Ainda que todos os dias surjam evidências detalhadas sobre as causas dos problemas de saúde, está claro cientificamente que a genética, o ambiente e, mais significativamente, os comportamentos representam entre 70% e 90% do que constitui os problemas de Saúde. Em contraste, o tratamento das doenças representa apenas 10%, embora continue a consumir mais de 90% dos recursos disponíveis. Assim, um empreendedor, ou investidor, ou um ‘desocupado’ em busca de aventura na Cadeia de Saúde deveria esquecer a doença e se concentrar na medicina preventiva, preditiva e diagnóstica. É dela e para ela que o futuro reserva as melhores oportunidades, seja para nos salvar ou para empresariar investimentos nessa direção.

Orientar recursos para prevenção e promoção da saúde é o mapa do futuro. Uma velha citação explica por que o futuro se interessa mais pela saúde do que pela doença: “No puedes cruzar el mar simplemente mirando al água”. As evidências científicas e tecnológicas estão na luneta do que vem pela frente, sendo necessário ampliar a busca do estudo científico-tecnológico para cruzar os ‘oceanos’. Em outras palavras: “empreendedores e investidores, se liguem na ciência!”

O relatório publicado em fevereiro/2023 (“A New National Purpose: Innovation Can Power the Future of Britain”) pelo Tony Blair Institute for Global Change é maiúsculo em suas observações:  “Um dos maiores eventos da história da humanidade começou no Reino Unido: a Revolução Industrial. Em pouco mais de 200 anos, a maior parte do mundo passou da pobreza extrema para uma vida de relativa abundância material. Algumas consequências dessa mudança levaram gerações para serem destiladas, mas, no final das contas, elas transformaram quase todas as partes da vida em nosso país. Eletricidade, aviões, telefones, antibióticos e muito mais se tornaram comuns em uma única vida. O futuro da Grã-Bretanha dependerá de uma nova era de invenções e inovações. Um novo “estado estratégico” precisa abraçar a revolução tecnológica”.

Em 12/04, na oficina de estudos “Future of Digital Health”, vamos avaliar a importância de estar observando as transformações que se camuflam no futuro. Nesse episódio, Paulo Banevicius, General Manager da DGS Brasil (Grupo Dedalus), estará junto conosco mostrando um pouco da experiência do grupo italiano na Europa. Nessa direção, um rastilho de “inovações em saúde embarcadas na ciência” avança por sobre sistemas e nações. Para todos aqueles que se interessam pelo “futuro da saúde”, seja por alguma atratividade capitalista, ou pela emergência social, ou mesmo pela expansão de políticas de inovação, o rol de tecnologias abaixo pode ser um bom prumo do que está chegando do futuro:

Réplicas robóticas do coração para planejamento de tratamento: pesquisadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology) desenvolveram “réplicas robóticas maleáveis do coração” que se aproximam da anatomia de pessoas reais. Usando imagens médicas do coração dos pacientes, eles construíram ‘modelos computacionais’ adequados à impressão 3D. Uma vez impressos (em material macio), o modelo específico pode ser acionado usando “mangas infláveis” (no estilo dos manguitos de pressão arterial), permitindo que a equipe faça correspondência do fluxo sanguíneo e da pressão do coração original. Os modelos permitem que os médicos modelem com precisão a anatomia, fisiologia e mecânica cardíaca de um paciente individual, testando os efeitos de várias intervenções terapêuticas nesses parâmetros. Saiba mais aqui.

Software cria biomarcadores cancerígenos em tempo real: software de análise de imagem baseado em IA refere-se a programas que utilizam IA e aprendizado de máquina para processar, analisar e interpretar imagens digitais. Essas soluções são projetadas para reconhecer padrões, extrair informações valiosas e tomar decisões com base nos insights obtidos com a análise das imagens. Terapias contra o câncer se multiplicam, melhorando os resultados para muitos pacientes. O padrão-ouro atual para identificar qual mutação do câncer está presente é o NGS (New Generation Sequencing) que fornece um portfólio genético amplo, mas que leva semanas para ser concluído (precisa de um tamanho significativo de amostras do tumor), além de ser caríssimo. Uma empresa israelense (Imagene) desenvolveu uma solução baseada em IA que analisa as imagens das lâminas de biópsia (digitalizadas) fornecendo perfis imediatos de mutações tumorais. A tecnologia obtém uma imagem da biópsia e, em alguns minutos, fornece um relatório completo para o diagnóstico (biomarcador), identificando a mutação real do câncer presente na biópsia. Saiba mais aqui.