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Saúde “como serviço” é a próxima fronteira da digitalização do setor

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Tiago Delgado é sócio-fundador da Medicina Direta, empresa especializada em gestão e serviços digitais para clínicas e consultórios

O conceito as a service está em diferentes atividades do nosso dia a dia. No lazer com serviços de streaming, nos aplicativos de transporte e de delivery e até nos sistemas corporativos, hoje é possível fazer praticamente de tudo por meio da Internet e dos canais digitais. Até mesmo uma consulta médica. A digitalização às pressas no início da pandemia de covid-19 fez a telemedicina ganhar um espaço considerável no Brasil.

A questão é que após dois anos e meio convivendo com essas novas possibilidades, essa realidade tornou-se praticamente irreversível. Fazer consultas on-line, receber receitas digitais e encaminhar exames por meio de plataformas na web viraram ações rotineiras para a maioria das pessoas. Não é exagero dizer que estamos caminhando para uma era de “saúde como serviço” – estando preparados para ela ou não.

Não faltam pesquisas que comprovam esse movimento de aceleração digital no setor de saúde. Um levantamento da Deloitte, por exemplo, mostra que só em 2021 foram realizadas mais de 400 milhões de atendimentos por telemedicina em todo o mundo.

Aqui no Brasil, o uso dos sistemas eletrônicos para registro de dados dos pacientes cresceu seis pontos percentuais entre 2019 e 2021, passando de 82% para 88% entre os estabelecimentos médicos, segundo dados da pesquisa TIC Saúde, do Comitê Gestor da Internet (CGI.br). Não à toa, 84% dos executivos do setor estão investindo nesse tipo de solução, de acordo com a pesquisa Future Health Index 2021 Brasil, da Royal Philips.

Por muito tempo, médicos e organizações como hospitais e clínicas se mostravam reticentes com a inclusão de soluções tecnológicas no dia a dia do setor. Muitos profissionais evitavam até mesmo o uso do computador para agilizar a prescrição de receitas. Mas ficou evidente que se tratava de uma batalha vencida. Cedo ou tarde, as ferramentas tecnológicas ganhariam espaço justamente pelas facilidades que proporcionam aos médicos e, claro, aos pacientes.

A pandemia de covid-19 apenas acelerou essas transformações, colocando em prática diferentes alternativas, como a própria telemedicina. Ficou inviável ignorar essas ferramentas quando elas se tornaram as únicas opções para manterem as consultas e atendimentos aos pacientes. Logo, foi preciso oferecer a prestação de serviços em saúde como, onde e quando a pessoa quisesse.

Entretanto, ainda que as soluções de TI ganhem a fama por todo o avanço de transformação digital no setor de saúde, todo esse movimento só é possível a partir do avanço dos dados no dia a dia médico. Da mesma forma que o ambiente corporativo descobriu a força da análise de informações em seus processos, consultórios e hospitais perceberam que é possível coletar diferentes dados de seus pacientes e, a partir daí, ter uma visão mais completa para fazer diagnósticos e atendimentos.

A ideia da “saúde como serviço” passa justamente por essa capacidade analítica. É possível digitalizar todo o histórico médico das pessoas, permitindo que exames, receitas e prognósticos possam trafegar de um lado a outro com agilidade e segurança. Com os wearables, é possível enviar em tempo real informações básicas, como pressão arterial e batimento cardíaco. Além, é claro, de permitir que o paciente atualize suas informações.

Isso explica, portanto, porque os prontuários eletrônicos assumiram essa posição estratégica na transformação digital de consultórios e hospitais – a ponto de liderarem a busca por investimentos no setor. Se antes ela servia apenas como agendamento, hoje ela atua como um hub por condensar todos os dados mais importantes na mesma plataforma e com possibilidade de acesso rápido por atuar na nuvem e ser disponível a qualquer aparelho com internet.

O prontuário eletrônico é a ferramenta por excelência da ideia de “saúde como serviço”. Todos os dados que permitem a mobilidade do paciente, ou seja, a possibilidade de ser atendido remotamente por diferentes profissionais, se concentram neste recurso. Além disso, as melhores opções integram diferentes serviços, como acesso a conteúdos clínicos especializados, e até possuem o nível de garantia de segurança auditado pela Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS), que eleva o prontuário eletrônico para outro patamar e permite eliminar em 100% o uso do papel.

Em um mundo que se discute até mesmo as oportunidades de um ambiente digital imersivo com o Metaverso, era natural que, cedo ou tarde, o setor de saúde também passasse por uma transformação digital. Bom, esse tempo finalmente chegou e, com ele, os pacientes esperam por melhores atendimentos e experiências em suas consultas. Agora, cabe aos médicos e estabelecimentos de saúde atenderem essa demanda cada vez mais crescente e colocarem de vez o saúde as a service como uma estratégia imprescindível para todos.

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