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Nem 100% remoto, nem 100% presencial: modelo híbrido de Saúde otimiza desfecho clínico

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Para garantir sobrevida longeva e sem sequelas ao paciente, especialistas recomendam protocolos de cuidados para diagnóstico precoce, acompanhamento adequado e telemonitoramento

Com um ano recém-completado em março, a pandemia da Covid-19 acelerou em pelo menos uma década o uso da tecnologia nos sistemas de Saúde. Mas, passado o período de aprendizado da doença, vale a pena retornar cinco anos nesse avanço e estudar atentamente as inovações adotadas para avaliar quais delas são, de fato, eficientes para a melhoria do desfecho clínico.

Quem faz essa avaliação é Leandro Miranda, gerente de informática médica (CMIO) do Hospital 9 de Julho (SP). O especialista lembra que digitalização é diferente de informatização, pois a maior vantagem de informatizar é usar a informação disponível para planejar estratégias certeiras e capazes de otimizar o atendimento assistencial, especialmente para pessoas que precisam de acompanhamento constante, como portadores de doenças crônicas.

“A telessaúde e suas diversas modalidades, como teleconsulta e telemonitoramento, foi a grande responsável por deixar a Saúde mais digital em 2020. Mas, passado o período de isolamento social a que todos fomos obrigados, é hora de pensar em um modelo assistencial híbrido, em que a pessoa possa circular entre consultas presenciais e outras na tela”, reforça Miranda. Ele calcula que uma divisão ideal desse tempo seria deixar entre 50% e 60% do tratamento presencial: “A primeira consulta deve ser ao vivo para a avaliação física do paciente, mas o retorno para a apresentação de resultados de exames, por exemplo, pode ser em ambiente virtual. Sei que ainda não tratamos nem curamos ninguém à distância, mas já é possível planejar uma linha de cuidados remotos que será fundamental para a melhoria do desfecho clínico”, alerta o especialista.

Desenvolver essa linha de cuidados é de fundamental importância porque sempre que um paciente é diagnosticado com uma doença grave e crônica, o principal objetivo do tratamento é a garantia de uma sobrevida longeva e sem sequelas. Em casos assim, o desfecho clínico busca a melhoria de indicadores como bem-estar físico, emocional e psicológico. “O uso de assistentes virtuais eletrônicas por grupos de pacientes com doenças crônicas, por exemplo, fará uma diferença enorme tanto para o paciente, que se cuida melhor, quanto para o hospital, que gerencia de forma mais simples a demanda por internações”, diz Claudio Giulliano, CEO da FOLKS e líder da HIMSS Analytics Latin America, no report Melhoria de desfecho clínico, prevenção de doenças e cuidado remoto: a tríade da tecnologia na Saúde.

Portanto, a tecnologia e a informática, juntas, podem ser um ponto de reunião das informações desse paciente. A partir daí ele poderá ser acompanhado e monitorado de perto por um profissional de Saúde, que pode ser o enfermeiro-navegador. "Enquanto o médico é o gestor das linhas de cuidado, determinando e acompanhando as regras do tratamento, a presença do navegador vai otimizar o processo, pois ao acompanhar o paciente de perto, ele impede a ‘fuga’ do tratamento”, descreve Miranda.

O especialista destaca ainda que, nessa otimização de desfecho clínico, todos os sistemas de Saúde precisam estar integrados para criar indicadores factíveis para o paciente, sempre seguindo uma ordem de conduta importante: diagnóstico precoce e correto; acompanhamento adequado; monitoramento - que pode ser um telemonitoramento - para, ao final, otimizar o desfecho clínico.

Considerando os importantes tópicos de acompanhamento adequado do paciente e integração dos cuidados e sistemas, também destaca-se a importância da enfermagem. Há exemplos de projetos que visam o uso da tecnologia para que a equipe assistencial possa focar seu tempo nos temas que fazem parte de seu rol de conhecimento técnico. É o caso do Virtual Nurse, cuja ideia é implantar canais digitais durante a internação que permitam ao paciente ou ao seu acompanhante a solicitação e gestão do retorno de temas “não assistenciais”, tais como: pedir um cobertor ou copo d’água, saber o horário de visita ou encontrar o controle remoto. Assim, evita-se o acionamento do botão para chamar a enfermagem por motivos que não estejam relacionados com a saúde do paciente. “Isso possibilita que esses colaboradores mantenham o foco, qualificando o processo e otimizando recursos, além de trazer impactos positivos tanto quantitativos quanto qualitativos”, explica Katia Galvane, diretora para healthcare da everis/Ntt Data Brasil.

Acompanhar o paciente do começo ao fim do tratamento, sempre pensando em sua própria segurança, é o objetivo maior dos novos protocolos de cuidados assistenciais para melhoria de desfechos clínicos criados por consórcios internacionais como o ICHOM, International Consortium for Health Outcomes Measurement. E, apesar de existir uma linha-mestra de conduta, o modelo ideal é cada vez mais customizado a partir das informações colhidas de cada paciente. “A informática tem um papel de destaque na coleta dessas informações pelo Protocolo Eletrônico do Paciente, o PEP, pois esses dados é que serão os grandes responsáveis para que os sistemas de Saúde possam capacitar seus profissionais a prestar a melhor assistência, seja ela presencial ou remota”, conclui Miranda.

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