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COVID: rede D’Or registrou taxas de mortalidade menores que as de países europeus

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Estudo publicado na revista britânica Nature, um dos periódicos científicos mais importantes do mundo, registra que mortalidade por covid em hospitais da Rede D’Or foi bem menor do que a taxa nacional e de países da Europa. De acordo com os dados contabilizados de março de 2020 a março de 2021, de 38.937 pacientes com covid hospitalizados, 3.058 (7,8%) não superaram a doença. Taxa bem menor do que os índices registrados no Brasil de uma forma geral, que variam de 30% a 47,3%. Na Alemanha e no Reino Unido, há relatos de taxa de mortalidade de 22% e 39%, respectivamente.

Segundo a diretora de Qualidade Assistencial da Rede D’Or, Helidea de Oliveira Lima, entre os fatores que explicam o resultado apontado no estudo estão a troca de conhecimento, o compartilhamento de práticas, equipamentos e até de recursos humanos. “O fato de trabalharmos em rede permitiu essa troca constante, o que favoreceu a forma de enfrentarmos a pandemia”, afirma. Essa sintonia também foi fortalecida por um planejamento iniciado ainda em dezembro de 2019, quando as notícias da China davam indícios de que uma pandemia estava por vir. Helidea relata que foi montado um comitê de crise, que projetou o enfrentamento de cenários prováveis. “Isso nos permitiu entender a necessidade de mudanças constantes e ações rápidas com as novas descobertas que ocorriam à medida que se conheceu mais o vírus”, destaca.

Com o planejamento, houve a integração de todos os hospitais com grupos específicos para enfrentamento da crise, considerando necessidades como compra de insumos, expansão de leitos, recrutamento e adequação do quadro funcional de acordo com demanda e disponibilidade de equipamentos médicos. As condutas elaboradas pelo comitê de crise também auxiliaram a padronizar as práticas baseadas na melhor evidência de maneira uniforme para todos os hospitais. “A integração dos hospitais permite que o conhecimento seja compartilhado de forma muito rápida”, ressalta a diretora, que cita como exemplo o aprendizado que houve com a análise de casos e que era repassado às unidades. “Assim foi possível, por exemplo, estabelecer um padrão no uso da ventilação mecânica, bem como da prática da entubação”, relembra.

Idade e comorbidades aumentam risco de morte

O estudo também foi o primeiro a examinar a mortalidade intra-hospitalar e os fatores de risco associados em um número relevante de pacientes com covid atendidos exclusivamente em hospitais privados brasileiros. “Identificar fatores de risco é de relevante importância do ponto de vista da saúde pública, pois permite que os governos, bem como o setor privado adaptem as ações de acordo com o perfil de risco da população local”, destaca o vice-presidente médico da Rede D’Or, Leandro Reis.

O estudo observa que idades avançadas estão entre os principais fatores de risco. Entre os pacientes com mais de 81 anos, 33% morreram. Índice 15 vezes superior aos pacientes de 41 e 51 anos, por exemplo. Uma boa notícia é de que nada indica que o sexo da pessoa influa no desfecho do caso. Porém, quando se observa a presença de comorbidades entre os pacientes que precisaram ser internados, a taxa de morte mais do que dobra entre aqueles com pelo menos duas doenças crônicas (10,3%), em comparação com quem apresentava apenas uma enfermidade (4,7%). 

Além disso, condições como obesidade e hipertensão, embora a pesquisa não estabeleça que estejam diretamente associadas ao aumento da mortalidade hospitalar, tiveram correlação positiva com a progressão da doença para cenários mais graves, como a necessidade de uso de ventilação mecânica ou de tratamento para insuficiência renal. Por outro lado, os dados analisados permitem concluir que a asma, que chegou a ser cogitada como fator de risco, não é associada à mortalidade ou progressão da gravidade da doença.

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