A Santa Casa de BH implementou uma nova tecnologia para monitorar, de forma contínua, a atividade cerebral de bebês internados na UTI Neonatal (UTIN), com um investimento de 3,9 milhões de reais. O sistema, que utiliza inteligência artificial, realiza o acompanhamento 24 horas por meio de uma central e é capaz de identificar precocemente problemas neurológicos. Em caso de alterações, os profissionais da UTIN são acionados imediatamente, garantindo respostas rápidas e precisas no cuidado aos recém-nascidos.
Pesquisas mostram que mais de 80% das crises convulsivas em recém-nascidos ocorrem sem a presença da equipe de saúde. A falta de oxigenação no cérebro, ou asfixia perinatal, é a terceira causa de morte neonatal no mundo e pode causar sequelas graves, como paralisia cerebral, cegueira, surdez e transtornos neurológicos.
De acordo com a Santa Casa BH, a iniciativa está em fase inicial. Nesse momento, o neuromonitoramento deve ser instalados em dois dos 20 leitos da UTIN. Estima-se que cerca de 100 bebês serão diretamente impactados por ano. A expectativa é diminuir em 25% a encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI) em recém-nascidos.
A falta de oxigenação ao nascimento é um dos principais fatores da mortalidade de recém-nascidos. “A gente tem por volta de 35 mil mortes por ano de três milhões de nascidos vivos no Brasil, sendo que 52% delas acontecem principalmente no período neonatal, nos seis primeiros dias de vida da criança. E a asfixia é um dos principais fatores dessa mortalidade. Esse monitoramento neonatal vai permitir à equipe médica uma assertividade melhor tanto no diagnóstico quanto no tratamento, o que vai proporcionar uma redução na mortalidade e tempo de internação”, explica Pablo Miranda, coordenador médico da unidade neonatal.