeiras ondas aos processos, e não às necessidades dos pacientes.

Agora que os pacientes estão cada vez mais confortáveis em utilizar redes e serviços digitais, até mesmo para assuntos mais sensíveis e complicados como saúde (basta observarmos exemplos como Cidadão Saúde, Minha Vida, EncontrAR, Saútil, Dieta e Saúde, PatientsLikeMe, ZocDoc, WebMD e outros), vemos um futuro  promissor para a saúde digital tomar força e embarcar na terceira onda. Porém, a pergunta levantada pela McKinsey em suas pesquisas é semelhante à que temos sentido no Brasil, aqui mesmo no Empreender Saúde e em Eventos: Por onde começar?

Em algumas apresentações já demonstrei que o marketing defendido por Philip Kotler e outros autores já é o 3.0 (note a data da matéria, 2010), e afirmei que a saúde (principalmente no Brasil) ainda pratica o marketing 1.0, e apenas algumas empresas o 2.0. Para a área de TI em saúde o cenário não é muito diferente, basta pensar que falamos em Health 2.0, e não 3.0.

Os setores que conseguiram passar pela terceira onda o fizeram ao escutar seu consumidor, entender suas necessidades e entregar os valores desejados. Na saúde não é diferente, tanto a McKinsey quanto o Empreender Saúde, acreditam que ao escutar o paciente, entender seus hábitos e canais de comunicação, a saúde deve se aproximar dos outros setores e ter uma maior integração, interoperabilidade, entrega de valor, redução de custos, aumento de impacto etc. Acredito que empresas como Dr. Drauzio Varella e o Minha Vida, tenham maior impacto na saúde que muitos hospitais brasileiros, pois entendem como ninguém seus pacientes e se comunicam diariamente com eles.

Se você acredita na força de entender seu cliente/paciente, veja os 5 mitos que a McKinsey encontrou nas pesquisas de saúde digital, e que devem ser combatidos tanto em sua instituição, quanto na cabeça de seus gestores:

1. As pessoas não querem usar serviços digitais para a saúde

A maior parte dos executivos acredita que os pacientes não querem utilizar serviços digitais exceto em alguns casos específicos, até pela natureza do setor. Inclusive mostram dados com baixo uso de serviços de saúde digital.

O motivo da demora na adoção de serviços de saúde digital deve-se principalmente à baixa qualidade da maior parte deles e o não atendimento das reais necessidades do paciente. A pesquisa aponta que 75% dos respondentes utilizariam esse tipo de serviço se ambos obstáculos fossem superados.

Não significa que o os canais externos à saúde digital, como hospitais, clínicas e grupos de pacientes não têm mais relevância, mas sim que a estratégia de ações deve ser multicanal, já que os pacientes são como qualquer consumidor, multitelas, imerso no mundo digital.

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2. Apenas jovens utilizam serviços digitais

Esse é um dos maiores mitos desse setor, e o enfrentamos diariamente. A maior parte dos executivos ainda acredita que apenas os jovens utilizam serviços e produtos digitais, e que por isso as soluções não teriam grande impacto para todos os stakeholders do setor.

Se você ainda pensa assim, o estudo da McKinsey mostra justamente o contrário, que todos os grupos etários buscam esse tipo de serviço, e que os acima dos 50 anos desejam esse tipo de serviço tanto quanto os mais jovens.

A diferença entre os grupos fica justamente no tipo de canal que deve ser utilizado para entregar saúde digital. Enquanto os mais velhos preferem os canais mais tradicionais (websites e email), os mais jovens são mais abertos a canais como redes sociais e mobile, até mesmo pela facilidade que têm no uso.

Tracemos um paralelo com o chamado “paradoxo do mHealth”. Alguns especialistas apontam que médicos mais velhos tendem a prescrever com maior facilidade aplicativos a seus pacientes que médicos mais novos e recém-formados. O motivo seria a segurança que os mais experientes têm ao prescrever esse tipo de ferramenta, já que possuem um senso crítico mais apurado e tendem a agir baseados em evidências e não no medo da inexperiência.

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3. mHealth é o diferencial (game changer)

Embora minhas matérias geralmente apontem o mHealth como futuro, os estudos da McKinsey mostram que a demanda por soluções mobile não são universais (vide Mito 2 e Gráfico 2) e estão mais concentradas nos grupos etários mais baixos, o que é natural já que esses são nativos do mundo digital. Porém, sem esquecer dos mais velhos, o mHealth aplicado aos jovens sob a forma de prevenção pode apontar para um futuro com menos doenças crônicas e redução dos custos com intercorrências e gestão de crônicos. Com isso, ainda concordo que o mHealth tenha um enorme papel no futuro, já que os jovens de hoje serão os idosos de amanhã.

