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O risco das sanções comerciais internacionais por conta do preconceito sanitário

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Novo Normal Pós Pandemia Misturado com Recessão Econômica Mundial Poderá Prejudicar o Brasil

Fonte: Geografia Econômica da Saúde no Brasil

Utilizando a figura para fazer analogia entre o risco pós pandemia e a febre aftosa em rebanhos:

·         Organizações internacionais classificam as regiões em todo o mundo de acordo com critérios que sinalizam a segurança que o comprador de carne bovina necessita em relação à contaminação;

·         O mapa já ilustra que o critério regional é muito discutível, porque as fazendas não são tão “federalizadas” como é a organização geopolítica – nas regiões de fronteiras não é o fato de atravessar um córrego que determina a sua competência sanitária.

Um critério técnico, misturado com interesses comerciais, gera implicações:

·         Um país pode comprar carne de um estado brasileiro e não comprar de outro;

·         A articulação do agronegócio para que um evento pontual não destrua o selo de qualidade de um estado inteiro exige enorme esforço dos produtores, governo ...;

·         Imagine se o país maior importador verificar que o maior estado produtor de gado estiver fora do critério de segurança ... o prejuízo para o agronegócio é imensurável !

O mais interessante:

·         O fato de não haver certificação de vacinação não implica em que o gado esteja contaminado;

·         O critério não impede a ação do comprador ... se ele quiser, fica por sua conta e risco;

·         Ou seja, como em várias situações, algo definido tecnicamente pela ciência pode ser tratado de forma diferente, dependendo do interesse econômico.

Começando a introduzir a discussão em relação ao COVID-19, estamos anos-luz de distância do que deveríamos estar fazendo para mitigar um risco que, caso se materialize, trará consequências desastrosas para a recuperação econômica do Brasil:

·         Nem é necessário lembrar que entre o que o governo federal pensa e está fazendo, e o que os estados pensam e estão fazendo existe uma enorme diferença;

·         Mas é necessário lembrar que mesmo dentro de um único estado as prefeituras estão fazendo uma grande lambança: uma fecha o comercio, outra não ... em uma é obrigatório usar máscara, em outra não ... em uma o transporte coletivo tem regras rígidas, em outra não ... tem até prefeitura definindo protocolo de uso de medicamento não recomendado por organizações internacionais, e pela secretaria de estado da saúde;

·         Em regiões metropolitanas temos uma cidade praticamente dentro da outra (São Caetano do Sul e São Paulo, por exemplo) com regras diferentes de enfrentamento da pandemia !!!

Todos já estão se acostumando a ver gráficos assim:

·         Definem regiões onde o isolamento social é maior ou menor ... amarelinho, bom ... vermelhinho, ruim;

·         E todos já devem ter concluído que os critérios de coloração são absolutamente políticos, por pressão de grupos econômicos;

·         Estão tão longe de serem técnicos que vemos a mídia gastando mais tempo em distorções do que em previsão do tempo;

·         Sistematicamente denunciando que em locais onde o pico da doença está começando agora, o governo local, com base em uma “fórmula tabajara que nem o Einstein conseguiria entender”, está resolvendo flexibilizar as medidas de isolamento !

Já estamos presenciando stress entre países europeus:

·         Alguns estão começando a abrir fronteiras, mas com restrição a determinados países do bloco que “não se comportaram bem”;

·         O gráfico ilustra (apenas uma mera simulação sem respaldo técnico) o que vamos começar a ver na Europa;

·         Países que não adotaram isolamento social (ex: Suécia), ou adotaram o isolamento tardiamente (RU), países que nem tabulam dados sobre a doença e o mandatário se apresenta como se nada estivesse acontecendo (Ucrânia) ... estes países sofrerão discriminações “de imagem sanitária” por parte dos demais;

·         Países que adotaram atitudes exemplares de enfrentamento (Alemanha, Portugal, Suíça ...) não terão este problema no “novo normal”.

Em breve seremos bombardeados com mapas deste tipo classificando países de todo o mundo em relação ao risco sanitário ... até que uma vacina exista ... e que ela seja eficaz para as eventuais mutações do vírus que ainda não sabemos se existem.

Mapas que vão orientar:

·         Um estrangeiro a se aventurar no país para fazer negócios, ou para visitar (turismo);

·         Um governo, ou empresa, adquirir produtos com risco de estarem infectados;

·         Definição de rotas internacionais (portos, aeroportos, estradas intercontinentais ...);

·         Investir em negócios em um país no qual a doença ainda tem uma sobrevida maior ... o risco de investir em qualificação de uma mão de obra que irá a óbito.

