Alcançar representatividade junto à classe médica e os pacientes. Esses são os anseios que norteiam a cabeça do Dr. Charles Ghelfond, presidente do centro de diagnóstico Dr. Ghelfond, de São Paulo. Como parte deste objetivo, a empresa adquiriu uma máquina de radioterapia, que começará a ser utilizada em setembro deste ano.
?O mercado de radioterapia é muito limitado no Brasil. Faltam equipamentos modernos e pessoas capacitadas a realizar esse tipo de serviço. Diante deste cenário, acreditamos que investir neste segmento pode suprir uma demanda grande?, afirma Ghelfond.
Esta é a segunda máquina que a instituição adquire. O centro de diagnóstico já possui uma na unidade de São Bernardo do Campo, funcionando há três anos e direcionada ao atendimento do público do SUS. Atualmente são atendidos de 80 a 100 pacientes, na região.
O novo equipamento ficará instalado na matriz da marca, na Av. Angélica, em São Paulo. E será direcionado ao público privado e usuários de planos de saúde. À priori, serão atendidos 15 pacientes/dia. Nos próximos três anos, o laboratório pretende aumentar esse número para 60 pacientes/dia.
A ferramenta vai trabalhar com três modalidades distintas de radioterapia: convencional, conformacional e intensidade modulada.
O executivo conta que, por se tratar de um equipamento delicado e de alta complexidade, a instalação da máquina requer adequações na infraestrutura do local. Por isso, a instituição está realizando uma reforma em um dos seus subsolos onde será instalada a área de aplicação de radioterapia.
Neste ano, o Inca comunicou que reconhece a deficiência de equipamentos para radioterapia no País. E calcula que faltavam 155 máquinas para dar conta de todos os pacientes.
De acordo com o instituto, atualmente existem 230 aparelhos no Brasil. O número não é suficiente para tratar a quantidade de pessoas que necessitam de radioterapia, fazendo com que 85 mil pessoas fiquem sem acesso ao tratamento.
Parceria
Ciente destas estatísticas, o laboratório pretende desenvolver pesquisas clínicas e softwares direcionados para o segmento, em parceria com a empresa Elekta, companhia que comercializou o equipamento para a instituição.
?Essa aliança teve iniciou em 2011, ano em que adquirimos o equipamento, e vimos que poderíamos fazer uma parceria para suprir as demandas existentes?.
O intuito da parceria, que conta também com a participação da Faculdade de Medicina do ABC é convidar os pacientes que realizam o tratamento para fazer parte dos estudos. Além disso, de acordo com o executivo, o laboratório pretende desenvolver softwares para gestão e administração no segmento de radioterapia.
?As soluções para esse tratamento vêm padronizadas de fábrica. Para reverter este cenário, firmamos um acordo comercial com a empresa e estamos no processo de desenvolvimento destes softwares?.
Ampliando as opções
Investir em equipamentos faz parte das estratégias da empresa de se diferenciar em relação aos concorrentes. ?Decidimos ampliar o nosso leque de opções para nos tornarmos mais competitivos perante outros laboratórios e termos mais opções para negociarmos com as operadoras?.
O fato de muitos players do setor estarem investindo em verticalização também é um motivador para o centro de diagnóstico aumentar os serviços disponibilizados. ?Não temos a intenção de verticalizar e sim acrescentar um possiblidades aos nossos usuários?.
No intuito de aumentar o capital para investir em melhorias, Ghelfond foi buscar dinheiro no mercado financeiro e passou a utilizar um investimento chamado Angel, onde os executivos aportam dinheiro com data certa para sair.
O executivo não revelou o valor do investimento, mas disse que esse capital está sendo utilizado para financiar parte do business plan de cinco anos da instituição, iniciado neste ano.
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