4. Pacientes buscam por características inovadoras e apps

Qual stakeholder da saúde não utiliza a palavra “inovação” em seu slogan, anúncios ou descritivo da empresa? Esse é um dos problemas, a maior parte dos players que se aventuram no mundo da saúde digital buscam soluções inovadoras e esquecem do principal, escutar as necessidades do paciente. Muitos ainda utilizam essa palavra apenas por estar na moda e parecer atualizado, mas de fato não gera impacto na vida das pessoas e em sua saúde.

O que os pacientes geralmente buscam é eficiência, melhor acesso às informações, integração com outros canais e a presença de uma pessoa de carne e osso se a solução de saúde digital não entregar o valor que buscam.

A partir do momento que essas necessidades são atendidas, é que as empresas devem buscar serem inovadoras, não apenas com o objetivo de serem diruptivas, mas também com foco incremental. Por isso que serviços inovadores, melhores aplicativos ou mídias sociais são menos importantes para a maioria dos pacientes.

Esse tipo de dado também não é novidade. Apresentei na Campus Party desse ano um estudo da PwC, mais antigo, que aponta as mesmas necessidades encontradas pela McKinsey, inclusive com amostra Brasileira no grupo de estudo.

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5. Uma plataforma abrangente de oferta de serviços é pré-requisito para criar valor

Esse é um erro comum não só na saúde. A maior parte das empresas ainda acreditam que quando se tornarem mais digitais, devem entregar todos os seus serviços dessa maneira, trazer todas as informações para a plataforma, ou seja, trazer todo o mundo off-line para o online.

Veja a nuvem de palavras-chave abaixo. Note quais os principais recursos procurados pelos pacientes de Singapura, e então ficará mais fácil entender que não é necessário investir para tornar tudo digital, não é isso que procuram na saúde digital. Saiba que esse paciente não é muito diferente dos de outros países (vide estudos da PwC), e também busca recursos básicos se comparados à complexidade da sua empresa.

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Conclusão

Entender os mitos e as realidades do setor, do cenário de cada país e das necessidades do paciente é imprescindível para entregar valor através da saúde digital. Mas então os que fazer depois de entender essas variáveis da equação?

  1. Entender o que realmente o paciente quer, além do melhor caminho para entregar a solução. Não há melhor caminho que escutar o paciente, fazer grupos de discussão, entrevistar os pacientes etc.
  2. Segmentar seus serviços de acordo com a quantidade de investimento necessária, o tamanho da demanda e o valor entregue. Será que o serviço irá melhorar alguma área, ou reduzir os problemas de outra? Pense nos exemplos de ZocDoc e HelpSaúde: agendar consultas online conquistou milhões de usuários pelo mundo todo em pouco tempo, claramente porque essas empresas descobriram uma necessidade profunda e não atendida.
  3. Por fim, assim que seus pacientes se acostumarem com a saúde digital, a instituição deve fazer como em outros setores, oferecer melhorias contínuas, trazer novidades, aumentar a quantidade e complexidade dos serviços entregues, aumentar o valor oferecido, integrar o sistema a soluções de mHealth etc.

Se você não acredita muito nesse modelo, pense em empresas com Google e Facebook, que adotaram essa estratégia de entregar o que era uma necessidade e depois criar outros produtos.

Enfim, a saúde está prestes a deixar de ser apenas 2.0, para se tornar 3.0 em algumas instituições. Porém, para que isso ocorra, os stakeholders devem estar mais próximos afim de que soluções de saúde digital com maior valor agregado sejam criadas.

Quais os desafios para uso do PEP pelos médicos?

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Embora o PEP ainda não seja realidade para muitos médicos no sistema de saúde brasileiro, a sua importância para subsidiar a tomada de decisão é inegável. Para o profissional, o sistema provê dados primários, essenciais para acompanhar o estado de saúde e de tratamento do paciente.

