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O sucesso da maturidade digital da Intermountain Healthcare vem da colaboração e planejamento

Crédito: Yuca furkh_sbf.jpg
Em palestra no Saúde Business Forum, o diretor médico e de serviços de tecnologia digital da instituição, Farukh Usmani, compartilhou como é feita a gestão de TI por lá

Não é incomum vermos nos eventos que acontecem no setor um cenário ideal da transformação digital ser desenhado. O cuidado centrado no paciente, onde todas as informações são conectadas, o paciente navega tranquilamente pelos serviços de saúde proprietário de seus dados, engajado no cuidado com sua saúde, os médicos não têm dificuldade alguma de acessar ou registrar os dados; e, ainda todas as informações de saúde do paciente são integradas e monitoradas, para uma rápida ação caso algo necessite ser corrigido.

No entanto, conseguir implantar tudo isso, muito mais do que recursos, tecnologia e conhecimento, exige uma mentalidade ágil, integradora e muito comprometida com um propósito, de entregar o que os pacientes precisam. Pelo menos é assim que a Intermountain Healthcare, grupo norte-americano que está entre os melhores provedores de saúde do mundo, e a primeira organização a conquistar a certificação HIMMS 7 Triple Stage, trabalha.

Em palestra na última edição do Saúde Business Forum, realizada entre os dias 30 de novembro e 03 de dezembro, na Ilha de Comandatuba (BA), Farukh Usmani, diretor médico e de serviços de tecnologia digital da instituição, enfatizou o quanto a colaboração e o planejamento entre as equipes de cuidado e de tecnologia são fundamentais para que os projetos digitais aconteçam.

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Fundada em 1975, em Salt Lake City, Utah (EUA), a Intermountain Healthcare é um serviço sem fins lucrativos e reúne 33 hospitais (sendo um deles virtual), 385 clínicas, emprega 3900 médicos, além de uma operadora com 1,2 milhão de vidas. Faturando US$ 14 bilhões, a instituição está presente em oito estados americanos por meio da telemedicina. A vocação para o digital sempre existiu, desde o início operam com um software próprio, que chegou a ser vendido para 200 hospitais pelo país, até que o negócio foi vendido em 1989 para um fornecedor.

“A tecnologia quando usada corretamente pode ser sua amiga, seu guia de cuidado, e um ponto de apoio e conexão tanto pra o médico quanto para o paciente”, apontou Usmani, reforçando que a informática é o resultado entre a interação entre as pessoas e a tecnologia, e não a substituição de um pelo outro. Na visão do executivo, a inovação acontece quando o trabalho é feito em equipe e o papel da liderança é estimular que isso aconteça.

Um exemplo de resultado dessa liderança direcionada para a colaboração e a inovação aconteceu no início da pandemia, no auge das transmissões. Com o intenso volume de pessoas apresentando sintomas da doença e precisando ser testadas, eles conseguiram utilizar a expertise digital para trazer mais agilidade ao atendimento. Por meio de protocolos, integração de dados e uso de inteligência artificial, conseguiram reduzir as etapas de atendimento entre o contato com a instituição e a entrega de resultados dos testes de 15 para 5, diminuindo o tempo de espera de duas horas para 15 minutos, e de resultado dos exames, para 24 horas, e podendo atender mais pacientes.

Além disso, a Intermountain serviu como um importante centro de informações sobre a doença, podendo rapidamente identificar os melhores protocolos e divulgar isso para o mundo todo. Tudo por conta do uso inteligente de dados, o que norteia todas as ações do grupo. “Se você tem dados, você tem muitas possibilidades”, assinala o executivo.

 

O momento de transformação digital

Diante da intensa transformação digital pela qual o setor passa, o o diretor médico da Intermountain trouxe sua visão sobre o futuro dessa transformação na saúde e apontou caminhos para se acelerar esse processo nas organizações. “É o momento de se arriscar, pensar grande. As mudanças estão acontecendo. Somos todos digitais agora e podemos fazer muito para melhorar a saúde das pessoas”, assinalou.

Sendo um caminho de solução para os desafios da saúde, como o alto e crescente custo, o digital tem o potencial de possibilitar o acesso, buscar a proximidade com o paciente em toda sua jornada, trazer mais informações sobre a saúde da população, e suporte de decisão para melhores desfechos clínicos.

Na visão do executivo, alcançar essa maturidade passa por modernização da estrutura de administração, pela busca de melhoria de performance, pelo uso de dados, pela interoperabilidade de sistemas, pelo uso do prontuário eletrônico e melhoria das práticas clínicas e da experiência do paciente.

