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Uma gota no oceano de inovação

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Em um mundo que gira movido pela força da internet é comum pensarmos em virtualmente todas as coisas que fazemos acontecendo com a mesma simplicidade com que realizamos um download.

Se alguma coisa ainda não funciona assim, de forma rápida, barata e sem fricção é porque nenhuma startup até o momento decidiu "quebrar as coisas"!

É simples...

Se podemos frequentar locais imaginários usando óculos de realidade virtual, conectar todas as coisas através de sensores invisíveis e terceirizar nossa capacidade de raciocínio para robôs...porque não podemos fazer exames a partir de uma única gota de sangue e obter diagnósticos sobre as mais variadas condições de saúde em poucos minutos?

Isso não seria o mínimo esperado num mundo onde já é possível até viajar em foguetes para outros planetas?

Tenho quase certeza de que essa é a pergunta mais ouvida por gestores de inovação de laboratórios, não apenas do Brasil, mas de todo o mundo principalmente depois que o caso Theranos ganhou popularidade de forma tão surpreendente.

É o tipo de situação onde a falta de conhecimento prévio de quem pergunta é tão grande que uma resposta convincente nos obriga a voltar tantas páginas que parece que se está buscando uma justificativa ao invés de oferecer uma resposta.

Em primeiro lugar é preciso esclarecer que o organismo humano é uma obra infinitamente mais complexa que qualquer software, rede ou dispositivo de próxima geração. E por causa dessa complexidade gigantesca, no mundo das análises clínicas existe uma enorme variedade de especialidades, técnicas e tipos de amostras que se combinam, recombinam e reagem a fim de que se produzam diagnósticos para as mais diversas e graves situações de saúde.

A bioquímica é uma delas.

Através da coleta de amostras de urina, suco gástrico, liquor e sangue (em geral venoso e em quantidade suficiente para que seja centrifugado a fim de que se possa separar plasma, heritrócetos e leocócitos) é possível analisar alguns parâmetros mais comuns como Colesterol, Triglicerides, Creatinina e Glicose.

É aqui que reside a quase totalidade daqueles exames realizados a partir da coleta de uma pequena gota de sangue que é tirada da ponta dos nossos dedos. Eles medem cerca de duas dezenas de parâmetros biológicos, enquanto o corpo humano guarda algumas centenas...

Obviamente que - sim! - eles atendem uma demanda imediata, pontual, de forma muito barata, rápida e sem fricção.

Mas como comentei acima, existem muitas outras especialidades dentro de um laboratório de análises clínicas que visam outros objetivos cruciais como a detecção de anticorpos, alterações genéticas, suscetibilidade a doenças, eficácia de tratamentos etc.

São objetivos e análises realizadas por profissionais e setores altamente especializados como Hematologia, Parasitologia, Biologia Molecular, Infectologia e Microbiologia dentre outros.

Os quais por sua vez lançam mão de técnicas tão variadas quanto a separação eletroforética, dispersão de luz, aplicação de marcadores fluorescentes, marcadores radioativos e enzimáticos, sequenciamento genético, hibridização in situ dentre tantos e tantos outros.

Dito isso, é simplesmente impossível que se obtenha a enorme maioria de diagnósticos críticos para a saúde das pessoas a partir de uma gota de sangue.

Logo, acreditar que alguns testes obtidos a partir dessa mesma gota irão colocar o mercado de medicina diagnóstica de ponta cabeça é algo tão plausível quanto acreditar que o Miojo irá revolucionar toda a indústria de alimentos ao redor do planeta, pelo fato de ser uma opção mais rápida e barata.

Por outro lado, existem tantas outras inovações incríveis acontecendo no setor de diagnósticos sob a forma de sequenciamento genético de próxima geração, biópsia liquida, construção de diagnósticos preditivos, liberação de laudos por IA, dentre tantas e tantas outras iniciativas, que é curioso a forma como os fãs da inovação colocam holofotes nessa ainda improvável grande disrupção...

Ao invés de se fixarem apenas nessa gota de esperança, poderiam mergulhar no mar de inovações radicais que já estão trazendo esperança para a saúde de milhões de pacientes e que prometem um futuro ainda mais revolucionário para o vasto, complexo e apaixonante mundo da medicina diagnóstica.

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