Porém, sua implementação é complexa, envolve um custo alto e, principalmente, um compromisso significante da força de trabalho. Apesar de ter sido desenvolvido para melhorar a eficiência e a produtividade da equipe de saúde, a chave para o sucesso está na aceitação e na disponibilidade de iniciar um processo de mudança. Em função da complexa dinâmica da rotina médica, os efeitos da implantação de novos sistemas podem ser perturbadores para os profissionais. Por isso, é necessário que os usuários participem do desenvolvimento e mudança das atividades rotineiras para que todo esforço tenha sucesso.

Além de otimizar o trabalho do profissional, o PEP também proporciona legibilidade dos dados e integração com outros sistemas de informação. Com os dados informatizados o problema de ilegibilidade desaparece do ambiente médico, o que permite um compartilhamento de conhecimento mais fidedigno. Outras barreiras devem ser vencidas pelos médicos como o receio dos profissionais em expor suas condutas clínicas, já que o PEP pode ser visualizado por outros colegas, e seu uso e acesso indevidos que podem colocar a questão da confiabilidade e segurança das informações do paciente em risco.

É certo que para que o sistema apresente vantagens é preciso grandes investimentos em hardwares, softwares e treinamentos dos usuários. O sistema de PEP ainda tem muito que melhorar no que se refere aos aspectos éticos, à falta de padronização entre os sistemas e ao manuseio dos softwares. No entanto, ao não resistir à mudança, o médico pode facilitar muito o processo de adoção da ferramenta, o que promoveria a sua massificação no país.

No âmbito do sistema de saúde brasileiro, um PEP ajuda a identificar facilmente os usuários, facilitar a gestão dos serviços, a comunicação, o compartilhamento das informações e, o mais importante, melhorar a qualidade da assistência prestada à população.

Uma Holanda maior que o Brasil

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*Matéria originalmente publicada em 27/09/2014.

Essa semana durante a Health 2.0 pudemos ver o quanto o Brasil está atrás em termos de saúde digital e empreendedorismo. Enquanto o governo Holandês enviou startups para assumir o palco do evento, não tivemos nem sinal do Governo Brasileiro na conferência.

O país, mais de 10x maior que a Holanda, não deixou de ser representado. O Brazilian Healthcare Trek contou com executivos e empreendedores de empresas como Grupo Fleury, ANS, Laboratórios Sabin, AbbVie empreendedores Endeavor e muitos outros formadores de opinião, que acreditam na saúde digital e inovação como vetores de mudança e uma melhor saúde.

De qualquer forma gostariamos de ver o governo brasileiro à frente desse tipo de iniciativa, em que coloca o futuro do país nos palcos de saúde digital pelo mundo, mostrando o que o país tem de melhor e nos posicionando como referências em qualidade.

O que vimos por aqui foram 15 startups holandesas fazendo pitchs e circulando na conferência, sendo aplaudidas e julgadas por investidores e executivos das mais diversas partes do mundo, de grandes centros de referência como IBM, Kaiser Permanente, Mayo Clinic e outros.

Com um track de saúde digital dedicado, os holandeses apresentaram as seguintes startups:

Embora a maior parte dessas startups não tivessem uma proposta clara de impacto na saúde digital, estavam presentes e marcaram território. Além de estarem passeando por toda conferência vestidos de laranja dos pés à cabeça, os Holandeses conseguiram lotar a sua sessão, com muitas pessoas assistindo às apresentações em pé.

Se você é daqueles que acreditam que essa foi apenas uma coincidência do destino, saiba que o Japão e a Finlândia, também tinham seus tracks, como governo de seus respectivos países incentivando a missão.

Como empreendedor na área da saúde digital, médico e sócio do Empreender Saúde, ainda sonho com o dia em que o governo irá ver a saúde como o grandes nomes que nos acompanharam e tornaram essa experiência única, e que além de tudo concordam com a crítica que faço.

Relembre o Saúde Business Forum 2015

Punta Cana (Republica Dominicana)
Punta Cana (Republica Dominicana)

Colaboração e parcerias foram temáticas que nortearam o Saúde Business Forum de 2015, realizado no mês de junho, em Punta Cana, na República Dominicana.

Keynotes Speakers de peso participaram do encontro, que reúne todos os anos mais de cem líderes do setor de saúde com o objetivo de gerar muito relacionamento e negócios entre eles.

Confira alguns nomes de destaque e toda a cobertura para relembrar momentos e/ou estudar boas práticas de gestão.

Boa leitura!

