A agenda ESG deixou de ser apenas um compromisso socioambiental e passou a integrar a estratégia das organizações de saúde. Essa foi a principal mensagem da primeira edição do Fórum ETIS – Educação, Transformação, Inovação e Sustentabilidade, realizada no dia 16 de julho, na sede da FIESP, em São Paulo.
Ao reunir lideranças da saúde, da indústria, do setor ambiental e da academia, o encontro evidenciou que temas como economia circular, gestão de resíduos, inovação, conformidade regulatória e descarbonização deixaram de ser iniciativas isoladas para se consolidar como fatores que influenciam a competitividade e a sustentabilidade dos negócios.
Segundo Camila Bortoletto, diretora executiva do Instituto ETIS, mudanças regulatórias, maior pressão por eficiência e as expectativas da sociedade exigem que organizações incorporem práticas ambientais, sociais e de governança às decisões estratégicas.
“A agenda ESG tornou-se um elemento estratégico para fortalecer a capacidade de inovação, ampliar a competitividade e garantir a sustentabilidade das organizações no longo prazo”, destacou.
Para a vice-presidente do ETIS, Viviã de Sousa, o desafio passa pela construção de soluções conjuntas entre diferentes setores.
“Mais do que um evento técnico, a estreia do Fórum simboliza o início de uma iniciativa que pretende fomentar conhecimento, fortalecer a articulação entre diferentes setores e estimular soluções para desafios estratégicos que impactam diretamente a competitividade das organizações e o futuro do país.”

Gestão de resíduos deixa de ser obrigação ambiental e passa a gerar valor
Entre os temas que ganharam maior destaque, a gestão de resíduos e a economia circular foram apontadas como oportunidades para reduzir impactos ambientais e tornar operações mais eficientes.
Durante o debate sobre os desafios da gestão em saúde, Juliana Vicente, head do portfólio de Saúde da Informa Markets, defendeu que a sustentabilidade precisa ser incorporada no planejamento de grandes eventos do setor, demonstrando que práticas ESG também geram resultados concretos na operação.
“Uma feira de negócios gera muitos resíduos e temos um trabalho constante de conscientização junto aos expositores para mostrar que é possível construir um estande de qualidade sem que ele se transforme em lixo poucos dias depois. Esse material pode ser reaproveitado e, na última edição da Hospitalar, 99% dos estandes receberam algum tipo de certificação relacionada à sustentabilidade”, explicou.

Ao lado de Vivian Giudice, fundadora e diretora do Grupo IBES; Márcio Bertoni, coordenador da Abimo; e Odair Segantini, consultor em gerenciamento de resíduos, Juliana discutiu iniciativas voltadas ao reaproveitamento de materiais, à economia circular e à redução dos impactos ambientais das operações em saúde.
Integração entre setores é condição para acelerar a agenda ESG
Outro consenso entre os especialistas foi que a consolidação da agenda ESG depende da atuação coordenada entre empresas, governo, entidades de classe e instituições de ensino.
André Castilho, advogado especialista em Direito Ambiental, ressaltou que o avanço da economia circular exige não apenas inovação tecnológica, mas também evolução regulatória e maior integração entre políticas públicas e responsabilidade empresarial.
Na mesma linha, Antônio Siqueira, mestre em Tecnologia Ambiental, defendeu que a transformação sustentável passa pela formação de lideranças, pela educação continuada e pelo fortalecimento das parcerias entre organizações públicas, privadas e acadêmicas.
Ao final das discussões, prevaleceu a avaliação de que desafios como descarbonização, economia circular, gestão sustentável e inovação não poderão ser enfrentados de forma isolada. A construção de soluções colaborativas será determinante para que a agenda ESG se consolide como parte da estratégia das organizações de saúde.
Para Camila Bortoletto, o interesse do público demonstra que existe espaço para aprofundar esse debate.
“Este foi apenas o primeiro passo. Saímos deste encontro com a certeza de que existe disposição para construir soluções coletivas e fortalecer uma agenda que reúne desenvolvimento econômico, responsabilidade socioambiental e inovação. O ETIS continuará promovendo debates, capacitações e iniciativas capazes de transformar conhecimento em ações concretas”, concluiu.