O Hospital de Base de Ribeirão Peto usa realidade virtual para ajudar na recuperação de seus pacientes e deixar a experiência hospitalar mais leve. Os óculos de inteligência artificial são utilizados durante sessões de terapia na UTI.  “A primeira vez que usei os óculos e vi que estava em uma praia não consegui segurar a emoção e me veio muitas memórias boas”, conta a paciente Raphaela, de Cuiabá, Mato Grosso.

Ela teve uma doença hepática e precisou de um transplante de fígado, realizado com sucesso, no dia 16 de janeiro. Como parte da recuperação precisa de procedimentos como a eletroestimulação e equipamentos projetados para o fortalecimento muscular. “A gente tem um alívio, diminui a preocupação ao ver paisagens quando fazemos os exercícios, é muito bom”.

Marcos Vinicius, fisioterapeuta do HB ressalta a importância de dispositivos como estes na reabilitação dos pacientes em UTI. “Quando o paciente fica imóvel, nós o classificamos dentro de um diagnóstico de síndrome da imobilidade. A síndrome da imobilidade leva a fraqueza adquirida na UTI. Então, quando o paciente não tem ativação do sistema neuromuscular, perde pode dia por volta de 3% de força muscular. Com o uso da realidade virtual, a gente consegue otimizar o nosso tratamento e ter uma adesão maior, com mais tempo na sessão e extrair o máximo da performance, consequentemente diminuindo o tempo de internação tanto na UTI quanto no hospital de forma significativa”, ressalta o fisioterapeuta.

Apoio da tecnologia nos resultados

Os óculos de realidade virtual, uma tecnologia relativamente nova na saúde brasileira, têm apresentado excelentes resultados no tratamento de pacientes em unidades de terapia intensiva. A proposta é oferecer um “teletransporte sensorial”, permitindo que o paciente se sinta em outro ambiente, aliviando a percepção do leito crítico como um espaço hostil, impessoal e intimidador.

Ao imergir em uma realidade virtual, o paciente consegue superar o medo causado pelas monitorizações cardíacas e de pressão, o que gera uma adesão muito maior ao tratamento e permite que o fisioterapeuta extraia o máximo da performance física do indivíduo durante as sessões.

Outro benefício é a diminuição da ansiedade e da percepção de dor, o que facilita a mobilização precoce, permitindo que o paciente seja retirado do leito o quanto antes.

“Com o tempo de internação hospitalar menor graças ao uso das tecnologias e equipamentos, também há menor risco de infecções, de eventos adversos, menor custos hospitalares e menor o uso de antibióticos pelo paciente. Então, os benefícios vão se somando resultando em menor morbidade e uma maior sobrevida destes pacientes. Quando a gente começa a intervir de maneira bastante precoce, que o próprio nome da técnica diz, mobilização precoce, a gente faz a mitigação de tudo isso citado”, complementa o fisioterapeuta.