O Hospital e Maternidade Santa Marina, fundado há 40 anos pelo médico Nilson de Almeida, está em novas mãos. O empresário Silvio Miglio foi quem bateu o martelo após três meses de negociação pela aquisição do hospital. Localizado na zona Sul da capital paulista, a instituição foi vendida pelo montante de R$ 95 milhões, incluindo dívidas assumidas com fornecedores, salários e impostos.

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Enquanto o empresário estudava a oportunidade de adquirir o hospital outros cinco executivos mostravam interesse pela compra milionária, concluída no dia 2 de março. “Recebi a proposta de estudar a viabilidade do hospital para contratar um financiamento junto ao BNDES e acabei me interessando pelo negócio. Sempre captei recursos para grandes empresas, e o fato de trabalhar como consultor me proporciona novos conhecimentos e oportunidades”, destaca Miglio.

Para o empresário o ideal seria não apenas comprar, mas sim administrar o Santa Marina. Desta forma, além de proprietário, Miglio assumiu como novo presidente da unidade, trazendo consigo mais oito profissionais que foram empossados na área administrativa do hospital. “São pessoas que já trabalhavam comigo e me conquistaram. Tirei apenas aqueles que eu considerava de difícil acesso”.

Além de anunciar a compra e sua responsabilidade sobre as dívidas do Santa Marina, o novo presidente irá investir R$ 20 milhões na reestruturação financeira do hospital, que teve um aperto no caixa com a vinda da crise mundial. O executivo do Plano de Saúde Santa Marina, Leonardo de Almeida, ex-herdeiro da unidade, explica que foi feito um orçamento na tentativa de levantar a instituição, “mas o aperto direcionou para uma única solução”, relata. Almeida continua a fazer parte do quadro administrativo do hospital. “Como eu e os oito novos executivos não temos conhecimento em saúde, decidimos manter o Leonardo no nosso quadro”, justifica Miglio.

Entre as prioridades desta nova administração está o pagamento de todos os débitos; a continuidade das obras do Centro de Diagnóstico e do Centro Médico; além da contratação de novas equipes médicas.

O empresário, dono da BSM Consulting, empresa de assesssoria e consultoria empresarial, com 25 anos de atuação no mercado e contrato de serviço de cobrança com a Telefônica, e sócio da rede de lojas de roupa feminina Mercearia, ressalta que além dos R$ 20 milhões já citados, também serão investidos cerca de R$ 50 milhões em novos serviços, a longo e médio prazo, como por exemplo, expandir a área de nefrologia à área de doentes crônicos até chegar em transplantes; terapia celular e oncologia clínica e cirúrgica.

“Iremos dividir o hospital em duas empresas: médica e administrativa. Eu sou empresário e o meu objetivo é maximizar lucros”, destaca Miglio, ao comentar que o seu maior desafio na área da saúde será lidar diretamente com os médicos, que “são pessoas altamente inteligentes”.

Para o diretor comercial, Luiz Aurino Terroso Freitas, o fato de o Hospital Santa Marina ter sido adquirido por alguém que não esteja ligado a operadoras de saúde é muito positivo. “A preservação dos hospitais independentes é extremamente importante. E além da preservação, sob o ponto de vista do mercado, também é muito positivo”, conclui.

Freitas, juntamente com o empresário, acredita que o hospital tem todas as condições de desenvolver um programa de qualidade e estar dentre os três melhores hospitais particulares da capital paulista, junto com o Hospital São Luis e Hospital Nove de Julho. “Nós poderemos partir para a busca de acreditação já no segundo semestre deste ano”, afirma o diretor técnico, Ângelo Badia Neto.

Outro projeto está relacionado com o plano de saúde Santa Marina, que atualmente conta com uma carteira de 13 mil vidas associadas. O objetivo é chegar a 50 mil até o final de 2009.

Hoje, o hospital conta com 64 convênios ativos e, após a confirmação da compra, cerca de outras 30 operadoras entraram em contato com a nova administração. “Isso nos proporciona muita segurança”, diz Miglio. Com isso, projetos de ampliação, como o da maternidade, começam a ser desenhados. “Ampliaremos a maternidade com atendimento para gestação de alto risco e tratamento intra-uterino. Queremos chegar a 600 partos/mês”.

Entre os planos para o final do primeiro semestre de 2009, o Santa Marina inclui a aquisição de um helicóptero-ambulância e cadastro junto ao SUS para a área de transplantes cardíacos, rins e medula.