A saúde pública no Brasil tem vivido uma grande crise. A falta de verba tem impactado negativamente a população que utiliza esse serviço, gerando falta de profissionais, de medicamentos e até da manutenção necessária nos equipamentos. Como exemplo, o Hospital Universitário da USP, em São Paulo, foi obrigado a fechar o pronto-socorro infantil em novembro de 2017. Já o renomado Hospital Santa Marcelina, em Itaquera, teve o PS interditado pela Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo por conta da superlotação.

Além dos problemas com o atendimento de saúde de emergência, a espera para conseguir agendar consultas e exames também é uma questão preocupante. Na cidade de São Paulo, as pessoas podem ter que aguardar até mais de cinco meses para realizar procedimentos como endoscopia ou tomografia, segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde. Já em outros estados, a espera por exames pelo SUS é ainda maior. No Rio Grande do Sul, pode-se chegar até dois anos aguardando o procedimento, e, na Bahia, a espera pode passar de quatro anos.

“O problema vai além do tempo de espera para a consulta e para os exames. Muitas vezes me ligam para avisar que a consulta foi adiada. Uma vez cheguei na consulta e os exames já estavam velhos demais, então o médico pediu para fazer os mesmos exames novamente. Como tenho hipertensão e um único rim, deveria ter um acompanhamento médico mais frequente. Agora, por exemplo, estou desde agosto esperando ser chamada para realizar alguns exames”, conta Sueli Souza Barbosa, aposentada, com 66 anos.