A crescente expansão dos serviços oferecidos em farmácias brasileiras levanta questões sobre os limites legais desses estabelecimentos no ecossistema de saúde brasileiro. As farmácias podem realizar exames diagnósticos? É permitido o atendimento médico nesses locais? 

Segundo a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), a resposta para ambas as perguntas é: não. A entidade tem alertado sobre as restrições legais que delimitam a atuação das farmácias no Brasil, particularmente no que diz respeito à realização de exames laboratoriais e consultas médicas. 

Em entrevista ao Saúde Business, Milva Pagano, diretora executiva da Abramed, explicou as diferenças entre testes rápidos (permitidos em farmácias) e exames laboratoriais, e ressaltou ainda que a legislação brasileira proíbe atendimentos médicos nesses estabelecimentos, esclarecendo os motivos dessa restrição. Confira a seguir. 

Testes rápidos x exames laboratoriais: entenda a diferença 

Os testes rápidos são procedimentos simples de triagem que fornecem resultados preliminares, os exames laboratoriais são análises completas realizadas em ambientes especializados com equipamentos profissionais altamente capacitados. 

Os testes rápidos têm limitações de sensibilidade e especificidade, servindo apenas como indicadores iniciais. Durante a pandemia, por exemplo, Pagano cita que houve “muitos casos sérios de falsos negativos” em testes rápidos de Covid-19 realizados em farmácias. 

“Não se faz diagnóstico em farmácia, o que pode ser feito ali são triagens muito pontuais, e mesmo assim com restrições técnicas, legais e sanitárias muito objetivas”, afirma.