Um estudo conduzido pela Santa Casa de Porto Alegre em parceria com a Empresa Pública de Tecnologia da Informação e Comunicação de Porto Alegre (Procempa) destacou o potencial da inteligência artificial (IA) para prever o risco de desenvolvimento do câncer de mama com base em exames de mamografia. A pesquisa reforça como a tecnologia pode ser uma aliada poderosa na detecção precoce do câncer de mama, contribuindo para diagnósticos mais precisos e tratamentos mais eficazes.

Os resultados foram publicados em um periódico científico internacional, consolidando a Santa Casa e a Procempa como instituições protagonistas na validação científica e na aplicação ética de tecnologias inovadoras em saúde no contexto brasileiro.

 A pesquisa teve a participação da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e o apoio do Massachusetts Institute of Technology (MIT).

“Este estudo reforça o papel da Santa Casa como um centro de excelência em assistência, ensino e pesquisa, comprometido com a produção de conhecimento que gera impacto real na saúde da população. Validar cientificamente uma tecnologia de inteligência artificial em nosso contexto assistencial significa dar um passo concreto rumo a um rastreamento mais preciso, equitativo e centrado na pessoa”, afirma Antonio Kalil , diretor médico de ensino e pesquisa da Santa Casa de Porto Alegre.

O apoio da tecnologia

O trabalho avaliou o desempenho do modelo de inteligência artificial Mirai, desenvolvido pelo MIT, que utiliza técnicas avançadas de aprendizado profundo (deep learning) para analisar imagens mamográficas e estimar a probabilidade de uma mulher desenvolver câncer de mama nos cinco anos subsequentes. Foram analisados também mil exames realizados entre 2019 e 2024 na Santa Casa, demonstrando alta precisão na identificação de mulheres com maior risco para a doença.

Os resultados indicam que o algoritmo apresentou desempenho adequado para aplicações médicas, com capacidade consistente de diferenciar pacientes de alto e baixo risco. Um dos principais diferenciais da ferramenta é o uso exclusivo das imagens da mamografia, sem necessidade de informações clínicas adicionais, como histórico familiar ou dados laboratoriais, ampliando seu potencial de aplicação em diferentes realidades do sistema de saúde.

“O uso da inteligência artificial para a detecção precoce do câncer de mama é um exemplo concreto de como a tecnologia pode salvar vidas quando colocada a serviço das pessoas. Na Procempa, seguimos comprometidos em desenvolver e apoiar soluções tecnológicas que fortaleçam a saúde pública e o futuro da sociedade”, explica Débora Roesler, diretora-presidente da Procempa. 

De acordo com os autores, a tecnologia não substitui o diagnóstico médico, mas atua como uma ferramenta de apoio à decisão clínica.

Essa abordagem busca otimizar os recursos médicos, priorizando a atenção às pacientes que realmente necessitam de intervenções mais detalhadas, ao mesmo tempo em que reduz a exposição desnecessária a exames invasivos ou repetitivos em mulheres com menor probabilidade de desenvolver a doença. O objetivo é promover uma medicina mais eficiente, precisa e humanizada, focada na prevenção e no cuidado individualizado.