Speakers do SBF15:

Amit Goswami - “A medicina precisa ir além da visão da máquina”, diz o ativista quântico

Gil Giardelli - Colaboração em rede pede por maior consciência e relacionamento

Gil Giardelli - Colaboração em rede pede por maior consciência e relacionamento

Carlos Ferreirinha - Consumidor-paciente quer experiências com boas sensações

*Aqui você encontra TODA a cobertura do Saúde Business Forum 2015 !

*Além disso, pode conferir também os detalhes na revista Saúde Business julho/agosto/setembro de 2015. 

Por que médicos estão cansados da Medicina?

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*Matéria originalmente publicada em 31/08/2014.

Encontrei essa matéria no Wall Street Journal, em seu top 5. Decidi traduzi-la para o português, pois acredito que muitos de nós médicos nos identificamos com os problemas enfrentados pelos americanos.

Já conversei com diversos alunos de medicina, que estão desiludidos com muitas coisas já na faculdade. Meu conselho é sempre o mesmo: Trabalhar com saúde, sendo médico, enfermeiro ou qualquer outro profissional envolvido diretamente com a vida dos pacientes, é lindo.

Mas apesar de seu valor e status na sociedade, ser médico requer muita vocação. Assim como outros profissionais de saúde, enfrentamos diversos problemas no dia-a-dia que não estavam previstos na nossa formação, e muitas vezes é abafado por nossos professores.

Não vou estragar o mistério, leia a tradução abaixo do texto escrito pelo médico cardiologista Dr. Sandeep Jauhar, Diretor do programa de Insuficiência Cardíaca no Long Island Jewish Medical Center.

No final do texto comento um pouco mais.

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Médicos americanos estão cada vez mais descontentes com a sua profissão, uma vez muito vangloriada, e isso é ruim para seus pacientes.

Frequentemente encontro-me inquieto na porta do meu consultório tentando concluir uma consulta com um paciente. Quando olho para a minha carreira na meia-idade, percebo que em muitas maneiras me tornei o tipo de médico que nunca pensei em ser: impaciente, indiferente, às vezes desprezível ou paternalista. Muitos dos meus colegas também lutam com a perda de seus ideais profissionais.

Poderia ser apenas uma crise de meia idade, mas acho que a minha profissão é quem está em alguma espécie de crise de meia idade. Nas últimas quatro décadas, os médicos americanos perderam o status na sociedade, de que tanto gostavam. Em meados do século 20, os médicos foram os pilares de qualquer comunidade. Se você fosse inteligente, sincero e ambicioso, o melhor aluno da sua classe, não havia nada mais nobre ou mais gratificante para aspirar tornar-se.

Hoje a medicina é apenas mais uma profissão e os médicos tornaram-se parecidos com qualquer outro profissional: inseguros, descontente e preocupado com o futuro.

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Nas pesquisas, a maioria dos médicos expressam um entusiasmo diminuído para a medicina e dizem que desencorajariam amigos ou membros da família a entrar na profissão. Em uma pesquisa de 2008 com 12 mil médicos, apenas 6% descreveram uma moral positiva. Oitenta e quatro por cento disseram que seus salários eram sempre os mesmo, ou decrescentes. A maioria disse que não teve tempo suficiente com seus pacientes por causa da papelada, e quase metade disse que planejavam reduzir o número de pacientes que iriam atender nos próximos três anos, ou deixar de praticar completamente.

Médicos americanos estão sofrendo de um mal-estar coletivo. Nos esforçamos, fizemos sacrifícios, pra quê? Para muitos de nós, a medicina tornou-se apenas um emprego.

Essa atitude não é apenas um problema dos médicos. Dói nos pacientes também.

Veja o que um médico disse no Sermo, uma comunidade on-line com mais de 270 mil médicos:

"Eu não faria isso de novo, e não tem nada a ver com o dinheiro. Recebo muito pouco respeito dos pacientes, colegas médicos e administradores, apesar de uma boa avaliação clínica, trabalho duro e compaixão pelos meus pacientes. Atender pacientes na Sala de Emergência nos dias de hoje envolve solicitar diversos exames desnecessários (todos recebem uma Tomografia!), apesar do fato de sabermos que não precisam desses exames, e estar ciente do desperdício disso tudo realmente é uma porcaria e suga o amor de que faz. Eu me sinto como um peão em um jogo lucrativo para os administradores hospitalares. Há tantos outros caminhos que poderia ter tomado para me sustentar e ter uma vida mais plena. A parte triste é que escolhemos medicina porque achamos que valia a pena e era nobre, mas pelo que eu tenho visto na minha curta carreira, é uma farsa. "

O descontentamento é alarmante, mas como chegamos a este ponto? Até certo ponto, os próprios médicos são os culpados.

