A Rede Mater Dei de Saúde passa a testar um novo modelo para ampliar o acesso ao atendimento privado — e, ao mesmo tempo, destravar receita. A estratégia inclui a oferta estruturada de financiamento ao paciente, já em operação desde março nas unidades de Minas Gerais, em parceria com a Inklo.

Na largada, a iniciativa contempla maternidade, cirurgias robóticas e tratamento de varizes. Mas o plano é escalar rapidamente para outras frentes assistenciais, incluindo cirurgias plásticas — um indicativo claro de foco em procedimentos eletivos e de maior margem.

Mais do que facilitar o pagamento para o paciente, o movimento ataca um dos principais gargalos da gestão hospitalar: a perda de demanda no canal particular por restrição financeira. Ao integrar uma solução de crédito à jornada assistencial (com análise e aprovação), a rede cria um caminho para converter pacientes que, até então, adiavam ou abandonavam o procedimento.

Na prática, o paciente simula, contrata e organiza o pagamento dentro do próprio fluxo hospitalar, via plataforma digital da fintech. Para o hospital, isso significa menos fricção no momento decisório — e, potencialmente, mais previsibilidade de receita e aumento do ticket privado.

“O objetivo é reduzir barreiras e ampliar o acesso a procedimentos de maior complexidade, mantendo a qualidade assistencial”, afirma José Henrique Salvador, CEO da Rede.

Receita destravada e novo perfil de paciente

A lógica da iniciativa é transformar demanda reprimida em produção assistencial. Ao incorporar uma solução estruturada de parcelamento — inclusive via boleto, sem comprometer o limite do cartão —, a Rede Mater Dei de Saúde amplia o acesso ao crédito para um público que, muitas vezes, não encontra alternativas viáveis no modelo tradicional.

Para o gestor, o ganho vai além da captação. Há impacto potencial na ocupação de centros cirúrgicos, na diluição de custos fixos e no crescimento da participação do canal privado no mix de receitas — especialmente relevante em um cenário de pressão sobre margens.

“A proposta é organizar a jornada financeira do paciente de forma integrada ao cuidado, trazendo previsibilidade e transparência”, afirma Felipe Christo, CEO da Inklo.

A operação mantém uma separação clara de papéis: a Rede Mater Dei de Saúde segue responsável pela decisão clínica e execução dos procedimentos, enquanto a fintech atua exclusivamente na concessão de crédito, em conformidade com a regulação vigente.

No pano de fundo, a iniciativa reforça uma tendência que ganha espaço no setor: o uso de soluções financeiras como alavanca de crescimento. Em um mercado com cobertura limitada e alta sensibilidade a preço, integrar crédito à jornada tende a deixar de ser diferencial — e se consolidar como estratégia.