Sob esta visão, infelizmente, o Brasil está com uma das piores “imagens sanitárias” entre todos os países do mundo – basta ver os sites dos jornais de todo o mundo para ver como o Brasil está sendo “esculachado”:

·         Mesmo aqui na América do Sul, um dos continentes mais atrasados do mundo, estamos “mal na fita”;

·         Nossos vizinhos, com muito menos recursos que nós, estão cuidando da sua imagem muito melhor que nós;

·         Diferente da febre aftosa, é pouco provável que os mapas de riscos para o resto do mundo considerem estados da federação ... somos vistos “como um só corpo” ... pouco importa se estão prendendo gente sem máscara no Sul e deixando pessoas fazerem festa no Centro Oeste ... pouco importa a relação per capita ... a imagem internacional é do Brasil e não dos pedacinhos dele.

O problema maior é que como estamos iniciando uma forte recessão mundial, vamos ter que lidar com algo que não poderemos reverter:

·         Grupos de interesses comerciais de todos os países do mundo vão se utilizar de todos os recursos possíveis para proteger seus negócios;

·         Em meio a uma repressão ... fome ... miséria ... vai valer tudo.

Então, por exemplo:

·         Poderá a “indústria do turismo” Europeia induzir os europeus a refletirem se devem conhecer o litoral de Portugal, país exemplo de enfrentamento COVID-19, ou se devem “vir pegar uma praia no Brasil” onde as pessoas estão morrendo sem diagnóstico confirmado, o isolamento social não é campanha do governo central e as pessoas nem usam máscaras porque acham exagero;

·         Poderão os países importadores de carne bovina dar preferência ao gado Argentino, país pintado de amarelo, do que o Brasileira, país pintado de vermelho;

·         Poderão investidores preferir montar uma indústria no Paraguai, pintado de amarelo, do que no Brasil.

Vamos assistir acirradas disputas comerciais, tendo como pano de fundo a questão sanitária – exemplo:

·         Vimos os Estados Unidos abrir frente comercial contra a China há alguns anos atrás e depois um “entendimento” quando os interesses se alinharam;

·         No início da pandemia uma nova crise, e depois de alinhada a questão do fornecimento dos suprimentos (máscaras, respiradores), um “entendimento”;

·         Agora nova crise em relação à origem do vírus e a transparência de informações sobre infectados.

Culpar a China pelo COVID-19 não é uma discussão técnica ... se fosse:

·         Se existe um país que pôde enfrentar a pandemia da melhor maneira possível no mundo, evidentemente este país é a China;

·         O fabricante mundial dos equipamentos e insumos não teve problemas para se equipar contra o vírus ... é muito esperado que haja um número infinitamente menor de óbitos nos países que conseguiram se equipar melhor;

·         E os orientais (todos eles) diferentes dos ocidentais são disciplinados em relação às determinações do governo, e muito mais respeitosos em relação aos próximos ... é uma questão tradicional de educação e cultura ... só quem conviveu muito com eles pode entender (tive esta sorte);

·         É evidente que os resultados de ações sanitárias na China, Japão, Coréia ... tendem a ser muito melhores do que em países onde pessoas sem qualquer formação em saúde opinam sobre o que não sabem, e se rebelam contra as ações de enfrentamento à pandemia !!!

A briga EUA x China serve de exemplo para o que pode acontecer com o Brasil no “novo normal pós pandemia”:

·         Certamente alguns países se utilização da “imagem sanitária brasileira” como argumento para resolver diferenças políticas, ideológicas e comerciais;

·         Praticarão políticas protecionistas da sua economia para descumprir contratos, justificar para a população maior gasto no mercado local do que em importações com o Brasil ...;

·         E a história comprova que não vai adiantar recorrer à OMC – no mundo dos negócios “manda quem pode e obedece quem tem juízo” ... sempre foi assim !

Claro que tudo isso pode ser apenas uma previsão pessimista ... vamos então ser otimistas: nada disso vai acontecer, e quando acabar a pandemia “todo mundo vai ajudar todo mundo” ... os países desenvolvidos terão compaixão com o Brasil ... os Estados Unidos vão dividir os investimentos entre a recuperação do próprio país e o resto do mundo, especialmente os das Américas Central e do Sul por quem historicamente sempre tiveram muito apreço ... os produtores do agronegócio europeu voluntariamente vão se sacrificar por um período de tempo para ajudar nosso agronegócio a não entrar em colapso a ponto de fabricarem menos vinho para consumir os do sul do nosso país !!!

Ou entender que o risco é real, e neste cenário de “nenhuma preocupação” com a imagem sanitária do Brasil para o mundo por parte do governo, nos prepararmos para uma “grande  emoção” !

TAG: Mercado