Nos dias felizes de meados do século 20, a medicina americana também estava em uma idade de ouro. A expectativa de vida aumentou significativamente (de 65 anos em 1940 para 71 anos em 1970), com a ajuda de triunfos na ciência médica como a vacinação contra a poliomielite e bypass cardiopulmonar. Médicos definiam seus horários e preços. Representações populares de médicos ("Marcus Welby", "General Hospital") foram extremamente positivas, quase heróicas.

Médicos americanos em meados do século eram geralmente satisfeitos com suas circunstâncias. Prosperavam sob o modelo privado de fee-for-service, em que pacientes pagavam os custos do próprio bolso ou através dos incipientes programas de seguros privados, tais como Blue Cross/Blue Shield. Eles poderiam ajustar as taxas com base no poder aquisitivo do paciente e serem vistos como benfeitores. Eles não estavam subordinados à hierarquia burocrática.

Após a introdução do Medicare em 1965 como uma rede de Seguridade Social para os idosos, os salários dos médicos na verdade aumentaram à medida que mais pessoas buscavam atendimento médico. Em 1940, com o ajuste a inflação, a renda média dos médicos norte-americanos era cerca de US$ 50.000/ano. Em 1970, era cerca de US$ 250.000/ano quase seis vezes a renda média das famílias americanas.

Mas como os médicos lucravam cada vez mais, passaram a ser percebidos como fraudes do sistema. Os gastos com saúde cresceram, ano após ano, mais rápido que a economia norte-americana como um todo. Enquanto isso, relatos de desperdícios e fraudes eram comuns. Uma investigação do Congresso descobriu que, em 1974, cirurgiões realizaram 2,4 milhões de cirurgias desnecessárias, custando cerca de US$ 4 bilhões e resultando em cerca de 12.000 mortes. Em 1969, o presidente da Sociedade Médica de New Haven County alertou seus colegas "to quit strangling the goose that can lay those golden eggs".

Se os médicos estivessem administrando mal o cuidado de seus pacientes, alguém teria de gerenciar isso para eles. A partir de 1970, as organizações de manutenção da saúde, ou planos de saúde, foram desafiadas a promover um novo tipo de prestação de cuidados da saúde, construído em torno do controle de preços e pagamentos fixos. Ao contrário do Medicare ou seguro privado, os próprios médicos seriam responsabilizados por excesso de gastos. Novos mecanismos foram introduzidos para reduzir os gastos, incluindo uma maior divisão de custos entre pacientes e seguradoras. Isso inaugurou a era dos planos de saúde.

Em 1973, menos de 15% dos médicos relataram quaisquer dúvidas se tinham feito a escolha certa de carreira. Em 1981, metade disse que não recomendaria a prática da medicina tanto quanto teriam uma década antes.

A opinião pública dos médicos mudou claramente para baixo também. Os médicos já não eram inquestionavelmente exaltados. Na televisão, os médicos eram retratados como humano, falhos ou vulneráveis ​​("M * A * S * H *", "St. Elsewhere") ou profissionalmente e pessoalmente falível ("ER").

Como a assistência gerenciada crescia (pelo início dos anos 2000, 95% dos segurados estavam em algum tipo de plano de assistência), a confiança dos médicos despencou. Em 2001, 58% dos cerca de 2.000 médicos entrevistados disseram que seu entusiasmo para a medicina tinha ido para baixo nos últimos cinco anos, e 87% disseram que a sua moral em geral, tinha diminuído durante esse tempo. Pesquisas mais recentes têm mostrado que 30% a 40% dos médicos em atividade não escolheriam entrar na profissão médica se tivessem que escolher a carreira novamente, e uma porcentagem ainda maior não incentivariam os filhos a seguir a carreira médica.

Há muitas razões para essa desilusão além do gerenciamento do cuidado. Uma consequência não intencional do progresso é que cada vez mais os médicos dizem que não têm tempo suficiente para passar com os pacientes. Os avanços médicos transformaram doenças uma vez terminais - câncer, AIDS, insuficiência cardíaca congestiva - em condições crônicas complexas que precisam ser gerenciadas, a longo prazo. Os médicos também têm mais opções de diagnóstico e tratamento, e devem oferecer cada vez mais exames e outros serviços preventivos.

