Quando discutimos os desafios da saúde pública brasileira, é natural que o debate se concentre na ampliação da infraestrutura ou no financiamento do SUS. Há, porém, um componente essencial para esse sistema: as escolas médicas. Elas integram a rede assistencial, produzem conhecimento aplicado e ajudam a ampliar o acesso da população ao cuidado.

Essa atuação começa ainda durante a formação acadêmica. Hospitais universitários, clínicas-escola, ambulatórios e unidades de atenção básica conveniadas ao SUS permitem que estudantes desenvolvam habilidades práticas enquanto atendem pacientes, sempre sob supervisão de seus professores.

Em muitos municípios do interior e em regiões com baixa densidade médica, esses docentes representam a principal — e, em algumas especialidades, a única — referência para atendimento à população. Assim, formação e assistência ocorrem simultaneamente, ampliando a oferta de serviços e contribuindo para reduzir a pressão sobre a rede pública.

Ensino que também amplia o acesso à saúde

Essa integração entre ensino e assistência é viabilizada pela parceria permanente entre escolas médicas e gestores públicos. Estados e municípios trabalham em conjunto com as instituições de ensino para oferecer cenários de prática aos estudantes e, ao mesmo tempo, ampliar a capacidade de atendimento da rede.

A colaboração fortalece a formação prática dos futuros profissionais e amplia a oferta de serviços à população, especialmente em regiões onde a demanda por assistência é maior.

Outro componente essencial desse modelo é a pesquisa aplicada. A convivência diária entre docentes, estudantes e pacientes favorece a produção de estudos voltados a desafios concretos da assistência, como avaliação de protocolos clínicos, organização de fluxos assistenciais, epidemiologia regional e uso racional de recursos. Essas evidências ajudam a aperfeiçoar práticas clínicas, apoiar gestores públicos e qualificar a tomada de decisão nos serviços de saúde.

Além disso, as escolas médicas contribuem para a permanência de médicos em regiões historicamente menos assistidas. Ao oferecer formação nesses territórios, fortalecem os vínculos entre futuros profissionais e as comunidades onde estudam, favorecendo sua permanência nessas localidades após a formação. O resultado é o fortalecimento das redes regionais de saúde e a ampliação do acesso da população à assistência médica.

Impacto que ultrapassa a saúde

Os benefícios desse modelo também se refletem no desenvolvimento dos municípios. A presença de uma escola médica movimenta a economia local, gera empregos, atrai investimentos, fortalece cadeias de serviços e impulsiona o desenvolvimento regional.

Um estudo de Retorno Social sobre o Investimento (SROI), realizado pela Afya, mostra que, em média, cada R$ 1 investido em suas escolas médicas gera R$ 3,58 de retorno econômico e social para os municípios onde estão inseridas. É uma evidência de que investir em educação médica também produz benefícios para as comunidades.

Reconhecer essa contribuição significa compreender que as escolas médicas já fazem parte da infraestrutura da saúde brasileira. Enquanto formam novos profissionais, essas instituições ampliam o acesso ao cuidado, fortalecem o SUS, produzem conhecimento e promovem desenvolvimento nos territórios onde estão presentes. Investir nessas instituições é investir na capacidade do país de oferecer uma saúde mais acessível, qualificada e preparada para responder aos desafios da população.