Com a saúde no centro do debate eleitoral e pressionada por desafios estruturais que vão do financiamento à eficiência da gestão, o setor privado busca ouvir, de forma direta, quem pode definir os rumos das políticas públicas nos próximos anos.

É nesse contexto que o Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp) abriu mais uma edição do “Diálogos da Saúde”, iniciativa que promove encontros com pré-candidatos à Presidência da República para discutir prioridades estratégicas do sistema de saúde brasileiro, transmitido pela Hospitalar Hub.

O convidado da vez foi o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que apresentou sua visão de gestão, os principais marcos de sua administração na saúde e as perspectivas para o futuro do setor diante de um público formado por gestores, líderes e representantes de entidades da área.

O encontro integra uma série de sabatinas com pré-candidatos à Presidência da República e tem como objetivo criar um espaço qualificado de debate sobre temas estratégicos para o setor, como financiamento da saúde, inovação tecnológica, gestão hospitalar, políticas públicas e modelos de atenção mais eficientes.

A proposta é aproximar o setor produtivo das visões e prioridades de quem pode influenciar diretamente as políticas de saúde nos próximos anos.

Prevenção como eixo da eficiência

Zema destacou dois pilares que, segundo ele, sustentam uma gestão eficiente em saúde: a prevenção e a qualificação do atendimento médico. Para o governador, indicadores tradicionais, como volume de exames, consultas ou cirurgias, não são suficientes para medir bons resultados.

“Saúde não se mede pela quantidade de procedimentos realizados, mas pela saúde da população e pela expectativa de vida. Por isso, temos concentrado nossos esforços na atenção primária”, afirmou.

Nesse contexto, ele ressaltou o papel das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) como eixo estruturante do sistema. Segundo Zema, Minas Gerais iniciou a construção de mais de 300 UBSs, com foco especial no interior do estado.

“É na atenção primária, com profissionais qualificados, que conseguimos prevenir ou diagnosticar precocemente problemas que poderiam se agravar”, explicou.

O governador também chamou atenção para a necessidade de maior integração entre os entes federativos. Para ele, a articulação entre gestões municipais e estaduais é fundamental para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) e gerar impacto direto na qualidade do atendimento à população.

Marcos da gestão em Minas Gerais

Ao longo do encontro, Zema relembrou alguns dos principais marcos de sua gestão na área da saúde. Entre eles, destacou o fato de Minas Gerais ter sido o primeiro estado a ampliar o teste do pezinho para 60 tipos de exames. Também citou a conquista da cobertura de 100% do território mineiro pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a política de descentralização da assistência, com a construção de hospitais regionais.

Segundo o governador, essas iniciativas ajudaram a reduzir desigualdades regionais no acesso aos serviços e a tornar a rede mais resolutiva, especialmente fora dos grandes centros urbanos.

Sustentabilidade e formação profissional

O futuro da saúde também esteve no centro das discussões. Durante o diálogo com os gestores, foram abordados temas como o investimento público em pesquisa, políticas de subsídio para a indústria nacional de dispositivos médicos e os desafios para garantir a sustentabilidade do setor no médio e longo prazo.

A formação e a qualificação dos profissionais de saúde ganharam destaque na fala do governador. Ao comentar os resultados recentes do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que apontaram desempenho insatisfatório de cerca de 13 mil estudantes, Zema defendeu avaliações rigorosas de proficiência.

“Essas avaliações são fundamentais para comprovar que a pessoa possui o conhecimento mínimo necessário. E, quando se trata de saúde, isso é ainda mais crucial. Um advogado ruim pode causar grandes danos, mas um médico ruim pode tirar vidas”, afirmou.

O encontro reuniu ainda autoridades e lideranças do setor, entre elas Fábio Baccheretti, secretário de Saúde de Minas Gerais; Marcelo Queiroga, ex-ministro da Saúde; Bernardo Santos, secretário de Comunicação de Minas Gerais; além de representantes de associações, entidades setoriais e gestores do setor público e privado.