A Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp) encaminhou nesta quarta-feira (14) ao Conselho Federal de Medicina (CFM) pedido de revisão do seu Parecer 39/12 aprovado em plenário em 08 de novembro, que trata da disponibilidade do obstetra para a realização do parto. O objetivo é que as operadoras não fiquem desobrigadas de pagar os honorários dos médicos credenciados pelo parto. A disponibilidade prevê que o obstetra fique à disposição nas últimas semanas da gestação, por 24 horas, como se fosse um plantão à distância por tempo indeterminado, perdurando por dias e semanas, 24 horas por dia. Os contratos de planos de saúde com cobertura obstétrica garantem a assistência pré natal, incluindo as consultas, os exames e o parto, mas não asseguram o direito da gestante escolher o médico para realizar o seu parto. O Parecer do CFM declarou o direito de o obstetra fazer um contrato de honorários diretamente com a paciente por sua disponibilidade, mas entende que nesta hipótese a operadora não será obrigada a pagar os honorários do obstetra pelo parto. Parecer da Sogesp na íntegra: A SOGESP reconhece o mérito do CFM ter enfrentado a discussão que vem ocorrendo por todo o país e de reconhecer que a disponibilidade do obstetra é um serviço e por isso passível de remuneração, mas não concorda com a conclusão adotada pelo Conselho. De acordo com o Dr. César Eduardo Fernandes, presidente da SOGESP, ?Lamentavelmente, se for mantido este entendimento do CFM, as operadoras serão as únicas beneficiadas. As pacientes e os médicos serão prejudicados e haverá uma desestabilização do sistema.? Os Conselhos de Medicina do Paraná, de Mato Grosso do Sul e do Espírito Santo já se manifestaram no mesmo sentido da SOGESP admitindo a remuneração pela disponibilidade a ser definida com a paciente, paralelamente à remuneração pelo parto a cargo da operadora. Ainda segundo o Dr. César, ?a SOGESP acredita que o CFM irá rever o seu entendimento, pois se houve reconhecimento de que a disponibilidade e o parto são procedimentos distintos, não há que se falar em dupla cobrança. Acreditamos que houve um equívoco que será sanado.?
Modelo de valor avança na saúde, mas trava em cultura, dados e incentivos