Foco em reorganizar a administração e preparar as pessoas para as mudanças que ocorrem no mercado, sobretudo na própria medicina. Essa é a estratégia de crescimento traçada pelo Hospital Santa Cruz, de São Paulo. Com 70 anos completados, a instituição sem fins lucrativos busca respostas para as rápidas transformações que têm ocorrido no segmento e modificado, por exemplo, o perfil das doenças de maior incidência. Para isso, o hospital procura fortalecer e mostrar a necessidade de ser ter uma visão empresarial, pois embora seja filantrópico também é uma instituição privada que precisa concorrer no mercado. “Estamos mudando o hospital. Tivemos muitos altos e baixos e estamos agora, de certa forma, numa profissionalização, elaborando programas de treinamento e educação continuada. Precisamos ser úteis à comunidade sem perder a visão empresarial”, relata o presidente do Hospital Santa Cruz, Kenji Nakiri.

No Santa Cruz, a diretoria do hospital é eleita a cada três anos, e desempenha o cargo voluntariamente. Mas como a profissionalização da gestão tornou-se ponto crucial para garantir o bom posicionamento da instituição no mercado, o primeiro passo para o projeto de reorganização do hospital é o alto investimento nos recursos humanos. “Queremos ter administradores altamente capacitados, que tragam inovação e preparem o hospital para o mercado”, enfatiza o presidente.

Um exemplo disso, foi a contratação, no ano passado, de sete novos gestores do total de 11 áreas da instituição, selecionados com a ajuda de uma consultoria especializada. O último deles vindo da indústria para criar novos processos para a instituição. “Isso é essencial para termos suporte para esse conceito de qualidade que queremos ter aqui dentro do hospital”, conta.

Outro passo importante no envolvimento de gestão de pessoas é o investimento em treinamentos e educação continuada, visando o grande objetivo do hospital, que é garantir a satisfação do cliente. “Em nosso entendimento, qualidade só pode ser mensurada do ponto de vista do cliente, e queremos enraizar essa cultura entre nossos funcionários”.  Com isso em mente, o hospital fortaleceu também a área de comunicação da instituição, que tem trabalhado tanto no posicionamento da marca da instituição no mercado, como também internamente, fazendo com que os colaboradores familiarizem-se com essa cultura. Nakiri acredita que esse entendimento tem que partir do corpo diretivo para que a satisfação do cliente seja alcançada. “Em todos hospitais isso deve ser comum em menor e maior grau. É nesse sentido que devemos treinar as pessoas, não apenas tecnicamente”, ressalta o executivo.

 Sendo um hospital geral de média complexidade, o Santa Cruz já olha para o mercado pensando num modelo assistencial mais integrado, que envolva a medicina preventiva, e futuramente, focar em áreas estratégicas para a instituição. “Não dá para ser o melhor em tudo, mas queremos ser muito bons nos serviços que prestamos”, assinala.

TECNOLOGIA E ACREDITAÇÃO

Dentro do projeto de reorganização, o Hospital Santa Cruz também tem investido em ferramentas que tornem os processos da instituição mais fluidos. No ano passado, a instituição conclui a implantação do sistema de gestão Tasy em todas as áreas do hospital. Com investimento na ordem de mais de R$ 2 milhões, a implementação gradativa da solução teve início em 2008 e foi concluído em dezembro último. “Isso permitirá melhorar nossos processos e ter mais eficiência em nossas operações”, afirma Nakiri.

Atacar os custos também faz parte da estratégia de reorganização do hospital. Com os processos implantados nas diferentes áreas, a direção do hospital espera encontrar em cada uma das áreas oportunidades de utilizar os recursos de uma forma mais produtiva. “Isso vem por meio de inovação. Não queremos cortar por cortar, mas sim, aplicar de uma forma mais inteligente”, pontua o presidente.

 Com a visão de que os hospitais precisam se diferenciar pela qualidade dos serviços que prestam e pelo pessoal, o hospital também aposta em ações para fidelizar os médicos. “Equipamentos e tecnologia todo mundo tem, o que diferencia uma instituição da outra é a forma de entregar esses serviços”, destaca.

Uma dessas ações é a melhoria do conforto médico da ala cirúrgica e dos vestiários, que recebeu investimento de R$ 500 mil. O hospital também investiu em novos equipamentos para a ala, como equipamentos para neurocirurgia, mesa radiotransparentes, e vídeo, e já estuda modernizar os aparelhos de anestesiologia. “Nossa função é garantir uma boa estrutura para que os médicos possam vir aqui e atender seus pacientes”.

A instituição também tem buscado melhorar a sua hotelaria, e já prevê obras de melhoria para o primeiro semestre.

Apostando em qualidade e em melhorias de processos, o Santa Cruz, que já tem o CQH,  pretende conquistar esse ano o selo de acreditação da ONA. O projeto já teve início e a previsão é que até o meio do ano a instituição seja avaliada. “Queremos ainda buscar os selos internacionais”, vislumbra o médico. “Esperamos conseguir esse selo ainda em 2010”, almeja.

Você tem Twitter? Então, siga http://twitter.com/SB_Web e fique por dentro das principais notícias do setor.