Me permito a arrogância de considerar que ninguém tem mais isenção para criticar o congelamento da Tabela SUS porque defendo a tese de que os hospitais públicos e santas casas reclamam da tabela, mas não sabem fazer uso dela.

Vou citar o prêmio que o IOT acabou de ganhar no Qualihosp pelo trabalho apresentado sobre aumento do faturamento SUS, apesar da redução do volume de atendimento, no qual tenho a honra de participar como apoio técnico e metodológico, como exemplo de que quando um hospital público deixa a postura de simplesmente recamar da tabela, e transforma o faturamento em um departamento proativo na busca de receita, as coisas melhoram.

O IOT e o prêmio que recebeu no Qualihosp é a prova de que a qualidade é tão importante para gerar receita, quanto captar o máximo de receita possível é importante para a qualidade – com mais recursos é possível prestar uma assistência de melhor qualidade.

Mas isso não nos impede de criticar o absoluto descaso que as autoridades competentes com os hospitais que dependem da tabela de preços SUS para sobreviver. Não é possível que depois de tantos anos de luta, de tanta gente gabaritada reclamando o reajuste, não tenhamos o mínimo sinal de que o reajuste seja feito.

Gostaria de aproveitar este espaço para listar alguns preços da tabela para que as pessoas que não conhecem o assunto tenham noção do que estamos tratando.

Por uma consulta com um profissional de nível superior, não médico, altamente especializado, como fisioterapia ou terapia ocupacional por exemplo, o SUS paga R$ 6,30. Imagine que este profissional faça 4 procedimentos por hora (afinal o paciente merece um mínimo de 15 minutos de atenção na consulta): R$ 26,00 / hora. Com todo o respeito que o pedreiro merece – alguém conhece algum pedreiro que trabalha à R$ 26,00 à hora ?