A transformação digital da Rede D’Or avança ancorada em um princípio claro: tecnologia só gera valor quando melhora, de forma concreta, a experiência do paciente, do médico e das equipes assistenciais.
Essa é a visão de Kleber Linhares, vice-presidente de Tecnologia da Informação da Rede D’Or, que assumiu, em 2025, o desafio de liderar a agenda digital da companhia em um momento de grande complexidade operacional e escala.
“Quando cheguei, encontrei uma rede com excelência assistencial muito forte, foco absoluto no paciente e uma interação intensa com os médicos. A transformação digital precisava respeitar essa cultura e potencializá-la”, conta o executivo.
O ponto de partida de Linhares foi estruturar a base: dados, plataformas e processos. A Rede D’Or convive hoje com diferentes sistemas e RP’s de saúde, reflexo de seu crescimento acelerado ao longo dos anos. Nivelar essas plataformas é um trabalho de médio prazo, mas que não poderia travar a evolução digital.
“Temos um esforço grande de equalização de informações e sistemas para os próximos anos. Mas eu não posso esperar três anos para começar a gerar valor. Por isso, decidimos avançar em frentes que já impactam diretamente a jornada do cliente”, explica.
Do dado à jornada: digital como meio para reduzir atritos
Uma dessas frentes é o aplicativo da Rede D’Or, lançado recentemente, que concentra acesso a exames, agendamentos e informações clínicas. A proposta é reduzir burocracias e aproximar o paciente da rede por meio de uma experiência digital fluida. “A ideia é que a Rede D’Or esteja ali, ao alcance da mão do paciente, o tempo todo”, resume Linhares.
Os primeiros resultados já indicam alta adesão e engajamento, reforçando a estratégia de usar o digital como principal canal de interação com o paciente. “O aplicativo passa a ser esse primeiro contato. Tudo o que formos construir daqui para frente vai partir dessa conexão direta com o paciente”, diz o executivo.

Mas, no longo prazo, a transformação não se limita ao ambiente digital. Um dos pilares da estratégia é justamente a integração entre o digital e o físico (figital) — o que Linhares chama de conexão entre experiência digital e operação hospitalar. A implantação de totens de autoatendimento, biometria e pré-check-in faz parte desse movimento, com impacto direto no tempo de espera e na eficiência do atendimento.
“O foco é desburocratizar. Em uma urgência, cada segundo faz diferença. Nosso papel é tirar atrito do processo para atender à expectativa do paciente”, ressalta Linhares.
Inteligência artificial, automação e o valor do contato humano
A inteligência artificial também entra como habilitadora dessa transformação, especialmente em processos repetitivos e de alto volume. Na visão do VP de TI, a tecnologia deve assumir o que é automatizável, liberando as equipes para o que exige julgamento humano e acolhimento.
“A Dora, nossa assistente digital, é a nossa embaixadora. Ela resolve o que já sabemos resolver, para que as pessoas possam dedicar tempo ao que a máquina ainda não consegue fazer: o cuidado, o bom senso, o atendimento diferenciado”, pontua.
O uso de IA se estende também à leitura de laudos e ao apoio à decisão médica, sempre com o objetivo de qualificar o atendimento na ponta. “Queremos colocar o médico diante do paciente com mais informação e mais contexto para uma tomada de decisão mais efetiva”, reforça.
Apesar do discurso tecnológico, Linhares faz questão de frisar que inovação, na prática, acontece longe do escritório. Ele mantém uma rotina frequente de visitas às unidades da rede para observar a operação real e validar dados com a experiência do dia a dia.
“O dado é frio. Se você não valida na ponta, vira um inovador de escritório. O que importa para a gente é resultado real: melhor experiência para o paciente, mais fluidez para o médico e mais eficiência na operação”, afirma.
Para o executivo, esse é o verdadeiro combustível da transformação digital na saúde: disciplina, dados, escuta ativa e conexão constante com quem está na linha de frente.
“Não quero prêmio para revista. Eu quero que o médico, a enfermeira e o paciente enxerguem valor no que estamos fazendo”, conclui Kleber Linhares.