Diante do avanço da medicina de precisão, o SUS começa a estruturar uma frente nacional de capacitação em genética clínica. Cerca de 200 profissionais de saúde iniciaram, no dia 20 de março, uma formação focada na interpretação de exames genéticos para o diagnóstico de câncer, com potencial de impacto direto na qualidade assistencial e na eficiência das decisões terapêuticas.
A iniciativa responde a um dos principais desafios da oncologia pública: a qualificação na leitura de laudos genômicos, etapa crítica para transformar dados complexos em condutas clínicas assertivas. Na prática, o objetivo é ampliar a precisão diagnóstica e apoiar decisões terapêuticas mais individualizadas, especialmente em casos com suspeita de origem hereditária.
A formação integra o projeto Qualifica Laudo, desenvolvido pelo A.C.Camargo Cancer Center no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS) e da iniciativa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde.
Capacitação como alavanca para equidade e eficiência
A programação foi estruturada para combinar teoria e prática, com debates sobre os desafios da análise de laudos genéticos no Brasil, apresentação do modelo formativo e orientações sobre o funcionamento do curso. Os participantes também passaram por atividades práticas, como dinâmicas em grupo e uso do ambiente virtual de aprendizagem, com foco na aplicação direta dos conteúdos na rotina assistencial.
“A qualificação de profissionais em genética é um passo-chave para ampliar o diagnóstico de precisão no SUS. O Qualifica Laudo apoia esse avanço ao fortalecer a qualidade dos laudos e a tomada de decisão clínica dos profissionais de saúde da rede pública”, afirma Ana Paula Pinho, diretora de Impacto Social do A.C.Camargo Cancer Center.
Sob a ótica da gestão pública, a iniciativa está alinhada às estratégias do Ministério da Saúde para fortalecer a atenção oncológica com mais equidade e resolutividade. “A incorporação de novas tecnologias e a qualificação dos profissionais são pilares para garantir um cuidado mais resolutivo e equitativo no SUS. A expectativa é ampliar o acesso ao diagnóstico de precisão, especialmente em regiões com menor oferta de serviços especializados”, destaca Luciana Hentzy Moraes, representante da pasta.
A adesão de profissionais de diferentes regiões do país evidencia a demanda por capacitação em genética clínica e reforça o papel da educação continuada como ferramenta para reduzir desigualdades regionais. Nesse contexto, uma oficina dedicada a tutores e alunos promoveu a troca de experiências e o alinhamento de práticas, considerando as especificidades locais. “Minha expectativa com o projeto é grande. Quero levar para o meu estado uma melhor qualidade na interpretação de laudos”, afirma Adaisa Almeida, participante do Acre.
Com carga horária de 120 horas, a formação combina conteúdos teóricos e práticos, incluindo discussão de casos clínicos, mentoria com especialistas e imersão no A.C.Camargo Cancer Center — um modelo que busca acelerar a incorporação do conhecimento na prática assistencial e fortalecer a capacidade diagnóstica da rede pública.