De 9 a 12 de março, parte da equipe da Hospitalar esteve na HIMSS 2026, realizada em Las Vegas, para acompanhar de perto os movimentos que estão redefinindo a saúde digital no mundo. A conclusão é objetiva: o setor entra na era da inteligência invisível — e o maior gargalo deixou de ser tecnológico para se tornar cultural.
Conexão direta com a agenda brasileira de gestão e inovação
As tendências observadas na HIMSS não ficam restritas ao circuito internacional. Elas dialogam diretamente com os debates que movimentam a Hospitalar, principal encontro de gestão hospitalar da América Latina.
A incorporação de inteligência artificial à operação, a digitalização de processos assistenciais, a governança de dados e a busca por eficiência sustentável já integram a programação do Congresso de Tecnologia e Inovação para Saúde Digital, realizado dentro da Hospitalar.
O mesmo alinhamento se estende ao Healthcare Innovation Show, evento dedicado à tecnologia em saúde que ocorre em setembro e aprofunda discussões sobre transformação digital, experiência do paciente e novos modelos operacionais.

Na prática, o que se vê nos palcos globais começa a ganhar tradução aplicada no contexto brasileiro — conectando estratégia, gestão e assistência em uma mesma agenda de transformação.
Inteligência ambiental ganha protagonismo
O avanço dos sistemas de ambient intelligence dominou debates e demonstrações ao longo do evento. As soluções combinam voz, visão computacional e inteligência artificial para compreender contextos clínicos e agir de forma proativa, sem depender de comandos constantes das equipes.
“A HIMSS 2026 mostra que estamos migrando para sistemas mais autônomos, capazes de entender o ambiente e apoiar decisões quase de forma invisível”, afirma Fernanda Fortuna, gerente de conteúdo e produto da Hospitalar, que integrou a comitiva brasileira.
Dados vestíveis se tornam ferramenta de decisão clínica
Outro movimento que se consolida é a integração entre dispositivos vestíveis e dados clínicos acionáveis. Na prática, a tecnologia encurta o caminho entre monitoramento e intervenção, ampliando a precisão do cuidado.
A tendência também reorganiza fluxos assistenciais e fortalece modelos de acompanhamento contínuo.
“A combinação de wearables com dados clínicos estruturados permite respostas mais rápidas e mais precisas no cuidado ao paciente”, destaca Fernanda.
Experiência do paciente e agentes de IA atravessam a programação
A experiência do paciente e o uso de agentes de inteligência artificial apareceram de forma transversal em diferentes trilhas do congresso. As discussões apontam para jornadas cada vez mais digitais, personalizadas e orientadas por dados.
O tema deixa de ser diferencial e passa a integrar a base estratégica das organizações de saúde.
O desafio agora é gente, não tecnologia
Apesar do salto tecnológico, lideranças foram diretas ao apontar o principal entrave da transformação digital: adoção.
“Não falta tecnologia. O que existe é resistência silenciosa nas equipes e dificuldade de mudar cultura”, resume a executiva.
Segundo ela, iniciativas bem-sucedidas compartilham uma característica central: fluidez na incorporação à rotina.
“As inovações que dão certo são aquelas que parecem naturais e simplificam o trabalho, em vez de impor rupturas bruscas na rotina assistencial”, completa.
Governança de IA reflete dores reais da gestão

Entre os conteúdos mais disputados estiveram as trilhas sobre Governança de IA — um termômetro das preocupações atuais do setor. Segurança, responsabilidade algorítmica, critérios de validação e escala estiveram no centro das discussões.
O interesse crescente indica maturidade do mercado diante da incorporação acelerada da inteligência artificial na operação hospitalar.
O que mais pode transformar a gestão hospitalar
Duas frentes despontam como vetores de maior impacto nos próximos anos: inteligência ambiental aplicada a processos e integração fluida entre pacientes e equipes de cuidado.
“Sistemas de ambient intelligence automatizam decisões e tiram fricção da operação”, explica Fernanda.
Ela acrescenta que a conexão entre tecnologias pessoais e assistência clínica fortalece o vínculo com o paciente.
“Os wearables conectados a dados clínicos tornam a relação médico-paciente mais contínua e eficiente”, afirma.
Big techs reposicionam o papel da tecnologia na saúde
Gigantes globais reforçaram sua presença estratégica no setor. A Apple foi apontada como um dos exemplos mais consistentes desse novo momento.
“A Apple vem redefinindo o papel da tecnologia na saúde ao combinar métricas realmente úteis, arquitetura forte de privacidade e parcerias clínicas estratégicas”, analisa.
O movimento sinaliza uma mudança de lógica competitiva.
“É um momento marcante, no qual os players tradicionais de tecnologia estão pensando em como escalar a colaboração com times clínicos para atuar como facilitadores do engajamento do consumidor”, conclui Fernanda.
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