O Instituto Central do Hospital das Clínicas de São Paulo implantou um instrumento de checagem, chamado Time Out, para aumentar a segurança do paciente no momento da cirurgia. Há uma semana, os profissionais da unidade estão trabalhando com o novo sistema em três processos: antes da indução da anestesia, antes da incisão na pele e antes da saída do paciente da sala cirúrgica. “Ao longo destes processos o sistema permite que 19 itens sejam checados”, comenta a diretora do Serviço de Qualidade e Segurança do Paciente, Márcia Martins.

Na sala cirúrgica, serão checados a identificação do paciente, o procedimento agendado, o local da cirurgia, os equipamentos, materiais e medicamentos estabelecidos pela equipe médica e documentos.

Todo esse procedimento e a implantação do Time Out são considerados importante, de acordo com Márcia, para a redução de mortalidade. Em países como Canadá, Inglaterra, Estados Unidos, Índia, Jordânia, Nova Zelândia, Filipinas e Tanzânia foi constatado a redução de 50% nas mortes e 63% nas complicações cirúrgicas após a adoção da ferramenta. “É uma prática importante, incentivada pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial de Saúde. Além disso, é uma ferramenta básica que pode ser adaptada a qualquer especialidade”, afirma.

Segundo a diretora, a implantação do Time Out será gradativa até atingir todas as especialidades do instituto. “A aplicação vai depender da fase de adaptação dos profissionais. Assim como toda mudança, nós estamos apresentando uma certa resistência no momento”.

Na primeira semana de implantação, o instituto teve como custo somente a impressão dos documentos. O objetivo é que uma gráfica seja contratada para a realização do serviço impresso.

A diretora do serviço ressalta que a medida não é corretiva, mas sim preventiva. “Esse trabalho já acontecia dentro da nossa instituição, a diferença é que agora o processo está sistematizado. Com isso, nossa expectativa é de que se havia a possibilidade de alguma implicação é de que elas diminuam ao máximo Por exemplo, se hoje nós temos uma frequência de 10 mortes a intenção é de que não registremos nenhuma, mas se tiver uma única morte já será um resultado positivo”.