Ao mesmo tempo, os salários não acompanharam o ritmo das expectativas dos médicos. Em 1970, o faturamento médio, ajustado pela inflação, de médicos clínicos gerais foi de US$ 185.000/ano. Em 2010, foi US$ 161.000/ano, apesar de uma quase duplicação do número de pacientes que os médicos veem durante o dia.

Enquanto os pacientes de hoje estão, sem dúvidas, pagando mais por cuidados médicos, cada vez menos esse dinheiro vai para quem presta cuidados. De acordo com um artigo de 2002 na revista Academic Medicine, o retorno sobre o investimento educacional para médicos de cuidados primários, ajustado por diferenças no número de horas trabalhadas, é pouco menos de US$ 6 por hora, em comparação com US$ 11 para advogados. Alguns médicos estão limitando suas práticas para pacientes que podem pagar do próprio bolso, sem o desconto das empresas de seguros.

Outra fonte de problemas da nossa profissão, incluem uma burocracia labiríntica do pagador. Médicos norte-americanos gastam quase uma hora por dia, em média, e US$83.000/ano - quatro vezes mais que seus colegas canadenses – para lidar com a papelada das empresas de seguros. Os funcionários de seus consultórios passam mais de sete horas por dia no trabalho. E não se esqueça do medo de processos judiciais; “prêmios” de má prática; e, finalmente, a perda de autonomia profissional que tem levado muitos médicos a se ver como peões em uma batalha entre as seguradoras e o governo.

O crescente descontentamento tem consequências graves para os pacientes. Um deles é a ameaça da falta de médicos, principalmente na atenção básica, que tem o menor reembolso de todas as especialidades médicas e, provavelmente, tem os profissionais mais insatisfeitos. Tente marcar um horário com o seu médico de família; em algumas partes do país, é quase impossível. O envelhecimento dos baby boomers estão começando a exigir mais cuidados, assim como o envelhecimento dos baby boomers médicos, que estão se preparando para a aposentadoria. O país vai precisar de novos médicos, especialmente os geriatras e outros médicos de atenção primária, para cuidar desses pacientes. Mas o interesse na atenção primária está mais baixo que nunca.

Talvez a desvantagem mais grave, porém, é o que os médicos infelizes fazem para os pacientes insatisfeitos. Os pacientes de hoje estão cada vez mais desencantados com um sistema médico que é muitas vezes indiferente às suas necessidades. As pessoas costumavam falar sobre "o meu médico." Agora, em um determinado ano, os pacientes do Medicare vê, em média, dois médicos de cuidados primários diferentes e cinco especialistas que trabalham em quatro práticas distintas. Para muitos de nós, é raro encontrar um médico de família que pode lembrar de nós, muito menos que nos conheça profundidade ou com qualquer significado ou relevância.

Insensibilidade nas interações médico-paciente tornou-se quase normal. Uma vez cuidei de um paciente que desenvolveu insuficiência renal depois de receber contraste para uma tomografia computadorizada. Durante as visitas, ele me lembrou de uma conversa que tivera com seu nefrologista sobre se a sua função renal, que ia ficar melhor. "O médico disse: 'O que você quer falar?' "Meu paciente me disse. "Eu disse: 'Os meus rins vão voltar?" Ele disse: "Há quanto tempo você esteve em diálise? Eu disse: 'Há alguns dias. "E então ele pensou por um momento e disse: 'Não, eu não acho que eles vão voltar. ""

Meu paciente começou a soluçar. "'Não, eu não acho que eles vão voltar." Foi o que ele disse pra mim. Só isso. "

É claro que os médicos não são os únicos profissionais que estão descontentes hoje. Muitas profissões, incluindo legislativos e professores, tornaram-se limitados por estruturas empresariais, resultando em perda de autonomia, status e respeito. Mas, como o sociólogo Paul Starr de Princeton escreveu, na maior parte do século 20, a medicina era "a exceção heróica que sustentava a tradição em declínio do profissionalismo independente." É uma exceção cujo tempo expirou.

Como podemos reverter a desilusão que é tão difundida na profissão médica? Há muitas medidas de sucesso na medicina: a renda, é claro, mas também a criação de laços com os pacientes, fazendo a diferença em suas vidas e prestar bons cuidados enquanto é responsável por gerir recursos limitados.

