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Como a impressão 3D tem sido utilizada na reabilitação

TAG: Destaques
Felipe Neves - co-fundador e CEO da Fix it

Os materiais mais comumente utilizados para imobilização em reabilitação são o gesso e o Neoprene. A Fix it, startup potiguar, aposta na mudança deste cenário. Com soluções ortopédicas feitas de plástico termomoldável e biodegradável, a marca se mudou para São Paulo em 2017, após serem acelerados pela ACE.

O filamento utilizado na impressão 3D é o PLA, ácido polilático, que é derivado do bagaço de cana-de-açúcar, de beterraba ou de milho. Isto é, provém de fonte renovável e é biodegradável. “Pra você ter noção, se colocar em uma composteira, o material vira adubo em até 45 dias. Ele deixa de existir em 45 dias!”, explica Felipe Neves, fisioterapeuta e CEO da Fix it.

O gesso é um poluidor do meio ambiente tanto em sua extração como em sua manufatura. E não provém de fonte renovável. De acordo com Felipe, os preços da Fix it são muito competitivos se considerar toda a cadeia do gesso: sua aplicação, limpeza da sujidade que forma e descarte em lixo hospitalar, pago por peso. “Nosso lema é ser democrático, trazer acessibilidade a qualquer classe”, diz o CEO.

Outra vantagem da solução, quando comparada às talas de tecido, é a diminuição do tempo de imobilização. “Por ser uma tala que não desencadeia vontade de ser retirada, seja no banho, seja lavando uma louça, o que for, você acaba ficando mais tempo imobilizado e conservando melhor sua articulação”, esclarece Felipe. O tempo de redução pode chegar a 17%.

Ainda pretendem aprimorar o material utilizado. Querem utilizar nanotecnologia para incluir substâncias antibacterianas e até analgésicas na matéria prima. Além de substituir hoje o velcro utilizado para fixar a placa por material também biodegradável.

A marca vem trabalhando para tentar reduzir ainda mais seus preços. Hoje sua matéria prima vem do exterior, mas já estão em contato com players brasileiros. Pretendem com isso serem fornecedores para o SUS.

Os profissionais são capacitados para aplicação dos imobilizadores no paciente, chamados de Fixters pela startup. No momento, a procura pela solução se dá quando o paciente já está imobilizado. “A impressão 3D, tecnologicamente falando, não permite um rápido atendimento”, explica Felipe. A peça pode demorar até 2h para ser impressa. Mas Felipe acredita que esta situação mudará em breve. “É uma questão de tempo, a impressão 3D está caminhando a passos largos”.

O modelo de negócio anteriormente era produzir as placas e enviar aos clientes. Porém, para ganhar escala e velocidade, a Fix it decidiu por vender serviços no modelo de franquias, onde o franqueado tem como pré-requisito ser profissional da área da saúde e comprar uma impressora 3D. No atendimento ele pegará os dados e medidas do paciente, enviará à Fix it e ela retornará um arquivo online personalizado para impressão 3D no local.

Até o fim de 2020 o plano é a expansão para 70 franquias e 310 daqui 5 anos. Além dos imobilizadores, há também outras frentes sendo desenvolvidas de tecnologias assistivas e planejamentos cirúrgicos. A marca pretende ser referência na área de tecnologia e inovação na área da saúde. Não se limitando somente à imobilização articular. “A tendência é que até 2022, 53% dos serviços de saúde, segundo estudos da Unimed, vão utilizar impressão 3D de alguma forma, seja imprimindo uma imobilização, seja imprimindo uma cânula de traqueostomia”, finaliza Felipe.

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