As empresas do setor de saúde, sejam elas públicas ou privadas, são organismos vivos, com dados não estruturados e informações inconsistentes em circulação. Basta pensar no dia a dia de um hospital, que é capaz de gerar dados envolvendo tantos públicos como planos de saúde, setor de medicamentos (indústria), dados de cadastramento de consultas, exames, resultados, permissões, segurança e burocracias regulatórias, sem falar das informações sobre leitos, enfermagem, alimentação, limpeza e, claro, registros brutos e acumulados de médicos e pacientes. Além disso, é também na emergência dos hospitais que muitas decisões críticas são tomadas. Quase não há tempo para preencher as informações, mas não podem faltar dados mínimos sobre o paciente.

Esse volume de dados armazenados precisa ser gerenciado e governado de maneira adequada para a sustentabilidade da organização a longo prazo. Muitas vezes esquecemos que um hospital, laboratório, clínica, operadora de saúde, continuam sendo uma empresa. Ou seja, essa empresa gera gastos, tem folha de pagamento, precisa ter receita e gerar lucratividade, além de boa reputação e entrega de serviço de qualidade à população. Não foge dessa regra, ainda, o uso da governança de dados brutos e nativos, ou estruturados.

Neste sentido, nasce o conceito de data lake que, nada mais é que o armazenamento de um grande e variado volume de dados, tendo como origem diversas fontes de captura. Os dados presentes nesses repositórios podem ser estruturados, semiestruturados ou nada estruturados, cuja principal diretriz é a governança no armazenamento de dados brutos ou seja, que ainda não foram processados e analisados para serem utilizados no presente ou no futuro.

A governança de dados brutos, em repositórios, possibilita que as empresas de saúde consultem e selecionem, de maneira estratégica, as informações que irão atender clientes, e parceiros de negócio, além de executar o tão idealizado intercâmbio/troca de informações entre as organizações do setor, agregando mais inteligência em toda a esteira de processos.

Data lake: o uso de maneira prática 

Pensemos em uma operadora de saúde, que normalmente tem dados digitalizados de seus beneficiários. Esses estão presentes em documentos e planilhas, chegam por redes sociais, são capturados por meio do site, são coletados por meio de sensores em espaços físicos e protocolados em canais de atendimento e autoatendimento, para citar, apenas, alguns exemplos. Esse é o banco de dados da operadora, mas ele está espalhado em suas fontes de captura e armazenamento inicial. 

Contudo, o chief medical officer (CMO) da operadora decide atribuir uma série de finalidades aos dados, a fim de gerar análises e insights sobre como os pacientes estão sendo atendidos pela rede, a recorrência de consultas, quais as especialidades mais procuradas e exames feitos. Esse mesmo CMO quer mensurar os custos operacionais gerados na rede. Uma tarefa gigante dependendo da operadora e do volume de dados extraídos.