O desafio de lidar com o burnout médico em um nível prático é criar novos incentivos para fomentar o seu significado na sociedade: divulgação excelência clínica, por exemplo (relatórios públicos de "taxas de mortalidade ou taxas de readmissão é um bom primeiro passo para médicos cirurgiões), ou dando recompensas pela satisfação dos pacientes (médicos no meu hospital agora recebem relatórios trimestrais que nos dizem que notas nossos pacientes nos dão, baseadas na qualidade da comunicação e da quantidade de tempo que passamos om eles).

Precisamos também de substituir o atual sistema de fee-for-service, por métodos de pagamento como pagamento por pacote, em que os médicos com um caso, recebem um pacote para dividir entre si, ou pay-for-performance, que oferece incentivos para que os bons resultados de saúde. Precisamos de sistemas que não basta recompensar o cuidado de alto volume, mas também ajudar a restaurar o humanismo na relação médico-paciente que foram enfraquecidos por considerações comerciais, diretrizes corporativas e invasões de terceiros.

Entenda mais sobre os tipos de remuneração.

Eu acredito que a maioria dos médicos ainda quererem ser como os Cavaleiros da idade de ouro da medicina. A maioria de nós entrou na medicina para ajudar as pessoas. Queremos praticar a medicina no caminho certo, mas muitas forças hoje estão nos impulsionando para fora da cadeira. Ninguém faz medicina para fazer testes desnecessários, mas esse tipo de comportamento é galopante. O sistema americano parece muitas vezes promover a desonestidade entre os Cavaleiros.

Plenitude na medicina, como em qualquer empreendimento, é o gerenciamento de esperanças. Provavelmente o grupo mais bem equipados para lidar com as mudanças que estão acabando com a profissão hoje, são os estudantes de medicina, que ainda não tiveram suas esperanças bombardeadas. Médicos de meia-idade profissional estão tendo um momento mais difícil.

No final, o problema é de resiliência. Médicos americanos precisam de uma bússola interna para navegar no cenário de mudanças da nossa profissão. Para a maioria dos médicos, este compasso começa e termina com os seus pacientes. Nas pesquisas, a maioria dos médicos - mesmo os insatisfeitos – dizem que a melhor parte do seu trabalho é cuidar de pessoas. Eu acredito que esta é a chave para lidar com as tensões da medicina contemporânea: identificar o que é importante para você, o que você acredita e o que você vai lutar. As escolas de medicina e programas de residência podem ajudar a incutir profissionalismo logo no início e avaliá-lo com freqüência ao longo dos muitos anos de treinamento. Apresentando os alunos a mentores virtuosos e opções de carreira alternativas, como o trabalho em tempo parcial, também podem ajudar a conter alguns dos casos de burnout.

O que é mais importante para mim, como médico, eu aprendi, são os momentos humanos. Medicina é sobre como cuidar de pessoas em seus estados mais vulneráveis ​​e tornando-se um pouco vulnerável no processo. Esses momentos humanos são o que os outros - advogados, banqueiros invejam em nossa profissão, e nenhuma empresa, nenhuma agência, nenhuma entidade pode tirar isso de nós. Em última análise, esta é a melhor esperança para a salvação da nossa profissão.

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Não acredito que poderia escrever um texto melhor que o de Jauhar, pois não tive toda a vivencia profissional que ele, porém a degradação da medicina e outras áreas da saúde, é nítida.

Embora o texto contenha dados sobre a saúde americana, e o médico americano, acredito que esse seja um problema global. Nas oportunidades que tive de trabalhar em hospitais, principalmente no pronto-socorro, notei essas mudanças. O paciente precisa de suporte, de empatia, de compaixão, e apesar de muitos médicos acharem que não precisam disso, podem precisar até mais que o próprio paciente.

Um dos motivos que me levou a empreender, abraçar a tecnologia e entrar no mundo dos negócios na saúde foi justamente a missão de ajudar pacientes a ter melhores resultados e dar maior poder aos médicos.

A proximidade que temos com alunos de medicina, principalmente, também mostra uma desilusão que começa a afetar também nossos futuros médicos, o que é péssimo.

O texto é um chamado para os médicos e profissionais de saúde que acompanham o Empreender Saúde, e um aviso/pedido aos gestores do setor, para nunca deixarem de ver o lado humano da saúde, e buscarem sempre manter a humanização em pauta na hora de “fechar a conta”.

E você? Qual sua opinião sobre isso?