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Empresas precisam se adaptar para novas regras de serialização de medicamentos

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Aumento de segurança para o consumidor e todos os agentes envolvidos na logística de medicamentos, da fábrica até a casa do cliente. É esse o objetivo das novas regras de serialização determinadas pela ANVISA, que passam a valer em abril de 2022. O chamado Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SNCM) não é exatamente novidade, pois foi instituído em 2009 e teve as diretrizes confirmadas em 2016, mas com o prazo de adaptação chegando ao fim, as empresas que ainda não começaram a se adaptar estão atrasadas e precisam planejar desde já como implementar as mudanças contidas no plano de serialização de medicamentos. Mas, afinal, o que vai mudar?

Para compreender quais os desafios da cadeia farmacêutica, é preciso entender que a proposta é atribuir um código exclusivo à embalagem de cada medicamento. “É como se fosse um RG ou CPF, com cada produto tendo um número único. O processo começa, então, na indústria farmacêutica, que tem que fazer uma adaptação na linha de produção para poder registrar o número no produto através de um código 2D (DataMatrix GS1). Onde hoje, geralmente, é colocada apenas a informação do código do produto e lote , será incluída essa numeração exclusiva e outras informações como, validade, número do registro do produto na ANVISA e o GTIN (Número Global de Item Comercial)”, explica Ricardo Agostinho Canteras, especialista em logística de cadeia fria.

Então, para a indústria, o primeiro desafio é desenvolver programas de computador que sejam capazes de gerenciar a geração desses códigos e organizar as impressões nas embalagens. Além disso, entra na sequência um segundo desafio: armazenar essas informações na nuvem, de acordo com a forma de agrupamento escolhida pela fabricante.

“Para ficar mais fácil de entender, se um produto é armazenado em caixas com 30 unidades, você precisa ter registrado no sistema: o número primário (da caixa individual do medicamento), a sequência de 30 que estarão dentro de uma caixa maior e ainda toda a sequência de caixas com 30 que estarão em cada pallet. Todo esse agrupamento tem que ser serializado. Então o desafio não é só colocar um ‘RG’ no medicamento, mas sim controlar o agrupamento”, exemplifica Canteras, que também é diretor Comercial da Temp Log – operadora com quase 30 anos de experiência em logística para cargas frias, em especial, a indústria farmacêutica.

Mas e as operadoras logísticas, onde entram nessa cadeia? Na sequência: quem receber esse pallet tem que ter acesso às informações de 100% dos números de série.  Isso porque a ideia é que todas as empresas que estejam com a carga em mãos sejam abastecidas com todas as informações e sejam obrigadas a atualizar o sistema sempre que algo novo acontecer com o produto durante a movimentação. Cada unidade é rastreada em todos os elos da cadeia logística. E é aí que a vantagem desse novo processo fica clara: você elimina os riscos de fraude por meio de uma rastreabilidade completa, da produção ao cliente.

“Como cada elo da logística deve comunicar para a ANVISA o que está fazendo e com quem está o produto, o risco de fraude na movimentação é muito menor. No modelo que temos hoje, um golpe muito comum é o de produção de medicamentos falsos. Como os falsificadores operam: em algum elo da cadeia eles furtam parte da carga e depois falsificam esses medicamentos, utilizando o mesmo número de lote, validade, tudo o que tem na caixa do produto original. E esse medicamento, por ter informações ‘verdadeiras’, é vendido com mais facilidade para farmácias. Com o número de série, vai ser impossível uma farmácia comprar um medicamento com número de série duplicado. O sistema integrado vai identificar imediatamente que aquele produto é falsificado. Isso traz mais segurança para o consumidor e, consequentemente, tende a diminuir a quantidade de roubo de cargas”.

E as vantagens serão sentidas também no tempo de operação. Ainda usando como exemplo as caixas com 30 unidades, no modelo atual caso a Operadora Logística queira registrar cada produto, ela precisa abrir caixa por caixa do pallet e fazer a leitura do número de série de cada unidade. Com o software integrado em operação, basta que ela bipe o pallet para que o programa automaticamente já emita as informações sobre cada caixa e cada um dos 30 produtos dentro da caixa. Haverá então um ganho grande de tempo na entrada da carga no armazém.

“Mas nem tudo é benefício. Se a entrada é mais rápida, a saída será mais complexa, com uma etapa extra no processo de fracionamento. Isso porque o operador logístico precisará informar à ANVISA os números de série de cada um dos medicamentos atrelados ao número da nota fiscal expedida.. Isso quer dizer que cada pedido deverá ter um vínculo com todos os números de série e, por isso, a saída pode ser mais lenta caso as empresas não invistam em automação. Para quem já está se adaptando e investindo em equipamentos projetados para essa nova realidade, com certeza esse novo processo de serialização será muito vantajoso e trará ganhos em segurança e agilidade que serão sentidos desde a indústria até o consumidor”, finaliza Canteras. 

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