A pesquisa “O papel das bibliotecas na formação médica em tempos de saúde digital”, da Wolters Kluwer Health, revela como as bibliotecas universitárias têm apoiado os cursos de medicina na incorporação de tecnologias usadas por médicos e profissionais da saúde à rotina acadêmica, acompanhando as transformações digitais do setor.

O estudo revela a relevância desses espaços na consolidação da Medicina Baseada em Evidências (MBE) e os desafios para ampliar o uso das ferramentas digitais disponíveis.

 A pesquisa foi realizada por meio de questionário online para gestores de bibliotecas de 66 instituições públicas e privadas, em todo o Brasil,  de diferentes portes e modelos de gestão.

O resultado identificou que 98,5% das escolas de medicina entrevistadas já utilizam pelo menos uma plataforma de conhecimento clínico para dar suporte às decisões, apontado por 81,8% das instituições como a solução mais relevante.

O acesso remoto se consolidou como prática majoritária em 83,3% das universidades, permitindo consulta integral às bases digitais fora do ambiente físico. Quanto aos periódicos, 81,8% das bibliotecas mantêm conteúdos digitais com acesso remoto e 78,8% oferecem acesso aberto, ampliando a diversidade de fontes disponíveis. 

Embora 74% das instituições relatem acesso diário dos estudantes, 60,6% dos gestores consideram que os recursos continuam subutilizados. Entre as principais barreiras estão a falta de treinamentos regulares, presente em um terço das instituições, e a centralização das decisões de aquisição fora das bibliotecas. Em 73% das universidades, os bibliotecários participam das decisões em conjunto com as coordenações, mas apenas 15% possuem autonomia total na escolha dos conteúdos.

Segundo Natália Cabrini, Head de Estratégia para Mercados Internacionais da Wolters Kluwer Health, os resultados reforçam o papel estratégico desses espaços. “As bibliotecas universitárias são fundamentais para a formação médica baseada em evidências e precisam ser fortalecidas para que os estudantes tenham acesso qualificado às informações que vão embasar sua futura prática clínica”, afirma.

Bibliotecas x perfil dos estudantes

Vale ressaltar que as bibliotecas dedicadas aos cursos de medicina ainda variam em estrutura e acervo. O levantamento mostra que 39,4% das instituições contam com bibliotecas exclusivas para medicina, 28,8% possuem seções específicas e 31,8% compartilham espaços com outros cursos. Quanto ao acervo, 27,3% das instituições mantêm mais de 10 mil itens voltados à medicina, 28,8% possuem entre 5 e 10 mil, enquanto 43,9% contam com coleções de até 5 mil materiais.

O perfil dos estudantes também apresenta variações em relação ao uso das tecnologias. Para 51,5% das bibliotecas, o conhecimento tecnológico é considerado mediano e para 47% é classificado como alto. Para que esse processo seja aida mais produtivo, treinamentos regulares são oferecidos em 67% das instituições.

Para Cabrini, o fortalecimento da formação médica exige investimento contínuo em estrutura e capacitação. “Instituições que oferecem acesso remoto irrestrito, mantêm bibliotecas exclusivas e realizam treinamentos regulares alcançam índices mais consistentes de engajamento dos estudantes com os conteúdos digitais”, explica.

Ela ressalta ainda a importância da valorização dos profissionais da informação, responsáveis pela curadoria e atualização dos acervos. “Reconhecer o papel estratégico do bibliotecário e integrá-lo ao processo pedagógico é fundamental para garantir que o conhecimento científico esteja sempre acessível e atualizado”.