Diversificar o risco, com a criação de novos produtos e negócios, fortalecer a marca e reduzir as despesas administrativa. Estas são as apostas da Seguros Unimed para atingir as metas do planejamento para 2020 e se tornar benchmarking no setor. “Quero que a empresa seja conhecida como sinônimo de transparência, segurança e cuidado no atendimento aos clientes”, diz Rafael Moliterno Neto, presidente da seguradora. As ações para seguir este caminho já começaram. A empresa lançou uma startup na área de plano odontológico, a Unimed Odonto, bem como a Unimed Patrimonial. E planeja abrir uma unidade voltada para capitalização. Na área de saúde, está diversificando produtos, com o lançamento do Unimed Hospitalar, um tipo de plano de saúde, voltado apenas para a cobertura de internações, que chegou a ser vendido por algumas empresas no passado, mas que caiu em desuso após da lei 9656-98, que regulamentou os serviços de saúde suplementar. Aliás, com a expansão dos negócios, a empresa estuda até entrar no tão preterido mercado de planos de saúde individuais – cujos preços são regulados pela agência do governo. A Seguros Unimed tem tido uma média de 20% de crescimento nos últimos cinco anos, e retorno médio para os acionistas, na casa de 25%. No ano passado, o faturamento (prêmios mais contribuições) chegaram a R$ 1,2 bilhão, valor 21,45% maior que o de 2011. O lucro líquido foi de R$ 92,1 milhões. A sinistralidade (custo das operações com saúde) fechou o ano com 74,3%, queda de 0,9 ponto percentual em relação a 2011. A Seguros Unimed está revendo sua estratégia de marca, que há quatro anos, passou por mudanças, dando ao logotipo da empresa a cor azul, diferente do tradicional verde das Unimed. “Vamos fazer um diagnóstico do trabalho de extensão de marca ver qual foi a evolução.” A Unimed Seguros foi constituída em 1986 para atender a demanda do sistema Unimed. Aliás, quase 90% dos sócios da empresa são empresas que fazem parte do grupo de cooperativas. A ideia era focar em produtos premium na área de saúde, que não concorressem com as cooperativas médicas. E deu certo. “Não há canibalização. Nosso foco são produtos para classe A/B, e o maior diferencial do seguro é a possibilidade de reembolso, uma modalidade que não é trabalhada por outras empresas do sistema.” O braço de seguros de saúde aproveita-se da capilaridade do sistema Unimed, para alavancar e diferenciar seu modelo de negócios. Mas sofre de outro mal. A marca Unimed, frequentemente, está associada a problemas na operação de vários unidades. A Unimed Seguros comprou duas carteiras de operações deficitárias – a de Minas Gerais, com 26 mil vidas, e a do Recife, com 40 mil -, passando, assim, a gerir 170 mil vidas. Quando perguntado se os frequentes problemas financeiros associados às cooperativas que usam a marca Unimed não prejudica o negócio da seguradora, Moliterno deixa uma pista. Segundo ele, a identidade “azul” da seguradora pode passar por novas modificações, dependendo do resultado do diagnóstico das ações feitas há quatro anos.
Modelo de valor avança na saúde, mas trava em cultura, dados e incentivos