A estratégia do médico Paulo Barbanti, proprietário do grupo NotreDame Intermédica, para ampliar os negócios no interior de São Paulo foi traçada no final da década de 90, quando a empresa adquiriu a HPS Saúde, em Jundiaí, uma empresa de plano de saúde com 70 mil clientes, dois centros médicos e um hospital.

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O objetivo do empresário era agressivo: atingir 1 milhão de beneficiários na região. Para isso, investiu na captação de novos clientes, elevando só a carteira de Jundiaí para 150 mil vidas, além de a abertura de 17 centros clínicos nas cidades ao redor, como Vinhedo, Louveira, Várzea Paulista e Itatiba; a abertura de oito centros próprios em Sorocaba e também a parceria com empresas regionais para terceirização de serviços.

Agora para acelerar a expansão, o empresário tem como foco a cidade de Campinas, que deve receber investimentos de R$ 50 milhões nos próximos anos, inclusive com a construção de um hospital.

Com os planos traçados, faltava apenas definir se o crescimento seria orgânico, com a instalação de uma unidade própria da Intermédica na região, ou por aquisições. A decisão foi fácil, comprar uma empresa, mas não qualquer uma. “Estava de olho na Medicamp”, conta Barbanti, uma empresa fundada pelo médico no final da década de 70. Na época, atuando como diretor da Intermédica, o médico decidiu investir na criação de um plano de saúde que pudesse atender o interior de São Paulo, e Campinas era uma das cidades mais prósperas e com maior potencial de crescimento. “Montei um negócio muito semelhante ao da Intermédica, com foco em assistência integral em saúde, com forte trabalho de promoção e prevenção de doença”, conta.

O trabalho duplo, porém, não agradou aos sócios da capital paulista. “Tomei da decisão de vender”, afirma. “Mas não para qualquer um”. O médico foi em busca de dois colegas da faculdade – os irmãos Udino e Ubiraneli Fraga -, que na época tinham um negócio em Salto, para tentar convencê-los a adquirir a empresa, então com 100 mil vidas. “Eles não tinham como me pagar integralmente, por isso, aceitei terrenos no interior, que os dois me ajudaram a vender logo em seguida.”

Barbanti não conta quanto pagou para reaver o negócio, mas garante que “vale muitos terrenos”. Apesar de a empresa não ter crescido, e em certa medida ter sucumbido à expansão de grandes concorrentes, o empresário garante que a Medicamp tem muito potencial. “É uma empresa sem grandes contingências financeiras”, afirma. “E com potencial para gerir os negócios do grupo na região.”

A aquisição, autorizada pela Agência Nacional de Saúde (ANS), na semana passada, teve um componente determinante: a permanência dos dois herdeiros, Fábio Fraga e Uberdineli Fraga. “Manter a gestão local é um característica do grupo, para preservar a regionalização.”

Atualmente, a Intermédica tem cerca de 30 mil clientes em Campinas, que estão sob gestão terceirizada. Esses clientes, a partir da segunda quinzena de maio, devem passar para a gestão da Medicamp. Paralelamente, os clientes da empresa campineira passam a integrar a rede nacional da Intermédica.

A estrutura da região já está sendo preparada para receber os clientes que hoje são atendidos por congêneres. “Compramos o prédio de um antigo hospital Sagrado Coração de Jesus, no centro de Campinas, em um terreno de 7,5 mil m, que queremos reabrir como um hospital moderno, mas preservando as características históricas do edifício”, afirma. O edifício é tombado pelo patrimônio histórico e a Intermédica está negociando com a prefeitura como serão as modificações. O grupo também vai investir na modernização dos centros médicos da Medicamp e na construção de um pronto atendimento. Hoje, a empresa já tem seis centros de atendimento na região.