O próximo passo da transformação digital traz habilidades e oportunidades de expandir o ecossistema de saúde; plataformas de saúde em nuvem que são inteligentes, conectadas e interoperáveis; exige estar mais aberto e mais conectado com tecnologia moderna como nunca esteve antes; oportunidades de redução de custos; e decisões inteligentes direcionadas por dados.

“Agora é o momento de ir além do básico, é hora de evitar desperdícios em termos de pessoas, processos e tecnologia; integrar o prontuário eletrônico aos softwares de gestão de capital humano, por exemplo; usar dados de todos os lugares para integrar com a saúde, planejar, e tornar isso custo efetivo, e transformar dados em ações”, assinalou.

Para tornar dados em ações, é fundamental incentivar a colaboração entre os times de saúde; melhorar os insights clínicos e operacionais, e isso inclui a interoperabilidade de sistemas; e melhorar o engajamento do paciente, aproveitar os dados e informações para trazer mais inovações.

 

Governança, gestão e aprendizado

Em sua palestra enfatizou, e em muitos momentos, a importância da liderança, da colaboração e das pessoas no processo de transformação digital. “Agora somos digitais. Mas a 

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saúde sempre foi pessoal, e o trabalho também”, ressaltou Farukh Usmani.

A Intermountain conta com uma forte estrutura de governança em TI para poder atender estrategicamente todas as áreas da instituição, contando com comitês de cada área e seus líderes reportando para o board de TI.

Além disso, ela conta com um modelo ágil de operação com um sistema de gestão diário para criar alinhamento, clareza e senso de responsabilidade dentro da organização. O modelo conta com um framework que ajuda no gerenciamento do trabalho, na identificação e sustentação dos ganhos e na implantação de melhores práticas, criando, assim, uma cultura de melhoria contínua em toda organização.

Dentro desse modelo, a cultura do aprendizado também é fortalecido. Em todas as ocorrências dentro da organização, o que se busca é o aprendizado das situações e como melhorá-las. Estar atento a escutar e aprender é um dos pilares da liderança dentro da organização. “Aqui todas as reclamações são transformadas em ideias, e a partir delas, inovações acontecem. Daí a importância da escuta, e de criar a conexão com as pessoas”, reforça o executivo.

Outro ponto na gestão da TI na Intermountain é o trabalho minucioso para se compreender as demandas antes de propor soluções. “Nas áreas de TI das empresas é comum as pessoas terem pressa para concluírem os projetos, o que gera retrabalho e mais custo. Aqui a gente tem a filosofia de ir devagar para ir rápido. Quando você leva mais tempo estudando a solução e analisando, costuma ser mais assertivo”, explica.

 

A relação com o paciente

“Os pacientes querem cada vez mais o mesmo tipo de interação que têm com Amazon, com Google, e precisamos buscar melhorar sempre essa experiência”, conta.

Com isso em mente, eles desenvolveram um aplicativo, o MyHealth, em que o paciente tem centralizado num mesmo lugar a possibilidade de agendar consultas, acessar seus dados de saúde, pagar a conta dos serviços pelo app, ter acesso às prescrições médicas e ao histórico de consultas, receber alertas de promoção à saúde e ainda pode fazer uma estimativa dos seus custos com o tratamento e atendimento.   

A organização ainda utiliza dados e métricas onde monitora toda a jornada do paciente, criando pontos de contato para ouvi-lo e a partir disso, criar melhorias.  

 

Inovações

De tudo que foi apresentado, dos monitoramentos que são feitos e trazem melhorias para a atenção à saúde da população e eficiência operacional, duas inovações chamaram a atenção.  O primeiro deles é hospital virtual em que 300 leitos de cuidados críticos são monitorados a distância. O projeto foi lançado em 2020 e expandido em maio do ano passado.

O monitoramento virtual de leitos atende 12 hospitais espalhados por Utah, e algumas clínicas. E o monitoramento é feito por médicos ou por enfermeiros, dependendo da gravidade do caso. Essa solução atende pacientes que precisam de cuidados específicos, que precisariam ser transferidos para hospitais de referência da rede. A redução de custos em relação aos leitos físicos é de 30%.

Outra inovação de destaque são os drones que entregam medicamentos aos pacientes, lançando-os com pequenos paraquedas nos quintais dos usuários. O programa foi lançado em outubro deste ano, em parceria com a Zipline, empresa de entrega automatizada, e por ora atende a área de South Lake Valley. As entregas podem ser feitas num raio de 80 quilômetros dos centros de distribuição. Nos próximos cinco anos, o projeto deve ser estendido para todo o estado de Utah.

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